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  • Reforma Tributária: O Brasil Não Tinha Escolha!

    O Monstro Burocrático e a Fatura da Inércia Imagine um país onde o simples ato de produzir ou vender algo é uma odisseia tributária. Um labirinto de impostos sobre impostos, regras que mudam com a velocidade da luz e uma burocracia que consome mais tempo e dinheiro do que a própria inovação. Não foi preciso imaginar muito, certo? Bem-vindo ao que conhecemos de Brasil na parte Tributária. Por décadas, convivemos com um sistema fiscal que não apenas era complexo, mas ativamente sabotava nossa competitividade, espantava investimentos e, no fim das contas, penalizava o cidadão comum com preços mais altos e menos empregos. E todo mundo falava sobre isso, e pouco se fazia para mudar esse desequilíbrio. E veja, não se trata de uma escolha ideológica, mas de uma necessidade que já tínhamos faz tempo. A Reforma Tributária, materializada na Emenda Constitucional nº 132/2023, não é um capricho de Brasília; é a resposta até tardia ao grito de socorro do setor. É a tentativa de desatar os nós de um sistema que se tornou esse monstro burocrático, cuja fatura da inércia se tornou impagável, por décadas. Mas, afinal, por que era tão urgente e por que o modelo anterior era uma sentença de morte lenta para a economia? Nossa Complexidade Tributária Nosso sistema de impostos sobre o consumo era uma aberração global. Cinco tributos – PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS – conviviam em uma desarmonia caótica, cada um com suas próprias regras, bases de cálculo e alíquotas. O resultado? Um emaranhado que gerava: Guerra Fiscal: Tenho certeza que você já ouviu sobre isso. Estados e municípios competiam por investimentos oferecendo benefícios fiscais, drenando recursos e distorcendo o mercado. Onde o imposto era pago? Na origem, não no destino, incentivando essa corrida predatória. Cumulatividade (Efeito Cascata): O imposto era cobrado em cada etapa da cadeia produtiva, sem a possibilidade de crédito total. Imagine pagar imposto sobre o imposto já pago! Isso encarecia o produto final, reduzia a competitividade das empresas e era um convite à sonegação. Insegurança Jurídica: A constante mudança de interpretações e a avalanche de normas geravam um ambiente de incerteza que afastava investidores e travava o crescimento. Empresas gastavam fortunas apenas para tentar entender o que deviam. Esse cenário não é uma teoria acadêmica; é a realidade que sufocou gerações de empreendedores. Enquanto o mundo avançava para modelos mais eficientes, o Brasil insistia em um sistema que era, na essência, um imposto sobre a ineficiência. A regra era arrecadar, não importa como. O Modelo Internacional: A Simplicidade que o Brasil Ignorou Enquanto nos afogávamos em complexidade, a maioria dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento já havia adotado um modelo muito mais simples e eficaz: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). O IVA é um tributo que incide sobre o valor adicionado em cada etapa da produção e comercialização de bens e serviços, com a grande vantagem da não cumulatividade plena. Não Cumulatividade Plena: O imposto pago na compra de insumos é integralmente compensado na venda do produto final. Isso elimina o efeito cascata, desonera a produção e incentiva investimentos. Tributação no Destino: O imposto é pago onde o bem ou serviço é consumido. Isso acaba com a guerra fiscal e garante que a arrecadação fique com o estado ou município que realmente gerou o consumo. Alíquota Única (ou Dual): A simplicidade de uma ou poucas alíquotas reduz drasticamente a burocracia e a insegurança jurídica. Modelos como o da União Europeia, Canadá e Nova Zelândia são exemplos de como o IVA funciona para promover a eficiência econômica. O Brasil, finalmente, acordou para essa realidade. OK, alguém pode dizer que o nosso modelo foi “abrasileirado” e perdeu muito nesse processo. Mas ainda assim, o ganho existe. A Migração para o IVA Dual: Descomplicando o Incomplicável A Reforma Tributária brasileira adota o conceito de IVA Dual, que é uma adaptação do modelo internacional à nossa realidade federativa. Em vez de um único IVA, teremos dois: CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): De competência federal, unificará PIS, Cofins e IPI. IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): Compartilhado por estados e municípios, unificará ICMS e ISS. Essa migração não é apenas uma troca de nomes; é uma mudança de paradigma. A promessa é de um sistema mais transparente, com menos distorções e que, finalmente, permitirá ao Brasil competir de igual para igual no cenário global. A transição será gradual, estendendo-se até 2033, um período que será crucial para empresas e profissionais se adaptarem. A Regra é Clara, ou Começa a Ser A Reforma Tributária não é perfeita, e sua implementação trará desafios. Mas a pergunta que realmente faço é: poderíamos continuar com o modelo anterior? A resposta é um sonoro não. A inércia fiscal era um luxo que o Brasil não podia mais se dar. Estamos trocando um sistema que era um freio de mão puxado por um motorista vendado por um modelo que, embora ainda em construção, aponta para a direção da eficiência e da competitividade. A necessidade da reforma não é um debate; é um fato. O que faremos com essa nova ferramenta, e como nos adaptaremos a ela, é o que definirá o nosso futuro. O Brasil não tinha escolha. Agora, você tem: Ou fica se lamentando, ou parte para o estudo e se prepara para tomar a frente desse processo, usando isso como vantagem competitiva. Artigo também publicado no GazzConecta . Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • Nova Tributação de Dividendos

    O roteiro do filme mudou, mas você ainda pode estar com o controle na mão.   Sinto na pele que a jornada do empreendedor para construir e manter um negócio no Brasil é uma batalha diária. Geramos empregos, inovamos e movimentamos a economia, superando uma complexidade regulatória que poucos enfrentam no mundo. E agora, para dar ainda mais emoção, um novo desafio se apresenta: a mudança na tributação de dividendos . A partir de janeiro de 2026, a Lei nº 15.270 redesenha o cenário fiscal, e meu papel aqui será “tentar” traduzir essa mudança em estratégia para você .   Longe de ser um alarme, mas encare este texto como algo que você precisa tomar conhecimento. Sente aí, que lá vem textão importante...   A nova regra institui uma retenção de 10% na fonte para dividendos pagos a sócios e que ultrapassam os R$ 50.000,00 mensais na empresa . No entanto, em vez de vermos apenas o obstáculo, vamos focar na rota para navegá-lo com segurança e inteligência.   É inevitável questionar a lógica por trás dessa mudança. Tributar o lucro na empresa (com uma carga que pode chegar a 34%) e, em seguida, tributar novamente o mesmo lucro quando ele chega ao bolso de quem teve que fazer todo o investimento, o sócio, soa como uma dupla penalidade. Essa bitributação pode, infelizmente, desestimular o investimento e a própria atividade empresarial, que é o motor do país. Mas, enquanto o cenário é este, a estratégia se torna nossa melhor ferramenta.   Como Funciona a Nova Tributação: Entendendo as Regras A nova lei cria dois mecanismos distintos de tributação que precisam ser compreendidos separadamente:   1. IRRF na Fonte: 10% sobre o Valor Total Quando a distribuição de dividendos de uma mesma empresa para um mesmo sócio pessoa física ultrapassar R$ 50.000,00 em um mesmo mês, haverá retenção de 10% na fonte. Um ponto crucial: a alíquota incide sobre o valor total distribuído, não apenas sobre o excedente.   Exemplo Prático: Se você receber R$ 80.000,00 em dividendos em um mês, a retenção será de R$ 8.000,00 (10% sobre os R$ 80.000,00), e não R$ 3.000,00 (10% sobre os R$ 30.000,00 excedentes). Por outro lado, se receber R$ 49.000,00, não haverá qualquer retenção.   2. Tributação Mínima Anual: A Tabela Progressiva Para quem tem rendimentos anuais superiores a R$ 600.000,00, entra em cena o regime de tributação mínima de altas rendas, que funciona de forma progressiva. Esta é a tabela que você precisa conhecer:   Rendimento Anual Total Alíquota da Tributação Mínima Até R$ 600.000,00 0% (isento da tributação mínima) De R$ 600.000,01 a R$ 1.200.000,00 Progressiva de 0% a 10% Acima de R$ 1.200.000,00 10% Fórmula para a faixa intermediária: Alíquota % = (Rendimento Anual / 60.000) - 10   Exemplo Prático: Um empresário com rendimento anual total de R$ 900.000,00 terá uma alíquota de tributação mínima de:(900.000 / 60.000) - 10 = 15 - 10 =5%   Já um empresário com rendimento de R$ 1.500.000,00 pagará a alíquota máxima de 10%.   O Ajuste Entre IRRF na Fonte e Tributação Mínima Anual Um ponto fundamental que gera muitas dúvidas: como esses dois mecanismos se conectam?   O IRRF retido na fonte durante o ano funciona como uma antecipação do imposto. O ajuste final acontece na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, no exercício seguinte (2027 para o ano-calendário 2026). Veja como funciona:   Cenário 1 – Renda anual acima de R$ 600 mil: O contribuinte soma todos os rendimentos do ano e calcula a tributação mínima pela tabela progressiva. O IRRF retido na fonte é deduzido do imposto apurado. Se o IRRF retido for maior que o imposto devido, o contribuinte tem direito à restituição. Se for menor, paga a diferença.   Cenário 2 – Renda anual abaixo de R$ 600 mil: Não há tributação mínima. Todo o IRRF retido na fonte pode ser integralmente restituído na declaração anual.   Exemplo Prático:  Um empresário recebeu R$ 800.000 em dividendos no ano (em parcelas de R$ 66.666/mês de uma única empresa). A empresa reteve R$ 80.000 (10% sobre o total). Na declaração anual, a tributação mínima será calculada com alíquota de aproximadamente 3,33% (pela fórmula), resultando em imposto devido de R$ 26.640. Como já foram retidos R$ 80.000, o empresário terá direito a restituir R$ 53.360.   Múltiplas Participações Societárias: Estratégia Legítima Este é um ponto estratégico crucial para empresários entenderem o uso de estruturas de holding ou múltiplos negócios. A lei estabelece que o limite de R$ 50.000,00 para retenção na fonte é analisado por empresa, não pelo total recebido de todas as fontes.   O que isso significa na prática?   Se você é sócio de três empresas e cada uma distribui dividendos abaixo de R$ 50.000,00 mensais, nenhuma delas terá obrigação de reter o IRRF na fonte, mesmo que o total recebido por você ultrapasse esse valor.   Exemplo Prático: •       Empresa A paga R$ 40.000/mês → Não retém (abaixo de R$ 50 mil) •       Empresa B paga R$ 30.000/mês → Não retém (abaixo de R$ 50 mil) •       Empresa C paga R$ 30.000/mês → Não retém (abaixo de R$ 50 mil) •       Total mensal: R$ 100.000 — mas NENHUMA retenção na fonte   Importante: Isso não significa isenção total. Se o total anual de rendimentos ultrapassar R$ 600.000,00, o empresário estará sujeito à tributação mínima anual e deverá pagar o imposto na Declaração de Ajuste Anual.   Há multa por não ter havido retenção? Não. A obrigação de retenção é da fonte pagadora (empresa), e nenhuma delas descumpriu a lei ao não reter, já que individualmente nenhuma ultrapassou o limite. O sócio cumprirá sua obrigação ao declarar e pagar na declaração anual. Não há penalidade nesse cenário.   Implicação Estratégica:  Para empresários com múltiplas participações, essa estrutura permite um melhor gerenciamento do fluxo de caixa, já que o imposto será pago apenas no ajuste anual, e não mensalmente via retenção. Porém, é fundamental manter reserva financeira para honrar o compromisso fiscal na declaração, e investir bem esse valor em papéis de maior liquidez ao longo do ano, visando diminuir o impacto desse ajuste anual.   A Boa Notícia: Recuperação do Imposto no Lucro Real Tem um ponto que faz toda a diferença para quem tem empresa no Lucro Real. A lei até reconhece que tributar o lucro duas vezes seria excessivo. Por isso, criou um mecanismo de redutor para evitar que a soma da tributação na pessoa jurídica e na pessoa física ultrapasse determinados limites. Mas limitou isso a quem tem empresa no regime de Lucro Real.   Como funciona:  Se a sua empresa já pagou 34% de IRPJ e CSLL sobre o lucro (caso das empresas não financeiras no Lucro Real), e você, como sócio, está sujeito à tributação mínima de 10%, a soma seria de 44%. A lei estabelece que essa soma não pode ultrapassar 34% para empresas não financeiras. Portanto, você terá direito a um redutor que, na prática, pode zerar ou reduzir significativamente o imposto adicional sobre os dividendos.   Exemplo Prático:  Sua empresa no Lucro Real apurou R$ 1.000.000,00 de lucro e pagou R$ 340.000,00 de IRPJ e CSLL (34%). Ao distribuir esse lucro como dividendos, houve retenção de R$ 100.000,00 (10%) na fonte. Na sua declaração anual, ao calcular a tributação mínima, você poderá: 1      Deduzir o IRRF retido (R$ 100.000,00) do imposto a pagar 2      Aplicar o redutor, considerando que a empresa já pagou 34%   O resultado? Na prática, para empresas do Lucro Real que comprovem a tributação de 34%, o imposto adicional sobre dividendos tende a ser neutro ou muito reduzido.   E no Lucro Presumido? A situação é diferente. Como a carga tributária efetiva no Lucro Presumido costuma ser inferior a 34%, o sócio não terá direito ao mesmo nível de redutor. Os 10% retidos na fonte serão, em grande parte, um custo definitivo. Isso torna ainda mais importante a análise de regime tributário para 2026.   Regime Tributário Tratamento do IRRF de 10% Lucro Real (34%) IRRF pode ser deduzido/compensado. Redutor aplicável. Impacto líquido tende a ser neutro. Lucro Presumido IRRF é custo definitivo na maioria dos casos. Sem redutor integral. Simples Nacional IRRF também se aplica quando > R$ 50 mil/mês. Tratamento similar ao Presumido. A Janela de Oportunidade: Uma Ação que Vale Ouro A lei trouxe uma regra de transição que é bem importante, uma verdadeira janela de oportunidade. Lucros apurados até 31 de dezembro de 2025 podem permanecer isentos, mas com uma condição clara: a empresa precisa aprovar formalmente a distribuição desses lucros até essa data. Essa aprovação, feita via assembleia ou reunião de sócios, blinda seu direito de distribuir esses valores sem imposto até 2028. Mas cuidado! Essa ata precisa ser bem formulada e estar aderente às novas determinações. Fale com seu contador ou seu advogado.   Exemplo Prático:  Imagine que sua empresa tenha R$ 2 milhões em lucros acumulados de exercícios anteriores. Se você não fizer nada, ao distribuir esse valor em 2026, terá uma retenção de R$ 200.000,00. No entanto, ao convocar uma assembleia até o final de 2025 e registrar corretamente  em ata a aprovação dessa distribuição, você garante a isenção, mesmo que o pagamento efetivo ocorra parceladamente até 2028. É uma proteção jurídica para o seu patrimônio.   Para os lucros de 2025, a empresa pode elaborar um balanço intermediário ou balancete de verificação referente ao período de janeiro a novembro. Com base nesse balanço, a distribuição dos lucros deverá ser aprovada até 31 de dezembro de 2025. Existe um pedido de alguns órgãos para que essa aprovação possa ser prorrogada até abril/2026, mas não podemos contar com isso.   Governança como Proteção: O Fim da Zona Cinzenta Mais do que nunca, a organização interna se torna uma linha de defesa. Práticas que antes eram comuns, como o uso da conta corrente do sócio para despesas pessoais ou a formalização inadequada de empréstimos, agora representam um risco fiscal imenso. A Receita Federal pode interpretar essas movimentações como distribuição disfarçada de lucros (DDL), aplicando a tributação de forma retroativa e com multas.   E atenção: a capitalização de lucros também configura "emprego" para fins da lei. Ou seja, se você pensou em incorporar os lucros ao capital social para escapar da tributação, saiba que isso também será tributado a 10%. Essa técnica também era muito utilizada por alguns para pagar menos ganho de capital em transações de M&A. Agora a única exceção é para lucros apurados até 2025, desde que a deliberação e aprovação ocorram até 31 de dezembro de 2025.   Adotar uma boa governança não é burocracia, é proteção. Formalizar todas as operações entre sócio e empresa com contratos claros, separar as finanças pessoais das empresariais e ter um acordo de sócios bem definido são passos que blindam seu negócio de contingências fiscais.   Plano de Ação Imediato: O que Fazer Agora O tempo é seu ativo mais precioso. Para se posicionar de forma vantajosa, sua atenção deve se voltar para cinco frentes imediatas:   1. Assembleia Estratégica (Prazo: 31/12/2025):  Esta é a prioridade máxima. Reúna-se com seus sócios e seu contador para avaliar os lucros acumulados e aprovar formalmente sua distribuição. Garanta a isenção e a flexibilidade para os próximos anos.   2. Diagnóstico de Regime Tributário:  Exija do seu contador uma simulação detalhada para 2026. Compare o impacto líquido da distribuição de dividendos no Lucro Real versus o Lucro Presumido. Considere o mecanismo de redutor. A decisão certa pode economizar centenas de milhares de reais.   3. Mapeamento de Participações Societárias:  Se você tem participação em múltiplas empresas, faça um mapeamento completo. Avalie como a distribuição de dividendos de cada uma impacta sua tributação total. Planeje a distribuição de forma a otimizar o fluxo de caixa e a carga tributária.   4. Reserva para o Ajuste Anual:  Se sua estrutura envolve múltiplas empresas com distribuições individuais abaixo de R$ 50 mil, lembre-se: não haverá retenção na fonte, mas o imposto será devido na declaração anual. Provisione recursos para esse compromisso e deixe esses valores reservados e investidos para compensar um pouco o impacto.   5. Saneamento e Governança:  Organize a casa. Zere a conta corrente de sócios, formalize mútuos com contratos que prevejam juros de mercado e propósito econômico claro, e atualize seu contrato social. Transforme a conformidade em uma vantagem competitiva.   O Mapa Está em Suas Mãos O cenário mudou, mas a capacidade de adaptação e estratégia sempre foi a marca do empresário brasileiro. A nova tributação de dividendos é um fato, mas não é uma sentença. Para quem se preparar, especialmente no Lucro Real, o impacto pode ser significativamente mitigado pelo mecanismo de redutor. Para quem tem lucros acumulados, a janela até 31 de dezembro de 2025 é uma oportunidade de ouro. E para quem tem múltiplas participações societárias, há espaço para um planejamento inteligente do fluxo de caixa.   O enredo segue mudando, sim, mas com o controle certo em mãos, é você quem continua definindo o seu melhor destino. A hora de agir é agora ! E não faça isso sozinho. Contrate e tenha os melhores profissionais ao seu lado, te ajudando nesse desafio. Artigo também publicado no LinkedIn . Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • Como domar o tempo e fazer o dia render mais.

    Vivemos num mundo onde as distrações estão a um clique de distância. Basta abrir o celular, rolar as redes sociais e, pronto, lá se foi meia hora – ou mais – sem nem percebermos. Num piscar de olhos, o tempo escapa, e o desafio de manter o foco vira uma batalha diária. Mas, calma, gerenciar o tempo não precisa ser um monstro de sete cabeças. Com um pouco de organização e uma estratégia simples, é possível transformar seu dia em algo mais produtivo e leve. A gestão do tempo é um assunto que nunca perde a validade. Décadas passam, gerações mudam, empresas evoluem, mas a necessidade de usar bem as horas permanece. O primeiro passo para isso é entender que organizar não é tão complicado quanto parece. Até os mais desorganizados têm seu jeito de “se achar na bagunça”. O truque é encontrar um método que funcione para você. Uma técnica prática e direta que pode ajudar é a dos 4D’s : Fazer (Do) , Adiar (Delay) , Delegar (Delegate)  e Deletar (Drop) . Ela é como um mapa para navegar pela lista de tarefas e decidir o que merece sua atenção. Antes de aplicar os 4D’s, você precisa saber o que você tem para fazer. Pegue uma folha, um aplicativo ou até o guardanapo mais próximo e faça um brainstorming : escreva todas as tarefas que estão na sua cabeça, sem filtro. Divida em duas listas: uma para o trabalho e outra para a vida pessoal. Só de colocar no papel, você já pode perceber que o volume de coisas a fazer não é tão assustador quanto parecia. Enquanto lista, já comece a pensar: quais tarefas são urgentes? Quais são rápidas de resolver? E quais você está empurrando só porque não está com vontade? Cuidado, nem tudo que é chato pode ser adiado! Agora, pegue outra folha e divida em quatro quadrantes: Fazer , Adiar , Delegar  e Deletar . Cada tarefa da sua lista vai cair em um desses grupos. Vamos entender como: Delegar : Nem tudo precisa ser feito por você. Tem alguma tarefa que outra pessoa da equipe pode assumir? Delegar não é só uma forma de aliviar sua carga, mas também uma chance de desenvolver quem está ao seu redor. É um ganha-ganha. Deletar : Pergunte-se: essa tarefa é mesmo necessária? Às vezes, carregamos atividades por hábito ou porque “sempre foi assim”. Se algo não agrega valor ou perdeu o sentido, risque da lista sem culpa. Isso libera espaço para o que realmente importa. Adiar : Nem tudo precisa ser feito agora. Avalie o impacto de deixar uma tarefa para depois. Se for adiável, coloque uma data para voltar a ela – organização é a chave para não deixar essas tarefas se perderem no limbo. Fazer : O que sobrou aqui é o que realmente merece sua atenção agora. Pode ser uma tarefa urgente, importante ou até algo simples que você resolve em poucos minutos. Então, agora: faça! Essa técnica dos 4D’s te ajuda a tomar decisões rápidas e a focar no que faz diferença. Quando você para para refletir sobre suas tarefas, já está dando um passo enorme para otimizar seu tempo. O resultado? Menos sobrecarga, mais clareza e um dia que rende muito mais. Karla Kuster Consultora e Instrutora | Mentoria | Treinamento | Palestras Associada da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • Sua empresa pode ter Finalidade, mas não ter um Destino definido.

    Todo empresário sabe exatamente qual é a finalidade  da sua empresa: vender produtos, prestar serviços, resolver problemas, gerar lucro. É isso que move o dia a dia, consome energia e define prioridades. Mas aqui está a pergunta que poucos fazem: qual é o destino da sua empresa? A diferença é simples, mas crucial. Finalidade é o que você faz hoje. Destino é para onde sua empresa vai amanhã. O Problema: Vivemos Obcecados pela Finalidade É compreensível. A finalidade é urgente, tangível, mensurável. Vendas do mês, fluxo de caixa, satisfação do cliente, produtividade da equipe. São métricas que batem na porta todos os dias exigindo atenção. O destino, por outro lado, parece abstrato. "Vou pensar nisso quando a empresa estiver maior", "quando eu me aposentar", "quando surgir uma oportunidade". O problema é que destino não é opcional — toda empresa terá um, planejado ou não . Os dados são implacáveis. Das empresas que nasceram em 2017, apenas 37,9% ainda estavam ativas em 2022. A curva de mortalidade é consistente e previsível: a cada ano, mais empresas desaparecem [2]. Os Três Destinos Inevitáveis (Não existem outros) Toda empresa, sem exceção, terá um destes três destinos: 1. Fusão ou Aquisição (M&A): A Colheita Estratégica Para empresas bem estruturadas, M&A é a oportunidade de transformar anos de trabalho em valor real. O mercado brasileiro está aquecido — 2025 registrou crescimento de 14,6% nas transações, com projeção de 1.400 operações no ano [3]. Mas M&A não é loteria. Empresas que conseguem boas avaliações têm algo em comum: governança organizada, processos documentados e visão de longo prazo . Quem vive apenas na finalidade, sem pensar no destino, chega na mesa de negociação desorganizado e perde valor. 2. Sucessão: A Arte de Perpetuar o Legado Sucessão é o sonho de muitos fundadores, especialmente em empresas familiares — que representam 90% das empresas brasileiras e 65% do PIB nacional [4]. Mas a realidade é dura: apenas 30% das empresas familiares sobrevivem à transição para a segunda geração, e somente 12% chegam à terceira [5]. O principal motivo? Falta de planejamento . Apenas 25% das empresas familiares no Brasil têm um plano de sucessão formal [5]. O resto vive na ilusão de que "quando chegar a hora, a gente resolve". 3. Encerramento: Quando o Destino é Decidido pelas Circunstâncias Aqui está a correção importante: nem todo fechamento é falência . Empresas podem ser encerradas por diversos motivos legítimos — mudança de estratégia, saída de sócios, pivotagem para novos negócios, ou simplesmente porque o fundador decidiu seguir outro caminho. O problema não é o encerramento em si, mas quando ele acontece por falta de planejamento . Quando a empresa fecha porque "não deu certo", porque os recursos acabaram, porque os sócios brigaram, ou porque ninguém pensou no que fazer quando o fundador não pudesse mais tocar o negócio. Por Que Ignorar o Destino Custa Caro A falta de planejamento do destino gera consequências que vão muito além do fechamento: Desvalorização do Negócio:  Uma empresa sem governança clara e processos organizados vale menos para compradores e investidores. Conflitos Desnecessários:  Sem um plano claro, disputas entre sócios e herdeiros paralisam a operação. Perda de Conhecimento:  A saída abrupta de um fundador leva embora capital intelectual e relacionamentos estratégicos. Oportunidades Perdidas:  Empresas que não se preparam perdem janelas de M&A ou sucessão em momentos favoráveis. "A saída de um profissional experiente pode levar à perda de conhecimento e expertise valiosos para a empresa. A falta de um plano de sucessão pode desvalorizar a empresa, tornando-a menos atraente para potenciais compradores ou investidores." - Edson Santana, Edson Santana Advogados [4]. A Solução: Planeje o Destino Desde o Início Destino não é algo para se pensar no final — é estratégia desde o primeiro dia. Empresários que pensam no destino desde cedo tomam decisões diferentes. Investem em governança, documentam processos, desenvolvem equipes, estruturam a empresa para ser atrativa — seja para compradores, sucessores ou para uma saída organizada. Cinco Ações Práticas: • Defina seu destino preferido:  M&A, sucessão ou saída planejada? Não precisa ser definitivo, mas precisa ser consciente. • Invista em governança:  Processos claros, documentação organizada, separação entre pessoa física e jurídica. • Desenvolva pessoas:  Prepare sucessores, seja na família ou na equipe. Isso aumenta o valor da empresa em qualquer cenário. • Conheça seu valor:  Faça avaliações periódicas ( valuation ) para entender o que sua empresa vale hoje e o que pode valer amanhã. • Busque orientação especializada:  Consultores em M&A, sucessão e governança não são luxo — são investimento estratégico. A Escolha é Sua A diferença entre empresários que constroem legados e aqueles que viram estatística está na coragem de encarar uma verdade simples: toda empresa terá um destino . A única questão é se você vai escolhê-lo ou se ele será escolhido pelas circunstâncias. Finalidade mantém sua empresa viva hoje. Destino garante que ela tenha valor amanhã. A pergunta não é se sua empresa terá um destino. A pergunta é: quem vai decidir qual será? Você, ou o acaso? Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais. Referências [1] Exame. (2024, 5 de dezembro). 60% das empresas não sobrevivem após cinco anos no Brasil, aponta IBGE. https://exame.com/negocios/60-das-empresas-nao-sobrevivem-apos-cinco-anos-no-brasil-aponta-ibge/ [2] IBGE. (2024). Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2022. [3] Trade. (2025, 11 de agosto). Crescimento de M&A no Brasil em 2025. https://tradecon.com.br/crescimento-de-mea-no-brasil-em-2025/ [4] TrendsCE. (2024, 17 de abril). Empresas familiares no Brasil respondem por 65% do PIB. https://www.trendsce.com.br/2024/04/17/empresas-familiares-no-brasil-respondem-por-65-do-pib/ [5] Renda Maior. (2025, 25 de abril). Estratégias de Saída (Exit Planning) para Empreendedores: Guia Completo. https://rendamaior.com.br/estrategias-de-saida-exit-planning-para-empreendedores-guia-completo/

  • Riscos e Controles Não Podem Andar Desacompanhados.

    Em qualquer organização — seja pública, privada ou do terceiro setor — há uma verdade que, quando ignorada, costuma custar caro: Risco e Controle são irmãos siameses . Onde há um, deve obrigatoriamente haver o outro. Separá-los não é apenas um erro conceitual; é um erro operacional, estratégico e, muitas vezes, fatal. O erro clássico: achar que risco é apenas uma abstração. Durante muito tempo, riscos foram tratados como elementos teóricos — algo restrito aos papéis dos auditores, consultores ou das reuniões formais do comitê de governança. No entanto, risco é tudo aquilo que pode afetar o atingimento dos objetivos de uma organização. Está presente em cada contrato, em cada operação, em cada decisão e, sobretudo, em cada omissão. O problema começa quando se acredita que risco pode ser simplesmente mapeado, registrado em uma matriz bonita e, depois, guardado na gaveta. Se isso não estiver diretamente conectado aos controles efetivos e vivos no dia a dia, de nada serve. Controle sem risco é cego. Risco sem controle é temerário. Imagine uma empresa que define uma série de controles operacionais, financeiros e tecnológicos, mas não parte da análise dos seus riscos reais. Essa empresa provavelmente vai gastar energia, dinheiro e tempo em controles desnecessários, deixando de proteger o que realmente importa. Controle sem risco é burocracia. Por outro lado, mapear riscos e não desenhar os controles correspondentes é tão eficiente quanto trancar a porta e deixar a chave na fechadura do lado de fora. Risco sem controle é negligência. A equação correta: Risco + Controle = Gestão Responsável Na prática, uma gestão madura entende que: • Cada risco identificado deve gerar um controle correspondente. Se há risco de fraude no processo de pagamento, o controle pode ser uma conciliação diária, uma segregação de funções ou uma validação por terceiros. • Cada controle implementado deve mitigar um risco específico. Se existe um checklist no processo logístico, ele não pode existir por tradição ou conforto — precisa estar ligado diretamente à mitigação de um risco operacional real, como a perda de mercadorias ou falha na entrega. Quando risco e controle caminham juntos, nasce a verdadeira governança preventiva, que protege o negócio, a imagem, os recursos e até a continuidade da operação. Sinais de que estão andando separados (e isso é um problema) • Há muitos controles, mas ninguém sabe exatamente que risco eles mitigam. • Existem mapas de risco sofisticados, mas nenhuma atualização dos processos ou dos controles operacionais. • O controle interno é visto como “o departamento que cria burocracia”, e não como um aliado da gestão. • As auditorias apontam sempre as mesmas falhas, ano após ano. Se não estiverem de mãos dadas, está errado. Risco sem controle gera insegurança. Controle sem risco gera desperdício. E ambos, quando desconectados, tornam a organização vulnerável — seja a perdas financeiras, seja a fraudes, erros operacionais ou danos à reputação. Portanto, gestores, controladores, auditores e líderes precisam abandonar a visão de que risco é um problema “do compliance” e que controle é uma responsabilidade “do setor operacional”. É tudo parte do mesmo organismo. Uma organização madura conecta seu mapa de riscos diretamente à sua matriz de controles. Se não estiverem de mãos dadas, está errado — e perigoso. O caminho é a integração. O convite, portanto, é claro: rompa os silos. Integre risco, controle e gestão. Transforme a cultura da organização para que todos entendam que controle não é um entrave, mas uma proteção, e que risco não é um problema, mas uma informação estratégica. Empresas, governos e instituições que aprenderem essa lição sairão na frente. E quem insistir em separar risco de controle, inevitavelmente, aprenderá do jeito mais caro: pela ocorrência do próprio risco não controlado. Artigo também publicado no LinkedIn . Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • Reforma Tributária: o que o empresário de serviços precisa saber para se preparar agora

    A Reforma Tributária representa um divisor de águas para o setor de serviços no Brasil. Com a substituição de tributos como ISS, PIS e Cofins por um modelo baseado no Imposto sobre IVA (Imposto sobre Valor Adicionado) Dual, composto pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), federal, e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de estados e municípios — o impacto será significativo, especialmente para empresas que historicamente operaram com alíquotas mais baixas. Nesse novo cenário, a carga tributária tende a aumentar para boa parte das empresas de serviços, o que exige uma postura mais ativa na gestão financeira, tributária e operacional. Isso não é apenas uma questão de adaptação fiscal, mas de revisão estratégica do modelo de negócio como um todo. O que muda na prática: ISS x IBS O ISS, tributo municipal com alíquotas entre 2% e 5%, incide sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços. Como mencionamos, a Reforma Tributária, ele será substituído pelo IBS — um imposto estadual e municipal que fará parte do novo modelo de IVA (Imposto sobre Valor Adicionado). Ao contrário do ISS, que é cumulativo e não permite crédito de insumos, o IBS será não cumulativo, ou seja, as empresas poderão se creditar dos insumos utilizados nas operações. Isso beneficia cadeias mais longas (como indústria e comércio), mas pode representar aumento de carga para empresas de serviços que têm poucos insumos tributáveis. Na prática, empresas que hoje podem estar pagando 2% de ISS sobre o faturamento podem ter uma carga tributária efetiva maior com o IBS, dependendo do volume de créditos aproveitáveis. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, a alíquota de referência do IBS poderá ser de aproximadamente 18,7%, o que somado à CBS (federal) de cerca de 9,25%, resultará em uma carga total estimada de até 28% em alguns casos. (Fonte: Ministério da Fazenda via Tax Group) Setores mais impactados A Reforma afetará todo o setor de serviços, mas os impactos variam conforme o tipo de atividade e a estrutura de custos. Alguns segmentos que merecem atenção redobrada: Agências de publicidade e marketing Consultorias e serviços profissionais Tecnologia, desenvolvimento de software e SaaS Clínicas de saúde e consultórios Serviços educacionais e treinamentos Prestadores de serviço PJ com baixo custo operacional Negócios com estrutura enxuta, poucos insumos e alta margem tendem a sentir mais a pressão tributária. Reavaliar fornecedores e redesenhar operações Uma das principais mudanças práticas está na relação dessas empresas com seus fornecedores. A nova lógica de crédito tributário — agora baseada no valor financeiro e não apenas na natureza da operação — torna a escolha de parceiros comerciais um fator diretamente ligado à eficiência fiscal da empresa. Contratar fornecedores informais, com emissão inadequada de documentos fiscais, ou que estejam mal estruturados tributariamente, pode inviabilizar o aproveitamento de créditos e aumentar o custo final do serviço. O empresário precisa considerar a capacidade do fornecedor de gerar crédito tributário válido, além de preço, prazo e qualidade. Essa mudança também pode exigir revisão de parcerias, terceirizações e processos internos . A análise deve envolver não só o financeiro, mas também o setor de compras, jurídico e contabilidade. Contratos, precificação e impacto no caixa A elevação da carga tributária que está por vir exige revisão urgente de contratos, margens e estrutura de preços. Negócios que atuam com contratos fixos ou com cláusulas de reajuste mal definidas devem se precaver desde já, para evitar prejuízos futuros. Outro ponto importante: o novo modelo pode alterar o timing do fluxo de caixa , já que a sistemática de créditos e débitos tributários poderá gerar diferenças entre o pagamento do tributo e o recebimento do valor cobrado. A falta de atenção a isso pode comprometer o capital de giro — especialmente para empresas de serviços que trabalham com prazos longos para receber. Contabilidade estratégica e tecnologia como aliadas Nesse novo ambiente, a área contábil e financeira deixa de ser apenas um centro de apuração e passa a ter um papel consultivo e estratégico. Será fundamental contar com uma contabilidade que não apenas calcule os tributos, mas ajude a simular cenários, avaliar regimes mais vantajosos, otimizar o aproveitamento de créditos e até influenciar na estrutura societária e operacional da empresa. A automação dos processos será essencial. Isso inclui desde a emissão correta de notas fiscais até a integração do ERP com o planejamento tributário. O uso de dashboards, DREs gerenciais e projeções fiscais passará a ser rotina para empresas que quiserem navegar bem por esse novo cenário. Quem decidir ir para o caminho de economizar na montagem de uma equipe qualificada e de empresas consultoras especialistas no tema, terá um bom motivo para se arrepender logo mais na frente. Oportunidades: quem planeja, lidera Apesar dos desafios, a Reforma também abre portas para ajustes estruturais positivos. Empresas podem, por exemplo: Avaliar a abertura de filiais em estados com alíquotas mais atrativas Reorganizar o modelo de contratação de prestadores ou PJs Reestruturar a operação para aproveitar melhor créditos tributários Criar novos produtos ou pacotes com estrutura tributária mais vantajosa Quem conseguir alinhar estratégia, tecnologia e contabilidade poderá transformar a Reforma em uma vantagem competitiva. Checklist prático: como sua empresa de serviços pode se preparar Mapeie seus fornecedores  e avalie o impacto fiscal de cada um Revise todos os contratos  (clientes e parceiros), prevendo cláusulas de reajuste tributário Atualize sua estrutura de precificação  considerando a nova carga fiscal Converse com sua contabilidade  sobre regimes tributários, simulações e planejamento Avalie seu fluxo de caixa  e faça projeções com base no novo modelo Capacite as equipes internas  – compras, vendas e financeiro precisam entender o básico da reforma Invista em tecnologia  – sistemas atualizados serão essenciais para manter a conformidade Resumindo A Reforma Tributária vai exigir ajustes profundos das empresas prestadoras de serviços. Mas também vai abrir espaço para inovação, eficiência e ganho de escala — especialmente para quem se antecipa. Negócios que conseguirem se adaptar com inteligência tributária, apoio de tecnologia e uma contabilidade alinhada à estratégia sairão na frente. Mais do que cumprir obrigações fiscais, o desafio agora é estruturar uma operação financeiramente sustentável, tributariamente eficiente e preparada para o novo ciclo da economia brasileira. Gostou deste conteúdo? Continue acompanhando o blog da Advisor Tips  para mais ideias sobre liderança e gestão de equipes! Artigo também publicado no LinkedIn . Gregory Gomes Contador | Especialista em Planejamento Financeiro e Tributário Sócio da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • O Poder das Palavras: Como um Líder Pode Inspirar ou Desanimar Sua Equipe Rapidamente

    No universo profissional, a forma como comunicamos é uma das ferramentas mais valiosas que um líder tem para guiar sua equipe. Muitas vezes, sem querer, os líderes podem dar um impulso aos seus funcionários ou, pelo contrário, fazê-los perder a motivação em poucos minutos. O que causa esse efeito? A escolha das palavras e a maneira como as expressamos. A Influência das Palavras no Ambiente de Trabalho Imagine duas situações diferentes. Na primeira, um líder avalia um projeto e fala: "Isto está ruim, precisa de muitos ajustes". Na segunda, ele diz: "Você está indo bem, e podemos ajustar algumas coisas para melhorar ainda mais". Ambos mostram que é preciso fazer ajustes, mas a segunda forma incentiva o funcionário a crescer, enquanto a primeira pode causar frustração e insegurança. As palavras moldam o clima no trabalho. Um líder que sempre usa palavras negativas pode criar um ambiente de medo e baixa produtividade. Por outro lado, aqueles que usam uma comunicação positiva promovem a criatividade, o envolvimento e a motivação dos times. Dicas para Usar as Palavras de Forma Inteligente Reconhecer o esforço da equipe faz toda a diferença. Pequenos gestos, como um "Parabéns pelo trabalho!" ou "Seu esforço fez toda a diferença", ajudam na autoestima e na motivação dos funcionários. Além disso, ser claro e objetivo evita confusões e cria um ambiente mais colaborativo. Em vez de dizer "Isto não está bom", diga "Aqui estão algumas coisas que podemos melhorar juntos". A escuta atenta também é muito importante na comunicação. Ouvir com atenção a equipe mostra respeito e fortalece a confiança entre todos. Além disso, usar palavras que motivam como "acreditamos em você", "sabemos que você consegue" e "estamos juntos" aumenta a sensação de pertencimento e colaboração, criando um ambiente mais positivo e produtivo. O Líder como Facilitador da Motivação Mais do que apenas dar tarefas, um líder deve ajudar a equipe a crescer e se desenvolver. Quando usamos uma comunicação que é estratégica e humana, o ambiente se torna mais produtivo, inovador e colaborativo. Por isso, antes de falar com sua equipe, pense: suas palavras estão ajudando ou atrapalhando? Pequenas mudanças na forma de falar podem mudar a cultura da empresa e melhorar os resultados. Gostou deste conteúdo? Continue acompanhando o blog da Advisor Tips  para mais ideias sobre liderança e gestão de equipes! Artigo também publicado no LinkedIn . Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • Comunicação: A união do Comum, Única e Ação

    A palavra " comunicação " esconde, em sua composição, uma bela metáfora sobre a essência de se conectar com outros: é o encontro entre o que é comum , o que é única  e a ação  que une esses conceitos. Ao analisar cada uma dessas partes, encontramos ensinamentos profundos que podem ser aplicados à nossa vida pessoal, profissional e social. Esse trio, aparentemente simples, oferece ensinamentos profundos sobre como nos conectar de maneira significativa com os outros, seja em nossas relações pessoais ou no mundo profissional. Vamos explorar os aprendizados que cada elemento traz e como eles moldam a comunicação nos dias de hoje. O "Comum" na Comunicação O comum  é o ponto de partida. É aquilo que une, os valores, interesses ou experiências compartilhadas que criam uma base sólida para qualquer diálogo. Em qualquer interação, é essencial identificar o que conecta as partes, seja uma necessidade, uma emoção ou um objetivo em comum. Por exemplo, em uma empresa, entender as dores e desejos dos clientes é essencial para criar mensagens que ressoem. No âmbito pessoal, o "comum" aparece na empatia – o reconhecimento de que, independentemente de nossas diferenças, compartilhamos aspirações e desafios universais. Aprendizado: Reconhecer o comum  exige escuta ativa e empatia. É por meio dessa base que a comunicação deixa de ser apenas uma troca de palavras e se torna uma verdadeira conexão. A "Única" na Comunicação Embora a base comum seja importante, o que realmente diferencia uma boa comunicação é o reconhecimento do que é cada pessoa é única . Hoje, a personalização deixou de ser apenas um diferencial; é uma exigência, e a tecnologia desempenha um papel crucial nesse processo. Ferramentas como CRMs (Customer Relationship Management) nos permitem entender profundamente o comportamento, as preferências e as necessidades dos clientes. Com essas informações, podemos criar mensagens direcionadas, que falem diretamente com a individualidade de cada pessoa. Um e-mail personalizado, uma recomendação com base no histórico de compras ou uma campanha segmentada são exemplos de como o "único" pode ser trabalhado. Na vida pessoal, reconhecer a singularidade do outro também fortalece os relacionamentos. Não se trata apenas de falar, mas de adaptar nossa comunicação ao contexto e à realidade do outro. Aprendizado: A personalização é a chave para se destacar em um mundo repleto de informações. Com o auxílio da tecnologia, podemos ir além do "comum" e criar interações que sejam verdadeiramente relevantes para cada indivíduo. A "Ação" na Comunicação Por fim, a comunicação só se concretiza na ação . Não basta identificar o que é comum e o que é única; é preciso colocar isso em prática de forma direcionada e com propósito. Aqui, entra um aspecto essencial: comunicar-se não é apenas enviar uma mensagem, mas se dirigir ao outro de maneira que ele entenda e se sinta compreendido. Uma ação bem-sucedida na comunicação requer ir ao encontro do que o outro busca. Isso significa adaptar a linguagem, o canal e o tom para que a mensagem seja clara, acessível e impactante. Na prática, é traduzir informações complexas para uma audiência leiga, oferecer soluções alinhadas às expectativas ou criar conteúdos que ressoem emocionalmente. Por exemplo, uma marca que entende as necessidades de seus clientes e adapta suas mensagens para que sejam compreendidas em diferentes contextos demonstra que realmente valoriza o relacionamento. Nas relações interpessoais, agir dessa forma é o que transforma palavras em gestos significativos. Aprendizado: A comunicação exige ação intencional e empática. É preciso ir na direção do outro, utilizando uma abordagem que faça sentido e promova entendimento mútuo. " Comunicação " não é apenas uma palavra, mas um processo que integra o comum , a única  e a ação  de forma harmônica. É encontrar o terreno compartilhado, valorizar as diferenças e agir de maneira clara e significativa. Seja no uso de tecnologias avançadas para personalizar mensagens, seja no esforço consciente de compreender e atender o que o outro busca, a comunicação é uma ponte que conecta ideias, pessoas e mundos. Quando bem utilizada, ela transforma interações em relacionamentos e mensagens em ações que geram impacto positivo. Artigo também publicado no LinkedIn . Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • Startups estão recuperando valuation em 2024

    A gente tem visto que recentemente as avaliações de startups passaram por uma montanha-russa. Em 2021, vimos um verdadeiro boom, com avaliações atingindo picos históricos. Esse otimismo foi impulsionado por um fluxo grande de capital e um entusiasmo pós-pandemia que parecia não ter fim. No entanto, essa bolha estourou, levando a uma correção significativa em 2022 e 2023. Muito disso se deu por conta da irresponsabilidade de alguns gestores de startups que com muito dinheiro em caixa, passaram a gastar mais do que deviam em assuntos não cruciais para o negócio, e com isso, retraíram o apetite dos investidores. Inclusive, falei sobre esses temas em alguns artigos já publicados: Falta de Escassez Queima de Caixa versus o Crescimento Agora, em 2024, estamos começando a ver sinais de uma recuperação ainda silenciosa. O que está por trás dessa mudança? Três fatores principais estão impulsionando essa recuperação: modelos de negócios sustentáveis, transformação digital e conformidade regulatória. Investidores estão cada vez mais focados em startups com modelos de negócios sustentáveis e escaláveis. A sustentabilidade não é mais uma escolha, mas uma necessidade. Startups que demonstram um modelo de negócio robusto e escalável estão atraindo mais investimentos. Essa mudança de foco é essencial para garantir o retorno a longo prazo dos investimentos feitos. Isso mostra que as práticas de ESG (Environmental, Social and Governance) vieram para ficar e serão cada vez mais exigidas pelos principais investidores. Por outro lado, a digitalização dos negócios continua a ser um motor poderoso para as avaliações de startups, pois existe muito interesse de investidores em não ficarem à margem da revolução digital. Setores como o fintech estão na vanguarda dessa transformação. Empresas como Griffin e Flagstone têm conseguido financiamentos significativos, definindo novos benchmarks de avaliação. Essas empresas não apenas atraem investimentos, mas também estabelecem padrões para o setor. Além disso, startups que navegam com sucesso pelo complexo cenário regulatório estão se destacando. A obtenção de licenças e a conformidade regulatória aumentam a confiança dos investidores e, consequentemente, as avaliações dessas empresas. Esse fator não pode ser subestimado em um ambiente onde a segurança e a confiança são primordiais. Os próprios órgãos reguladores começam a se dobrar às novas tecnologias e iniciam um movimento de regulamentação e uso delas, atraindo novas perspectivas para vários negócios . A inteligência artificial (IA) está desempenhando um papel crucial na valorização das startups em 2024. Startups de IA estão vendo suas avaliações dispararem devido ao potencial transformador da tecnologia. Valorações de startups de IA em estágio inicial frequentemente superam os US$70 milhões, enquanto aquelas em estágios mais avançados podem atingir cerca de US$100 milhões. A IA é vista como uma tecnologia com um enorme potencial, o que justifica essas altas avaliações. Mas não se engane quem acha que esses valuations são obtidos apenas com boas idéias. É necessário muito planejamento e a inserção correta das tecnologias em negócios que tendem a ser promissores. "Usar a IA apenas para estar no hype, não cria valor." Mas será que toda essa euforia é sustentável? Todo o espaço de discussão em torno da IA, especialmente a IA generativa, leva a investimentos significativos, mesmo em startups com receitas mínimas ou inexistentes. Exemplos incluem Anthropic e LangChain, que viram aumentos impressionantes em suas avaliações em curtos períodos. No entanto, nós como investidores e avaliadores experientes, estamos preocupados com a sustentabilidade dessas altas avaliações, destacando que muitas dessas startups ainda não geram receitas significativas. Mesmo assim, estamos vendo uma recuperação significativa nas fases de financiamento Seed e Série A. As avaliações estão subindo gradualmente, mas também se nota que o volume de negócios tem caído, indicando um foco maior na qualidade sobre a quantidade. Na Série B, a recuperação é ainda mais acentuada, refletindo um ambiente de investimento mais seletivo e competitivo. Isso se explica pelo fato de que essa Série tende a ser utilizada em empresas que já passaram pelas fases mais críticas do negócio e já tem resultados que comprovam suas projeções futuras. Outro ponto interessante é a possível reabertura da janela de IPOs, que esteve fechada por grande parte de 2023. Segundo a Pitchbook, há um otimismo cauteloso de que o mercado de IPOs possa se recuperar, trazendo novas oportunidades para startups e investidores. Esse retorno das ofertas públicas iniciais pode fornecer um impulso adicional para as avaliações de startups, criando um ambiente mais favorável para novas entradas no mercado. Continuo achando que as startups devem manter suas estratégias de demonstrar valor e não apenas boas idéias, sendo adaptáveis para garantir seu sucesso a longo prazo, e claro, protegendo o caixa com todas as suas forças. Mas é inegável que a inovação e a aderência às regulações continuam sendo cruciais para atrair investimentos. Então, nem tanto ao céu e nem tanto a terra. "O mundo adora boas idéias, mas premia quem mostra que sabe executá-las com maestria." Alguns artigos para quem quiser ler mais sobre o assunto: Startup Valuations in 2024 Startup Valuations in 2024: Trends, Innovations, and Case Studies For valuations, it’s AI versus the rest of VC Eye On AI: Valuations Are Not Slowing Down AI startups still snag huge valuations despite lack of revenue Return of IPOs, fewer unicorns and more startup predictions for 2024 Artigo também publicado no LinkedIn . Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • Surfando a Onda da Inteligência Artificial: Vai Deixar Passar?

    Foto: Jerome Broullet/AFP/ND Você já parou para pensar em quantas oportunidades já deixou escapar por achar que era modismo ou coisa passageira? Ou então, quantas vezes, como Gabriel Medina, você estava preparado, mas infelizmente a onda simplesmente não veio? No surfe, a falta de ondas é uma questão de sorte; no mundo dos negócios, muitas vezes é uma questão de timing e estratégia. Agora, uma nova onda gigantesca se forma no horizonte: a inteligência artificial (IA). A pergunta que fica é: você está pronto para surfar essa onda ou vai deixar ela passar? Não adianta entrar tarde no mar dos negócios, pois você pode ficar sozinho e sem chance de prosperar. Gabriel Medina, considerado um dos melhores surfistas do mundo, perdeu a chance de disputar a medalha de ouro porque o mar não colaborou. Ele tinha habilidade, experiência, tudo o que precisava, exceto a onda certa. Agora, pense em sua empresa. O mercado está em constante mudança, e a IA representa uma dessas ondas que, se não for aproveitada, pode mudar completamente o jogo – seja para o bem ou para o mal. Vamos ser francos: quantas vezes você já ouviu falar sobre IA nos últimos meses? Provavelmente, várias. Mas a questão não é apenas ouvir falar, é agir. Muitos empresários ainda estão à margem, observando, hesitando, e enquanto fazem isso, outros já estão surfando essa onda, dominando o mercado, inovando e, mais importante, garantindo seu lugar no futuro. A realidade é que a IA não é uma moda passageira. Ela já está transformando indústrias inteiras, e aqueles que não se prepararem agora podem acabar como o surfista que perde a melhor onda do dia, ou pior, a única. Estar preparado tecnicamente e entender as aplicações da IA no seu negócio é essencial, mas só isso não basta. É preciso agir, e agir rápido. Porque quando você finalmente decidir que está pronto, pode ser tarde demais, e o mar pode não ter mais ondas para surfar. Mas se você acha que está preparado e surfando a onda certa, está mesmo? Ou melhor, você sabe o que significa estar preparado para surfar essa onda? Para alguns, IA ainda parece algo distante, complicado, acessível apenas a gigantes da tecnologia. No entanto, essa percepção é perigosa. A acessibilidade da IA está crescendo, e as empresas de todos os tamanhos já podem se beneficiar de suas aplicações. A verdadeira questão é: você está buscando entender como a IA pode ajudar seu negócio a crescer, a inovar, a se destacar? Tem buscado conhecimento apenas em notícias, ou tem testado na prática as várias aplicações da IA na sua empresa? Tem criado metas e laboratórios para avaliar as múltiplas opções que a IA trás? Ainda mais importante, você está disposto a correr o risco de cair um tombo e demorar a surfar essa onda? Porque, sim, assim como no surfe, pegar uma onda grande envolve risco. Talvez você não acerte na primeira tentativa. Talvez a implementação de IA na sua empresa seja desafiadora. Mas a alternativa – ficar parado, esperando que o mar mude sozinho, ou que apareça outra onda – pode ser muito mais arriscada. Em um futuro próximo, não adaptar-se pode significar ficar para trás, assistir seus concorrentes dominarem o mercado enquanto você luta para recuperar o tempo perdido. O que impede você de mergulhar de cabeça nessa onda agora? Medo? Falta de conhecimento? Ou talvez a falsa segurança de que o mercado ainda não está pronto? A verdade é que a onda já está se formando e quem hesitar pode acabar assistindo de fora enquanto outros surfam até a praia. Por fim, pergunte-se: onde quero estar quando a maré virar? Esperando pela próxima onda, ou liderando a próxima grande inovação no meu setor? A escolha é sua. Mas lembre-se, as ondas no mundo dos negócios, assim como no surfe, não esperam por ninguém. Prepare-se, aja e, acima de tudo, busque ajuda se precisar. Ninguém nasce sabendo surfar. Artigo também publicado no LinkedIn . Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • União e Aquisição de Empresas em Tempos de Incerteza Econômica

    Como estruturar Fusões e Aquisições em tempos em que a previsibilidade e segurança econômica não existem? Esta é uma pergunta atual e importante para qualquer profissional da área anda se fazendo. Vamos explorar algumas estratégias práticas para navegar nesse cenário. Primeiro que o processo de Fusão ou aquisição por si só já é desafiador. Isso porque, nem sempre isso acontece de forma líquida e homogênea, pois são muitos interesses envolvidos e na maioria das vezes, empresas e pessoas com características bem diferentes. A união de estilos diferentes é saudável, trás diversidade e abre novos horizontes, mas nem sempre é harmoniosa. Como realizar uma avaliação eficaz ( valuation ) e due diligence? Primeiro, é essencial entender a saúde financeira da empresa alvo frente a essas incertezas. Avaliar riscos ocultos, flutuações sazonais, ocorrências pontuais e a sustentabilidade dos fluxos de caixa é ainda mais crucial em tempos de incerteza. Entretanto, confiar na capacidade de aplicar uma inovação e na adaptabilidade para a tomada de decisões futuras na empresa alvo, são muito importantes no processo de projeção de resultados e due diligence. Isso porque, na maioria das vezes, se adotam projeções feitas dentro de cenários já conhecidos e não se utilizam as sinergias e ganhos que uma nova liderança da empresa podem trazer ao negócio. Durante a diligência, é importante também analisar aspectos que podem se tornar oportunidades futuras e valores adicionais ao negócio e que que somente o comprador sabe que pode trazer. "Alguns dos líderes mais bem-sucedidos não têm medo de aproveitar oportunidades e ousam assumir riscos calculados." ( Eirik Stranden , 2023) Aswath Damodaran costuma falar que nossa reação à incerteza também não mudou muito ao longo dos tempos. De acordo com ele, nossas respostas mais comuns incluem paralisia, negação, atalhos mentais, pastoreio, terceirização e até pedido de intervenção divina. No entanto, ele acredita que a melhor maneira de lidar com a incerteza é "viver no mundo em que você está, em vez do mundo em que você gostaria de estar." Damodaran acredita que o primeiro passo para lidar com a incerteza é entender que nem todo risco é igual. Ele descreve três categorias de incerteza: estimativa vs. incerteza econômica, micro incerteza vs. macro incerteza e incerteza discreta vs. contínua. Fazer essas distinções e classificações ajudam a medir o grau de interferência dessas incertezas no seu processo de escolha e valuation de uma empresa. Determine graus para essas incertezas e não tenha medo de errar. A incerteza da estimativa se refere à possibilidade de modelos ou entradas erradas para a avaliação de uma empresa, enquanto a incerteza econômica surge de mudanças nos mercados e economias. Já a micro incerteza abrange o mercado potencial, concorrência e capacidades da equipe de gestão, enquanto a macro incerteza lida com mudanças no ambiente econômico mais amplo. A incerteza discreta envolve riscos latentes que podem surgir inesperadamente, e a incerteza contínua refere-se a riscos contínuos como mudanças nas taxas de juros. "Não entre em negação, não terceirize, não aja como se não existisse a incerteza. Aceite, esteja bem com isso.” (Aswath Damodaran, 2023) Quem tiver apetite para negócios nesses tempos, precisa aceitar a realidade da incerteza como parte inevitável e saber trabalhar com ela a seu favor. Enfrentar a incerteza, em vez de terceirizá-la, é crucial. Por isso é importante realizar várias análises e considerarem diferentes cenários para tomar decisões mais embasadas. Como identificar sinergias e eficiências operacionais? Identificar sinergias e oportunidades de eficiência operacional é essencial. Empresas que conseguem implementar sinergias rapidamente tendem a obter melhores resultados pós-aquisição. No entanto, a razão de uma fusão não pode ser exclusivamente pautada pela sinergia oferecida, já que há de se prever muitos outros elementos nessa união que podem derrubar as vantagens obtidas por sinergias operacionais e de negócios, como passivos, riscos, culturas diferentes e custos de integração. "As fusões são como casamentos. Eles são a união de duas pessoas. Da mesma forma que você não se casaria com alguém buscando eficiências operacionais na administração de uma família, então por que se pensa em juntar duas empresas com culturas e identidades únicas por esse motivo?" (Simon Sinek, 1973) A simulação de resultados futuros com as duas empresas trabalhando em conjunto, é fundamental, mas na grande maioria das vezes se tem um otimismo exagerado sobre as sinergias e um descaso explícito sobre as questões de cultura e governança pós fusão. Vi muitos negócios sofrerem extensa avaliação sobre os quesitos fiscais, contábeis e jurídicos, e nada sendo avaliado sobre a cultura e forma de trabalho entre as empresas. Quando isso acontece, a incerteza toma conta de todos os envolvidos e existe uma queda de resultados e de produtividade que se forem recuperadas, levarão tempo para se acomodarem à nova estrutura. Então, antes de pensar em sinergias, pense na similaridade de formas de atuação e controles que as empresas adotam. Dê preferência a empresas que tem os mesmos valores e formas de fazer negócios. Quais estruturas de pagamento são recomendáveis frente a um cenário de incertezas? Estruturas de pagamento flexíveis são recomendáveis, especialmente os pagamentos baseados em performance (earn-outs). Esses pagamentos alinham os interesses do comprador e do vendedor, mitigando riscos em um cenário de incertezas. Essa técnica evita que projeções irreais atrapalhem a definição do preço, uma vez que esse preço final será definido pelas perfomances futuras da empresa, confirmando ou não o valuation. "O earnout prenche a lacuna de avaliação entre a previsão otimista do vendedor e o ceticismo saudável do comprador.” ( Gundersen, 2005 ). Por que é importante focar no crescimento de longo prazo? Uma aquisição não pode ser feita sem um planejamento profissional, onde se principalmente se analisem as Oportunidades, Ameaças ao Negócio e necessidade de encarar novos negócios, mercados e produtos. A partir dessa análise e planejamento, é possível se traçar uma rota de possibilidades de Fusões e Aquisições. Não é recomendável realizar esse tipo de movimento para resolver questões imediatas, pois o processo de M&A é como um casamento e precisa ser construído com calma e com um plano bem elaborado. A instrumentalização do processo de M&A é importante e precisa contemplar todas as possibilidades de intercorrências, mas acima disso, a capacidade de interlocução e forma de comunicação entre os envolvidos precisa ser trabalhada desde o dia 1 da negociação de uma aquisição ou fusão. Esse ponto da capacidade de comunicação ampla e clareza do acordo, tende a ser um dos mais ofensores após a concretização da operação. Manter uma visão de longo prazo é crucial. As fusões e aquisições devem posicionar a empresa para o crescimento futuro. Planejar estrategicamente, não envolve apenas análise de números e questões operacionais. A incerteza do presente pode gerar resultados desastrosos no futuro, se não forem analisadas de maneira eficiente. Contrate profissionais experientes, que são acostumados a ler esses cenários e já passaram por muitas dessas situações. Eles podem mostrar o melhor caminho a seguir, e evitar a grande maioria dos erros e incertezas comuns nesse processo. Artigo também publicado no LinkedIn . Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

  • Inteligência Artificial: grande impacto nos negócios e na forma de viver

    Nos últimos anos, tenho observado de perto a revolução que a inteligência artificial (IA) e a automação de processos e tarefas estão trazendo para o mundo dos negócios. Não é exagero dizer que vivemos uma transformação sem precedentes, quase que uma nova era da tecnologia, que impacta profundamente não apenas as nossas carreiras, mas também a maneira como as empresas operam e prosperam. Confesso que, no início, a ideia de máquinas e algoritmos assumindo tarefas antes realizadas por seres humanos me causou um certo desconforto. Será que seremos substituídos? Como encontrar nosso lugar em um mercado cada vez mais automatizado? Essas perguntas me deixavam cada vez mais curioso, mas eu sabia que tudo poderia mudar de uma hora para outra, assim como foi na época do lançamento da internet. Acredito que esses questionamentos são parte central do pensamento da maioria dos profissionais. Mas, depois de me aprofundar no tema, cheguei a algumas conclusões que quero dividir. Impactos e oportunidades À medida que fui estudando o tema, comecei a entender que a IA e a automação não são inimigas dos profissionais, mas sim poderosas aliadas. E o mesmo vale para os negócios. Elas têm o potencial de liberar o nosso tempo para focarmos em atividades mais estratégicas e criativas, algo que as máquinas ainda não conseguem replicar com a mesma eficácia.  Você certamente já deve ter ouvido falar em "otimização de processos" e "automação de tarefas", certo? Com estas novas tecnologias, tarefas rotineiras e repetitivas estão cada vez mais automatizadas, permitindo que as operações sejam realizadas com maior rapidez e precisão. Isso justifica o importante aforismo do mercado, repetido inúmeras vezes: time is money !  IA nas tomadas de decisão Com a IA, as empresas podem analisar grandes volumes de dados em tempo real, extraindo insights valiosos para orientar suas estratégias. Isso vai desde a análise de comportamento do consumidor até a previsão de tendências de mercado. A capacidade de tomar decisões baseadas em dados concretos e não em intuições, proporciona uma vantagem competitiva significativa. Veja, o papel central de uma decisão ainda cabe à pessoa humana. É aí que eu quero chegar: as inteligências artificiais não substituem nosso papel nas tomadas de decisão, elas vêm para nos auxiliar, para sustentar e fortalecer as nossas ações, permitindo que tenhamos um pouco mais de tranquilidade e confiança no que estamos fazendo. Aliás, a IA não é infalível e quem hoje acredita que a IA pode substituir pelo menos a revisão humana, se engana, pois a grande maioria das IAs atuais ainda alucinam e trazem alguns dados incorretos em suas análises. Isso porque elas são probabilísticas e não determinísticas. Não são programadas para afirmar categoricamente sobre algo. As IAs respondem conforme a base de conhecimento que dispõem, e podem dar informações erradas, ou até inventarem algo, se a base não estiver com a resposta correta. Algo pessoal Cito, também, a personalização como um benefício que a IA traz para os negócios. Com algoritmos sofisticados, as empresas podem oferecer produtos e serviços sob medida para as necessidades e preferências de cada cliente. Isso não apenas melhora a experiência do consumidor, mas também aumenta a fidelidade e o valor vitalício do cliente para a empresa. O tratamento de clientes através da criação de personas que representavam uma parcela do público alvo, agora passa a uma outra categoria, onde se consegue comunicar e tratar as necessidades individuais de cada um, pois a capacidade de tratamento de dados e informações passou a um ponto inimaginável a pouco tempo atrás. Inovação Não podemos esquecer do impacto na inovação. Para a economia criativa, essa, certamente, é a palavra mais importante. A IA está permitindo a criação de novos produtos e serviços que antes estavam apenas nos filmes futurísticos. Desde carros autônomos até diagnósticos médicos assistidos por algoritmos, as possibilidades são infinitas. O mundo está se transformando e apostando muito alto nessa tecnologia. E como tudo que é considerado inovação, existirá um lado bom e um lado ruim, pois a potência dessa transformação afeta tanto quem busca fazer o bem quanto quem busca o mal. Então, além da necessidade de entender pelo menos o básico e as aplicabilidades do mundo de IAs, para que possamos usar da melhor maneira em nossos objetivos, esse conhecimento nos auxilia a saber se não estamos propagando, ou sendo enganados por falsas verdades criadas propositalmente com a ajuda de IAs. É o caso das deep fakes, que criam falas, imagens que parecem muito reais, mas que nunca existiram. Desafios Claro, essa transformação também traz desafios, como tudo na vida. A implementação dessas novas tecnologias exigem investimentos significativos e uma mudança cultural dentro das nossas vidass e nas empresas. É necessário treinar funcionários, atualizar infraestruturas e, muitas vezes, reestruturar processos. Mas os benefícios a longo prazo superam esses obstáculos iniciais. Fica aqui o recado para os profissionais que desejam se destacar: atualizem-se. Entendam os conceitos básicos de uma Inteligência Artificial generativa e como ela funciona. O avanço fantástico que tivemos ao poder conversar com essa tecnologia é sem dúvida transformador, mas dependendo da forma como você faz esse diálogo (cria o prompt ) faz toda a diferença no resultado que você obtém. Uma das profissões do futuro será o prompt engineer que será o profissional especialista, dedicado a se comunicar da forma mais produtiva com as IAs disponíveis.  Como falei no último artigo, essas inovações tecnológicas d esempenham um papel de filtro profissional que separa aqueles que terão sucesso no futuro e aqueles que não terão mais espaço nesse mercado. Hoje, enxergo a IA e automação como catalisadoras de um novo ciclo de prosperidade nos negócios. A jornada pode ser desafiadora, mas é também repleta de possibilidades para as empresas que se preparam e abraçam a mudança. Uma coisa é certa: nossa geração será a última a saber como é o mundo sem a Inteligência Artificial. A próxima geração não saberá distinguir, em seu dia a dia, o que usa IA e o que não usa, pois a tecnologia estará embarcada e funcional em quase tudo que possa estar conectado. Como será esse mundo? Ainda não sabemos, mas podemos afirmar que será muito diferente do que vemos hoje. Artigo também publicado no LinkedIn . Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais.

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