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  • Resistir é inútil, renda-se à IA!

    O mundo está evoluindo rapidamente, e resistir às mudanças que esse fato tem proporcionado é inútil. Renda-se, pois está mais do que na hora de aproveitar as oportunidades que os avanços tecnológicos propiciam. Vamos começar com uma rápida contextualização pessoal: lá se vão 40 anos desde o meu primeiro contato com computadores, em 1982. Tive a oportunidade de entrar no mundo da tecnologia bem cedo, quando tudo ainda era "desconectado"; o poder de processamento dos computadores era bem limitado: exemplo disso era que eu estava aprendendo a programar contando com parcos 2 Kbytes de memória RAM - para dar uma noção, isso equivale a pouco mais de 2.000 caracteres. Muita coisa mudou de lá para cá, e confesso que quase nada do que surgiu desde então foi, de fato, uma surpresa. Expansão da Internet, capacidade de armazenamento praticamente infinita e o computador de bolso... tudo era questão de quando, e não se. Obviamente, ninguém tinha uma bola de cristal, e muito menos a chance de visitar o futuro antes dele acontecer (sic). Mas eu cresci absorvendo conteúdos de autores com visões de futuro deslumbrantes - e nem sempre felizes: Isaac Asimov, HG Wells, Julio Verne, Carl Sagan e tantos outros. Então o se já era determinado, na minha visão. O que era indeterminado e, portanto, distante era o quando. Eu não sabia que estaria vivo para desfrutar os avanços tecnológicos que eram apresentados a mim como ficção científica! Essa foi a verdadeira surpresa: a VELOCIDADE com que as coisas aconteceram! E hoje? Bem, temos a realidade das inteligências artificiais acontecendo em larga escala. Previsível? Sim. Mas, nesse caso, o quando chegou a um absurdo estranhamente emocionante: a OpenAI (ChatGPT) trouxe para o nosso dia-a-dia aquilo que acredito ser o mais próximo de HAL 9000, o "computador" protagonista do filme "2001: Uma Odisséia no Espaço" - um filme de 1968. 1968! Está claro que temos um grande marco sendo estabelecido nesse momento. E o espanto de todos frente ao que a OpenAI é de uma beleza indefinível - e olha que muito ainda está por vir. No entanto, essa realidade faz (quase) todo mundo partir para o debate comum: "mas quantos empregos a IA irá extinguir?". E nesse ponto, lembro de algumas palestras que tive a feliz oportunidade de assistir na edição 2017 do evento SXSW. Duas coisas marcantes que registrei: 1. Humanos já estão sendo substituídos há algum tempo em muitas atividades, e com méritos. O ritmo e intensidade disso serão mais acelerados de agora em diante. Recomendo os autores e o livro What To Do When Machines Do Everything. 2. Inúmeras novas oportunidades estão surgindo ou surgirão - nós, humanos, estamos sendo POTENCIALIZADOS. Nesse aspecto, recomendo a palestra Intelligence Augmentation - The Next-Gen AI, da Melanie Cook. Concluindo... Um grande amigo meu resumiu recentemente para mim sua percepção sobre o ChatGPT da seguinte forma: Cara, isso é o mais próximo daquilo que eu imaginava que seria um computador quando eu tinha dez anos de idade! Eu concordo. E tudo isso dá o que pensar: Estamos preparados para sermos substituídos por máquinas? Como sociedade, estamos preparados para aproveitar a hibridização de humanos e robôs? Nossos atuais modelos e métodos de educação e de ensino suportam esses avanços? Bônus: como experimentar a OpenAI? Estude, brinque, mostre aos amigos, aos colegas, aos familiares... enfim, aproxime-se dessa revolução. Eu GARANTO que você irá surpreender-se de uma forma encantadoramente positiva! Crie uma conta na OpenAI. Acesse o ChatGPT com o login criado, e pergunte qualquer coisa, sobre qualquer tema. A ferramenta compreende português, não precisa ser em inglês. Converse naturalmente, peça exemplos, detalhes, fatos. Admire. Acesse a DALL-E com o login criado. Peça para criar uma imagem. Um exemplo: "Uma arte 8 bits de um monstro peludo branco com chifres em um sala de cor púrpura". Admire. Adriano Pereira Apaixonado por Tecnologia, Marketing, Dados, Resultados e Pessoas Parceiro da AdvisorTips Publicação original no LinkedIn

  • Dez maneiras de propiciar performance para sua equipe de desenvolvimento!

    Poucas pessoas percebem como exatamente a Inteligência Artificial é uma das ferramentas que podemos utilizar para alcançar performance - mas é preciso estar disposto a sair da zona de conforto e explorá-la de forma consciente e responsável. Já ouviu falar de pair programming? A Inteligência Artificial é uma área em constante evolução que tem revolucionado diversos setores, incluindo o desenvolvimento de software. Com sua capacidade de processar grandes quantidades de dados e tomar decisões baseadas em padrões, a IA está sendo cada vez mais utilizada para ajudar no desenvolvimento de soluções, especialmente em pair programming. Pair programming é uma técnica de desenvolvimento de software em que dois programadores trabalham juntos, compartilhando a responsabilidade de escrever código e solucionar problemas. Este método mostra-se eficaz para aumentar a qualidade e a velocidade de desenvolvimento de software. No entanto, a IA pode ajudar ainda mais, oferecendo novas formas de colaboração e melhorando a eficiência do processo. Uma das formas em que a IA pode ser utilizada no pair programming é através de assistentes de código. Estes assistentes podem ajudar os programadores a escrever código mais rapidamente, sugerindo completações de código e correções de erros. Além disso, eles também podem ajudar na identificação de padrões e tendências em dados, o que pode ser útil para a tomada de decisões sobre o projeto. Outra forma em que a IA pode ser utilizada é através de ferramentas de análise de código. Estas ferramentas podem ajudar a identificar problemas e padrões no código, o que pode ser útil para melhorar a qualidade e a facilidade de manutenção do software. Além disso, elas também podem ajudar a identificar pontos fracos no código, o que pode ser útil para prevenir futuros erros. A IA também pode ser utilizada para melhorar a colaboração entre programadores. Por exemplo, ela pode ser usada para criar uma plataforma de comunicação que permita aos programadores compartilhar informações e solucionar problemas de forma mais eficiente. Além disso, ela pode ser usada para criar uma plataforma de gerenciamento de projetos que permita aos programadores visualizar o progresso do projeto e tomar decisões mais informadas. Apenas para citar algumas formas de como a IA pode ajudar no pair programming e incrementar a performance de um time de desenvolvimento: Resposta rápida a perguntas de codificação Geração de código a partir de especificações Ajuda na revisão de código Sugestões de melhoria de performance Detecção e correção de erros de sintaxe Conselhos sobre boas práticas de codificação Ajuda na definição de estruturas de dados e algoritmos Solução de problemas técnicos Busca de documentação relevante Treinamento para o desenvolvimento de habilidades técnicas Em resumo, a incorporação da IA no pair programming pode ser a chave para alcançar novos patamares de qualidade e eficiência no desenvolvimento de soluções. É importante que as equipes de engenharia de software estejam atentas às possibilidades que a IA oferece e estejam dispostas a explorá-las para obter resultados ainda melhores. O futuro do pair programming é brilhante e a IA é uma peça-chave para o seu sucesso. Adriano Pereira Apaixonado por Tecnologia, Marketing, Dados, Resultados e Pessoas Parceiro da AdvisorTips Publicação original que inspirou essa publicação encontra-se no LinkedIn

  • Altos vôos

    Estou aqui aguardando o embarque em um vôo que já está atrasado mais de 1 hora. O aeroporto de Curitiba está fechado por falta de visibilidade. Engraçado como a única área sem visibilidade na cidade é exatamente a área do aeroporto. Só pode que o tal Murphi deve ter participado do processo de escolha do local deste aeroporto. A sala de espera está uma loucura, com pessoas amontoadas, olhando ao redor, sem nada o que fazer, além é claro de ficar reparando um nos outros. Fico imaginando que tipos de comentários passam na cabeça de cada pessoa que está aqui. Parece que até consigo ouvir as madames criticando o sapato e a vestimenta da burguesa hippie que acaba de entrar. E os altos executivos censurando a gravata rosa com terno marrom do sujeito com cavanhaque. Mas o importante é que eles estão tentando achar alguma coisa para se distrair. Alguns, como eu, sacam seus brinquedinhos tecnológicos e põem-se a fazer a pose de que estão trabalhando. Outros não têm mesmo como disfarçar, e ficam reparando e analisando as pessoas, como por exemplo, a Senhora aqui do meu lado que tenta desesperadamente ler o que eu estou escrevendo no Notebook. Calma minha Senhora, depois eu te passo o link do Blog. Mas há de se dar um desconto, pois tudo que envolve a questão voar não é fácil. Já se tem polêmica desde a discussão sobre quem foi o inventor da aviação e até hoje parte do mundo ainda discorda da outra parte. O fato é que não fomos feitos para voar, e conseguir este feito sempre causa reações inusitadas. Talvez seja por isto que vemos estas coisas estranhas nos aeroportos. Já começa pelo fato de todos serem forçados a chegar com muita antecedência, com exceção (claro) do avião que quase sempre atrasa. Mas isto é só um detalhe, pois chegar com antecedência é o mínimo que podemos fazer para podermos passar a vergonha no raio-x (com aquela moeda ou chave que teima em ficar no fundo do bolso) ou assistirmos à dança dos portões de embarque em São Paulo, que sempre por reacomodação da aeronave, nunca está no portão que consta no bilhete. Então não é de se estranhar toda esta insegurança das pessoas desde a sala de embarque, que mesmo nos dias onde não há congestionamento como hoje, as pessoas já não estão totalmente confortáveis. Prova disto são os comportamentos que veremos nas cenas dos próximos capítulos, que nem precisa ser mago para prever, pois sempre ocorrem: Quando os auto-falantes anunciam um vôo, vejo tanta gente correndo para o embarque, que fico com a impressão que o anúncio foi de fogo no recinto, tamanha a volúpia de alguns para chegar à fila. Será que eles não sabem que existem lugares marcados? Mas não adianta… todos saem correndo. Nos aeroportos onde o transporte até os aviões é feito por ônibus (caso de São Paulo), a correria na fila se justifica ainda menos, pois os últimos a entrarem no ônibus serão os primeiros a sair do ônibus e por conseqüência os primeiros a entrar na aeronave. Dá para entender?!! Para aeroportos com “fingers”, o acesso à aeronave é mais tranqüilo, mas sempre existe aquela fila na entrada da porta do avião. Mais uma vez me pergunto. Porque sair correndo daquele modo? Eu deveria chegar à conclusão que devem ser todos loucos por avião e querem logo experimentar esta sensação de voar. Dentro da aeronave, começa o verdadeiro empurra-empurra para que todos se acomodem. Depois de alguns acertos e discussões, provando que alguns realmente não sabem diferenciar letras ou números nos assentos, começam as instruções da equipe de bordo. O que para muitos é corriqueiro, para outros a novidade das informações pode chocar, já que para alguém que nunca decolou, ficar sabendo que mascaras de oxigênio cairão do teto em caso de descompressão, pode aumentar ainda mais a insegurança. Verdade seja dita que alguns colegas maldosos (como eu) podem ter convencido alguém que está voando pela primeira vez, de que este tipo de demonstrações e orientações apenas acontecem em vôos de MUUUITO risco, o que certamente deixa este passageiro ainda mais assustado. Mas brincadeiras com novatos são normais, e aquelas recomendações de não se abrir a janela para não jogar vento das fileiras de trás, ou orientações para que o novato pegue recibo do consumo no avião, para futuro reembolso, já não são tão usuais assim. As pessoas já sabem o que esperar de um vôo e a cada dia aumenta o número de usuários da aviação. Durante o vôo, tudo se acalma e as comissárias começam a servir as bebidas e lanches. Alguns aproveitam a platéia cativa que, diga-se de passagem, não tem como sair do recinto, começam a mostrar seus dotes, seja de apresentador de suas idéias, falando alto, ou de galanteador das comissárias. Estes últimos esquecem que estão lidando com profissionais que aturam sujeitos assim o tempo todo. Lembro daquele sujeito que ao ser tratado de “Senhor” fala a célebre frase para a comissária: “SENHOR está no céu minha querida”. E ela com toda a educação responde: “E estamos aonde agora Senhor?”. Mas se estas pessoas gostam tanto de voar e gostam do show abordo, não entendo o porquê que ao chegar ao seu destino, nem esperam o avião estacionar direito e já soltam os cintos de forma frenética e se põem de pé, com os pescoços tortos e a cabeça encostando no maleiro acima. E claro, ficam assim tensos por vários minutos. Quando a porta da aeronave é finalmente aberta, tem-se uma nova correria e empurra-empurra. Todos agora alucinados para sair o mais rápido possível. O pior de tudo é que a maioria ainda vai ficar em pé lá fora, esperando longos minutos pela bagagem. Então…, não disse que voar não é fácil??!  Mas o mais difícil é entender porque todos agem assim.

  • Diversidade. Pra quem?

    À primeira vista, um título destes pode parecer que o assunto é voltado a inclusão das chamadas minorias no mercado de trabalho, seja com a inclusão de pessoas com deficiência, classes sociais menos favorecidas ou com diferentes opções sexuais. Neste momento eu gostaria de falar de algo diferente, que não passa por cotização ou o acesso a diferentes etnias no ambiente de trabalho. Quero falar da construção de equipes vencedoras, baseadas nas características individuais de cada pessoa, que se bem usadas podem ajudar a atingir ótimos resultados, mas que se negligenciadas podem ser o principal fator de insucesso nas equipes. Partimos do princípio que todos nós somos diferentes um dos outros. Temos idades diferentes, criações diferentes, experiências profissionais diferentes, etnias diferentes e temperamentos diferentes. Existem vertentes que dizem que não há como tratar todos na equipe da mesma maneira. Mas se tratarmos cada uma de uma forma diferenciada, não corremos o risco de aplicarmos pesos e medidas diferentes para as pessoas e termos problemas com a tão reivindicada isonomia? Este é o maior risco que os administradores e gestores correm ao tentar agradar a todos e acabam não agradando ninguém. É possível então ser flexível com cada pessoa e ao mesmo tempo aplicar a mesma medida a todos? Apesar da necessidade de se respeitar a individualidade, sempre deve-se preservar o coletivo e os valores da empresa. Ou seja, o tratamento individual é válido desde que não prejudique a empresa e nem a equipe de trabalho. Qualquer privilégio individual, de quem quer que seja, poderá ser encarado como protecionismo e prejudicará a percepção positiva de toda a equipe. Quando houver necessidade de conceder um benefício individual, o gestor precisa ficar atento para que este benefício seja dado a quem tem merecimento e reconhecimento deste merecimento por toda a equipe. Mas a capacidade de criação de uma equipe vencedora não passa apenas pelo respeito às individualidades e o gerenciamento da percepção coletiva. Estes princípios são apenas uma questão básica de manutenção da motivação e união da equipe. O segredo da criação de equipes vencedoras é a distribuição de atividades para cada pessoa da equipe, baseado naquilo que cada um sabe fazer de melhor, e naquilo que cada pessoa tem capacidade de geração de resultado, conforme as suas características pessoais. Muito se reclama da incompetência de gestão de alguns líderes, ou da lentidão de alguns funcionários, ou ainda da falta de qualidade de algum trabalho feito por alguém da equipe, o que normalmente afeta todo o resultado da equipe e da empresa. Ter as pessoas certas nos lugares certos é a gestão mais complicada e mais importante para se criar equipes vencedoras. Inúmeras vezes eu vi excelentes profissionais técnicos terem o seu reconhecimento através de uma promoção para gestão da equipe, e em muitos casos, estes mesmos profissionais que eram brilhantes em suas carreiras técnicas se mostraram incapazes em suas atividades de liderança. Pode parecer pesada esta avaliação da pessoa como incapaz, mas é a palavra correta para demonstrar o que realmente acontece nestes casos. A pessoa que passa por esta situação é na verdade uma vítima da falta de critério de quem decide quem irá exercer cada papel dentro da empresa. E por ser ignorante quanto ao que se exige de um líder, ou ignorante quanto às suas próprias características pessoais, passam a conviver com uma frustração enorme com o desenrolar negativo de sua incapacidade profissional. O erro está na escolha desta pessoa para ocupar uma função, que não é condizente com sua personalidade ou experiência profissional. Se respeitarmos as características de cada um e sua capacidade de exercer as funções que mais se adequam a sua personalidade, daremos um grande passo a iniciarmos a montagem de uma equipe vencedora. Mas ninguém nasce pronto e ninguém sabe de tudo. E por isto, é importante investir também naqueles que tem a capacidade e querem aprender. A capacitação profissional é fundamental para que quando as oportunidades surjam estas pessoas estejam na condição ideal para aceitar novos desafios. A diversidade de perfis e funções na equipe dá maior oportunidade de crescimento profissional. As pessoas podem ocupar novas funções e responsabilidades, sejam as já existentes ou novas funções que surjam como fruto da amplitude das capacidades da equipe. É isto que garantirá novas ideias, formas de inovação e a vantagem competitiva desta equipe. Então em resumo, o segredo de equipes vencedoras passa por respeitar as individualidades, mas somente até o limite dos interesses da coletividade. De nada adianta ter uma equipe diversa se esta diversidade não está voltada a atingir resultados coletivos. Muito menos adianta ter valores coletivos que não estejam voltados a promover o crescimento individual de cada pessoa. É um círculo virtuoso que gera resultados cada vez mais positivos. Na sua equipe, as pessoas certas estão nos lugares certos? Onde você trabalha o coletivo prevalece e se preocupa com a concretização de cada um dos sonhos individuais?

  • C0-mu-n1-q c

    Mas um outro problema acontece nas nossas relações, que é a comunicação as vezes não é entendida por uma das partes, ou na pior das hipótese por ambas as partes. Pode-se imaginar que existindo o diálogo, a comunicação está garantida, mas isto nem sempre é verdade. Exemplo disto é a comunicação na internet, que possui uma linguagem própria entre seus usuários. Cada vez mais a comunicação é reinventada e novos linguajares são adotados. Com os “emoticons”, até o sentimento ficou mais fácil de expressar nas nossas comunicações escritas. Mas será que é somente esta adaptação aos novos linguajares que precisamos fazer para sabermos nos comunicar? Será que não existem outras armadilhas que podemos cair no uso de nossa comunicação? É claro que não basta só conhecer a linguagem, pois dependendo do recurso utilizado a forma de expressão vai ser diferente e pode não ser tão rica como a forma tradicional da conversa presencial. Um caso clássico disto é a frieza de comunicação dos e-mails. Esquecemos que este meio de comunicação é cada vez mais direto e mais impessoal, que torna a percepção muitas vezes incorreta de quem lê o texto. Como nos e-mails não existe a expressão facial ou a tonalidade da voz, muitas mensagens dão margem a interpretações errôneas e o emissor precisa antes de enviar a mensagem estar atendo a estas possibilidades de entendimento por parte do receptor. O uso de emoticons ou das “carinhas” ;o) representadas por caracteres ajudam no contexto, mas nem sempre é possível usar destes meios em e-mails mais formais. O melhor mesmo é saber usar corretamente as palavras para que não sejam mal interpretadas. O importante de tudo isto é sabermos que a comunicação não é o que eu falo ou escrevo e sim o que é entendido por quem recebe a minha informação. Se esta preocupação for levada em conta a cada texto que escrevo ou conversa que tenho, já estarei dando um passo importante para uma boa comunicação. Então é só isto? Não. Para complicar ainda mais, temos a comunicação em outros idiomas, que diante da globalização, passa a ser vital nos negócios e no entendimento do que acontece ao nosso redor. Mas nem sempre saber o idioma significa saber se comunicar de forma adequada. Isto vai desde o que é dito até os gestos usados. É muito comum que em culturas diferentes um sinal de positivo seja interpretado como uma ofensa, ou uma simples saudação não seja bem recebida. Mas não precisamos ir tão longe, pois mesmo usando da mesma língua o regionalismo por si só já é capaz de gerar situações inusitadas. Vale aqui mencionar o caso de uma recepcionista que trabalhou comigo, que por ser Portuguesa viveu alguns casos engraçados ao chegar ao Brasil. Em sua primeira entrevista, o interlocutor ao perceber o sotaque dela perguntou se ela era “Catarina” e ela prontamente respondeu que não era e que na verdade o nome dela era “Carla”. São situações assim que me fazem pensar o quão difícil é saber se comunicar e se fazer entender de forma correta. Eu que vivo em um mundo de comunicação, sinto que o grande problema atual vivido nas empresas é justamente a falta de comunicação. O guru corporativo Peter Russell, chegou a dizer que atualmente cerca de 90% dos problemas das empresas giram em torno da comunicação (da ausência dela). E que a tendência para o próximo milênio é dessa porcentagem aumentar muito mais. Então o problema não é apenas pessoal e se estende em todas nossas esferas de interação, queiramos nós ou não. Para vermos como as mensagens podem ser desastrosas, cito uma família nos Estados Unidos que estava querendo comprar um imóvel de veraneio na Alemanha, e se interessou por uma casa de um Pastor Alemão (pastor mesmo, e não a raça canina). Seguem as mensagens trocadas: “Gentil Pastor: Estamos interessados na sua propriedade, gostaríamos que nos informasse sobre um detalhe que nos passou despercebido e que não achamos nas informações enviadas. Poderia nos informar onde se fica W.C.?” O Pastor não conhecia o significado da abreviatura W.C., mas julgando tratar-se da Capela denominada “White Chapel”, respondeu com o seguinte conteúdo: “Prezado Senhor Recebi sua dúvida e tenho o prazer de informar que fica a 12 km da casa, e é preferível levar o que comer já que aqui na região temos o costume de ficar o dia todo lá. Não se preocupem, pois há instalação de ar condicionado para evitar os inconvenientes da aglomeração. As crianças sentam-se ao lado dos adultos e todos participam em coro. À entrada, é fornecida um jornal a cada pessoa. Tudo que se recolhe durante a cerimônia é para o fundo de nossa horta comunitária. O Pastor” Da próxima vez que você estiver escrevendo um e-mail, pense nisto… e comece a escrever textos à prova de idiotas, de forma que até você mesmo possa entender. 🙂

  • A bola é minha

    A maioria dos garotos já deve ter vivenciado a cena de uma discussão no campinho de futebol, onde o dono da bola, ao discordar de alguma coisa, simplesmente pega a sua bola e vai embora, terminando com a brincadeira de todos. O que pode parecer apenas um fato entre crianças, nos ajuda desde cedo a entender o relacionamento com o poder, é também algo que acaba acontecendo na vida adulta e faz parte de nosso dia-a-dia, seja na nossa vida profissional ou pessoal. Mas não quero comentar sobre o poder e suas conseqüências. Prefiro usar o mesmo exemplo do futebol para falar da falta de comunicação que existe hoje. Lembrei estes dias desta experiência da bola de futebol, quando ao participar de uma partida, tivemos algumas discussões em campo, com aquela cobrança natural de empenho de todo o time e de que cada jogador desse o seu melhor e buscasse errar o mínimo possível. Qual não foi minha surpresa quando, um dos jogadores que não estava tão bem na partida, não aceitou as reclamações do time e se retirou de campo, sem dizer uma palavra e nem a razão da não aceitação das reclamações que estavam sendo feitas a ele, e com isto levou consigo, outros 2 jogadores que estavam de carona com ele. A brincadeira simplesmente acabou. Quando isto aconteceu, percebi que a falta de comunicação é tão prejudicial quanto o mau uso do poder. Nos dois exemplos que eu relatei, as conseqüências foram as mesmas, ou seja, a brincadeira acabou e sobrou uma tremenda frustração e nem todos conseguiram entender direito o que aconteceu. Então se não é dado a todos a possibilidade do poder, pelo menos a oportunidade de comunicação é dada e temos que fazer um bom uso dela. Ficar recluso em nossos pensamentos, “bicudos”, resmungando, ou procurar se afastar, achando que assim resolveremos nossos problemas, são atitudes que geram efeitos colaterais que não atingem somente a nós, mas a todos os envolvidos no trabalho, família ou qualquer outro grupo que façamos parte. Se você não concorda com algo, se expresse, exponha seu ponto de vista, pois é assim que você estará dando a oportunidade aos outros conhecerem as suas opiniões. Não espere aceitação de todos. É difícil, mas tente aceitar mais os outros… do que tentar sempre ser aceito, mas nunca, nunca mesmo deixe de se comunicar. Se hoje você deixa de se comunicar, procure então não reclamar da falta de compreensão, ou evite ficar achando que o mundo está contra você. A comunicação foi construída para abrir horizontes e não como uma ferramenta de fechamento de horizontes. Não reclame de quem se comunica demais, ou os chamados “oversharing”, pois isto é fácil de você bloquear ou filtrar, mas olhe para sua dificuldade de comunicação, pois você pode estar perdendo muitas oportunidades com isto. A escolha ainda é sua.

  • Aprendendo tudo na Universidade

    Quando eu estava estudando na minha graduação eu via muita gente com vontade de aprender, mas muitos deles não conseguiam aprender a aprender. Pensavam que o aprendizado estava somente nas matérias que estudávamos, mas todo o aprendizado que tínhamos com nossos colegas de classe era tão importante quanto o aprendizado da instituição. Poucos percebiam isto. Lembro que na festa de minha formatura, um dos colegas comentou em tom de brincadeira que tínhamos conseguido o Bacharelado em Truco (jogo de cartas), pois aproveitávamos cada intervalo para aprimorar nossas qualidades neste “esporte”. Mas o que para muitos era uma forma de extravasar a tensão, ou compensar as longas aulas teóricas, para mim sempre foi um aprendizado. O que se pode aprender com o Truco? (1) Regras: Até mesmo nos jogos tradicionais as regras sofrem adaptações e ao saber adaptar-se a novas regras e novos formatos pode-se ter um diferencial na vida profissional. (2) Verdades ou Mentiras: O blefe faz parte no jogo e muitas vezes é usado como forma de intimidação. Saber identificar o blefe e desmascarar o mentiroso é algo que se aprende ao longo do tempo e te dará respeito perante o grupo. Investigue, tenha mais informação antes de tomar uma decisão. Não acredite em tudo que ouve. (3) Experiência: A prática leva à perfeição. Aprenda com os mais experientes e pratique bastante, pois as situações passadas formam o conhecimento, que te permitirá tomar decisões no presente com maior rapidez. (4) Território: Aprenda a defender aquilo que você conquistou. Quando se está com muitos pontos, e o momento não está muito bom, aprenda a esperar o melhor momento de aceitar ou fazer novas propostas. Não aposte alto, com o risco de perder tudo. (5) Especialidades: Cada um tem habilidades diferentes dos outros e saber identificar nossas qualidades é um grande aprendizado. Não convide um jogador profissional de Xadrez para jogar Xadrez com você. Se quiser ganhar, chame ele para jogar um Truco (de preferência que ele nem saiba todas as regras e truques). (6) Trabalho em equipe: Não há como jogar sozinho. Aprenda a trabalhar em equipe e a tirar o melhor proveito de cada habilidade dos integrantes do time. (7) Cenários mudam: A cada nova rodada, a situação será diferente. Aprenda a tornar isto positivo e a como aprender mais a cada etapa vencida ou perdida. A cada rodada, se aprender com cada episódio, será um jogador melhor. (8) Comunicação: Saber se comunicar pode ser seu grande diferencial, pois nos momentos críticos é a comunicação que te trará aliados, ou te indicará perigos. Se comunique e aprenda a traçar estratégias em conjunto. (9) Recursos: No jogo, o segredo é usar bem o que se tem à disposição. Aprenda a dar tiros certos, usando o calibre necessário para cada situação. As vezes aguardar o momento certo para fazer uma proposta é melhor do que deixar a ansiedade atrapalhar tudo. (10) Sorte: A sorte é uma aliada importante, mas não se deve reclamar da falta dela, pois é necessário aprender a entendê-la e saber quando ela está do nosso lado. Não conte somente com ela para resolver seus problemas. Quando o jogo chega empatado na sua última rodada, a sorte será muito importante. Mas se você deixar chegar a este extremo, as dicas acima não farão muito mais sentido. Procure programar e conquistar seus objetivos com uma certa folga, pois se você depender da sorte, certamente estará dando uma chance ao azar. O bacharelado do Truco pode não ter um diploma oficial, mas pode ensinar muita coisa. Basta querer aprender.

  • Pokémon Go até aonde?

    O que parece um roteiro hollywoodiano está acontecendo agora em muitos países onde o jogo Pokémon Go foi lançado. Mais de 100 milhões de pessoas no mundo já baixaram o aplicativo. Uma febre. Os milhares caçadores de Pokémons digladiam-se em locais públicos para capturar esses pequenos seres virtuais. Como um jogo de apelo infantil virou febre global e está provocando uma transformação social na forma de interação de marcas, produtos e serviços? Sabemos que o trade do entretenimento se vale de uma fórmula simples: a fantasia. Algo que nos tira do dia a dia e nos transporta para outra realidade. E cada vez mais a tecnologia está nos transportando para outra realidade, seja virtual ou modificada, a que chamamos de Realidade Aumentada. A aplicabilidade disso é imensa e, com certeza, vai mudar a sua vida. Então, essa comoção mundial no lançamento do jogo Pokémon Go é por causa dessa tecnologia? Não. Não é só isso. Em qualquer jogo em rede, todos querem ter o reconhecimento coletivo e estar entre os melhores. Com o Pokémon Go não é diferente. Agora imagine poder fazer isso em um cenário real, vitaminado com novos componentes virtuais divertidos. É uma mistura de realidade e fantasia, tudo ao mesmo tempo. O tabuleiro do jogo pode acontecer em qualquer lugar: na rua, no escritório, em um estádio de futebol… Para jogar, basta um telefone celular. É o fim da imagem do jogador solitário, preso entre quatro paredes, ou de cenas de filmes futuristas mostrando que seremos cérebros enormes em corpos atrofiados. Esqueça isso! As pessoas estão é nas ruas, interagindo neste novo mundo. A popularização tão rápida do jogo gerou curiosidade e bastante exposição na mídia e nas redes sociais. Vemos todo dia casos de pessoas criativas utilizando artifícios divertidos para ter um melhor rendimento no jogo, usando drones ou até animais de estimação para os ajudar. Também temos notícia de pessoas se machucando ou se expondo ao perigo por estarem imersas e distraídas com o jogo. Essa reação das pessoas mostra como vamos interagir com o mundo e como será o próximo passo da socialização. Estamos vendo o início de uma sociedade diferente, com o virtual e a realidade andando cada vez mais juntos. Se antes sabíamos diferenciar o digital e o analógico, e hoje isso já não faz mais sentido, em um futuro próximo podemos apostar que não saberemos diferenciar o virtual da realidade. Não se trata apenas de um novo jogo, mas de como nos relacionaremos a partir de agora. O Facebook já anunciou um grande investimento na Realidade Aumentada, e quem já viu esse novo ambiente garante que vamos mudar totalmente a interação nas redes sociais. Seria o mundo real vivido na irrealidade da virtualidade ou seria a virtualidade sendo vivida no mundo real? Pouco importa. A realidade como a conhecemos hoje nunca mais será a mesma. Mesmo aqueles que já tomaram a iniciativa de estudar e antecipar comportamentos, criaram seus laboratórios de inovação e desenvolveram novas tecnologias de consumo já perceberam que ainda é muito cedo para conhecer o impacto final dessa socialização tecnológica que está acontecendo. Mas não será pouca coisa. Imagine o poder que alguém terá ao dominar a técnica de transformar nossa própria realidade. O marketing também será bastante afetado com esse novo comportamento. Mudará a forma como compramos as coisas, como escolhemos produtos e até como utilizamos os produtos na nossa casa. Sairá na frente quem for capaz de entender que suas estratégias, produtos, serviços e a forma de se relacionar com os consumidores não precisam mais ser apenas compostos de elementos reais. Você imaginaria locais de votação como existem nos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório, usando Pokémons para atrair eleitores? E que tal a criação de um serviço moto-Pokémon lançado no Brasil para caçadores dos bichinhos? Neste cenário, Pokémon Go é apenas um aperitivo, mas um laboratório sem fim para testar o que virá por aí em termos de comportamento social.

  • Maquina Humana?

    Elas estão mapeando os nossos genomas e ajudando a conhecer o ser humano em detalhes antes não sonhados. Estive no SXSW 2016. Um evento como este nos faz repensar muitos aspectos, não só sob o olhar da tecnologia mas o quanto ela pode nos ajudar a facilmente ultrapassar barreiras, as vezes até de leis e de éticas. Podemos ver hoje no painel “The Holy Grail: Machine Learning and Extreme Robotics” como nós humanos estamos avançados em criarmos máquinas cada vez mais parecidas com a nossa espécie. Foi impressionante ver o robô Sophia, participar do painel, sentada na bancada junto com outros apresentadores, como desenvoltura e com grande parte da linguagem corporal incorporada em seus movimentos. A inteligência artificial e o learning machine adotado pela equipe criadora da Sophia é algo realmente fabuloso. Mas não foi isto que mais me assustou no dia. Foi uma via contrária a isto. Máquinas que estão mapeando os nossos genomas e ajudando a conhecer o ser humano em detalhes antes não sonhados. Com a crescente capacidade de compreender o genoma humano através do uso “learning machine” e projeções, teremos em breve um novo capítulo na história da medicina. Na palestra conduzida por Riccardo Sabatini e Loic Le Meur, com o título “Cracking the human code”, falou-se não só sobre a tecnologia usada para quebrar e projetar o código humano, mas como algumas situações serão criadas a partir deste estudo. Poderemos ter remédios personalizados, prevenindo o aparecimento de doenças pré-dispostas, super-habilidades serão melhor exploradas, e a tão sonhada cura para o envelhecimento poderá ser finalmente conseguida. Mas muitos debates vão surgir a partir disto. Imaginem que muitas premissas poderão ser criadas a partir de um acesso a todos de seus genomas. Empregos podem exigir genomas com características específicas. Casamentos serão pautados através de características de genomas. Adolescentes ou crianças já serão escolhidas para trabalhos futuros baseando-se em premissas sobre sua capacidade de executa-los. Chega a ser assustador pensar nas possibilidades que a tecnologia em breve nos dará de conhecermos a nós mesmos e como isto pode até mudar a forma como nos relacionamos e nos encaixamos na sociedade. Existem muitos pontos benéficos nesta capacidade de mapeamento de genomas, mas existem tantos outros pontos muito preocupantes. Sem dúvida, entre ver uma máquina robô interagir como um ser humano e ver uma máquina que é capaz de mostrar publicamente muito mais sobre o que somos, prefiro a diversão da máquina falante. Estes dois assuntos ainda vão gerar muitas discussões que envolverão ética, medicina, religião e até aspectos legais. Só o tempo dirá como seremos capazes de tratar estas novas tecnologias. Enquanto isto, seguimos em frente aqui em Austin, tentando achar outras palestras perturbadoras.

  • Software como uma agência

    No momento que estamos vivendo os clientes querem respostas rápidas e nem sempre se tem o tempo adequado para iniciar estudos sempre do início. Os dias no SXSW 2016 estão bem intensos e com muita informação para absorver. Um painel em específico me chamou a atenção por seu título, “Software as an agency”. Fui conferir o conteúdo, mesmo sabendo que a palestra seria fora do centro de convenções e dos principais hotéis, que costumam agregar as melhores palestras. A sessão aconteceu no Old School Bar, um lugar modesto que fica 6th Ave, lugar mais conhecido por sua vida noturna de bares e baladas do que por acomodar boas palestras. O nome do bar não ajudava muito a imaginar que ali eu teria alguma aula de algo inovador, ou pelo menos atual. Mas o assunto me interessava e resolvi arriscar. Fui lá conferir. O palestrante foi Cory Clarke, um conhecedor do mundo de agências e de tecnologia. Ele iniciou a conversa falando sobre algumas oportunidades que a tecnologia pode ajudar a transformar o negócio de agência. Todos nós sabemos que as agências de publicidade têm buscado se digitalizar para fazer frente as mudanças tecnológicas da atualidade. Mas de acordo com Clarke, nosso modelo operacional real não tem se transformado com a vinda da tecnologia. As agencias que estão experimentando um crescimento acelerado fazem parte de um tipo específico de empresas. São agências que estão se renovando a aprendendo com as empresas de tecnologia, aplicando processos que já funcionaram no mundo do desenvolvimento tecnológico. Isto não passa apenas por adotar metodologias como Agile, como Scrum ou Lean. Isto pode ajudar, mas não resolve o negócio das agências. É preciso aprender com as empresas de software o conceito de reaproveitamento de código e de “produtização” das entregas. No momento que estamos vivendo os clientes querem respostas rápidas e nem sempre se tem o tempo adequado para iniciar estudos sempre do início, com dias de imersão no assunto, pesquisas e todas as técnicas que adotamos para levantar os cenários e comportamentos. Para obter esta velocidade de entrega é necessário adotar as técnicas que conhecemos e encapsularmos isto como produtos, prontos para serem consumidos com um mínimo de customização. Clarke apresentou ainda um sistema que foi desenvolvido para a agencia dele e que agora é adotado por outras agencias que tem o objetivo de facilitar este encapsulamento de informações. Este software ajuda na forma como eles concebem marcas e criam experiências de marketing, o que na visão dele, eleva o valor do trabalho a um outro patamar, pois traz além da criatividade a inteligência da equipe em um formato de produto, que o cliente se acostuma a consumi-lo, sabendo o que esperar e o resultado que vai obter com este produto. Mas nada disto adiantaria se não usarmos o que tem de melhor na tecnologia: Informação. O mais importante em se digitalizar uma operação é fazer um bom uso da informação gerada. A vantagem de usarmos entregas estruturadas é que teremos dados estruturados e podemos compara-los e colocar em uma linha do tempo, identificando tendências e comportamentos. Ao ver tudo isto, se percebe o quanto as agencias modernas estão cada vez mais próximas das empresas de tecnologias, deixando de ser apenas agências e passando a transformar diretamente os negócios de seus clientes em um momento que vai muito além do que era antes chamado apenas de conversão para um mundo o digital. Quando o pensamento digital permeia toda a estrutura da agência, mais fácil será ter estes conceitos de “produtização”, metodologias ágeis e bom uso da informação para geração de negócios, pois fará parte desde o início do pensamento de um “programador de marketing” que atuará na conta, se distanciando, claro, de um pensamento “old school” de algum publicitário arraigado ainda em conceitos ultrapassados, onde a tecnologia poderá pouco ajudar. Valeu o tempo e o conteúdo obtido. Mostrou alguns caminhos e certezas sobre o nosso mercado. E eu sigo aqui, correndo para outras palestras.

  • O paradigma do estigma

    Desde crianças a gente recebe uma porção de informações que ajudam a formar nossas crenças e valores. Por outro lado, a sociedade tem mudado os seus valores de forma muito rápida, e as vezes estas mudanças são contrárias aquilo que temos como estigmas e estereótipos em nossa infância e juventude. Neste caso, temos um paradigma bem interessante. Se deixarmos de acatar as mudanças da sociedade seremos vistos como retrógrados, antiquados e até preconceituosos. Mas se abrirmos mão totalmente de nossos valores e ensinamentos que recebemos, podemos perder um pouco de nossa identidade e crenças. Mas nem tudo precisa ser 8 ou 80. É possível conviver com pensamentos e comportamentos diferentes dos nossos? Cada um de nós carrega uma história recheada de valores e visões do mundo e é de se esperar que estas histórias e valores não sejam iguais para todas as pessoas. Mas vivemos em uma sociedade onde se exige interação diária com pessoas que possuem visões diferentes das nossas, então temos que aprender a conviver com esta diversidade. O principal a ser desenvolvido nesta história é a tolerância. “Se entre a minha verdade, e a verdade do outro, existir a tolerância, os atritos tendem a não acontecer.” O problema é que queremos que nossa verdade sempre prevaleça sobre a verdade do outro e ficamos nesta eterna disputa de verdades. Na maioria das vezes aceitar a diferença é difícil, pois criamos estereótipos e estigmas dos quais temos dificuldade em nos desvencilhar. O wikipedia tem um texto interessante: Há também, estigmas de comportamento que definem e limitam aspectos da vida cotidiana. Por exemplo, a cor rosa no vestuário apenas para mulheres e o futebol como esporte de homens. Mas o que isto tem a ver com o ambiente profissional? Tem tudo a ver. Quem trabalha em empresas grandes tem a oportunidade de conviver com muitos tipos de pessoas. A tendência natural é que os grupos se formem baseado na afinidade de pensamentos e valores, e que estes grupos passem a se defender e defender as suas ideias. Este é um comportamento natural. Mas quando isto passa a ser relevante nas decisões profissionais a empresa começa a perder a credibilidade, pois começam a acontecer promoções por afinidade e não por merecimento, ou desligamentos por não compartilhar as mesmas ideias e não por baixa performance. Este é um risco que as empresas correm se não tomarem cuidado com este tipo de postura. Outro ponto importante é não deixarmos que os estigmas atrapalhem a evolução profissional. As vezes alguns profissionais são taxados e carimbados apenas com um determinado skill e são tolhidos nas oportunidades que exigem outros skills, pois a empresa não os acha capaz de desenvolver outros trabalhos. Mas na verdade o que falta é oportunidade destas pessoas exercerem outras funções. Gosto de citar o caso da atriz austríaca-americana Hedy Lamarr, que foi considerada uma das mulheres mais bonitas da Europa nos anos 1940. Mas a segunda grande guerra fez com que ela tivesse outras oportunidades de mostrar o seu maior talento, que era a matemática. Preocupada com a segurança nas comunicações por rádio, ela foi uma das inventoras de multi-frequência que era necessária na comunicação wireless, iniciando assim a era do pré-mobile. Sem ela não estaríamos usando nossos celulares. Mas o que uma mulher bonita e atriz de 1940 podia entender de matemática e eletrônica? É o mesmo que hoje nos perguntarmos… E o que o estagiário de finanças pode entender de criatividade? Rotular é o mais fácil e o mais errado. Se é difícil não ficar com uma primeira impressão, pelo menos nos devemos dar o direito de formar outras impressões ao longo do tempo e não apenas encaixar aquele indivíduo no grupo A ou grupo B. Certamente carregamos conosco muitos estigmas e conseguir quebrar o paradigma desta visão não é algo simples, mas devemos exercitar esta capacidade todos os dias. Se soubermos aceitar cada um com suas crenças e não tentarmos a todo custo convence-los que as nossas crenças são melhores, certamente acharemos outros pontos em comum que podem nos unir e nos aproximar destas mesmas pessoas. No meio de tudo isto, será que somos capazes de diminuir nossos preconceitos e focar mais nos preceitos do mundo que vivemos?

  • Iceberg à vista nas agências digitais

    A notícia pode não ser boa para a maioria dos entusiastas defensores do crescente mercado de publicidade digital. As agências digitais estão com dificuldades em continuar sendo competitivas no cenário atual. Não se trata de falta de competência ou falta de esforço dos desbravadores digitais. O problema está no modelo atual que é adotado pelo mercado de provedores de serviços digitais no Brasil. A grande verdade é que as agências digitais são novas se comparadas ao mercado publicitário. Elas se estabeleceram em um mercado recente e não tendo um modelo próprio de negócio, começaram a sofrer uma grande influência das agências tradicionais, que se apoiam ainda fortemente nas receitas advindas de mídias, com seus comissionamentos e bonificações por volume. Nas agências tradicionais, o agenciamento de mídia é o responsável por pagar a conta dos demais serviços, bancando atividades como o Atendimento, Planejamento, Criação e até produção em alguns casos. Este modelo tradicional começou a ser adotado também nas agências digitais, atendendo uma solicitação dos seus clientes, já acostumados com o processo de contratação das agências off-line. A maioria dos clientes entendia que este modelo de remuneração baseado em comissionamento de mídia já era testado e o mais fácil de justificar internamente, pois a responsabilidade de controlar os esforços e entregas de forma a se ajustar no budget de mídia seria das agências, como sempre havia sido. Mesmo as agências digitais que tentam oferecer outro modelo de remuneração, sofrem com o assédio das agências tradicionais aos seus clientes que muitas vezes oferecem o trabalho digital “sem custos”, só para manter a negociação atual baseada na remuneração de mídia. Isto é extremamente tentador para um cliente, pois não precisa mudar em nada seu processo de contratação e ainda “ganha de graça” os trabalhos digitais. Não vou entrar no mérito da qualidade dos trabalhos digitais que são entregues pelas agências mais tradicionais. Isto pode variar de agência para agência, e existem grupos tradicionais que conseguiram se adaptar rapidamente a esta nova realidade, mas não são todos. No entanto, é perfeitamente correto dizer que no nosso mercado não existem coisas “grátis”. De alguma forma se paga por aquilo que se recebe. Ou não se paga, mas também não se recebe. Um ponto que precisa ser refletido pelos clientes, mas que as vezes ingenuamente é aceito pelos clientes que tem metas de redução de custos. O problema maior é que este formato de agenciamento de mídia não é sustentável para as agências digitais, por vários fatores: As agências digitais têm uma característica mais laboral do que as agências tradicionais, pois o bom trabalho em mídia digital ou mídia de performance pode ser comparado a um trabalho em uma bolsa de valores. O termo agência é um termo que pouco faz sentido para as chamadas agências digitais. Talvez devêssemos chama-las de Corretoras Digitais, devido ao dinamismo e responsabilidade pelo resultado que uma operação destas exige. Os volumes de investimento digital no Brasil ainda são muito menores que os valores investidos na mídia tradicional. Isto é fruto de uma falta de conhecimento dos clientes neste assunto, que ainda preferem investir mais em canais de massa do que em canais mais segmentados e personalizados, como os ambientes digitais. Este baixo volume de investimento atual inviabiliza a remuneração baseada em comissionamento de mídia. A conta não fecha. O trabalho nos meios digitais exige a construção ou desenvolvimento destes ambientes, diferentemente da maioria dos veículos off-line, o que torna o trabalho ainda mais específico e trabalhoso. Ainda se tem um trabalho taylor-made para atender cada particularidade do negócio digital em várias disciplinas. Esta multidisciplinaridade dificulta a contratação pela área de marketing tradicional dos clientes, que prefere as vezes manter o investimento apenas em mídias convencionais e sem risco de implementação e ainda não ter que envolver outras áreas da empresa, como TI por exemplo. Se na mídia tradicional normalmente não se tem o controle muito rígido sobre ROI (Sigla em inglês de Retorno sobre o Investimento), no mundo digital a mensuração de resultado é em tempo real, e isto exige cuidado e atenção, tanto da agência como do cliente. Esta é uma responsabilidade que nem todos querem ter. O comércio eletrônico desponta como uma das grandes apostas para o aumento de vendas. Na Europa e nos Estados Unidos o e-commerce representa uma parcela muito substancial dos negócios. No Brasil, este montante ainda tem muito a crescer. Apenas as agências especialistas neste assunto estão conseguindo dar resultados. As agências tradicionais, podem não estar ainda totalmente preparadas para atuarem com eficiência neste segmento, seja pela maior especialidade que se exige ou por não ter um modelo mais justo de remuneração, que neste caso seria o comissionamento por vendas no e-commerce, mas a maioria dos clientes não estão confortáveis com este modelo de remuneração. Ainda se apegam ao comissionamento de mídia, que não funciona para este tipo de atividade. O mundo digital é complexo e cheio de especificidades, como Search Engine Optimization, Plataformas de Business Intelligence, e-Commerce, Search Engine Marketing, Social Media, ambientes digitais complexos, com ambientes logados e controles de segurança. Uma agência digital deveria ser capaz de desenvolver todas estas especificidades, integra-las, gerenciando projetos com todas estas disciplinas, contando com uma equipe robusta e especialista, coisa que não se exige em uma agência tradicional que já conta com um modelo clássico e já testado ao longo de vários anos.A maioria dos pontos que menciono aqui não são novidades para o mercado, mas poucos estão dispostos a mudar este modelo, tanto por parte das agências como pelos clientes. Mas conseguimos ver alguns movimentos interessantes acontecendo. Já percebemos um acréscimo na contratação de empresas verticais, especialista em apenas uma disciplina, onde o modelo de contratação pode ser melhor trabalhado e combinado com aquela especialidade, como por exemplo e-commerce, Social Media, desenvolvimento de plataforma digital ou SEO. Mas e o futuro das agências digitais full-service? Estas vão precisar de reinventar. Primeiramente assumindo que seu modelo não é e nunca foi sustentável se for amparado unicamente no agenciamento de mídia. As agências precisarão caminhar para um modelo de corretagem digital, administrando ativos e valores de seus clientes neste ambiente, fazendo recomendações e operando as ferramentas para gerar os resultados. No momento que isto for entendido pelos clientes e estas empresas digitais, fatalmente o modelo de remuneração terá que ser alterado, buscando uma remuneração mais justa e focada nos resultados obtidos. Com este novo modelo, as empresas poderão ter nos seus fornecedores digitais novos parceiros comerciais, preocupados com seus resultados e uma nova linha de negócios digitais, proporcionando novas fontes de receita, e saindo deste modelo atual onde muitos buscam apenas um fornecedor para cuidar institucionalmente de sua presença na Internet. Esta mudança precisa acontecer nos clientes, mas precisa ser proposta por estas novas empresas digitais, ou o que estamos chamando de Corretoras Digitais. Mesmo neste modelo de corretagem, as agências digitais atuais vão ter que remodelar suas estruturas e começar a pensar seriamente em dividir suas unidades de negócios, com foco especialista e com estratégias de comercialização distintas. Isto não significa que estas unidades não possam compor um Grupo, compartilhando custos de instalação, back office e atendendo full-service  as marcas que assim exigirem, mas cada unidade de negócio precisa contar com profissionais distintos na administração e com metas diferenciadas. Desta forma, cada empresa do grupo pode trabalhar melhor o seu modelo de remuneração e fechar acordos com os clientes, seja por success fee, comissionamento, fee por alocação de profissionais ou até agenciamento de mídia, mas dentro de realidade daquela disciplina técnica. O mundo está mudando muito rapidamente e sinceramente acho que este tipo de mudança no mercado já demorou demais para acontecer no nosso mercado. Já ouvi muita gente falando deste caminho, mas poucos colocando em prática e bancando esta revolução. Os resultados financeiros da maioria das agências digitais estão mostrando que elas precisam de reformulação, mas ainda não se sentem confortáveis em como conduzir esta mudança, com receio que esta ruptura afete ainda mais a relação com seus clientes e prospects. Para ajudar, os próprios clientes ainda não estão preparados para esta mudança. Mas é um caminho sem volta e uma das poucas soluções disponíveis para as agências digitais brasileiras. Mas não é só isto. Esta segregação de negócios tem que ser acompanhada do abandono de outras práticas vindas do modelo de publicidade off-line. O modelo de gestão precisa estar mais conectado ao modelo das empresas de tecnologia e de consultoria e muito menos na busca por exposição que temos na maioria das agências de publicidade. Precisamos diminuir os briefings e aumentar as especificações funcionais. Temos que trocar o clássico processo criativo pela metodologia ágil de gerenciamento de projetos. O glamour precisa ser maior na execução do que na criação e a busca por resultado precisa ser maior que a busca por prêmios. Faço votos que este modelo mude logo, e o mercado encontre um formato que seja eficiente para os prestadores de serviços digitais e seus clientes. Se isto não acontecer logo, perderemos uma oportunidade de deixar o mercado mais sustentável e veremos uma quebradeira de empresas digitais, que hoje padecem em um modelo carente de uma reforma transformadora. Muitos mercados mais maduros já estão com este processo de transformação em um estágio muito mais avançado. Resta agora aos nossos empresários tomarem a coragem necessária para fazer este movimento também aqui no Brasil, antes que seja tarde demais.

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