# Advisor.Tips > Consultoria empresarial brasileira (desde 2009) que atende de startups a grandes multinacionais. Atua em seis frentes: crescimento, organização, sociedade, valor, decisões críticas e marca/posicionamento. Posicionamento: "a gente chega antes", antecipar o problema antes que vire urgência. A Advisor.Tips entra na empresa e executa, em vez de só entregar relatório. Matriz em Curitiba (PR), com filiais em São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS). ## Frentes (páginas de dor) - [Crescimento](https://www.advisor.tips/pt/crescimento): empresa que parou de crescer (faturamento, lucro, preço, caixa). - [Organização](https://www.advisor.tips/pt/organizacao): tudo depende do dono; falta de estrutura e processos de decisão. - [Sociedade](https://www.advisor.tips/pt/sociedade): conflito entre sócios, acordo/pacto de sócios, saída e sucessão, governança. - [Valor da empresa](https://www.advisor.tips/pt/valor-da-empresa): valuation, venda, fusões e aquisições, captação. - [Decisões](https://www.advisor.tips/pt/decisoes): decisões críticas de alto impacto (venda, aquisição, saída de sócio, contrato) e negociações difíceis onde o custo de errar é grande. - [Marca e Posicionamento](https://www.advisor.tips/pt/posicionamento): empresa sem diferenciação percebida, disputando por preço; construção e reposicionamento de marca, registro (INPI, domínios, redes), defesa, reputação online e valuation periódico da marca (metodologia TIMBRE). ## Quem somos - [Quem somos](https://www.advisor.tips/pt/sobre): Advisoring Empresarial e boutique de M&A. Garante a sustentabilidade e o crescimento do negócio e conduz a realização de valor (sucessão ou M&A). Matriz em Curitiba, filiais em São Paulo e Porto Alegre. ## Autoridade - [Metodologias](https://www.advisor.tips/pt/metodologias): frameworks proprietários que transformam diagnóstico em resultado. As dez: - [FSE](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/fse): Fórmula do Sucesso Empresarial, diagnóstico 360° por pilares e catalisadores. - [E.R.A.](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/era): Expressão, Roteiro, Ação, reorganiza a estratégia sem perder a identidade. - [UAU](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/uau): avalia o potencial real de uma ideia ou novo negócio antes de investir. - [F.A.R.O.](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/faro): transforma reunião de conselho e diretoria em decisão, com visão 360°. - [TRO](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/tro): reorganiza a empresa pelo fluxo das decisões, até andar sem o dono no centro. - [NAIPE](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/naipe): Negociação Ancorada em Influência, Persuasão e Empatia, prepara e conduz decisões de alto risco e negociações difíceis. - [MIVA](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/miva): mede maturidade e valor e mostra onde a empresa vaza valor. - [Diamond Tiers](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/diamond-tiers): estágios de maturidade empresarial e o caminho entre eles. - [SNAIL](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/snail): diagnóstico cultural e roteiro de transformação, sem imposição de cima para baixo. - [TIMBRE](https://www.advisor.tips/pt/metodologias/timbre): constrói ou reposiciona a marca (nome, voz, cor, símbolo), registra, defende e mede o valor periodicamente. - [Opinião](https://www.advisor.tips/pt/opiniao): artigos por tema. Eixos principais: - [Reforma Tributária](https://www.advisor.tips/pt/opiniao/reforma-tributaria) - [Fusões, Aquisições e Valuation](https://www.advisor.tips/pt/opiniao/ma-valor) - [Inteligência Artificial e Futuro](https://www.advisor.tips/pt/opiniao/ia-futuro) - [Governança, Riscos e Dados](https://www.advisor.tips/pt/opiniao/governanca-riscos) - [Crescimento, Startups e Estratégia](https://www.advisor.tips/pt/opiniao/crescimento-startups) - [Liderança e Pessoas](https://www.advisor.tips/pt/opiniao/lideranca-pessoas) - [Comunicação](https://www.advisor.tips/pt/opiniao/comunicacao) - [Carreira e Desenvolvimento](https://www.advisor.tips/pt/opiniao/carreira) ## Contato - [Fale com a Advisor](https://www.advisor.tips/pt/contato): assistente de diagnóstico e canais diretos. - WhatsApp: +55 (41) 98752-1444 · E-mail: fale.com@advisor.tips ## Texto completo - [llms-full.txt](https://www.advisor.tips/llms-full.txt): este índice + o texto integral de todos os artigos do blog. --- # Artigos (texto completo) Todos os artigos publicados em advisor.tips/pt/opiniao, texto integral em português, agrupados por eixo temático. # Reforma Tributária ## Nova relação do consumidor com os tributos URL: https://www.advisor.tips/pt/post/nova-relacao-do-consumidor-com-os-tributos Data: 2026-09-04 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária Não é novidade que meu pensamento e minha crítica sobre o sistema tributário brasileiro é de que ele é uma máquina de moer os mais pobres. Quem consome toda a sua renda no supermercado paga, proporcionalmente, muito mais imposto do que quem investe na bolsa. É uma matemática que pra mim não faz muito sentido. Mas para não ser injusto, a Resolução CGIBS nº 6/2026 tenta consertar essa distorção criando um novo modelo social tributário. E ele não é baseado apenas em isenções genéricas, como vinha se fazendo até agora, mas em tecnologia e devolução direta. O grande destaque aqui é o cashback tributário, ou "devolução personalizada do IBS". Em vez de isentar o produto na prateleira, o que beneficiava tanto o quem está bem de vida quanto o trabalhador de salário mínimo, o governo agora cobra o imposto e devolve uma parte do dinheiro diretamente para a conta da família de baixa renda, com base no CadÚnico e no CPF na nota. E a inovação vai além: existe o "cashback devolução", que cai na conta, e o "cashback desconto", que abate o valor do imposto direto na conta de luz, água ou gás. Além do cashback, a reforma estrutura uma Cesta Básica Nacional de Alimentos, com alíquota zero para produtos essenciais. E estabelece reduções drásticas (de 60% ou 30%) para setores vitais como saúde, educação, medicamentos, dispositivos de acessibilidade e produtos de higiene pessoal consumidos por famílias de baixa renda. Pela primeira vez vejo uma distinção tributária que não se limita a renda e nem ao produto, mas sim algo que englobe os dois. Explicando melhor essa diferença entre isenção, alíquota zero e cashback. A isenção e a alíquota zero atuam no preço do produto para todos. O cashback atua na renda de quem realmente precisa. O impacto disso no mercado de consumo é bem substancial. Supermercados, farmácias e prestadores de serviços essenciais verão uma mudança no comportamento de compra. O CPF na nota, que antes era usado para sorteios ou pequenos resgates, agora é a chave de acesso para a melhoria de condição financeira de milhões de famílias. Eu entendo que isso é de verdade mais importante que a própria bolsa família, que em alguns casos deixou de ser o socorro para ditar um modo de vida. Mas a teoria é sempre mais bonita que a prática. Como seria bom se sempre o resultado de ações como essas fossem somente coisas positivas. Ainda tem pontos não definidos que dão receio em ver como eles serão tratados. O que ainda não está totalmente claro é como esse cashback será operacionalizado sem atrito. A resolução prevê que o dinheiro deve chegar rápido, mas a integração bancária e social de milhões de brasileiros desbancarizados ou em áreas remotas é um desafio gigante. Os critérios definitivos de elegibilidade e os limites de segurança para evitar fraudes ainda dependem de atos do Comitê Gestor. E venhamos e convenhamos, que é justamente essa falta de critérios (as vezes me parece de forma proposital) é que alimentam os grandes golpes que temos visto ultimamente, como no caso do INSS. O cronograma efetivo de implementação vai exigir uma sintonia fina entre o Ministério do Desenvolvimento Social, a Receita e os bancos. E sabemos que essa sintonia nem sempre existe. Mas dessa vez, vou me dar o direito de acreditar que a reforma tributária finalmente olhou para o consumidor final com lentes do século 21. A tecnologia agora permite fazer justiça social na ponta do caixa. Se a execução for bem-feita, deixaremos de ter um sistema que pune o consumo básico para ter um sistema que devolve dignidade. A ferramenta está na mesa. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Nova tributação para bancos, fintechs, seguros e criptoativos URL: https://www.advisor.tips/pt/post/nova-tributacao-para-bancos-fintechs-seguros-e-criptoativos Data: 2026-08-10 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária Eu tive essa oportunidade de ver de perto o boom das fintechs no Brasil. Vi o sistema financeiro, antes dominado por cinco grandes bancos, ser sacudido por startups ágeis, gateways de pagamento e, mais recentemente, pelo universo cripto. A tecnologia pulverizou o dinheiro, mas a tributação sobre o sistema financeiro continuava sendo um emaranhado de IOF, PIS/Cofins e regras que ninguém entendia direito. Mas, mais uma vez, a Resolução CGIBS nº 6/2026 resolveu colocar ordem na casa. E o fez criando um regime específico, pesado e detalhado para os serviços financeiros. Vamos a ele. O Capítulo II do Título VI da resolução, faz é nivelar o campo de jogo. Bancos tradicionais, operações de câmbio, seguradoras, previdência complementar, factoring, securitização, arranjos de pagamento e até os serviços de ativos virtuais (criptomoedas) agora respondem a uma lógica unificada de incidência do IBS. Seria finalmente a equidade aplicada à indústria financeira? O grande desafio sempre foi: como tributar uma operação financeira onde o "preço" não é explícito? Como você cobra imposto sobre o spread bancário ou sobre a margem de uma operação de crédito? A resolução ataca isso estabelecendo bases de cálculo específicas para essas operações, deduzindo despesas financeiras e custos de captação. Me parece um modelo sofisticado, que tenta capturar o valor adicionado real da operação financeira, e não apenas o volume de dinheiro que transita. E quando falo sofisticado, logo penso em algo mais complexo. Para o mercado, o impacto é muito grande. As fintechs, que operam com margens espremidas e alto volume, terão que recalibrar seus algoritmos de precificação. Os gateways de pagamento e as infraestruturas de mercado, que vivem de microtarifas, sentirão o peso da nova conformidade. E o universo cripto, que por muito tempo surfou na ausência de regras claras, agora está oficialmente dentro da malha tributária do IBS. Um pensamento avesso ao capitalismo e ao bancos, deve achar isso lindo. Só não podemos esquecer, que mais uma vez, toda arrecadação maior, complexidade de apuração e impostos mais sofisticados, tendem a penalizar a ponta e não o meio. Ou seja, quem usa o sistema financeiro vai pagar essa conta. Ou ainda pior, quem usa o serviço de alguém que usa o serviço financeiro, vai pagar a conta. Então, sempre, quem perde é a ponta e o consumidor final. E não me canso de repetir que mesmo assim, essas novidades requerem mais especificações. A complexidade do dinheiro sempre cria sombras. O que ainda não está totalmente claro é como, na prática do dia a dia, será calculada a parte da base financeira em operações estruturadas muito complexas. A tributação exata em determinadas operações com ativos virtuais descentralizados (DeFi) ainda é uma incógnita tecnológica. A operacionalização prática de tudo isso, com o nível de detalhamento que o fisco vai exigir, ainda depende de regulamentações complementares e de muita adaptação dos sistemas bancários. O dinheiro virou código. E o fisco atualizou o seu. A era do "faroeste" financeiro digital está acabando. A competição agora não será apenas por quem tem a melhor tecnologia de crédito ou pagamento, mas por quem consegue operar com a maior eficiência tributária dentro do novo regime. Mas uma garantia eu posso dar. Nenhuma financeira vai quebrar. Só podemos começar a ter um custo do dinheiro mais alto. Quem ganha e quem perde com isso? Essa resposta todos nós sabemos. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Compra, locação e incorporação vão mudar URL: https://www.advisor.tips/pt/post/mercado-imobiliario-ibs-compra-locacao-e-mudancas Data: 2026-07-28 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária O mercado imobiliário brasileiro sempre foi um ecossistema com regras próprias, leis, registros, taxas e uma infinidade de detalhes que precisam normalmente ser tratados por especialistas. Lembro de ver construtoras, loteadoras e family offices estruturarem operações complexas de Sociedades de Propósito Específico (SPEs) e holdings patrimoniais para navegar no labirinto do ITBI, do ITCMD e do PIS/Cofins. Era um jogo de xadrez onde a segurança jurídica muitas vezes ficava em xeque. Agora, tem uma reviravolta na Resolução CGIBS nº 6/2026, que determina que o mercado imobiliário passa a ter um regime detalhado e próprio dentro do IBS. Mas muda muita coisa? Bom, a tributação passa a incidir de forma unificada sobre a venda, a locação, o loteamento, a incorporação e a cessão de imóveis. Mas o pulo do gato, e onde mora o detalhe, está na base de cálculo. O fisco não vai mais aceitar cegamente o valor declarado no contrato. A resolução introduz um conceito que para mim ainda pode ser abstrato, que é o "Valor de Referência do Imóvel". Ou seja, se você tentar vender ou alugar um imóvel por um valor muito abaixo do mercado para pagar menos imposto, o sistema vai cruzar os dados e cobrar o IBS sobre o valor de referência estipulado pelo poder público. E aí nem estou falando daqueles que fazem contrato direto entre o locatário e locador e não declaram nada. Isso já vai deixar de existir desde já. Me refiro a uso de valores ditos incompatíveis com o mercado. Mas como saber se aquele valor é o valor praticado pelo mercado? Aí já mora a primeira dúvida. Para equilibrar o jogo, a lei criou mecanismos de amortecimento. Existe um "Redutor de Ajuste" para alinhar a carga tributária à realidade do mercado, e um "Redutor Social", focado em proteger moradias populares e transações de menor valor. Quando a regra começa a ter muitas correções e penduricalhos, ela deixa de ser regra clara e passa a ser uma regra mais complexa e que as vezes até gera oportunidades de elisão fiscal dada essa complexidade. O impacto para construtoras, loteadoras e fundos de investimento imobiliário é estrutural. As holdings patrimoniais, muito usadas para planejamento sucessório e gestão de aluguéis, terão que refazer as contas. A locação, que antes navegava em águas mais calmas tributariamente, agora está sob o guarda-chuva do IBS. Há um período de transição previsto para operações com bens imóveis, o que dá um respiro para contratos antigos. Mas o que ainda não está totalmente claro é como será a aplicação prática desse Redutor Social no dia a dia dos cartórios e das construtoras. Os critérios exatos de arbitramento do valor de referência também prometem gerar debates acalorados entre avaliadores e auditores fiscais. E a compatibilização entre os contratos de longo prazo já assinados e as novas regras ainda depende de regulamentação operacional futura. Parece que sempre que temos uma novidade, ela carece de regulamento específico, pois ela por sí só não é clara o suficiente. E quando lançam a regulamentação, ela vem carregada de adereços colocados por interesses de determinados segmentos, que complicam mais do que explicam, e mais uma vez pedemos a chance de ter uma legislação mais simples e eficiente. A verdade é que o tijolo, que sempre foi visto como o porto seguro do investidor brasileiro, agora está conectado à nuvem do fisco. O mercado imobiliário não perdeu seu valor, mas parece estar perdendo a sua invisibilidade tributária. Quem souber estruturar projetos com clareza, transparência e margem real vai continuar crescendo. Até porque sempre que possível, esse custo extra é repassado ao beneficiário final, gerando aumento de preços e inflação. No entanto, quem dependia de zonas cinzentas no contrato de compra e venda, pode ter que arrumar outro jeito de ganhar dinheiro. Ou vai ficar articulando e torcendo para que esses regulamentos que ainda faltam, venham com falhas e brechas que os beneficiem. Alguém aposta que dessa vez não veremos isso acontecer? Eu não. Artigo também publicado no GazzConecta. ## Relação entre empresa e governo na era digital URL: https://www.advisor.tips/pt/post/relacao-entre-empresa-e-governo-na-era-digital Data: 2026-07-14 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária Quem acompanha aqui um pouco da minha trajetória sabe que eu sempre vi a tecnologia não como uma ferramenta, mas como a própria infraestrutura dos negócios. Vivenciei de perto empresas gastarem milhões em sistemas de ERP para tentar organizar a bagunça fiscal brasileira e o controle sobre operações complexas em um país continental. A relação entre a empresa e o governo sempre foi um jogo de gato e rato analógico, cheio de papéis, carimbos, declarações redundantes e obrigações acessórias que não faziam sentido nenhum. Nessa minha recente passagem por Portugal, fazendo negócios por lá, vi que temos a quem puxar e me deu uma leve pista de quem herdamos todo esse processo. O que muita gente ainda não percebeu é que todas as mudanças que estamos tendo na parte tributária no Brasil não é apenas uma reforma tributária. Ela é o maior projeto de transformação digital estatal da nossa história. Me acompanhem... Se você ler com atenção o que diz a resolução e a lei, vai perceber que a arrecadação é quase uma consequência. O coração do sistema é a digitalização total. A começar pelo Cadastro com Identificação Única. Acabou aquela história de ter uma inscrição estadual, uma inscrição municipal e um CNPJ que não conversam entre si. O fisco passa a ter uma visão única, nacional e em tempo real de quem você é, o que você faz, o que come, como vive e com quem você opera. E, obviamente, não para por aí. O Documento Fiscal Eletrônico passa a ser o centro nervoso de todas as operações. Ele não é mais apenas um recibo de compra e venda; ele é um contrato digital inteligente. A resolução detalha que a autorização de uso e os eventos fiscais serão compartilhados instantaneamente no Ambiente de Dados Nacional. Isso significa integração absoluta entre a Receita Federal, o Comitê Gestor do IBS e as administrações estaduais e municipais. Se antes tinha empresário ou especialista tributário que se aproveitava da falta de integração entre as entidades fiscalizadoras, essa estratégia também já não será válida. O impacto disso na fiscalização é brutal. A malha fina deixa de ser uma verificação anual e passa a ser uma auditoria contínua, automatizada e baseada em cruzamento de dados e geolocalização, minuto a minuto, segundo a segundo. O Domicílio Tributário Eletrônico será a única caixa de correio válida para intimações. O fisco não vai mais bater na sua porta; ele vai travar a sua operação direto no sistema se encontrar inconsistências. Quem esbravejava contra um sistema arcaico, retrógado e burocrático do governo, agora vai experimentar um governo que se modernizou e que vai ter uma capacidade de atuação e autuação muito maior. Para o mercado, o recado é claro: o compliance não é mais um departamento que cuida de papéis no fim do mês. É a própria espinha dorsal da operação. Contabilidade, ERP e governança precisarão de inteligência artificial aplicada para não cometerem erros em tempo real. Não tem mais aquele prazo até o dia 20 do outro mês para recalcular algo ou ajustar um lançamento mal realizado. Mas a implementação de um sistema dessa magnitude não acontece sem solavancos. O que ainda não está totalmente claro é o cronograma técnico completo e os padrões nacionais definitivos de interoperabilidade. A integração entre os sistemas defasados de milhares de municípios e a nova arquitetura nacional privada ainda depende de regulamentações complementares. Tenho a oportunidade de acompanhar de perto os esforços do SERPRO e da Receita Federal para que tudo isso funcione em sincronia e de forma a não travar a economia. Está sendo um esforço gigante, mas o país que já foi capaz de mudar moedas tantas vezes, de implementar o maior sistema de pagamento imediato do mundo (PIX), sabe que tem capacidade de fazer isso acontecer. E acredito muito que vai. A digitalização estatal vai forçar a barra da maturidade digital das empresas. Quem ainda opera com sistemas remendados ou tenta fazer "jeitinhos" operacionais vai ser engolido por um algoritmo que cruza dados na velocidade da luz. A tecnologia nivelou o jogo, e o governo acabou de atualizar o seu servidor para a versão mais potente. E esse ganho de eficiência do lado governamental, pode escancarar ineficiências do setor privado, antes escondidas sob o tapete do "ninguém está vendo". Particularmente, eu acho que em um futuro muito próximo, nem tapete mais teremos e será impossível cobrir qualquer coisa. É esperar para ver! Ou melhor, não esperar e já se preparar o quanto antes. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Grande mudança para empresas de serviços e tecnologia URL: https://www.advisor.tips/pt/post/grande-mudanca-para-empresas-de-servicos-e-tecnologia Data: 2026-07-08 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária Se você atua no setor de serviços, tecnologia, marketing ou consultoria, você sabe bem a dor que é o sistema tributário atual. Pagamos PIS, Cofins e ISS, e raramente conseguimos aproveitar créditos sobre nossas maiores despesas. O modelo antigo foi desenhado para a indústria clássica, onde se comprava aço para fazer parafuso. Para quem compra inteligência, software e serviço para gerar mais inteligência e serviço, a conta nunca fechou. Aqui mora a melhor notícia da Resolução CGIBS nº 6/2026 para a nova economia. A reforma tributária introduz a não cumulatividade plena e o crédito financeiro amplo. O que isso significa na veia? Significa que praticamente tudo o que a sua empresa adquire e que foi tributado pelo IBS vai gerar crédito para abater do imposto que você tem a pagar. Diferente do modelo antigo do PIS/Cofins, que exigia que a despesa fosse um "insumo essencial" da produção, o IBS adota a lógica financeira. Se a despesa é necessária para a atividade econômica da empresa e foi tributada, gera crédito. Para negócios intensivos em despesas operacionais, isso muda a matemática financeira. Contratação de software, serviços de nuvem, consultorias, agências de marketing, aluguéis de equipamentos, compra de tecnologia, ativos e consumo intermediário. Tudo isso passa a ser moeda de troca tributária. Antes de mais nada, um alerta de calendário: isso ainda não está valendo por inteiro. Desde 1º de janeiro de 2026, CBS e IBS já aparecem na nota fiscal, mas em fase de teste, com o IBS a uma alíquota simbólica de 0,1% e sem cobrança efetiva. A CBS assume a alíquota cheia em 2027, no lugar de PIS e Cofins, e o IBS sobe gradualmente entre 2029 e 2032, até o modelo pleno em 2033. Ou seja, o crédito amplo que descrevemos aqui é a regra que se consolida ao longo da transição, e quem se estruturar agora larga na frente. E é claro que o fisco não é bobo. A resolução traz restrições pesadas para evitar abusos. O grande filtro é o "uso pessoal". Os artigos 62 e 63 deixam claro que bens e serviços de uso e consumo pessoal de sócios, administradores ou funcionários não geram crédito. Se você tentar passar o leasing do carro de luxo do diretor ou a viagem de férias da família como despesa da empresa, o sistema vai apitar. E o "apitar" é literal: quando o bem é caracterizado como uso pessoal, o crédito precisa ser estornado mediante emissão de documento fiscal vinculado ao de aquisição, com identificação, por nome e CPF, da pessoa física destinatária. Ou seja, há obrigação acessória que expõe quem levou o benefício. E mais: o crédito também volta a ser cobrado quando a empresa repassa a terceiros bens ou serviços que geraram crédito na entrada. Não entendeu? Explico. Nas doações em geral, você escolhe: ou tributa pelo valor de mercado, como se tivesse vendido pelo preço normal, ou anula o crédito que aproveitou na entrada (art. 6º, VIII, §2º). Já para partes relacionadas, ou seja, sócios, administradores, parentes e demais pessoas ligadas, não há escolha: a tributação é obrigatória, em montante equivalente ao IBS sobre o valor de mercado (art. 5º, I). E o gatilho não é só a doação: basta o fornecimento não oneroso ou por valor inferior ao de mercado. Vender o notebook da empresa para o sócio por R$ 100 cai na mesma regra, não adianta cobrar um valor simbólico para escapar. OK, mas vamos voltar ao que interessa. A revolução aqui é de eficiência. As empresas de serviço e tecnologia deixarão de ser o elo fraco da cadeia tributária. Mas o que ainda não está totalmente claro é o nível real de aproveitamento em despesas de fronteira. Aquelas que ficam na zona cinzenta entre o operacional e o benefício aos funcionários. Os critérios definitivos sobre o que caracteriza "uso pessoal" em modelos de trabalho remoto, por exemplo, ainda vão gerar debate. Além disso, os prazos de ressarcimento (quando você acumula mais créditos do que débitos) já estão definidos, de 30 a 180 dias, corrigidos pela Selic, mas a operacionalização ainda depende de atos da RFB e do CGIBS. Mas por si só, a notícia já é boa. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Split Payment: Imposto retido automaticamente URL: https://www.advisor.tips/pt/post/split-payment-imposto-retido-automaticamente Data: 2026-06-30 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária Em todas as empresas que fundei ou mentorei, a regra número um era entender o ciclo do dinheiro. O empresário brasileiro se acostumou a um modelo perigoso: ele vende, recebe o dinheiro do cliente (que já inclui o imposto embutido), usa esse dinheiro para girar a operação durante o mês e, só no mês seguinte, paga o tributo ao governo. O imposto virou, na prática, um capital de giro de curto prazo. Ou pior, usa esse valor para pagar custos de novos faturamentos, protelando e empurrando com a barriga o acerto com o fisco. Ou ainda, a espera de um milagre ou de um REFIS (Programa de Recuperação Fiscal que permite parcelar o imposto atrasado). Então tá... Prepare-se para o choque de realidade. A Resolução CGIBS nº 6/2026 traz para o centro do palco o mecanismo que talvez seja o mais transformador de toda a reforma tributária: o recolhimento na liquidação financeira, ou split payment. O que é isso? É a separação automática do imposto no exato momento em que o cliente paga a conta. Se você vende um serviço por R$ 1.000 e o IBS é de R$ 200, quando o cliente passar o cartão ou fizer o PIX, os R$ 200 vão direto para a conta do governo. Só os R$ 800 caem na sua conta. Isso muda tudo. O artigo 26 e seus desdobramentos na resolução mostram que bancos, adquirentes, emissores de cartão, plataformas de marketplace e o próprio Banco Central (via PIX) serão os novos cobradores automáticos do Estado. Eles farão a retenção na fonte de forma digital e instantânea. O impacto no fluxo de caixa será grande para quem vive sendo ciclista de "pedalada tributária" mensal. O capital de giro vai encolher da noite para o dia. Por outro lado, a inadimplência tributária deve despencar, o que, em tese, deveria ajudar a manter a alíquota de referência sob controle no longo prazo. Mas a revolução não para na cobrança. O split payment é a chave mestra para o novo sistema de créditos. O adquirente só terá direito ao crédito do IBS se o imposto tiver sido efetivamente recolhido. A amarração é perfeita: a tecnologia garante que o dinheiro chegue ao fisco e, ao mesmo tempo, destrava o crédito para quem comprou. O que ainda fico tentando entender é a operacionalização. Quais operações terão split obrigatório logo de cara? Como isso vai conviver com vendas parceladas no cartão de crédito, onde o lojista antecipa recebíveis com deságio? E os gateways internacionais, como ficam? As regras técnicas detalhadas ainda dependem de regulamentações futuras do Comitê Gestor e do Banco Central. A automação financeira não é mais um luxo para grandes corporações; é questão de sobrevivência. Quem não tiver um ERP robusto e uma gestão de caixa afiada vai asfixiar. A tecnologia não está apenas facilitando a vida, ela está redesenhando a relação de poder entre o Estado e o seu dinheiro. E, nesse novo jogo, o Estado acaba de dizer que não quer mais esperar até o dia 20 do mês seguinte. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## O IBS no destino: fim da guerra fiscal URL: https://www.advisor.tips/pt/post/o-ibs-no-destino-fim-da-guerra-fiscal Data: 2026-06-22 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária A guerra fiscal moldou a logística no Brasil nas últimas décadas. Vi empresas inteiras mudarem seus centros de distribuição de São Paulo para o Espírito Santo, de Minas para Santa Catarina, apenas para capturar um benefício de ICMS. Vi prefeituras minúsculas atraírem sedes de empresas gigantes de tecnologia oferecendo ISS a 2%. O Brasil se acostumou a operar negócios não pela lógica da eficiência, mas pela lógica da manipulação tributária. Isso vai acabar. A Resolução CGIBS nº 6/2026 decreta o fim dessa era ao transferir a titularidade do imposto da origem para o destino do consumo. Sempre defendi que negócios devem ser construídos em cima de valor real, não de puxadinhos tributários. O artigo 12 da resolução é um balde de água fria em quem ainda aposta no passado. O imposto deixa de pertencer ao estado ou município onde a empresa está sediada e passa a pertencer ao local onde o bem ou serviço é efetivamente entregue, disponibilizado ou consumido. Para bens físicos, a regra é simples: o local da operação é onde o produto é entregue ao destinatário. Mas o grande impacto está no mundo digital e de serviços. Para serviços de streaming, SaaS, aplicativos e plataformas digitais, o imposto vai para o domicílio principal do adquirente. O que isso significa na prática? Significa que não importa mais se a sua sede fiscal está em um paraíso de ISS. Se o seu cliente está em São Paulo, o imposto vai para São Paulo. Se está no interior da Bahia, vai para o interior da Bahia. A geolocalização, o endereço de cobrança, o IP do usuário ou os dados do cadastro nacional passam a ser as bússolas do fisco para determinar para onde vai o dinheiro. Essa mudança afeta diretamente o coração das empresas digitais, fintechs e marketplaces. A distribuição logística voltará a ser pensada com base na proximidade do cliente e na eficiência da malha de transporte, e não mais no balcão de negociações de benefícios fiscais estaduais. Mas há zonas cinzentas que ainda me preocupam. A resolução cria regras complexas para definir o destino em situações específicas. Por exemplo, em serviços de transporte de passageiros, o local é onde a viagem começa; mas no transporte de carga, é onde a carga é entregue. Essa dualidade já começa a bagunçar o coreto. O que ainda não está totalmente claro é como serão resolvidos os conflitos de localização em operações puramente digitais, especialmente quando o cliente usa VPNs ou tem múltiplos endereços de faturamento. Além disso, a fiscalização em operações internacionais digitais será um desafio bem interessante para o novo Comitê Gestor. E, para as pequenas empresas, a complexidade operacional de lidar com múltiplos destinos tributários, mesmo com um sistema unificado, exigirá uma maturidade de gestão que muitas ainda não têm. A guerra fiscal como conhecemos morreu. Quem focar em atender melhor o cliente, onde ele estiver, vai surfar essa onda. A inteligência do negócio volta para o lugar de onde nunca deveria ter saído: a operação real. ## IBS: O fim da separação entre produto e serviço URL: https://www.advisor.tips/pt/post/ibs-o-fim-da-separacao-entre-produto-e-servico Data: 2026-06-15 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária A única coisa que sabemos que não vai parar é a constante mudança. Eu vi acontecer a transição do software de caixinha para a nuvem. Lembro de quando a gente comprava um CD-ROM, instalava na máquina e aquilo era claramente um produto. Depois veio o SaaS (Software as a Service), e a mesma ferramenta virou uma assinatura mensal. A tecnologia engoliu a diferença entre ter e usar. Mas, nem tudo evoluiu nessa velocidade. A nossa legislação tributária continuou parada no tempo, tentando encaixar a nova economia em caixas antigas. "Isso é mercadoria ou serviço?", perguntavam os contadores. "De quem é o imposto, do Estado ou do Município?", brigavam os fiscais. Bom, finalmente, essa guerra acabou. Pelo menos, vai acabar e é o que crava a Resolução CGIBS nº 6, de 30 de abril de 2026, que regulamenta o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Sempre fui meio pragmático ao olhar para regulações. Não me interessa o juridiquês, me interessa como isso muda o jogo na ponta. E a mudança aqui é estrutural. A reforma tributária, materializada nos artigos 2º ao 8º da nova resolução, cria uma lógica única. Acabou a esquizofrenia de tributar diferente um produto físico, um software, um streaming ou uma plataforma de Inteligência Artificial. A regra agora é direta: o IBS incide sobre operações onerosas com bens ou com serviços. E o conceito de "bem" foi esticado até o limite. Bens materiais, imateriais, direitos, energias com valor econômico. Tudo está no mesmo balaio. Se você entrega, disponibiliza, licencia, cede ou concede, você está fazendo um "fornecimento" de bem. Parece que o termo "cidadão de bem", agora vai significar o cidadão que será tributado (não resisti ao trocadilho). Por exemplo, para quem opera negócios digitais, marketplaces ou holdings, isso é um terremoto. Pense em um modelo híbrido, onde você vende um hardware embarcado com um software de IA por assinatura. Antes, você precisava fatiar a nota fiscal, separar o ICMS do ISS, lidar com duas burocracias, duas lógicas de crédito. Agora, a resolução diz claramente que se houver um fornecimento principal e outros acessórios, tudo segue o tratamento do principal. Se não houver essa hierarquia clara, a regra é unificar a tributação, a menos que os tratamentos tributários sejam explicitamente distintos. Mas não se engane achando que a vida ficou apenas mais simples. Ficou sim mais vigiada. A resolução fecha o cerco sobre o planejamento tributário agressivo. O artigo 5º deixa claro que o fornecimento não oneroso (ou abaixo do valor de mercado) para partes relacionadas também paga imposto. É meus queridos! Sabe aquela transferência de ativos entre empresas do mesmo grupo com valor subfaturado? Ou aquele brinde caro dado a um sócio? O fisco agora tem o poder de arbitrar o valor de mercado e cobrar o IBS em cima disso. Como falei, a tecnologia engoliu a burocracia, e a burocracia, obviamente, respondeu criando uma rede de captura muito mais ampla. Mas para mim, o que ainda não está totalmente claro é como o fisco vai, na prática operacional, distinguir o "serviço acessório" do "principal" em contratos complexos de tecnologia. Os critérios definitivos de arbitramento eletrônico ainda dependem de atos conjuntos futuros da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. A revolução digital já apagou a linha entre produto e serviço na cabeça do consumidor. Faltava o governo entender isso. Agora entendeu. E vai cobrar a conta. A pergunta para o empresário não é mais "qual imposto eu pago?", mas sim "como eu reorganizo meus contratos e meu modelo de negócios para essa nova realidade?". Mas se acha isso complexo demais, ou que alguma grande reviravolta vai acontecer e mudar tudo isso, só te digo uma coisa: A passividade custará caro. Quem não entender a nova regra do jogo vai perder margem e competitividade muito rápido. Em movimentos tributários muito menores, já vimos isso acontecer. Então, imagina em um cenário de transformação tão robusta! Vai doer em quem não se preparar. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Reforma Tributária: A Pancada Final (2029-2033) URL: https://www.advisor.tips/pt/post/reforma-tributaria-a-pancada-final-2029-2033 Data: 2026-01-27T11:50:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária ### Morte Lenta do ICMS e ISS (2029-2032) Imagine dirigir um carro com dois volantes por quatro anos. É exatamente isso que vai acontecer. De 2029 a 2032, o IBS (o imposto estadual/municipal) vai crescer progressivamente, enquanto o ICMS e o ISS (os monstros que aprendemos a odiar) serão reduzidos na mesma proporção. ### Na prática, isso significa: Dupla Apuração: Sua equipe contábil vai ter que calcular e pagar os dois sistemas. O custo de conformidade vai para a estratosfera. O risco de erro é dobrado. Guerra de Sistemas: Seus sistemas de ERP e faturamento precisarão ser robustos o suficiente para lidar com alíquotas que mudam todo ano, em uma dança complexa entre o que morre e o que nasce. Precificação Dinâmica: Como você precifica seu produto ou serviço quando a carga tributária muda anualmente? O planejamento estratégico se torna um exercício de futurologia. Essa é a fase do "purgatório fiscal". O inferno do sistema antigo ainda existe, e o céu do sistema novo ainda não chegou. É o momento em que a organização e a tecnologia que você implementou lá em 2026 vão separar quem se preparou , daqueles que foram “surpreendidos”. ### 2033: O Fim de uma Era (E o Começo de Outra) Finalmente, em 1º de janeiro de 2033, o ICMS e o ISS são oficialmente extintos. O Brasil entra de vez no clube dos países com um IVA moderno. O sistema antigo, com sua sopa de letrinhas e suas mil exceções, vira peça de museu. No papel, é lindo. Um sistema simplificado, transparente, que não onera investimentos e exportações. Mas aí vem a pergunta de R$ 1 trilhão. ### O Risco da Arrecadação vs. A Reforma Econômica A grande promessa da Reforma Tributária nunca foi apenas simplificar. Foi destravar o crescimento do Brasil. A expectativa é que um sistema mais eficiente gere um crescimento adicional do PIB, atraia investimentos e formalize a economia. Mas qual o risco de tudo isso ser apenas uma miragem? O risco é a reforma ser usada como um mero instrumento de arrecadação diferente. Ou seja, o governo descobre que o novo sistema é tão eficiente em cobrar imposto que a tentação de aumentar a alíquota para cobrir rombos fiscais se torna irresistível. Se a carga tributária final, somando CBS, IBS e Imposto Seletivo, for maior do que a atual, a reforma terá falhado em seu propósito econômico. Teremos um sistema mais simples para pagar mais imposto. É como trocar uma carroça por um carro de Fórmula 1, mas só para andar na mesma estrada esburacada. ### O Problema do Lobby e dos Interesses Setoriais E aqui entra o maior inimigo de qualquer boa ideia no Brasil: o lobby. A beleza do IVA é sua simplicidade e neutralidade. Mas a cada setor que consegue um benefício, uma alíquota reduzida, um regime especial, um pedaço dessa simplicidade morre. Já vimos isso acontecer. Setores como saúde, educação, agronegócio e transporte já garantiram suas benesses. A pergunta é: onde isso para? Qual a probabilidade de futuros governos, pressionados por seus financiadores de campanha e por grupos de interesse, não descaracterizarem a reforma a ponto de ela virar uma nova colcha de retalhos? Cada exceção é um prego no caixão da eficiência. Cada privilégio setorial é um convite para que o seu concorrente também peça o dele. Se não houver uma blindagem política e uma consciência de que o interesse do todo supera o da parte, corremos o risco de, em 2033, termos um sistema tão complexo quanto o que acabamos de enterrar. ### O Dia Seguinte: O Que Sobra Para o Empresário? Depois de 2033, o jogo muda. A competição não será mais sobre quem tem o melhor malabarista fiscal. Será sobre quem tem o melhor produto, o melhor serviço, a melhor logística. A eficiência tributária será uma commodity. O empresário que sobreviver a essa jornada terá que ser mestre em gestão, inovação e estratégia. O contador deixará de ser um "preenchedor de guias" para se tornar um analista de dados e um parceiro estratégico vital. O desafio é imenso, mas a oportunidade também. A Reforma Tributária, se bem executada e protegida dos abutres de sempre, pode finalmente permitir que o empresário brasileiro foque no que ele faz de melhor: gerar riqueza. Mas, para isso, a vigilância da sociedade e a coragem de dizer "não" aos interesses menores serão tão importantes quanto a própria lei. A reforma não é um destino. É uma escolha que teremos que fazer todos os dias, de agora até 2033 e além. Participar dos debates, estar em contato com quem pode ainda definir alguns destinos, é uma prática muito importante, que recomendo a todos. Artigo também publicado no GazzConecta. ## Reforma Tributária: 2027 e 2028 – O Choque da Realidade URL: https://www.advisor.tips/pt/post/reforma-tributaria-2027-e-2028-o-choque-da-realidade Data: 2026-01-22T11:21:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária ### A Infiltração Silenciosa no Seu Negócio Sabe aquela pequena mancha de umidade na parede que você ignora porque "ainda não está pingando"? A Reforma Tributária em 2026 é exatamente isso. Parece inofensiva, um teste aqui, uma alíquota simbólica ali. Mas o que está sendo gestado para a "Primeira Virada" em 2027 e 2028 é uma mudança estrutural tão profunda que, se você não tratar de olhar isso com cuidado agora, o teto tem grandes chances de desabar na sua cabeça exatamente quando você achar que ainda está tudo sob controle. Não se engane: 2027 não é um "próximo passo". É a separação para quem não construiu a ponte. É o momento em que o PIS e a Cofins morrem de vez e a CBS assume o controle com alíquota padrão. É quando o IPI vira fumaça (exceto para proteger Manaus) e o Imposto Seletivo começa a morder. Se você deixar para entender isso em dezembro de 2026, oi ainda ao longo de 2027, você já perdeu. O arrependimento será o seu maior custo operacional. ### 2027-2028: A Hora da Verdade e o Fim do Amadorismo O biênio 2027-2028 é onde o jogo fica sério. A extinção do PIS e da Cofins não é apenas uma troca de nomes; é uma mudança completa na forma como sua empresa respira financeiramente. A CBS em Operação Plena: A alíquota padrão entra em vigor. Se sua precificação e seus contratos não forem revistos agora, em 2026, você vai descobrir em janeiro de 2027 que está pagando para trabalhar. Faça esse exercício e verifique quantos contratos seus tem cláusulas que te permitem reajustar preços mediante alterações tributárias. O Imposto Seletivo: O "Imposto do Pecado" começa a ser cobrado. Se o seu produto estiver na mira, sua margem de lucro vai ser sacrificada no altar da "moralidade fiscal" do governo. O IPI Zerado: Parece bom, certo? Mas para a indústria, isso exige uma reengenharia completa de custos e créditos. Transição do IBS: Início da alíquota teste, assim como foi feito com o CBS em 2026. Nesse cenário, o erro mais comum — e o mais fatal — é pensar: "Como ainda não mudou tudo, não preciso me preparar". Esse pensamento é o passaporte para o grupo dos “desavisados". ### O Seguro de Vida do seu Lucro: O Contador Sênior e o Advogado Se existe um momento na história da sua empresa em que você não pode economizar com serviços especializados, esse momento é agora. Esqueça o seu "gerador de guias". Em 2027 e 2028, a diferença entre o lucro e a falência estará na qualidade do seu Contador Sênior e do seu Advogado Tributarista. Profissionais Envolvidos: Você precisa de gente que não apenas saiba o que é a reforma, mas que esteja "na veia" da regulamentação. Profissionais que entendam de cruzamento de dados, que saibam ajustar sistemas e processos antes da virada da chave. O Custo da Economia: Tentar economizar com honorários agora é a economia mais sem sentido que um empresário pode fazer. Um erro na transição de créditos de PIS/Cofins ou uma falha na precificação para a nova CBS pode custar dez vezes mais do que o melhor consultor do mercado. Ação Imediata: Se o seu contador atual não está te provocando, não está te pedindo para revisar contratos e não está preocupado com 2027, você tem um problema. O profissional sênior é o seu "Coringa". Ele vai salvar o seu lucro enquanto os outros estarão tentando entender o que aconteceu. ### O Que Você Precisa Fazer HOJE (Sim, em 2026) O sucesso em 2027 e 2028 depende de um processo, não um evento. O que você faz agora determina o seu tamanho no futuro: Organize Processos e Estrutura: Não espere tudo mudar. Ajuste seus processos internos para a lógica do IVA Dual hoje. Revise Contratos e Precificação: Seus contratos de longo prazo precisam de cláusulas de barreira tributária. Não assine nada que te prenda a uma realidade que vai deixar de existir em 12 meses. Invista em Inteligência: Contrate a consultoria, pague o advogado, ouça o contador sênior. Eles são os arquitetos que vão garantir que seu negócio se mantenha seguro quando a tempestade de 2027 chegar. ### O Arrependimento Não Gera Crédito Tributário A Reforma Tributária é um processo sem volta. Quem se prepara antes, comete menos erros depois. Quem ignora o que está por vir em 2027 e 2028, está plantando a semente de um arrependimento que não gera crédito tributário e não aceita parcelamento. Você prefere investir agora em profissionais competentes e sistemas inteligentes, ou prefere gastar o dobro depois tentando consertar o estrago? A "Primeira Virada" vem logo ali. O cronograma não vai esperar você estar pronto. Artigo também publicado no GazzConecta. ## Reforma Tributária: O que REALMENTE Muda em 2026 URL: https://www.advisor.tips/pt/post/reforma-tributaria-o-que-realmente-muda-em-2026 Data: 2026-01-19T17:38:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária ### O Dia 1 da Nova Era: Onde o Leão morde em 2026 Se você comprou a ideia de que 2026 é apenas um "ano de teste" inofensivo da Reforma Tributária, prepare o bolso. O governo não está brincando de testar; ele está redesenhando a forma como você lucra, como você mora e como você mantém seu patrimônio. Eu não estou aqui para te dar aula de contabilidade ou planejamento tributário, mas para te mostrar onde o calo vai apertar agora em 2026. Vamos lá: ### 1. O Fim do Sossego nos Dividendos (Lei 15.270/2025) Essa é a mudança que mais dói. A isenção total de lucros e dividendos, que era o porto seguro do empresário brasileiro, acabou. A Realidade: Distribuições que superem R$ 50 mil mensais (ou R$ 600 mil no ano) agora sofrem retenção na fonte de 10%. Mas dependendo de seu regime tributário, dá para recuperar muita coisa. O Impacto: Se você não antecipou seus lucros em 2025, não fez ata para preservar lucros históricos ou não revisou sua estrutura de pro-labore, você já começa 2026 pagando pedágio sobre o seu próprio sucesso. É o lucro "limpo" ficando 10% mais magro. Se não te avisaram sobre isso, é fato, você está mal assessorado. ### 2. Aluguéis: A Nova Matemática da Renda Imobiliária Se você vive de aluguel ou sua empresa paga locação, a conta mudou. O aluguel agora entra na lógica do valor agregado. A Mudança: Apuração imediata do IVA Dual (CBS + IBS) na alíquota de 1% (0,9% federal e 0,1% estadual/municipal). O Redutor: Para o residencial, criaram um "redutor social" na base de cálculo. Mas para o comercial, a incidência é seca. O Alerta Estratégico: Embora 2026 ainda não seja o ano da dor, ele é o ano do reposicionamento patrimonial. A renda imobiliária passou a ser tratada como atividade econômica dentro do IVA, e estruturas como holdings imobiliárias deixam de ser opção estética e passam a ser instrumento de planejamento para os próximos ciclos da reforma. Vale a pena estudar mais o tema se você tem renda de aluguel. ### 3. IPVA sobre o Luxo: O Fim da Isenção de Jatos e Iates A brecha histórica fechou. Se você tem um barco ou um avião de uso particular, o IPVA bateu na sua porta. Os estados estão autorizados a cobrar esse novo imposto. Resta saber quanto e quais estados vão aderir. A Regra: Alíquotas de 1% a 4% sobre o valor de mercado. O Alvo: Aeronaves e embarcações de lazer. Barcos de pesca artesanal e aviões agrícolas continuam isentos, mas o resto do "luxo" agora paga boleto anual como se fosse um carro popular. Já dá para ver que alguns iates serão migrados para barcos de pesca de luxo, dando vazão a criatividade tributária dos brasileiros. ### 4. CBS e IBS: O "Teste" que Custa Caro Sim, as alíquotas são de 0,9% (CBS) e 0,1% (IBS). Mas o "teste" não é sobre o valor, é sobre a operação. O que significa: Você é obrigado a apurar esses valores. Isso significa que seu sistema (ERP) tem que estar rodando dois modelos tributários ao mesmo tempo. O Custo: O gasto com software, consultoria e horas de contabilidade para apurar esse 1% é, muitas vezes, maior que o próprio imposto. É o custo da conformidade batendo recorde. ### 5. ITCMD: A Herança Ficou Mais Cara A forma de tributar heranças e doações mudou a partir de 1º de janeiro de 2026. Progressividade Obrigatória: Agora as alíquotas são obrigatoriamente progressivas. Quanto maior o patrimônio deixado, maior a mordida (podendo chegar a 8%, dependendo do estado). O Pulo do Gato: A cobrança agora é por quinhão (o que cada herdeiro recebe) e não sobre o monte total, mas a conta final para famílias ricas subiu consideravelmente. ### 6. NFS-e: Mais Informação em Nome da Padronização O Fim da Bagunça Municipal e o Começo da Dor de Cabeça Tecnológica - Se você achava que emitir nota fiscal de serviço era uma loteria dependendo da prefeitura, 2026 acabou com a festa. A Realidade: Todo município agora é obrigado a seguir o padrão nacional do Portal da NFS-e (graças à Lei Complementar 214/2025), com mais de 5.500 cidades já plugadas no sistema federal — só uns gatos pingados em estados como Maranhão e Bahia ainda patinam na adesão. O Impacto: Seu ERP ou software de faturamento tem que dançar no ritmo nacional, integrando tudo para apurar IBS e CBS sem erro, o que significa horas extras para o TI e possíveis travadas no começo do ano. O Custo: Esqueça o 1% do imposto teste; esse nem deve ser cobrado agora. O rombo vem da atualização de sistemas e consultorias, que podem sugar milhares de reais de quem não se preparou. A Estratégia: Teste sua integração, migre para ferramentas compatíveis e evite multas futuras — ou vai ser mais um chorando no tanque enquanto o governo lava a louça. A pergunta teimosa: você prefere ser a pessoa que domina as novas regras ou a que vai ser atropelada por ela? O inventário está aí. Agora, trate de aumentar o seu estoque de inteligência fiscal. Artigo também publicado no GazzConecta. ## Reforma Tributária: O Brasil Não Tinha Escolha! URL: https://www.advisor.tips/pt/post/reforma-tributaria-o-brasil-nao-tinha-escolha Data: 2026-01-15T16:46:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária ### O Monstro Burocrático e a Fatura da Inércia Imagine um país onde o simples ato de produzir ou vender algo é uma odisseia tributária. Um labirinto de impostos sobre impostos, regras que mudam com a velocidade da luz e uma burocracia que consome mais tempo e dinheiro do que a própria inovação. Não foi preciso imaginar muito, certo? Bem-vindo ao que conhecemos de Brasil na parte Tributária. Por décadas, convivemos com um sistema fiscal que não apenas era complexo, mas ativamente sabotava nossa competitividade, espantava investimentos e, no fim das contas, penalizava o cidadão comum com preços mais altos e menos empregos. E todo mundo falava sobre isso, e pouco se fazia para mudar esse desequilíbrio. E veja, não se trata de uma escolha ideológica, mas de uma necessidade que já tínhamos faz tempo. A Reforma Tributária, materializada na Emenda Constitucional nº 132/2023, não é um capricho de Brasília; é a resposta até tardia ao grito de socorro do setor. É a tentativa de desatar os nós de um sistema que se tornou esse monstro burocrático, cuja fatura da inércia se tornou impagável, por décadas. Mas, afinal, por que era tão urgente e por que o modelo anterior era uma sentença de morte lenta para a economia? ### Nossa Complexidade Tributária Nosso sistema de impostos sobre o consumo era uma aberração global. Cinco tributos – PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS – conviviam em uma desarmonia caótica, cada um com suas próprias regras, bases de cálculo e alíquotas. O resultado? Um emaranhado que gerava: Guerra Fiscal: Tenho certeza que você já ouviu sobre isso. Estados e municípios competiam por investimentos oferecendo benefícios fiscais, drenando recursos e distorcendo o mercado. Onde o imposto era pago? Na origem, não no destino, incentivando essa corrida predatória. Cumulatividade (Efeito Cascata): O imposto era cobrado em cada etapa da cadeia produtiva, sem a possibilidade de crédito total. Imagine pagar imposto sobre o imposto já pago! Isso encarecia o produto final, reduzia a competitividade das empresas e era um convite à sonegação. Insegurança Jurídica: A constante mudança de interpretações e a avalanche de normas geravam um ambiente de incerteza que afastava investidores e travava o crescimento. Empresas gastavam fortunas apenas para tentar entender o que deviam. Esse cenário não é uma teoria acadêmica; é a realidade que sufocou gerações de empreendedores. Enquanto o mundo avançava para modelos mais eficientes, o Brasil insistia em um sistema que era, na essência, um imposto sobre a ineficiência. A regra era arrecadar, não importa como. ### O Modelo Internacional: A Simplicidade que o Brasil Ignorou Enquanto nos afogávamos em complexidade, a maioria dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento já havia adotado um modelo muito mais simples e eficaz: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). O IVA é um tributo que incide sobre o valor adicionado em cada etapa da produção e comercialização de bens e serviços, com a grande vantagem da não cumulatividade plena. Não Cumulatividade Plena: O imposto pago na compra de insumos é integralmente compensado na venda do produto final. Isso elimina o efeito cascata, desonera a produção e incentiva investimentos. Tributação no Destino: O imposto é pago onde o bem ou serviço é consumido. Isso acaba com a guerra fiscal e garante que a arrecadação fique com o estado ou município que realmente gerou o consumo. Alíquota Única (ou Dual): A simplicidade de uma ou poucas alíquotas reduz drasticamente a burocracia e a insegurança jurídica. Modelos como o da União Europeia, Canadá e Nova Zelândia são exemplos de como o IVA funciona para promover a eficiência econômica. O Brasil, finalmente, acordou para essa realidade. OK, alguém pode dizer que o nosso modelo foi “abrasileirado” e perdeu muito nesse processo. Mas ainda assim, o ganho existe. ### A Migração para o IVA Dual: Descomplicando o Incomplicável A Reforma Tributária brasileira adota o conceito de IVA Dual, que é uma adaptação do modelo internacional à nossa realidade federativa. Em vez de um único IVA, teremos dois: CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): De competência federal, unificará PIS, Cofins e IPI. IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): Compartilhado por estados e municípios, unificará ICMS e ISS. Essa migração não é apenas uma troca de nomes; é uma mudança de paradigma. A promessa é de um sistema mais transparente, com menos distorções e que, finalmente, permitirá ao Brasil competir de igual para igual no cenário global. A transição será gradual, estendendo-se até 2033, um período que será crucial para empresas e profissionais se adaptarem. ### A Regra é Clara, ou Começa a Ser A Reforma Tributária não é perfeita, e sua implementação trará desafios. Mas a pergunta que realmente faço é: poderíamos continuar com o modelo anterior? A resposta é um sonoro não. A inércia fiscal era um luxo que o Brasil não podia mais se dar. Estamos trocando um sistema que era um freio de mão puxado por um motorista vendado por um modelo que, embora ainda em construção, aponta para a direção da eficiência e da competitividade. A necessidade da reforma não é um debate; é um fato. O que faremos com essa nova ferramenta, e como nos adaptaremos a ela, é o que definirá o nosso futuro. O Brasil não tinha escolha. Agora, você tem: Ou fica se lamentando, ou parte para o estudo e se prepara para tomar a frente desse processo, usando isso como vantagem competitiva. Artigo também publicado no GazzConecta. ## Reforma Tributária: o que o empresário de serviços precisa saber para se preparar agora URL: https://www.advisor.tips/pt/post/reforma-tributaria-o-que-o-empresario-de-servicos-precisa-saber-para-se-preparar-agora Data: 2025-04-09T19:28:12.979Z · Autor: Gregory Gomes · Eixo: Reforma Tributária A Reforma Tributária representa um divisor de águas para o setor de serviços no Brasil. Com a substituição de tributos como ISS, PIS e Cofins por um modelo baseado no Imposto sobre IVA (Imposto sobre Valor Adicionado) Dual, composto pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), federal, e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de estados e municípios — o impacto será significativo, especialmente para empresas que historicamente operaram com alíquotas mais baixas. Nesse novo cenário, a carga tributária tende a aumentar para boa parte das empresas de serviços, o que exige uma postura mais ativa na gestão financeira, tributária e operacional. Isso não é apenas uma questão de adaptação fiscal, mas de revisão estratégica do modelo de negócio como um todo. ### O que muda na prática: ISS x IBS O ISS, tributo municipal com alíquotas entre 2% e 5%, incide sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços. Como mencionamos, a Reforma Tributária, ele será substituído pelo IBS — um imposto estadual e municipal que fará parte do novo modelo de IVA (Imposto sobre Valor Adicionado). Ao contrário do ISS, que é cumulativo e não permite crédito de insumos, o IBS será não cumulativo, ou seja, as empresas poderão se creditar dos insumos utilizados nas operações. Isso beneficia cadeias mais longas (como indústria e comércio), mas pode representar aumento de carga para empresas de serviços que têm poucos insumos tributáveis. Na prática, empresas que hoje podem estar pagando 2% de ISS sobre o faturamento podem ter uma carga tributária efetiva maior com o IBS, dependendo do volume de créditos aproveitáveis. Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, a alíquota de referência do IBS poderá ser de aproximadamente 18,7%, o que somado à CBS (federal) de cerca de 9,25%, resultará em uma carga total estimada de até 28% em alguns casos. (Fonte: Ministério da Fazenda via Tax Group) ### Setores mais impactados A Reforma afetará todo o setor de serviços, mas os impactos variam conforme o tipo de atividade e a estrutura de custos. Alguns segmentos que merecem atenção redobrada: Agências de publicidade e marketing Consultorias e serviços profissionais Tecnologia, desenvolvimento de software e SaaS Clínicas de saúde e consultórios Serviços educacionais e treinamentos Prestadores de serviço PJ com baixo custo operacional Negócios com estrutura enxuta, poucos insumos e alta margem tendem a sentir mais a pressão tributária. ### Reavaliar fornecedores e redesenhar operações Uma das principais mudanças práticas está na relação dessas empresas com seus fornecedores. A nova lógica de crédito tributário — agora baseada no valor financeiro e não apenas na natureza da operação — torna a escolha de parceiros comerciais um fator diretamente ligado à eficiência fiscal da empresa. Contratar fornecedores informais, com emissão inadequada de documentos fiscais, ou que estejam mal estruturados tributariamente, pode inviabilizar o aproveitamento de créditos e aumentar o custo final do serviço. O empresário precisa considerar a capacidade do fornecedor de gerar crédito tributário válido, além de preço, prazo e qualidade. Essa mudança também pode exigir revisão de parcerias, terceirizações e processos internos. A análise deve envolver não só o financeiro, mas também o setor de compras, jurídico e contabilidade. ### Contratos, precificação e impacto no caixa A elevação da carga tributária que está por vir exige revisão urgente de contratos, margens e estrutura de preços. Negócios que atuam com contratos fixos ou com cláusulas de reajuste mal definidas devem se precaver desde já, para evitar prejuízos futuros. Outro ponto importante: o novo modelo pode alterar o timing do fluxo de caixa, já que a sistemática de créditos e débitos tributários poderá gerar diferenças entre o pagamento do tributo e o recebimento do valor cobrado. A falta de atenção a isso pode comprometer o capital de giro — especialmente para empresas de serviços que trabalham com prazos longos para receber. ### Contabilidade estratégica e tecnologia como aliadas Nesse novo ambiente, a área contábil e financeira deixa de ser apenas um centro de apuração e passa a ter um papel consultivo e estratégico. Será fundamental contar com uma contabilidade que não apenas calcule os tributos, mas ajude a simular cenários, avaliar regimes mais vantajosos, otimizar o aproveitamento de créditos e até influenciar na estrutura societária e operacional da empresa. A automação dos processos será essencial. Isso inclui desde a emissão correta de notas fiscais até a integração do ERP com o planejamento tributário. O uso de dashboards, DREs gerenciais e projeções fiscais passará a ser rotina para empresas que quiserem navegar bem por esse novo cenário. Quem decidir ir para o caminho de economizar na montagem de uma equipe qualificada e de empresas consultoras especialistas no tema, terá um bom motivo para se arrepender logo mais na frente. ### Oportunidades: quem planeja, lidera Apesar dos desafios, a Reforma também abre portas para ajustes estruturais positivos. Empresas podem, por exemplo: Avaliar a abertura de filiais em estados com alíquotas mais atrativas Reorganizar o modelo de contratação de prestadores ou PJs Reestruturar a operação para aproveitar melhor créditos tributários Criar novos produtos ou pacotes com estrutura tributária mais vantajosa Quem conseguir alinhar estratégia, tecnologia e contabilidade poderá transformar a Reforma em uma vantagem competitiva. ### Checklist prático: como sua empresa de serviços pode se preparar Mapeie seus fornecedores e avalie o impacto fiscal de cada um Revise todos os contratos (clientes e parceiros), prevendo cláusulas de reajuste tributário Atualize sua estrutura de precificação considerando a nova carga fiscal Converse com sua contabilidade sobre regimes tributários, simulações e planejamento Avalie seu fluxo de caixa e faça projeções com base no novo modelo Capacite as equipes internas – compras, vendas e financeiro precisam entender o básico da reforma Invista em tecnologia – sistemas atualizados serão essenciais para manter a conformidade ### Resumindo A Reforma Tributária vai exigir ajustes profundos das empresas prestadoras de serviços. Mas também vai abrir espaço para inovação, eficiência e ganho de escala — especialmente para quem se antecipa. Negócios que conseguirem se adaptar com inteligência tributária, apoio de tecnologia e uma contabilidade alinhada à estratégia sairão na frente. Mais do que cumprir obrigações fiscais, o desafio agora é estruturar uma operação financeiramente sustentável, tributariamente eficiente e preparada para o novo ciclo da economia brasileira. Gostou deste conteúdo? Continue acompanhando o blog da Advisor Tips para mais ideias sobre liderança e gestão de equipes! Artigo também publicado no LinkedIn. Gregory Gomes Contador | Especialista em Planejamento Financeiro e Tributário Sócio da AdvisorTips ## Nova Tributação de Dividendos URL: https://www.advisor.tips/pt/post/nova-tributacao-de-dividendos Data: 2025-12-30 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Reforma Tributária O roteiro do filme mudou, mas você ainda pode estar com o controle na mão. Sinto na pele que a jornada do empreendedor para construir e manter um negócio no Brasil é uma batalha diária. Geramos empregos, inovamos e movimentamos a economia, superando uma complexidade regulatória que poucos enfrentam no mundo. E agora, para dar ainda mais emoção, um novo desafio se apresenta: a mudança na tributação de dividendos. A partir de janeiro de 2026, a Lei nº 15.270 redesenha o cenário fiscal, e meu papel aqui será “tentar” traduzir essa mudança em estratégia para você. Longe de ser um alarme, mas encare este texto como algo que você precisa tomar conhecimento. Sente aí, que lá vem textão importante... A nova regra institui uma retenção de 10% na fonte para dividendos pagos a sócios e que ultrapassam os R$ 50.000,00 mensais na empresa. No entanto, em vez de vermos apenas o obstáculo, vamos focar na rota para navegá-lo com segurança e inteligência. É inevitável questionar a lógica por trás dessa mudança. Tributar o lucro na empresa (com uma carga que pode chegar a 34%) e, em seguida, tributar novamente o mesmo lucro quando ele chega ao bolso de quem teve que fazer todo o investimento, o sócio, soa como uma dupla penalidade. Essa bitributação pode, infelizmente, desestimular o investimento e a própria atividade empresarial, que é o motor do país. Mas, enquanto o cenário é este, a estratégia se torna nossa melhor ferramenta. ### Como Funciona a Nova Tributação: Entendendo as Regras A nova lei cria dois mecanismos distintos de tributação que precisam ser compreendidos separadamente: 1. IRRF na Fonte: 10% sobre o Valor Total Quando a distribuição de dividendos de uma mesma empresa para um mesmo sócio pessoa física ultrapassar R$ 50.000,00 em um mesmo mês, haverá retenção de 10% na fonte. Um ponto crucial: a alíquota incide sobre o valor total distribuído, não apenas sobre o excedente. Exemplo Prático: Se você receber R$ 80.000,00 em dividendos em um mês, a retenção será de R$ 8.000,00 (10% sobre os R$ 80.000,00), e não R$ 3.000,00 (10% sobre os R$ 30.000,00 excedentes). Por outro lado, se receber R$ 49.000,00, não haverá qualquer retenção. 2. Tributação Mínima Anual: A Tabela Progressiva Para quem tem rendimentos anuais superiores a R$ 600.000,00, entra em cena o regime de tributação mínima de altas rendas, que funciona de forma progressiva. Esta é a tabela que você precisa conhecer: Rendimento Anual Total Alíquota da Tributação Mínima Até R$ 600.000,00 0% (isento da tributação mínima) De R$ 600.000,01 a R$ 1.200.000,00 Progressiva de 0% a 10% Acima de R$ 1.200.000,00 10% Fórmula para a faixa intermediária: Alíquota % = (Rendimento Anual / 60.000) - 10 Exemplo Prático: Um empresário com rendimento anual total de R$ 900.000,00 terá uma alíquota de tributação mínima de:(900.000 / 60.000) - 10 = 15 - 10 =5% Já um empresário com rendimento de R$ 1.500.000,00 pagará a alíquota máxima de 10%. ### O Ajuste Entre IRRF na Fonte e Tributação Mínima Anual Um ponto fundamental que gera muitas dúvidas: como esses dois mecanismos se conectam? O IRRF retido na fonte durante o ano funciona como uma antecipação do imposto. O ajuste final acontece na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, no exercício seguinte (2027 para o ano-calendário 2026). Veja como funciona: Cenário 1 – Renda anual acima de R$ 600 mil: O contribuinte soma todos os rendimentos do ano e calcula a tributação mínima pela tabela progressiva. O IRRF retido na fonte é deduzido do imposto apurado. Se o IRRF retido for maior que o imposto devido, o contribuinte tem direito à restituição. Se for menor, paga a diferença. Cenário 2 – Renda anual abaixo de R$ 600 mil: Não há tributação mínima. Todo o IRRF retido na fonte pode ser integralmente restituído na declaração anual. Exemplo Prático: Um empresário recebeu R$ 800.000 em dividendos no ano (em parcelas de R$ 66.666/mês de uma única empresa). A empresa reteve R$ 80.000 (10% sobre o total). Na declaração anual, a tributação mínima será calculada com alíquota de aproximadamente 3,33% (pela fórmula), resultando em imposto devido de R$ 26.640. Como já foram retidos R$ 80.000, o empresário terá direito a restituir R$ 53.360. ### Múltiplas Participações Societárias: Estratégia Legítima Este é um ponto estratégico crucial para empresários entenderem o uso de estruturas de holding ou múltiplos negócios. A lei estabelece que o limite de R$ 50.000,00 para retenção na fonte é analisado por empresa, não pelo total recebido de todas as fontes. O que isso significa na prática? Se você é sócio de três empresas e cada uma distribui dividendos abaixo de R$ 50.000,00 mensais, nenhuma delas terá obrigação de reter o IRRF na fonte, mesmo que o total recebido por você ultrapasse esse valor. Exemplo Prático: • Empresa A paga R$ 40.000/mês → Não retém (abaixo de R$ 50 mil) • Empresa B paga R$ 30.000/mês → Não retém (abaixo de R$ 50 mil) • Empresa C paga R$ 30.000/mês → Não retém (abaixo de R$ 50 mil) • Total mensal: R$ 100.000 — mas NENHUMA retenção na fonte Importante: Isso não significa isenção total. Se o total anual de rendimentos ultrapassar R$ 600.000,00, o empresário estará sujeito à tributação mínima anual e deverá pagar o imposto na Declaração de Ajuste Anual. Há multa por não ter havido retenção? Não. A obrigação de retenção é da fonte pagadora (empresa), e nenhuma delas descumpriu a lei ao não reter, já que individualmente nenhuma ultrapassou o limite. O sócio cumprirá sua obrigação ao declarar e pagar na declaração anual. Não há penalidade nesse cenário. Implicação Estratégica: Para empresários com múltiplas participações, essa estrutura permite um melhor gerenciamento do fluxo de caixa, já que o imposto será pago apenas no ajuste anual, e não mensalmente via retenção. Porém, é fundamental manter reserva financeira para honrar o compromisso fiscal na declaração, e investir bem esse valor em papéis de maior liquidez ao longo do ano, visando diminuir o impacto desse ajuste anual. ### A Boa Notícia: Recuperação do Imposto no Lucro Real Tem um ponto que faz toda a diferença para quem tem empresa no Lucro Real. A lei até reconhece que tributar o lucro duas vezes seria excessivo. Por isso, criou um mecanismo de redutor para evitar que a soma da tributação na pessoa jurídica e na pessoa física ultrapasse determinados limites. Mas limitou isso a quem tem empresa no regime de Lucro Real. Como funciona: Se a sua empresa já pagou 34% de IRPJ e CSLL sobre o lucro (caso das empresas não financeiras no Lucro Real), e você, como sócio, está sujeito à tributação mínima de 10%, a soma seria de 44%. A lei estabelece que essa soma não pode ultrapassar 34% para empresas não financeiras. Portanto, você terá direito a um redutor que, na prática, pode zerar ou reduzir significativamente o imposto adicional sobre os dividendos. Exemplo Prático: Sua empresa no Lucro Real apurou R$ 1.000.000,00 de lucro e pagou R$ 340.000,00 de IRPJ e CSLL (34%). Ao distribuir esse lucro como dividendos, houve retenção de R$ 100.000,00 (10%) na fonte. Na sua declaração anual, ao calcular a tributação mínima, você poderá: 1 Deduzir o IRRF retido (R$ 100.000,00) do imposto a pagar 2 Aplicar o redutor, considerando que a empresa já pagou 34% O resultado? Na prática, para empresas do Lucro Real que comprovem a tributação de 34%, o imposto adicional sobre dividendos tende a ser neutro ou muito reduzido. ### E no Lucro Presumido? A situação é diferente. Como a carga tributária efetiva no Lucro Presumido costuma ser inferior a 34%, o sócio não terá direito ao mesmo nível de redutor. Os 10% retidos na fonte serão, em grande parte, um custo definitivo. Isso torna ainda mais importante a análise de regime tributário para 2026. Regime Tributário Tratamento do IRRF de 10% Lucro Real (34%) IRRF pode ser deduzido/compensado. Redutor aplicável. Impacto líquido tende a ser neutro. Lucro Presumido IRRF é custo definitivo na maioria dos casos. Sem redutor integral. Simples Nacional IRRF também se aplica quando > R$ 50 mil/mês. Tratamento similar ao Presumido. ### A Janela de Oportunidade: Uma Ação que Vale Ouro A lei trouxe uma regra de transição que é bem importante, uma verdadeira janela de oportunidade. Lucros apurados até 31 de dezembro de 2025 podem permanecer isentos, mas com uma condição clara: a empresa precisa aprovar formalmente a distribuição desses lucros até essa data. Essa aprovação, feita via assembleia ou reunião de sócios, blinda seu direito de distribuir esses valores sem imposto até 2028. Mas cuidado! Essa ata precisa ser bem formulada e estar aderente às novas determinações. Fale com seu contador ou seu advogado. Exemplo Prático: Imagine que sua empresa tenha R$ 2 milhões em lucros acumulados de exercícios anteriores. Se você não fizer nada, ao distribuir esse valor em 2026, terá uma retenção de R$ 200.000,00. No entanto, ao convocar uma assembleia até o final de 2025 e registrar corretamente em ata a aprovação dessa distribuição, você garante a isenção, mesmo que o pagamento efetivo ocorra parceladamente até 2028. É uma proteção jurídica para o seu patrimônio. Para os lucros de 2025, a empresa pode elaborar um balanço intermediário ou balancete de verificação referente ao período de janeiro a novembro. Com base nesse balanço, a distribuição dos lucros deverá ser aprovada até 31 de dezembro de 2025. Existe um pedido de alguns órgãos para que essa aprovação possa ser prorrogada até abril/2026, mas não podemos contar com isso. ### Governança como Proteção: O Fim da Zona Cinzenta Mais do que nunca, a organização interna se torna uma linha de defesa. Práticas que antes eram comuns, como o uso da conta corrente do sócio para despesas pessoais ou a formalização inadequada de empréstimos, agora representam um risco fiscal imenso. A Receita Federal pode interpretar essas movimentações como distribuição disfarçada de lucros (DDL), aplicando a tributação de forma retroativa e com multas. E atenção: a capitalização de lucros também configura "emprego" para fins da lei. Ou seja, se você pensou em incorporar os lucros ao capital social para escapar da tributação, saiba que isso também será tributado a 10%. Essa técnica também era muito utilizada por alguns para pagar menos ganho de capital em transações de M&A. Agora a única exceção é para lucros apurados até 2025, desde que a deliberação e aprovação ocorram até 31 de dezembro de 2025. Adotar uma boa governança não é burocracia, é proteção. Formalizar todas as operações entre sócio e empresa com contratos claros, separar as finanças pessoais das empresariais e ter um acordo de sócios bem definido são passos que blindam seu negócio de contingências fiscais. ### Plano de Ação Imediato: O que Fazer Agora O tempo é seu ativo mais precioso. Para se posicionar de forma vantajosa, sua atenção deve se voltar para cinco frentes imediatas: 1. Assembleia Estratégica (Prazo: 31/12/2025): Esta é a prioridade máxima. Reúna-se com seus sócios e seu contador para avaliar os lucros acumulados e aprovar formalmente sua distribuição. Garanta a isenção e a flexibilidade para os próximos anos. 2. Diagnóstico de Regime Tributário: Exija do seu contador uma simulação detalhada para 2026. Compare o impacto líquido da distribuição de dividendos no Lucro Real versus o Lucro Presumido. Considere o mecanismo de redutor. A decisão certa pode economizar centenas de milhares de reais. 3. Mapeamento de Participações Societárias: Se você tem participação em múltiplas empresas, faça um mapeamento completo. Avalie como a distribuição de dividendos de cada uma impacta sua tributação total. Planeje a distribuição de forma a otimizar o fluxo de caixa e a carga tributária. 4. Reserva para o Ajuste Anual: Se sua estrutura envolve múltiplas empresas com distribuições individuais abaixo de R$ 50 mil, lembre-se: não haverá retenção na fonte, mas o imposto será devido na declaração anual. Provisione recursos para esse compromisso e deixe esses valores reservados e investidos para compensar um pouco o impacto. 5. Saneamento e Governança: Organize a casa. Zere a conta corrente de sócios, formalize mútuos com contratos que prevejam juros de mercado e propósito econômico claro, e atualize seu contrato social. Transforme a conformidade em uma vantagem competitiva. ### O Mapa Está em Suas Mãos O cenário mudou, mas a capacidade de adaptação e estratégia sempre foi a marca do empresário brasileiro. A nova tributação de dividendos é um fato, mas não é uma sentença. Para quem se preparar, especialmente no Lucro Real, o impacto pode ser significativamente mitigado pelo mecanismo de redutor. Para quem tem lucros acumulados, a janela até 31 de dezembro de 2025 é uma oportunidade de ouro. E para quem tem múltiplas participações societárias, há espaço para um planejamento inteligente do fluxo de caixa. O enredo segue mudando, sim, mas com o controle certo em mãos, é você quem continua definindo o seu melhor destino. A hora de agir é agora! E não faça isso sozinho. Contrate e tenha os melhores profissionais ao seu lado, te ajudando nesse desafio. Artigo também publicado no LinkedIn. # Fusões, Aquisições & Valuation ## Startups estão recuperando valuation em 2024 URL: https://www.advisor.tips/pt/post/startups-estao-recuperando-valuation-em-2024 Data: 2024-07-09T14:01:18.213Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Fusões, Aquisições & Valuation A gente tem visto que recentemente as avaliações de startups passaram por uma montanha-russa. Em 2021, vimos um verdadeiro boom, com avaliações atingindo picos históricos. Esse otimismo foi impulsionado por um fluxo grande de capital e um entusiasmo pós-pandemia que parecia não ter fim. No entanto, essa bolha estourou, levando a uma correção significativa em 2022 e 2023. Muito disso se deu por conta da irresponsabilidade de alguns gestores de startups que com muito dinheiro em caixa, passaram a gastar mais do que deviam em assuntos não cruciais para o negócio, e com isso, retraíram o apetite dos investidores. Inclusive, falei sobre esses temas em alguns artigos já publicados: Falta de Escassez Queima de Caixa versus o Crescimento Agora, em 2024, estamos começando a ver sinais de uma recuperação ainda silenciosa. O que está por trás dessa mudança? Três fatores principais estão impulsionando essa recuperação: modelos de negócios sustentáveis, transformação digital e conformidade regulatória. Investidores estão cada vez mais focados em startups com modelos de negócios sustentáveis e escaláveis. A sustentabilidade não é mais uma escolha, mas uma necessidade. Startups que demonstram um modelo de negócio robusto e escalável estão atraindo mais investimentos. Essa mudança de foco é essencial para garantir o retorno a longo prazo dos investimentos feitos. Isso mostra que as práticas de ESG (Environmental, Social and Governance) vieram para ficar e serão cada vez mais exigidas pelos principais investidores. Por outro lado, a digitalização dos negócios continua a ser um motor poderoso para as avaliações de startups, pois existe muito interesse de investidores em não ficarem à margem da revolução digital. Setores como o fintech estão na vanguarda dessa transformação. Empresas como Griffin e Flagstone têm conseguido financiamentos significativos, definindo novos benchmarks de avaliação. Essas empresas não apenas atraem investimentos, mas também estabelecem padrões para o setor. Além disso, startups que navegam com sucesso pelo complexo cenário regulatório estão se destacando. A obtenção de licenças e a conformidade regulatória aumentam a confiança dos investidores e, consequentemente, as avaliações dessas empresas. Esse fator não pode ser subestimado em um ambiente onde a segurança e a confiança são primordiais. Os próprios órgãos reguladores começam a se dobrar às novas tecnologias e iniciam um movimento de regulamentação e uso delas, atraindo novas perspectivas para vários negócios. A inteligência artificial (IA) está desempenhando um papel crucial na valorização das startups em 2024. Startups de IA estão vendo suas avaliações dispararem devido ao potencial transformador da tecnologia. Valorações de startups de IA em estágio inicial frequentemente superam os US$70 milhões, enquanto aquelas em estágios mais avançados podem atingir cerca de US$100 milhões. A IA é vista como uma tecnologia com um enorme potencial, o que justifica essas altas avaliações. Mas não se engane quem acha que esses valuations são obtidos apenas com boas idéias. É necessário muito planejamento e a inserção correta das tecnologias em negócios que tendem a ser promissores. "Usar a IA apenas para estar no hype, não cria valor." Mas será que toda essa euforia é sustentável? Todo o espaço de discussão em torno da IA, especialmente a IA generativa, leva a investimentos significativos, mesmo em startups com receitas mínimas ou inexistentes. Exemplos incluem Anthropic e LangChain, que viram aumentos impressionantes em suas avaliações em curtos períodos. No entanto, nós como investidores e avaliadores experientes, estamos preocupados com a sustentabilidade dessas altas avaliações, destacando que muitas dessas startups ainda não geram receitas significativas. Mesmo assim, estamos vendo uma recuperação significativa nas fases de financiamento Seed e Série A. As avaliações estão subindo gradualmente, mas também se nota que o volume de negócios tem caído, indicando um foco maior na qualidade sobre a quantidade. Na Série B, a recuperação é ainda mais acentuada, refletindo um ambiente de investimento mais seletivo e competitivo. Isso se explica pelo fato de que essa Série tende a ser utilizada em empresas que já passaram pelas fases mais críticas do negócio e já tem resultados que comprovam suas projeções futuras. Outro ponto interessante é a possível reabertura da janela de IPOs, que esteve fechada por grande parte de 2023. Segundo a Pitchbook, há um otimismo cauteloso de que o mercado de IPOs possa se recuperar, trazendo novas oportunidades para startups e investidores. Esse retorno das ofertas públicas iniciais pode fornecer um impulso adicional para as avaliações de startups, criando um ambiente mais favorável para novas entradas no mercado. Continuo achando que as startups devem manter suas estratégias de demonstrar valor e não apenas boas idéias, sendo adaptáveis para garantir seu sucesso a longo prazo, e claro, protegendo o caixa com todas as suas forças. Mas é inegável que a inovação e a aderência às regulações continuam sendo cruciais para atrair investimentos. Então, nem tanto ao céu e nem tanto a terra. "O mundo adora boas idéias, mas premia quem mostra que sabe executá-las com maestria." Alguns artigos para quem quiser ler mais sobre o assunto: Startup Valuations in 2024 Startup Valuations in 2024: Trends, Innovations, and Case Studies For valuations, it’s AI versus the rest of VC Eye On AI: Valuations Are Not Slowing Down AI startups still snag huge valuations despite lack of revenue Return of IPOs, fewer unicorns and more startup predictions for 2024 Artigo também publicado no LinkedIn. ## União e Aquisição de Empresas em Tempos de Incerteza Econômica URL: https://www.advisor.tips/pt/post/uniao-e-aquisicao-de-empresas-em-tempos-de-incerteza-economica Data: 2024-07-05T13:37:07.340Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Fusões, Aquisições & Valuation Como estruturar Fusões e Aquisições em tempos em que a previsibilidade e segurança econômica não existem? Esta é uma pergunta atual e importante para qualquer profissional da área anda se fazendo. Vamos explorar algumas estratégias práticas para navegar nesse cenário. Primeiro que o processo de Fusão ou aquisição por si só já é desafiador. Isso porque, nem sempre isso acontece de forma líquida e homogênea, pois são muitos interesses envolvidos e na maioria das vezes, empresas e pessoas com características bem diferentes. A união de estilos diferentes é saudável, trás diversidade e abre novos horizontes, mas nem sempre é harmoniosa. ### Como realizar uma avaliação eficaz ( valuation ) e due diligence? Primeiro, é essencial entender a saúde financeira da empresa alvo frente a essas incertezas. Avaliar riscos ocultos, flutuações sazonais, ocorrências pontuais e a sustentabilidade dos fluxos de caixa é ainda mais crucial em tempos de incerteza. Entretanto, confiar na capacidade de aplicar uma inovação e na adaptabilidade para a tomada de decisões futuras na empresa alvo, são muito importantes no processo de projeção de resultados e due diligence. Isso porque, na maioria das vezes, se adotam projeções feitas dentro de cenários já conhecidos e não se utilizam as sinergias e ganhos que uma nova liderança da empresa podem trazer ao negócio. Durante a diligência, é importante também analisar aspectos que podem se tornar oportunidades futuras e valores adicionais ao negócio e que que somente o comprador sabe que pode trazer. "Alguns dos líderes mais bem-sucedidos não têm medo de aproveitar oportunidades e ousam assumir riscos calculados." (Eirik Stranden, 2023) Aswath Damodaran costuma falar que nossa reação à incerteza também não mudou muito ao longo dos tempos. De acordo com ele, nossas respostas mais comuns incluem paralisia, negação, atalhos mentais, pastoreio, terceirização e até pedido de intervenção divina. No entanto, ele acredita que a melhor maneira de lidar com a incerteza é "viver no mundo em que você está, em vez do mundo em que você gostaria de estar." Damodaran acredita que o primeiro passo para lidar com a incerteza é entender que nem todo risco é igual. Ele descreve três categorias de incerteza: estimativa vs. incerteza econômica, micro incerteza vs. macro incerteza e incerteza discreta vs. contínua. Fazer essas distinções e classificações ajudam a medir o grau de interferência dessas incertezas no seu processo de escolha e valuation de uma empresa. Determine graus para essas incertezas e não tenha medo de errar. A incerteza da estimativa se refere à possibilidade de modelos ou entradas erradas para a avaliação de uma empresa, enquanto a incerteza econômica surge de mudanças nos mercados e economias. Já a micro incerteza abrange o mercado potencial, concorrência e capacidades da equipe de gestão, enquanto a macro incerteza lida com mudanças no ambiente econômico mais amplo. A incerteza discreta envolve riscos latentes que podem surgir inesperadamente, e a incerteza contínua refere-se a riscos contínuos como mudanças nas taxas de juros. "Não entre em negação, não terceirize, não aja como se não existisse a incerteza. Aceite, esteja bem com isso.” (Aswath Damodaran, 2023) Quem tiver apetite para negócios nesses tempos, precisa aceitar a realidade da incerteza como parte inevitável e saber trabalhar com ela a seu favor. Enfrentar a incerteza, em vez de terceirizá-la, é crucial. Por isso é importante realizar várias análises e considerarem diferentes cenários para tomar decisões mais embasadas. ### Como identificar sinergias e eficiências operacionais? Identificar sinergias e oportunidades de eficiência operacional é essencial. Empresas que conseguem implementar sinergias rapidamente tendem a obter melhores resultados pós-aquisição. No entanto, a razão de uma fusão não pode ser exclusivamente pautada pela sinergia oferecida, já que há de se prever muitos outros elementos nessa união que podem derrubar as vantagens obtidas por sinergias operacionais e de negócios, como passivos, riscos, culturas diferentes e custos de integração. "As fusões são como casamentos. Eles são a união de duas pessoas. Da mesma forma que você não se casaria com alguém buscando eficiências operacionais na administração de uma família, então por que se pensa em juntar duas empresas com culturas e identidades únicas por esse motivo?" (Simon Sinek, 1973) A simulação de resultados futuros com as duas empresas trabalhando em conjunto, é fundamental, mas na grande maioria das vezes se tem um otimismo exagerado sobre as sinergias e um descaso explícito sobre as questões de cultura e governança pós fusão. Vi muitos negócios sofrerem extensa avaliação sobre os quesitos fiscais, contábeis e jurídicos, e nada sendo avaliado sobre a cultura e forma de trabalho entre as empresas. Quando isso acontece, a incerteza toma conta de todos os envolvidos e existe uma queda de resultados e de produtividade que se forem recuperadas, levarão tempo para se acomodarem à nova estrutura. Então, antes de pensar em sinergias, pense na similaridade de formas de atuação e controles que as empresas adotam. Dê preferência a empresas que tem os mesmos valores e formas de fazer negócios. ### Quais estruturas de pagamento são recomendáveis frente a um cenário de incertezas? Estruturas de pagamento flexíveis são recomendáveis, especialmente os pagamentos baseados em performance (earn-outs). Esses pagamentos alinham os interesses do comprador e do vendedor, mitigando riscos em um cenário de incertezas. Essa técnica evita que projeções irreais atrapalhem a definição do preço, uma vez que esse preço final será definido pelas perfomances futuras da empresa, confirmando ou não o valuation. "O earnout prenche a lacuna de avaliação entre a previsão otimista do vendedor e o ceticismo saudável do comprador.” ( Gundersen, 2005 ). ### Por que é importante focar no crescimento de longo prazo? Uma aquisição não pode ser feita sem um planejamento profissional, onde se principalmente se analisem as Oportunidades, Ameaças ao Negócio e necessidade de encarar novos negócios, mercados e produtos. A partir dessa análise e planejamento, é possível se traçar uma rota de possibilidades de Fusões e Aquisições. Não é recomendável realizar esse tipo de movimento para resolver questões imediatas, pois o processo de M&A é como um casamento e precisa ser construído com calma e com um plano bem elaborado. A instrumentalização do processo de M&A é importante e precisa contemplar todas as possibilidades de intercorrências, mas acima disso, a capacidade de interlocução e forma de comunicação entre os envolvidos precisa ser trabalhada desde o dia 1 da negociação de uma aquisição ou fusão. Esse ponto da capacidade de comunicação ampla e clareza do acordo, tende a ser um dos mais ofensores após a concretização da operação. Manter uma visão de longo prazo é crucial. As fusões e aquisições devem posicionar a empresa para o crescimento futuro. Planejar estrategicamente, não envolve apenas análise de números e questões operacionais. A incerteza do presente pode gerar resultados desastrosos no futuro, se não forem analisadas de maneira eficiente. Contrate profissionais experientes, que são acostumados a ler esses cenários e já passaram por muitas dessas situações. Eles podem mostrar o melhor caminho a seguir, e evitar a grande maioria dos erros e incertezas comuns nesse processo. Artigo também publicado no LinkedIn. ## Fusões e Aquisições - 6/6 - Integração URL: https://www.advisor.tips/pt/post/fusoes-e-aquisicoes-integracao Data: 2023-02-08T00:45:46.335Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Fusões, Aquisições & Valuation Esta fase envolve uma série de desafios, como a fusão de culturas, a integração de sistemas e processos, a alocação de recursos e a combinação de equipes. Mas como fazer isso acontecer? Bem, é importante ter lideranças fortes e bem estabelecidas tanto na esfera estratégica quanto operacional. Eles irão liderar a integração e ajudar a garantir que tudo esteja funcionando sem problemas. Aqui estão alguns pontos importantes a serem considerados durante a fase de integração: Comunicação clara: é importante ter uma comunicação clara e aberta com todos os funcionários, fornecedores e outros stakeholders envolvidos na transação. Isso inclui explicar as motivações da transação e como ela afetará a empresa e seus funcionários. Integração de culturas: as diferenças de cultura podem ser um obstáculo para a integração bem-sucedida das empresas. É importante identificar e compreender essas diferenças e buscar soluções para superá-las. Integração de sistemas e processos: combinar sistemas e processos diferentes pode ser um desafio. É importante identificar e priorizar as áreas onde a integração é mais importante para o sucesso da transação. Alocação de recursos: é importante avaliar e alocar recursos, incluindo pessoal, finanças e tecnologia, de maneira eficiente para maximizar o valor da transação. Integração de equipes: combinar equipes de diferentes empresas pode ser desafiador, especialmente se houver diferenças culturais ou de liderança. Outros aspectos também são bem importantes. Por exemplo: Os sócios estão alinhados sobre o que querem alcançar com essa nova operação? O novo organograma será montado olhando quais critérios? A empresa conseguiu capturar as sinergias e benefícios da fusão ou aquisição durante o processo de integração? Enfim, essa fase de integração é a final e é tão importante quanto as demais para o sucesso de uma transação de M&A, requerendo uma abordagem cuidadosa e muito bem planejada. Existem transações que colocam tudo a perder por não dar a devida importância para esse momento. Então, siga com cuidado e estando muito bem assessorado nesse processo com um todo. ## Fusões e Aquisições - 5/6 - Diligência URL: https://www.advisor.tips/pt/post/fusoes-e-aquisicoes-diligencia Data: 2023-02-08T00:01:29.066Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Fusões, Aquisições & Valuation Nessa série de artigos e publicações, falei um pouco sobre os aspectos importantes em um M&A. Agora, vou falar mais sobre a due diligence e sua importância. Nessa fase, o comprador precisa confirmar de forma mais exata as informações que recebeu inicialmente. Para isso, é necessário uma avaliação minuciosa e detalhada da empresa que se quer adquirir ou fundir. O objetivo é fornecer informações importantes sobre a saúde financeira, situação jurídica e riscos potenciais da empresa. Por que essa fase é considerada tão importante? Bom, realizar uma due diligence completa é essencial para garantir que a decisão de fusão ou aquisição seja bem respaldada e que todos os riscos envolvidos sejam considerados. E também para identificar possíveis problemas que precisam ser resolvidos antes da finalização da transação. O que se espera apurar nessas informações e dados coletados? A due diligence pode revelar problemas ocultos na empresa, como questões de compliance, litígios pendentes ou situações financeiras frágeis. Isso permite que o comprador tome medidas para minimizar esses riscos antes de fechar a transação. Alguns pontos verificados: Situação financeira da empresa: incluindo informações financeiras recentes, como balanços, demonstrações de resultados e projeções financeiras. Operações: incluindo a estrutura da empresa, processos internos, fornecedores e clientes. Propriedade intelectual: registros de marcas, patentes, direitos autorais, etc. Conformidade legal e regulatória: verificação de obrigações tributárias, compliance com leis e regulamentos, etc. Questões ambientais: verificação de passivos ambientais e conformidade com regulamentos ambientais, se for o caso. Questões trabalhistas: verificação de litígios ou reclamações trabalhistas pendentes. Esse processo fornece informações valiosas que ajudam a garantir a segurança da transação e a maximizar o retorno sobre o investimento para o comprador. Por isso, é importante que seja realizada por profissionais experientes e que a equipe de negociação tome conhecimento de cada item e possa tomar decisões com base nas informações obtidas. Se durante a due diligence for encontrado algo relevante, como questões financeiras sérias, problemas legais, questões ambientais graves, entre outros, é importante avaliar a situação e decidir se ainda é viável prosseguir com a negociação. Algumas opções nesse caso seriam: Negociar com a empresa alvo para chegar a um acordo sobre como resolver esses problemas; Ajustar o preço da transação para refletir os riscos e problemas encontrados; Desistir da transação, se achar que os problemas são sérios o suficiente graves para inviabilizar o negócio (deal breaker). A decisão final dependerá do quanto esses problemas impactam o valor e a viabilidade da transação, bem como da capacidade e disponibilidade de recursos para resolvê-los. É importante ter um bom advisor, um conselho jurídico e financeiro antes de tomar qualquer decisão. Próximo Artigo > ## Fusões e Aquisições - 4/6 - Negociação URL: https://www.advisor.tips/pt/post/fusoes-e-aquisicoes-negociacao Data: 2023-02-02T14:26:19.262Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Fusões, Aquisições & Valuation Essa publicação é parte de uma série, e nela vou falar mais sobre a etapa de Avaliação e negociação. A negociação em um M&A requer atenção a certos aspectos para ter sucesso. Algumas dicas incluem: Preparação: é relevante que as equipes envolvidas tenham informações financeiras e operacionais suficientes das empresas envolvidas. Alinhamento de expectativas: é necessário que as expectativas das duas empresas estejam claras antes da negociação. Comunicação efetiva: a comunicação clara e objetiva entre as empresas é importante para abordar todas as questões relevantes. Seja sempre propositivo e menos argumentativo. Valoração apropriada: a valoração da empresa alvo deve levar em conta fatores financeiros, de crescimento e sinergias. Não há porque forçar suposições ou outros meios de se obter uma valoração muito superior ou muito abaixo. Flexibilidade: é necessário estar disposto a negociações e adaptações durante o processo, já que imprevistos podem surgir. Consideração de riscos: é preciso avaliar e gerenciar os riscos envolvidos na M&A, incluindo financeiros, regulatórios e operacionais. Assessoria especializada: é fundamental contar com o apoio de especialistas em M&A, como advogados, consultores financeiros e contadores, para tratar adequadamente as questões legais e financeiras. Ao se preparar para uma negociação, é importante debater as possibilidades previamente entre a equipe que vai negociar, definindo papéis claros de cada um, e já considerar algumas técnicas de negociação, como: MACNA (mínimo aceitável para chegar a um acordo negociado) Momento onde se estipulam os deal breakers ou condições não aceitáveis em hipótese alguma; ZOPA (área de possibilidades de acordo) Define o intervalo possível de negociação; e BATNA (melhor alternativa a um acordo negociado) Criada em Harvard. Analisa as alternativas visando encontrar aquela que propicia o ganha-ganha para as partes envolvidas. Estas técnicas ajudam a identificar seus objetivos, valores e limites, e a chegar a um acordo satisfatório para ambas as empresas. Além disso, durante a negociação é importante definir alguns aspectos importantes, tais como Tag Along, Drag Along, Call option e Put option. Essas são opções presentes em muitos M&As e têm o objetivo de proteger os interesses das partes envolvidas. A Tag Along é uma opção que permite aos acionistas minoritários da empresa vendida participarem da venda caso a maioria dos acionistas da empresa tenha decidido vendê-la. Isso garante que todos os acionistas tenham a oportunidade de se beneficolar da empresa se assim desejarem. Já o Drag Along é uma opção que permite à maioria dos acionistas da empresa vender suas ações, independentemente da vontade dos acionistas minoritários. Isso é útil em situações em que a maioria dos acionistas está motivada a vender sua participação na empresa, mas há um ou mais acionistas minoritários que não estão interessados. A Call option é uma opção que permite à compradora da empresa adquirir as ações da empresa vendida a um preço definido previamente, dentro de um período específico. Isso permite à compradora garantir a aquisição da empresa, mesmo que as condições financeiras mudem. Já a Put option é uma opção que permite à vendedora da empresa vender as ações da empresa a um preço definido previamente, dentro de um período específico. Isso permite à vendedora ter uma saída segura caso a empresa não desempenhe como o esperado. Essas opções ajudam a proteger os interesses das partes envolvidas e a assegurar que a transação seja bem-sucedida em toda a jornada dos sócios. É muito importante que as equipes de negociação compreendam as implicações de cada uma dessas opções e que elas sejam incluídas no acordo de forma apropriada. Listei aqui algumas dicas importantes para garantir que o M&A seja bem-sucedido na fase de negociação, mas características entre os envolvidos, como paciência, persistência, flexibilidade e profissionalismo, também são muito essenciais para o sucesso nesse processo. Próximo Artigo > ## Fusões e Aquisições - 3/6 - Screening URL: https://www.advisor.tips/pt/post/fusoes-e-aquisicoes-screening Data: 2023-02-02T12:39:58.575Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Fusões, Aquisições & Valuation Falei em publicações anteriores dos conceitos básicos por trás de um processo de Aquisição ou Fusão de empresas. Nesse artigo, vou falar mais sobre o que olhar e buscar em uma empresa a ser adquirida. O processo de fusão e aquisição (M&A) é complexo e requer uma série de etapas. A primeira delas é a Identificação de alvos, ou screening, onde é necessário identificar as empresas potenciais para se fazer um M&A. Para isso, é preciso avaliar uma série de critérios, como: Posição no mercado: avaliar se a empresa alvo é bem posicionada no mercado e se tem uma presença forte. Saúde financeira: verificar se a empresa tem uma situação financeira saudável, com lucros consistentes e bons indicadores financeiros. Potencial de crescimento: avaliar se a empresa tem potencial para crescer e expandir suas atividades. Capacidade de gerar valor: avaliar se a empresa pode gerar valor para a empresa adquirente, por exemplo, através de sinergias ou oportunidades de mercado. Alinhamento estratégico: verificar se a empresa alvo está alinhada à estratégia de negócios da empresa adquirente. Competências e habilidades: avaliar se a empresa alvo possui competências e habilidades complementares às da empresa adquirente. Estrutura organizacional e Societária: verificar se a empresa alvo possui uma estrutura organizacional e societária sólida e eficiente. Cultura organizacional: avaliar se a cultura organizacional da empresa alvo é compatível com a da empresa adquirente. Essas avaliações são fundamentais para garantir que o M&A seja bem-sucedido e gere valor para as duas empresas. Na Advisor.Tips, nós realizamos esse trabalho de screening para os clientes, mediante uma matriz de avaliação, onde cada um desses itens são avaliados e medidos por um peso apontado pelo cliente. Dessa forma, conseguimos avaliar várias empresas potenciais de realização de negócio e também nos ajuda a definir a prioridade nas negociações, bem como um eventual Goodwill na transação. É importante que a empresa adquirente sempre conte com o acompanhamento de um advisor especializado em M&A, para garantir que as decisões sejam baseadas em informações precisas e confiáveis. Investir tempo e recursos no screening, com as técnicas adequadas, é economizar muito no processo como um todo. O sucesso deste tipo de transação começa justamente nessa fase. Próximo Artigo > ## Fusões e Aquisições - 2/6 - Passos URL: https://www.advisor.tips/pt/post/fusoes-e-aquisicoes-passo-a-passo Data: 2023-02-01T12:30:10.853Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Fusões, Aquisições & Valuation No primeiro artigo dessa série, falei um pouco sobre a importância das Fusões e Aquisições como fator de crescimento das empresas. Nesse artigo, vou falar mais como funcionam as fusões e aquisições. O processo de M&A pode ser complexo e levar vários meses. Alguns dos passos incluem: Identificação de alvos: as empresas interessadas em fazer uma fusão ou aquisição precisam identificar as empresas (processo de screening) que são alvos ideais para suas estratégias de negócios. Esse estudo e decisão são cruciais e muito estratégicos para que as demais fases possam acontecer. Já nessa fase, é muito importante o acompanhamento de um advisor que possa ajudar nessa busca e montagem do plano de negócios. Avaliação e negociação: depois de identificar as empresas alvo, é necessário avaliar seus negócios, financeiras e outras informações relevantes para determinar se é viável realizar a transação. Em seguida, as empresas envolvidas negociam os termos da transação, incluindo o preço e as condições do acordo. Due diligence: antes da finalização da transação, a empresa adquirente realiza uma revisão aprofundada das finanças, operações e outros aspectos da empresa alvo. Esse processo é conhecido como due diligence. Aprovação regulatória: dependendo do tamanho e da natureza da transação, pode ser necessário obter aprovação regulatória antes de concluir a transação. Integração: depois que a transação é concluída, é necessário integrar as duas empresas, incluindo a combinação de recursos, processos e culturas. Vou falar um pouco mais sobre cada uma dessas fases nas próximas publicações dessa série. Mas, como nem tudo são flores, quero já abordar um pouco sobre os desafios das fusões e aquisições. Embora as fusões e aquisições possam trazer muitos benefícios para as empresas, também podem enfrentar desafios significativos, incluindo: Integração difícil: a integração de duas empresas pode ser complexa e levar tempo. É importante considerar a cultura, os processos e outros fatores para garantir o sucesso da integração. Perda de talentos: após a fusão ou aquisição, é comum que alguns funcionários deixem a empresa, seja por overlaping de funções, novas lideranças ou nova cultura imposta. É importante tomar medidas para minimizar a perda de talentos e garantir a continuidade dos negócios. Problemas financeiros: as fusões e aquisições podem levar a problemas financeiros, incluindo a necessidade de obter financiamento adicional ou a falta de economias financeiras previstas inicialmente (não confirmação das sinergias estimadas). Questões regulatórias: a obtenção de aprovação regulatória pode ser desafiadora e atrasar a conclusão da transação. É importante considerar cuidadosamente as questões regulatórias antes de iniciar uma transação. Em resumo, as fusões e aquisições são estratégias importantes para o crescimento das empresas, mas também podem enfrentar desafios significativos. É importante considerar cuidadosamente os fatores relevantes antes de se envolver em uma transação M&A e sempre contar com profissionais especialistas nesse tipo de transação, desde a sua formulação estratégica, até todo o processo de integração. Nas próximas publicações, vamos mais a fundo sobre as fases e desafios desse tipo de transação. Próximo Artigo > ## Fusões e Aquisições - 1/6 - Conceitos URL: https://www.advisor.tips/pt/post/fusoes-e-aquisicoes-conceitos Data: 2023-02-01T11:58:21.735Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Fusões, Aquisições & Valuation Fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) são importantes estratégias de crescimento para as empresas, especialmente quando elas buscam expandir seus negócios, adquirir novos recursos ou entrar em novos mercados. Mas como funcionam essas operações e quais são os fatores a serem considerados antes de se envolver em uma? Nesta série de publicações, vamos explicar um pouco mais sobre aquilo que você precisa saber sobre fusões e aquisições. A fusão ocorre quando duas ou mais empresas se unem para formar uma nova empresa. Já a aquisição ocorre quando uma empresa compra ações de outra empresa, tornando-se sua proprietária majoritária. Ambas as estratégias visam aumentar a eficiência, diversificar os negócios e aumentar a presença no mercado. Por que as empresas fazem fusões e aquisições? Existem várias razões pelas quais as empresas podem decidir por uma fusão ou aquisição, incluindo: Acesso a novos mercados: a aquisição de uma empresa estabelecida em um mercado estrangeiro pode ajudar a expandir os negócios de uma empresa e aumentar sua presença global. Diversificação: a aquisição de uma empresa em um setor diferente pode ajudar a diversificar a carteira de negócios da empresa adquirente e mitigar o risco. Acesso a novos recursos: a fusão ou aquisição de uma empresa com recursos complementares, como tecnologia, marca ou talento, pode ajudar a aumentar a eficiência da empresa adquirente. Economia de escala: a fusão de duas empresas pode resultar em economias de escala, como a redução de custos através da combinação de recursos. O importante é estabelecer critérios muito claros sobre o movimento de Fusão e Aquisição, com o objetivo de fazer a busca de negócios (screening) que atendam plenamente a estratégia montada, seja para compra ou venda da operação. Não deixe de conferir as próximas publicações dessa série, onde vou abordar mais sobre o processo como um todo. Próximo Artigo > # Inteligência Artificial & Futuro ## Uma conversa sobre tecnologia, criatividade, dados, medição e liderança URL: https://www.advisor.tips/pt/post/uma-conversa-sobre-tecnologia-criatividade-dados-medicao-e-lideranca Data: 2026-09-22 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa distante para entrar na rotina de agências, veículos, anunciantes e equipes de marketing. Ela ajuda a produzir, testar, adaptar e distribuir campanhas. Também altera a forma como profissionais organizam o tempo, tomam decisões e constroem repertório. Foi a partir desse cenário que conversei com Alexandra Varassin e Tainah de Pauli sobre as mudanças no mercado de mídia e sobre os dilemas que surgem quando tecnologia, criatividade e negócio passam a caminhar no mesmo processo. Alexandra Varassin é brasileira, tem mais de vinte anos de experiência em marketing e publicidade e, desde 2024, lidera o Publicis Groupe Portugal como CEO. Ela acompanha de perto a integração entre criatividade, mídia e negócios em um mercado europeu cada vez mais conectado. Tainah de Pauli, conhecida profissionalmente como Tai Pauli, é Head of Media da Meta e atua com estratégia de mídia, transformação e efetividade. Sua trajetória reúne experiências do lado do cliente, também em agências e em várias posições executivas de liderança no setor publicitário. Alexandra traz para a conversa a perspectiva de quem lidera uma operação de comunicação e acompanha a transformação das agências em diferentes mercados. Tainah fala a partir da experiência de quem trabalha em uma grande plataforma de mídia e observa como marcas, agências e pequenos negócios estão usando os canais digitais. A conversa começou pela inteligência artificial e avançou para a criação, a formação profissional, a privacidade, a realidade dos pequenos negócios, as diferenças entre Brasil, Portugal e Reino Unido, a medição de campanhas e a presença feminina na liderança. Não foi uma conversa sobre tecnologia como solução para tudo. Foi uma conversa sobre o que a tecnologia consegue fazer, sobre o que ainda depende de julgamento e sobre o que não deveria ser delegado sem responsabilidade. ### 1. O que realmente mudou na rotina da mídia Minha primeira pergunta foi direta. Quis saber o que havia mudado, de fato, na rotina de uma agência e de um veículo depois da chegada da inteligência artificial. A intenção era fugir da discussão genérica sobre o futuro e entender o efeito prático da tecnologia sobre o trabalho cotidiano. Alexandra começou pelo impacto mais visível: o tempo. Para ela, a inteligência artificial já consegue acelerar tarefas e ampliar a capacidade de execução, mas ainda não substitui a parte mais importante do trabalho de comunicação. “Ela ajuda e potencializa o tempo das pessoas. O grande desafio é reinvestir esse tempo em coisas estratégicas.” A frase resume uma preocupação que aparece em muitas empresas. Ganhar tempo só produz valor quando esse tempo é usado para pensar melhor. Se a ferramenta serve apenas para produzir mais peças, mais relatórios e mais variações da mesma ideia, a eficiência pode esconder uma perda de qualidade. Tainah concordou, mas observou o problema pelo lado do veículo. A inteligência artificial pode ajudar a otimizar a execução e a organizar dados. A estratégia, no entanto, ainda precisa de uma pessoa capaz de interpretar o contexto, compreender a marca e reconhecer a maneira mais adequada de se conectar com o público. “A gente as vezes quer correr antes de andar. Todo mundo já pensou em fazer filme pra TV com a IA, mas quando se fala em trocar uma peça, derivar ela, ajustar ela no digital, a evolução já é bem mais fácil de ver, mas pensar em uma campanha inteira feita usando apenas IA, já se está forçando uma situação que não precisa. A execução pode ser otimizada para que o humano passe mais tempo na estratégia e no lado criativo.” As duas não trataram a inteligência artificial como uma ameaça abstrata nem como uma salvação automática. A tecnologia reduz esforço operacional. O trabalho passa a exigir mais discernimento sobre onde colocar a energia humana. Esse talvez seja o primeiro ponto que merece ser guardado. A pergunta relevante não é apenas quantas horas a inteligência artificial economiza. É o que as empresas fazem com as horas que economizam. ### 2. A criação ficou mais rápida. Isso significa que ficou melhor? Depois de falar sobre eficiência, levei a conversa para o campo criativo. Perguntei se a resistência de profissionais acostumados ao processo tradicional ainda fazia sentido e se a inteligência artificial já havia se tornado parte permanente da criação. Alexandra lembrou como a produção de imagens e roteiros mudou. Antes, uma equipe poderia passar dias construindo um storyboard ou um animatic para explicar ao cliente aquilo que estava na cabeça dos criativos. Hoje, uma ferramenta consegue transformar uma descrição em imagem em poucos minutos. O ganho é evidente. Muitas vezes, é mais fácil mostrar uma ideia do que tentar descrevê la. O problema, ou risco, aparece quando a imagem preliminar passa a ser tratada como a solução final. “O cliente pode se apegar ao que a ferramenta produziu e dizer que aquilo já está muito bom. Aí entra o lado criativo para mostrar como a ideia pode ser mais interessante e mais envolvente.” A observação é importante porque toca em um risco pouco discutido. A inteligência artificial não elimina necessariamente a criatividade. Ela pode, no entanto, reduzir a disposição de buscar uma ideia melhor quando a primeira imagem já parece suficiente. Alexandra também chamou atenção para a homogeneização. Se todas as marcas usam ferramentas semelhantes, com referências semelhantes e comandos semelhantes, existe o risco de todas começarem a falar e parecer do mesmo jeito. “Se tudo ficar igual, o que vai diferenciar uma marca da outra? O toque humano ainda é essencial.” Alexandra complementou com um exemplo de produção audiovisual. Ela contou que já viu adaptações internacionais ficarem tão naturais que pareciam ter sido filmadas no país em que seriam veiculadas. A tecnologia tornou possível ajustar movimentos de boca, ritmo e aparência com um nível de veracidade que, até pouco tempo atrás, parecia distante. Esse exemplo mostra que a discussão não deve ficar restrita ao texto produzido por uma ferramenta ou à imagem criada em poucos segundos. A transformação também ocorre na produção, na adaptação e na distribuição de conteúdo. As duas convergiram em um ponto. A inteligência artificial veio para ficar porque resolve problemas concretos de tempo, escala e adaptação. Isso não significa que o critério criativo possa ser automatizado na mesma proporção. A velocidade é uma vantagem competitiva. A diferença entre uma campanha apenas correta e uma campanha relevante ainda depende de repertório, intenção e julgamento. ### 3. O que nunca deveria ser automatizado Perguntei então quais atividades poderiam continuar dependendo do ser humano daqui a alguns anos. Queria saber se existia algum território que a automação não alcançaria. Tainah respondeu a partir de sua experiência profissional com projetos que conectam a essência de uma marca à execução de mídia. Ela citou ações construídas no WhatsApp, eventos, experiências com mensagens que desaparecem e formatos que dependem de uma leitura específica do comportamento das pessoas. “A inteligência artificial pode ajudar a executar muitas coisas, mas ainda precisamos do repertório e da inspiração para criar a ponte entre a marca e o consumidor.” A resposta desloca a discussão. A questão não é saber se uma máquina pode produzir uma ideia. É saber se ela consegue compreender por que aquela ideia deve existir, para quem ela faz sentido e quais consequências pode gerar. Alexandra levou a conversa para a formação das próximas gerações. Mãe de dois filhos, ela disse que não sabe ainda quais serão as profissões do futuro, mas sabe que os jovens precisarão desenvolver pensamento crítico. “Eles precisam olhar para uma resposta e pensar: tem alguma coisa aqui que não está bem. Essa capacidade de questionar eu acho que nunca vai ser automatizada.” A afirmação é mais ampla do que uma defesa da criatividade. Ela fala de responsabilidade. Uma pessoa que apenas aceita a resposta da ferramenta pode ser rápida, mas não necessariamente competente. A capacidade de perguntar, conferir e discordar continua sendo uma forma de proteção profissional e social. Meu comentário ao fim desse trecho da entrevista foi de que a inteligência artificial pode sugerir, combinar e acelerar. Mas alguém ainda precisa decidir se a sugestão é adequada. Sem essa etapa, a empresa não tem inovação. Tem apenas produção em escala. ### 4. A geração mais nova está mesmo mais preparada? A conversa e o comentário da Alexandra sobre a geração, abriu espaço para uma contradição interessante. Durante muito tempo, imaginamos que os mais jovens seriam os primeiros a incorporar a inteligência artificial, assim como aconteceu com a internet e com as redes sociais. Comentei que, no Brasil, tenho percebido uma adesão mais intensa entre profissionais acima dos 30 anos. A pergunta foi se a mesma percepção aparecia na Europa. Tainah respondeu que, em Londres, circula uma frase que sintetiza a pressão atual: a pessoa não perde o emprego para a inteligência artificial, mas para alguém que sabe usá la. O ponto não é a idade. É a disposição para aprender e incorporar a ferramenta ao trabalho. “Você não vai perder seu emprego para a inteligência artificial. Vai perder para alguém que sabe usar a ferramenta.” Alexandra concordou que os profissionais mais experientes podem ter uma vantagem importante. Eles acumulam repertório, conhecem processos e sabem formular melhor o que desejam. Não basta pedir que a ferramenta crie um filme. É preciso explicar a cena, o ambiente, o personagem, o objetivo e o efeito esperado. Esse repertório muda a qualidade da interação com a tecnologia. A ferramenta pode ser acessível para todos, mas o resultado depende da clareza de quem a utiliza. Alexandra fez, porém, uma provocação mais profunda. Se as empresas usarem a inteligência artificial apenas para cortar vagas de entrada, quem formará os profissionais do futuro? “Se houver menos pessoas nas posições de entrada, como vamos treinar as futuras gerações?” Essa é uma questão de negócio, mas também é uma questão de responsabilidade. Toda empresa precisa de eficiência. Ao mesmo tempo, uma carreira não se constrói apenas com cursos e tutoriais. Ela também depende de convivência, supervisão, erro, correção e prática. A tecnologia pode acelerar a curva de aprendizado. Não deveria eliminar o espaço em que o aprendizado acontece. ### 5. Inovação não é apenas chegar primeiro Perguntei como a Europa estava reagindo a esse movimento de inovação nas mídias. A dúvida era se existia um atraso em relação aos grandes centros ou se as diferenças estavam mais ligadas a cultura, regulação e comportamento. Tainah não identificou um atraso capaz de comprometer a qualidade das campanhas. Alexandra lembrou que muitas tendências tratadas como novidade já foram incorporadas ao mercado há algum tempo. A discussão deixou de ser apenas sobre adotar uma plataforma ou um formato novo. O desafio passou a ser integrar dados e resultados de ambientes diferentes. “Cada plataforma tem sua métrica. O desafio é fazer com que essas métricas conversem entre si.” Essa observação é decisiva. O mercado costuma confundir novidade com inovação. Mas uma ferramenta nova, quando não se conecta ao restante da operação, pode apenas criar mais uma camada de complexidade. A tecnologia, nesse caso, não resolve sozinha o problema. Ela pode ajudar a integrar dados, mas as empresas ainda precisam decidir quais dados importam, como serão comparados e quem será responsável por interpretá los. O que parece uma disputa entre países é, na verdade, uma questão de maturidade empresarial. Inovação não é estar sempre entre os primeiros a testar. É conseguir transformar um teste em aprendizado, processo e resultado. ### 6. Privacidade não é detalhe jurídico Em seguida, perguntei sobre o uso de dados e sobre a diferença do cuidado deles entre Brasil e Europa. A conversa ganhou um tom mais crítico porque a publicidade digital foi construída durante anos com base em uma capacidade crescente de identificar comportamentos, preferências e momentos de consumo. Tainah contou que, depois de fazer uma compra no Brasil, recebeu uma mensagem praticamente em seguida. O episódio chamou sua atenção porque mostrou como uma informação transacional pode ser usada para uma abordagem comercial imediata. Alexandra destacou que, na Europa, a preocupação com a proteção de dados não depende apenas da existência de uma lei. Ela também é sustentada por consumidores que conhecem seus direitos e estão dispostos a questionar as empresas. “Os consumidores entendem que seus dados não podem ser usados de qualquer maneira e sabem que podem cobrar seus direitos.” A diferença não está apenas no texto da norma. Está na combinação entre fiscalização, risco reputacional e consciência do consumidor. As entrevistadas também lembraram que a responsabilidade não fica concentrada em uma única empresa. Agência, cliente, plataforma e equipes internas participam de diferentes etapas do planejamento e da execução. Por isso, o cuidado com dados precisa estar presente em todo o processo. A privacidade não deveria ser tratada como uma trava para a eficiência da campanha. Ela é uma condição para que a relação entre marca e consumidor continue sendo legítima. O mercado ainda precisa amadurecer nesse ponto. Usar mais dados pode aumentar a precisão de uma campanha. Também pode aumentar o custo de um erro. A pergunta que deveria acompanhar qualquer planejamento é: temos autorização, finalidade e responsabilidade para usar essa informação? ### 7. O WhatsApp e a profissionalização dos pequenos negócios A discussão sobre dados nos levou aos pequenos negócios. Perguntei como Tainah observa o crescimento de empresas que usam o WhatsApp como canal de atendimento, venda e relacionamento. Tainah explicou que o aplicativo deixou de ser apenas um espaço de conversa informal. Recursos como catálogo, horário de atendimento e organização de acessos ajudam o pequeno negócio a separar a vida pessoal da operação profissional. “O WhatsApp virou uma ferramenta de negócio. Ele ajuda o pequeno empreendedor a profissionalizar o atendimento.” Ela mencionou histórias de empresas que cresceram depois de organizar melhor o contato com clientes. O resultado não depende apenas da ferramenta. Depende da disciplina de responder, registrar, acompanhar e tratar o consumidor com clareza. Alexandra acrescentou que Portugal tem uma relação diferente com as plataformas. O WhatsApp é usado, em parte, pela influência da comunidade brasileira e pela presença de imigrantes de diferentes países. Ao mesmo tempo, o Facebook continua mais forte entre públicos portugueses do que no Brasil, onde o Instagram ocupa uma posição mais central. Tainah observou ainda que o WhatsApp tem espaços com menos competição publicitária. Isso pode criar oportunidades para negócios que entendam como participar do canal sem transformar cada contato em uma interrupção. Esse cuidado é importante. O pequeno empreendedor não precisa apenas de acesso à tecnologia. Precisa de orientação para usá la com método. Estar em todos os canais não é o mesmo que construir uma boa relação com o cliente. ### 8. O mercado ficou mal acostumado com a precisão da mídia digital? A conversa avançou para a medição. Perguntei se a mídia digital havia criado uma expectativa de precisão tão alta que o mercado passou a considerar insuficientes os meios tradicionais, nos quais era possível medir alcance e percepção, mas não identificar com certeza a pessoa que comprou. Tainah concordou. Para ela, algumas ações não podem ser avaliadas pela mesma régua de uma campanha de performance. Um patrocínio, por exemplo, pode influenciar a percepção de marca sem produzir uma conversão imediatamente identificável. “Algumas coisas não podem ser misturadas. É preciso ter coragem de fazer aquilo que não será medido da mesma maneira.” Alexandra chamou atenção para a fragmentação das métricas. Cada plataforma apresenta seus próprios indicadores, enquanto os clientes querem entender o resultado do negócio como um todo. “Antes de perguntar qual métrica caiu, precisamos perguntar o que é sucesso para aquele cliente.” Essa é uma das frases mais importantes da entrevista. Uma campanha pode gerar cliques, leads, vendas, lembrança ou preferência. Esses objetivos não são iguais. Sem definir o que se pretende alcançar, qualquer resultado pode ser apresentado como sucesso ou fracasso, dependendo da narrativa escolhida. As entrevistadas também falaram sobre criatividade e impacto de marca. Uma campanha criativa pode produzir efeitos que não aparecem em uma única janela de seis ou oito semanas. A construção de marca depende de repetição, contexto, concorrência, acontecimentos externos e consistência ao longo do tempo. A mídia digital ajudou o mercado a medir melhor algumas coisas. Também criou a ilusão de que tudo pode ser atribuído com precisão. Talvez a próxima evolução não seja encontrar uma métrica universal. Talvez seja aprender a combinar métricas diferentes sem fingir que elas respondem à mesma pergunta. ### 9. A liderança feminina avançou, mas as barreiras sutis permanecem Para encerrar, perguntei sobre a presença feminina na liderança do mercado publicitário europeu e se de alguma forma o ambiente ainda lembrava aquele universo masculino retratado em Mad Men. Tainah disse que o mercado já não é aquele cenário, mas que pode avançar ainda mais para ser cada vez mais igualitário. Ela reconheceu a importância de ter encontrado, no início da carreira, lideranças democráticas que ajudaram seu crescimento. Também observou que algumas áreas, especialmente a criação, continuam ainda mais masculinas do que outras. “Ainda não é um mercado totalmente igualitário. Existem espaços em que as mulheres continuam menos presentes.” Alexandra concordou e trouxe uma reflexão sobre representatividade. Durante boa parte da carreira, ela não imaginava que poderia ocupar determinadas posições porque não via muitas mulheres nesses lugares. Hoje, percebe que profissionais mais jovens conseguem construir essa possibilidade justamente porque encontram referências. “As pessoas precisam sentir que é possível chegar lá. A representatividade cria esse imaginário.” A conversa mostrou que a inclusão não se resume a uma proporção formal ou à igualdade salarial, embora essas medidas sejam fundamentais. Também envolve quem fala, quem é ouvido, quem recebe uma oportunidade, quem participa de decisões informais e quem é lembrado quando uma posição de liderança aparece. Tainah observou que relações profissionais e oportunidades também se constroem em espaços informais. Para avançar na igualdade, é importante garantir que mulheres tenham acesso às mesmas redes de relacionamento e influência.. O avanço existe. Mas ele precisa ser transformado em prática cotidiana, não apenas em discurso institucional. A entrevista começou com a inteligência artificial e terminou falando de representatividade. No meio do caminho, passou por criatividade, formação profissional, privacidade, pequenos negócios e medição. Os temas parecem diferentes, mas estão ligados por uma mesma questão: quem continua responsável pelas decisões em um mercado cada vez mais automatizado? Alexandra e Tainah não defenderam uma volta ao passado. Também não trataram a tecnologia como uma autoridade que deve ser obedecida. As duas reconheceram os ganhos de velocidade, escala e precisão, mas insistiram na importância do repertório, do pensamento crítico, da responsabilidade e da capacidade de compreender pessoas. Essa talvez seja a síntese mais honesta sobre o futuro da mídia. A inteligência artificial vai produzir mais conteúdo, testar mais possibilidades e organizar mais dados. Caberá às pessoas definir o que merece ser feito, o que deve ser evitado e qual resultado realmente importa. No fim, a tecnologia pode e deve até aproximar a marca do consumidor. A relação, porém, continua sendo humana. E uma relação humana exige sempre contexto, confiança e responsabilidade. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## O mundo está ficando enlatado URL: https://www.advisor.tips/pt/post/mundo-enlatado Data: 2026-06-11 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Rodei por alguns países nesse último mês. O que me chamou a atenção não foi a diversidade costumeira que cada região tem. Foi justamente o contrário. Foi o padrão. Especificamente quando se fala em design de peças de propaganda. Parece que toda publicidade que vejo foi feita pela mesma mão. Toda apresentação tem o mesmo tom. Toda imagem segue a mesma lógica visual. Abordei isso com algumas agências criativas aqui, e eles confirmam o que eu já observava no Brasil: as IAs estão criando um mundo enlatado. E muitas vezes quem pede isso é o próprio anunciante, que quer volume e estar em vários canais ao mesmo tempo. Não é paranoia. É matemática. É troca de qualidade por quantidade. Troca do estratégico pelo operacional, e nessa troca, a Inteligência Artificial leva grande vantagem. Quer ver? Um estudo publicado em dezembro de 2025 na revista Computers in Human Behavior, conduzido por Kibum Moon, Adam Green e Kostadin Kushlev, analisou 2.200 redações de admissão universitária. Compararam textos escritos por humanos com textos gerados por GPT-4. A conclusão foi direta: cada redação adicional escrita por um humano contribui mais ideias novas do que cada redação gerada por IA. E quanto mais ensaios você analisa, mais a diferença se acentua. Mesmo quando tentam modificar os parâmetros e prompts para melhorar a diversidade, o padrão persiste. A IA não está criando diversidade. Está criando convergência e padrão. O mesmo fenômeno acontece na música, e com consequências que vão muito além do que a maioria das pessoas percebe. Um white paper publicado pelo Schwartz Reisman Institute for Technology and Society, da Universidade de Toronto, com pesquisadores de Oxford, Wisconsin, Google e Toronto, mapeou o que os algoritmos de recomendação estão fazendo com a cultura musical global. A conclusão é dura: quando os sistemas de IA multiplicam bilhões de recomendações, eles afetam a natureza das experiências culturais individuais de forma cumulativa, ao longo do tempo, entre populações, regiões e culturas inteiras. Os pesquisadores chamam isso de "um grau sem precedentes de intervenção automatizada na forma como pessoas e comunidades encontram e experimentam a cultura." Traduzindo: o algoritmo decide o que você ouve. E o que você ouve molda o que você acha que é bom. E o que você acha que é bom molda o que os artistas produzem. É um ciclo que se fecha sobre si mesmo, e que vai estreitando o espaço da diversidade cultural a cada volta. Os artistas independentes são os primeiros a sentir. O estudo documenta como a IA começa a deslocar o trabalho de músicos quando usada por plataformas para gerar trilhas sonoras para televisão e cinema, transformando intermediários em criadores e proprietários de direitos. O negócio da música virou um negócio de dados. A plataforma de streaming é um data broker. E a música, que deveria ser o produto, virou pretexto para a coleta de comportamento do usuário. Eu sou sócio de um veículo de comunicação OOH, e vejo isso acontecendo em tempo real no mercado de publicidade. As artes que chegam para aprovação cada vez mais parecem saídas da mesma fábrica. O estudo de mídia, o público-alvo, a mensagem residual, o alcance, a frequência, tudo isso que deveria orientar a criação está sendo substituído por um pensamento único: quantidade de peças e formatos. Quanto mais rápido, melhor. Quanto mais barato, melhor. Quanto mais padronizado, melhor. Mas a gente que está nesse mercado a bastante tempo sabe: nunca foi quantidade. Sempre foi qualidade e impacto. A pergunta que ninguém ainda me respondeu é: onde vai morrer primeiro o olhar crítico? Aqui na Europa, especialmente em Portugal e Espanha, percebo uma resistência maior a isso. As agências criativas ainda questionam o uso indiscriminado de IA. Mas os anunciantes estão cobrando o uso de IA, mesmo sem saber se é o melhor caminho. Mas ainda há conversas sobre autenticidade, sobre o que diferencia uma marca da outra. O AI Act europeu, que entrou em vigor em 2024, já começa a criar um ambiente regulatório que obriga as plataformas a serem mais transparentes sobre como seus algoritmos operam. Mas é uma resistência que está enfraquecendo. Porque a pressão por produtividade é global. E a IA generativa é mais barata e mais rápida. Com o tempo, as IAs não podem evoluir e criar mais diversidade de conteúdos? Ou a cada dia que passa, seremos mais padronizados ao usá-las para tudo? Minha aposta é que continuaremos cada vez mais enlatados. Porque o problema não é a IA. É como estamos usando a IA. Estamos usando para substituir pensamento. Não para amplificar pensamento. O professor Antoni Rodríguez-Fornells, da Universidade de Barcelona, publicou em 2026 uma conclusão que resume bem o estado atual: "Os modelos de IA generativa ainda estão longe de replicar processos criativos independentes." E pesquisas mostram que conteúdo gerado por IA é consistentemente julgado como inferior ao conteúdo criado por humanos, mesmo quando comparáveis em qualidade técnica. Por quê? Porque falta ressonância emocional. Faltam nuances contextuais. Falta a marca de quem criou. A publicidade vai sofrer esse mal também? Ou ainda será a última a se dobrar a esse padrão enlatado? Eu acho que a publicidade vai resistir um pouco mais que outras áreas. Porque publicidade é sobre persuasão. E persuasão é sobre conexão. E conexão é sobre humanidade. Mas a resistência vai durar apenas enquanto houver agências dispostas a cobrar por qualidade ao invés de quantidade. E cada dia menos agências estão dispostas a fazer isso. O que me preocupa não é a IA. É a velocidade com que estamos abrindo mão do que nos diferencia. O olhar crítico. A capacidade de questionar. A coragem de criar algo que não segue o padrão. Porque quando você usa IA para tudo, você está usando um sistema que foi treinado em tudo que já foi criado. Você está criando a partir do passado. Nunca a partir do futuro. Isso pra mim resume tudo. O preditivo de dados é muito bem feito pelas Ias, mas o inusitado, o nunca criado, ainda não é a praia dela. O estudo que mencionei de Toronto sobre música, deixa uma frase que vale para qualquer área criativa: "A personalização é sedutora. Parece fornecer effortlessly mais do que você pode quer. Mas se acreditamos em noções de cultura compartilhada e pública, um espaço cada vez mais estreito de 'o que eu quero' pode precisar ser pontuado por outras experiências, outros olhares, outras vozes." E o futuro, por definição, não pode ser enlatado. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Estamos ficando mais burros? URL: https://www.advisor.tips/pt/post/estamos-ficando-mais-burros Data: 2026-05-19 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Eu vivi a revolução da informática quando os computadores ainda eram caixas misteriosas que ocupavam salas inteiras. Convivi com a chegada da internet, quando o barulho do modem discado era a trilha sonora da conexão com o mundo. Mergulhei de cabeça nos negócios digitais quando vender online parecia feitiçaria para a maioria das empresas. Em todas essas ondas, vi a mesma coisa acontecer. Uma revolução brutal no pensamento, nas ações, nos negócios e na sociedade. Sempre fui movido pela curiosidade. Minha regra era simples e direta: aprender tudo sobre o que estava mudando o jogo. Não será diferente agora, com a Inteligência Artificial. Olhando para trás, vejo quantos ficaram pelo caminho. A cada nova onda, sempre havia quem preferisse a segurança do passado. As falas se repetem. Diziam que os computadores iam acabar com o pensamento. Que a internet ia isolar as pessoas. Que o comércio eletrônico ia destruir as lojas. Agora, a ladainha é que a IA vai nos emburrecer e roubar todos os nossos empregos. É igual às revoluções passadas? Não. A IA é muito mais profunda e avança numa velocidade que nunca experimentamos. A função dela na sociedade segue a mesma lógica de separar quem está disposto a arregaçar as mangas e se inserir no novo contexto de quem prefere sentar e tentar achar motivos e teorias da conspiração para não fazer parte da revolução. Confesso que o que realmente me tira o sono não é a máquina. É a postura de uma parte considerável da nova geração. Ao contrário das revoluções anteriores, onde os jovens eram a vanguarda natural, vejo muitos deles hoje numa passividade assustadora. Parecem não entender a avalanche que está passando por cima deles. Nessa linha, curiosamente, são os mais maduros, a turma que já tomou mais pancada na vida e no mercado, que estão mergulhando fundo e tirando maior proveito desse momento. A que se deve isso? A resposta está na capacidade cognitiva de orientar, formular projetos e trabalhar junto com esses novos agentes digitais. É uma geração passada que tinha que planejar para construir e construir para ter. Nós, da geração mais madura, fomos forjados na escassez. Aprendemos cedo que, para ter a recompensa, era preciso agir, cavar, construir. É exatamente essa mentalidade que a IA potencializa. Ela se integra perfeitamente com quem sabe agir e formular. Já a nova geração cresceu acostumada a receber tudo mastigado. É o consumo imediato, o clique fácil, a dopamina alta em vídeos de quinze segundos. Tudo de graça e sem esforço. O problema é que a IA, por mais inteligente que seja, não faz milagres sozinha. Ela precisa de direção. Ela exige que você saiba o que perguntar, como estruturar um problema e onde quer chegar, corrigindo caminhos e direcionando novas opções. Os dados científicos confirmam essa percepção de campo. O famoso estudo norueguês de 2018 que apontou uma queda de três pontos no QI médio por década [1] não provou que estamos ficando mais burros geneticamente. O que pesquisadores americanos descobriram em 2023 é que o que está caindo é exatamente o que a IA faz melhor. O raciocínio lógico-matemático e o processamento de padrões [2]. Em outras palavras, a máquina automatizou a inteligência de fábrica. Como apontam os especialistas do MIT e pesquisadores da Universidade de Barcelona, a IA tropeça feio na criatividade genuína e no pensamento divergente [3]. Em testes de resolução de problemas fora do padrão, os humanos ainda dão uma surra nas máquinas. A IA gera muitas ideias, mas nós geramos as ideias originais [3]. Isso significa que a nossa inteligência não está sumindo. Ela está se redistribuindo. O "manifold positivo", a ideia de que quem é bom em lógica também é bom em linguagem, está enfraquecendo [4]. Estamos nos tornando especialistas em um mundo onde a máquina cuida do trabalho pesado e repetitivo. Aqui voltamos ao ponto central. Essa redistribuição só favorece quem tem repertório. Quem tem bagagem para conectar pontos distantes. Quem sabe olhar para um problema complexo e orquestrar agentes de IA para resolvê-lo. Caminhamos rapidamente para uma sociedade onde deixaremos de ser a multidão que consome para nos tornarmos os mestres de bilhões de agentes autônomos. Plataformas, programação tradicional, compilação de dados, tudo isso vai virar commodity. A linguagem natural será a única interface. Mas, o futuro profissional ainda é muito incerto. Que se sabe é que se essa geração jovem não tiver o domínio da IA como a geração mais madura está buscando ter, o cenário muda de figura. Isso significa que, se por um lado não vamos enfrentar um emburrecimento social literal, teremos pelo menos uma maior dependência e uma grave falta de criatividade da próxima geração de profissionais. Isso pode ser uma involução dentro de uma revolução. Será diferente do que vivemos hoje nessa relação com a IA. Mas há quem defenda que isso proporcionará uma população mais preocupada em ser do que em fazer. Mais preocupada em viver do que em ter. E nisso a IA pode até ajudá-los, facilitando a vida cotidiana. Mas talvez a raça humana possa estar desperdiçando a revolução mais fantástica já tida. Usarão os robôs e as IAs apenas para fazer uma receita de bolo ou saber o horóscopo do dia. Ou quem sabe, é a minha geração que não aprendeu a usar as máquinas como deveria e quer ter sempre o controle de tudo. Quem está certo? O tempo dirá. Mas não em décadas. Em anos, ou até menos, pois o que temos certeza é que as transformações estão cada vez mais rápidas e impactantes. No meu ponto de vista, se a IA não for conduzida, conduzidos seremos. Não existe vácuo nesse universo. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Vidas paralelas: a ascensão da população sintética URL: https://www.advisor.tips/pt/post/vidas-paralelas-a-ascensao-da-populacao-sintetica Data: 2026-04-27 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Sabe aquela conversa de boteco sobre dimensões paralelas e possibilidade de vidas diferentes em cada uma delas? Por muito tempo, isso foi papo de especulação científica ou de físicos teóricos com seus quadros cheios de equações. Mas, e se eu te disser que as "vidas paralelas" já estão batendo à nossa porta, e não é no multiverso quântico, mas sim no mundo digital que estamos construindo a toque de caixa? Não se preocupe, não estou aqui para especular sobre buracos de minhoca ou universos espelhados. A realidade que nos interessa, a que impacta o nosso negócio e a nossa vida "real", é a ascensão de uma nova "população": a dos agentes de Inteligência Artificial e dos clones digitais. Eles não são mais personagens de filmes; são entidades funcionais, com "vida" própria, que estão se alastrando e prometem revolucionar o nosso mundo natural de formas que ainda mal conseguimos imaginar. Mas vamos tentar! Recentemente, o mundo digital foi sacudido pela notícia da criação de redes sociais exclusivas para esses agentes de IA. Sim, você leu certo. Não é para humanos postarem fotos do almoço, mas para IAs interagirem entre si. A Moltbook, por exemplo, uma dessas redes "virais" para bots, foi adquirida pela Meta em março de 2026. Pense bem: Mark Zuckerberg, o homem por trás do Facebook e Instagram, investindo pesado em uma plataforma onde humanos são, literalmente, proibidos de postar. Isso não é um sinal..., é um outdoor gigante no meio do nosso caminho, com luzes piscantes: as Big Techs já entenderam onde está o próximo campo de batalha da atenção e, mais importante, dos dados. E eles não costumam errar. Essa fusão entre o natural e o sintético está atingindo níveis que desafiam até a nossa moralidade. O que antes víamos em filmes como Her ou Blade Runner (humanos desenvolvendo laços profundos com entidades digitais), já não é mais loucura. Estamos falando da possibilidade real de uniões entre pessoas e avatares. Se um avatar pode ter voz, gestual, personalidade e até "alma" digital, quem somos nós para dizer que essa união não é válida? Mas aí vem o nó: esse avatar precisaria ter documento, registro, e a sociedade teria controle sobre ele? Ou a beleza de tudo isso é justamente essa falta de controle? E logo eu, que adoro um controle, falando isso! A verdade é que, à medida que a linha entre o real e o sintético se dissolve, as nossas definições de relacionamento, identidade e até de cidadania serão postas à prova. E será que a tal de vida eterna não pode ser simulada com nossos clones digitais? O que faltaria para chegarmos nesse ponto? A meu ver, muito pouco. E o que mais teremos? Conta corrente em banco para os agentes movimentarem? A resposta é um sonoro "sim", mas com um twist. Agentes de IA não têm CPF, RG, nem comprovante de residência. Eles ainda não podem abrir uma conta bancária tradicional. A solução? Carteiras de criptomoedas e stablecoins. Protocolos como o x402 já permitem pagamentos diretos máquina-a-máquina (M2M) sem a necessidade de intermediários bancários ou burocracia. O mercado de agentes de IA, que era de US$ 7,8 bilhões em 2025, deve saltar para US$ 52,6 bilhões em 2030, facilitando entre US$ 1,2 e 1,8 trilhão em transações de e-commerce anuais. Isso não é o Second Life (lembram dele?), isso é Second Economy, e ela já está funcionando a todo vapor. Mas a coisa não para por aí. Imagine agentes atuando como compradores ou arrematantes de leilões, processando milhares de lances por segundo com uma precisão que nenhum humano alcançaria. Ou ainda, operadores da bolsa de valores, ou melhor, uma bolsa de valores exclusiva para eles, onde as regras são 100% controladas por contratos inteligentes em blockchain, eliminando qualquer margem para erro ou manipulação humana, mas com grande manipulação de dados. E por que não ambientes de capacitação e aprendizado desses agentes? Sim, IAs que "pagam" para serem treinadas e melhoradas em ambientes virtuais de alta performance. Imagino até eles tendo hardwares exclusivos, verdadeiros "condomínios digitais" onde esses agentes possam morar e operar com o máximo de eficiência energética e de processamento. Confesso que não pretendo ficar de fora desse momento que estamos vivendo. Eu mesmo já tenho os meus avatares criados. São meus clones digitais. E não é papo de ficção. Eles já fazem parte das minhas atividades. Aliás, é impossível saber se este artigo foi escrito por mim, ou se foi feito por um clone meu, enquanto estou passeando de férias na Europa. E isso não se resume a textos. Meus avatares têm a mesma voz e gestual que eu tenho, sendo difícil perceber a diferença entre o original e o clone. E se hoje é difícil perceber a diferença, em breve será impossível. E olha que isso que estou falando de clones, são cópias de pessoas reais. Mas a fábrica de novos avatares será imensa, sem precisar se basear em um humano existente, em uma realidade paralela que ainda é difícil de dimensionar. Líderes como Jensen Huang, CEO da Nvidia, e Sam Altman, da OpenAI, não estão falando de um futuro distante. Eles preveem que cada um de nós terá múltiplos agentes agindo em nosso nome, como verdadeiros "exércitos" digitais. Esses "gêmeos digitais" já são usados por criadores de conteúdo para escalar sua presença, com empresas como Synthesia e HeyGen criando avatares com expressividade e vozes cada vez mais naturais. O assunto aqui não é puro alarme para assustar, mas sim para acordar. Desperte! Não dá mais para querer "entender um pouco mais sobre isso" em algum momento futuro. Negar essa realidade é como negar a gravidade. Ela já bate à nossa porta, e quem não se preparar para conviver e interagir com essa nova população sintética, com seus próprios "interesses" e "economias", corre o risco de ficar para trás. A vida paralela não é uma teoria; é a nossa nova realidade. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Consciência imortal: o que nunca deixa de existir em você URL: https://www.advisor.tips/pt/post/consciencia-imortal-o-que-nunca-deixa-de-existir-em-voce Data: 2026-03-18T09:29:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Eu já escrevi muito sobre Inteligência Artificial. Já falamos de algoritmos, de redes neurais, de produtividade e até do fim da programação. Mas o que aconteceu nos últimos meses, e que culminou em uma notícia recente vinda dos laboratórios de Princeton e do consórcio FlyWire, muda o eixo da conversa. E essa velocidade de novidades e falta de tempo para assimilá-las é o que me deixa mais assustado. Não estamos mais falando apenas de silício e código; estamos falando de nós. Da nossa biologia, da nossa vida, da nossa origem e, fundamentalmente, da nossa vontade. Ok, mas que notícia é essa e o que ela representa? Cientistas conseguiram mapear cada um dos 139 mil neurônios e as mais de 50 milhões de conexões do cérebro de uma mosca-das-frutas (Drosophila melanogaster). Mas a notícia não é o mapeamento; é o que aconteceu quando eles o "ligaram" em um computador. Sem treinamento de IA, sem reforço estatístico, a "mosca digital" começou a tomar decisões. Ela buscou comida, evitou obstáculos e demonstrou instinto. Eles digitalizaram a vontade de um ser vivo. ### A evolução em tempo real Durante bilhões de anos, a evolução foi um processo biológico lento, medido em eras geológicas. Agora, entramos em um novo tipo de evolução: a tecnológica. Se uma máquina pode replicar a arquitetura de decisão de um ser vivo, a evolução deixa de levar milhões de anos e passa a ocorrer em dias ou horas. O matemático I.J. Good já avisava em 1965 sobre a "explosão de inteligência", onde máquinas projetariam máquinas melhores. Mas ele talvez não tenha previsto que o ponto de partida seria a própria vida. Essa mudança de fase não é algo que acontecerá; ela está acontecendo. O vemos a cada hora de novidades, atropela nossa capacidade de previsão. Quando o CEO da Anthropic, Dario Amodei, compara a IA a um tsunami no horizonte e avisa que a inteligência sobre-humana pode chegar em 2027, ele provavelmente não está falando de um novo software de chat ou de uma nova placa de processamento quântico. Ele deve estar falando do momento em que a tecnologia se torna fluente na biologia. ### O impacto no tecido da vida Está tudo bem, tudo ótimo, mas além desse alarmismo todo, como isso pode mudar nossa vida, família e nossos negócios? Se a vontade pode ser digitalizada, então... o que define a individualidade? Imagine o impacto na estrutura familiar quando os padrões mentais, as memórias e os instintos de uma geração puderem ser preservados ou replicados. O que significa ser pai ou filho em um mundo onde a herança não é apenas genética, mas um arquivo executável? Parece ficção, mas já é ciência moderna. Nos negócios e nos empregos então, a mudança é brutal. Não estamos mais falando de automatizar tarefas repetitivas. Estamos falando de emular arquiteturas de decisão. Se hoje você contrata um especialista pelo seu "faro" ou "instinto" estratégico, o que acontece quando esse instinto for mapeado e puder ser rodado em bilhões de instâncias simultâneas? O valor migra da execução para a origem. A pergunta deixa de ser "quem faz melhor" e passa a ser "quem detém a arquitetura da decisão". ### A imortalidade corporativa e o decisor perpétuo Agora, vamos além. Se a consciência pode ser digitalizada, o que impede um fundador de uma grande empresa de continuar sendo seu fundador e decisor por séculos? Sua mente, suas memórias, sua visão estratégica, tudo projetado em um ser digital, um avatar que continua a guiar a corporação. O poder não mais limitado pela finitude biológica. A sucessão se torna uma questão de upload, não de herança. Isso não é ficção científica barata; é a próxima fronteira da governança corporativa, onde a longevidade da liderança pode ser medida em eras, não em mandatos ou gerações. ### A vida eterna digital E se essa consciência finita que temos hoje, que se esvai com a morte, puder se tornar perene? Não seria essa a vida eterna prometida por algumas religiões, mas entregue agora pela tecnologia? Obviamente, a vida eterna não me parece que será física. Será um fluxo contínuo de dados, de padrões neurais, de memórias e de identidade em um substrato digital. A alma como um arquivo executável, a consciência como um software que pode ser transferido, replicado, talvez até aprimorado. É um salto que redefine o que significa "estar vivo" e o que significa "morrer". ### Estudos de fronteira Essa não é uma divagação isolada. Pesquise sobre projetos como a 2045 Initiative, que embora ambiciosos, buscam acelerar a transferência da personalidade humana para um suporte não biológico. Ou ainda a pesquisa em Whole Brain Emulation (WBE) que avança a passos largos, com relatórios de 2025 detalhando progressos em gravação neural e conectômica. O objetivo é claro: simular um cérebro humano em sua totalidade, com pensamentos, sentimentos e memórias. Estamos monitorando o surgimento de tecnologias que podem, de fato, oferecer uma continuidade da consciência além do corpo biológico. ### O clube dos privilegiados e o monitoramento essencial Mas aí me pergunto, quem terá acesso a essa "vida eterna"? Sabemos que em toda revolução, haverá os privilegiados. Serão aqueles que monitoram e investem nas interfaces cérebro-computador (BCIs), na conectômica humana e nas discussões bioéticas de elite. Para não ser apenas um passageiro nessa caravana, é preciso estar atento. É preciso entender que a distância entre a ideia e a materialização da vida digital foi reduzida a zero. Não se trata de prever o próximo passo, mas de entender que o chão sob nossos pés já não é mais o mesmo. A pergunta final não é se você está pronto para a tecnologia, mas se sua mente está pronta para aceitar que a biologia linear acabou e que a imortalidade, antes um mito, agora é apenas um problema de engenharia e de tempo mínimo para acontecer. Artigo também publicado no GazzConecta. ## O faroeste da inteligência artificial URL: https://www.advisor.tips/pt/post/o-faroeste-da-inteligencia-artificial Data: 2026-03-04T18:48:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Estamos vivendo o maior "faroeste" da nossa história. E não, não estou falando de filmes de John Wayne ou de diligências atravessando o deserto. Estou falando da inteligência artificial. O que vemos hoje é uma corrida desordenada, selvagem e sem regras, onde as Big Techs lutam para ocupar espaços, da mesma forma que os pioneiros americanos lutavam por terras no século XIX. É a ocupação do território digital a qualquer custo. Sem ética, sem leis consolidadas, o que temos é um misto de terra de oportunidades com pura selvageria. Muito parecido com o que vimos na Marcha para o Oeste. Atropelam quem estiver pela frente. Quem for mais rápido, conquista antes. Já não existe fronteira. ### A corrida do ouro A IA é a maior revolução que o ser humano já fez e vai presenciar. Mas, como toda revolução sem freios, ela carrega o germe da própria destruição. Elon Musk, que não é conhecido pela cautela, já avisou: "A IA é muito mais perigosa que ogivas nucleares". Sam Altman, o rosto da OpenAI, assinou manifestos admitindo que mitigar o risco de extinção pela IA deveria ser uma prioridade global, ao lado de pandemias e guerras nucleares. Até Geoffrey Hinton, o "padrinho da IA", abandonou o Google para poder falar livremente sobre os perigos de sistemas que já superam a lógica humana em escala e velocidade. E agora, Dario Amodei, CEO da Anthropic (a empresa por trás do Claude), eleva o tom. Ele não é um acadêmico buscando grants ou um político em busca de votos. Ele é o homem que construiu parte dessa tecnologia e que, com três posts, já apagou trilhões do valor de mercado de empresas de software. Amodei compara a IA a um tsunami no horizonte: "Está tão perto que podemos vê-lo. E ainda assim as pessoas vêm com explicações..., oh, não é realmente um tsunami. É apenas um truque de luz". Ele não fala de um futuro distante; ele publicou um ensaio de 38 páginas alertando que a IA sobre-humana pode chegar até 2027, chamando-a de "a ameaça nacional mais séria em um século" (*). Isso é daqui a 18 meses. O próprio construtor está aterrorizado com o que percebe que sua criação pode fazer. O problema é que, enquanto os líderes "avisam", as empresas "aceleram". O Stanford HAI AI Index 2024 revelou que o investimento privado em IA atingiu quase US$ 92 bilhões, enquanto o investimento em segurança e governança não chega a 2% desse valor. É um carro de Fórmula 1 correndo a 300 km/h, sem freios e com o motorista vendado. Muita busca pela potência e sem nenhum controle. ### O abismo da jurisprudência e a inércia brasileira A ameaça é real: a IA pode rodar "fora do mundo". Se um sistema opera em uma arquitetura distribuída, sem sede física clara, podendo rodar fora do planeta, como aplicar a lei? Como ter jurisprudência sobre algo que não reconhece fronteiras? Estamos diante de uma entidade que pode reestruturar a própria "infosfera" de forma autônoma. E o Brasil? Bem, o Brasil continua sendo o Brasil do samba e do carnaval. Enquanto o mundo discute o EU AI Act e tratados globais de contenção, nós assistimos da arquibancada, acenando para os carros alegóricos. Nossa incapacidade de liderar qualquer discussão séria sobre regulação é crônica. Estamos mais preocupados em como tributar a inovação do que em como governá-la. Somos o passageiro passivo de uma tecnologia que vai ditar as regras do nosso jogo econômico e social nas próximas décadas. ### Contenção: o movimento "Contain Now" Não se trata de parar o progresso. Isso é impossível. Trata-se de contenção. Movimentos como o Contain Now (**) mostram que a mesma lógica econômica que impulsiona a proliferação desgovernada pode ser redirecionada para financiar a infraestrutura de segurança que a civilização agora exige. Se temos algo potente e veloz como um carro de Fórmula 1, precisamos de circuitos e traçados bem definidos, com guardrails, que possam conter qualquer acidente. Precisamos de comitês e órgãos mundiais que funcionem como uma direção e freio, controlando essa selvageria. Obviamente que a figura de um "sheriff mundial" pode ser ultrapassada e arriscada, mas a ausência total de ordem é o caminho mais curto para a perda de controle. ### Guia ou o passageiro? A provocação final é para você, que está lendo. Muitos estão na "caravana da IA", mas sentados confortavelmente dentro das carroças, olhando a paisagem passar sem saber para onde estão indo. Estão à mercê de quem está guiando o caminho – e, acredite, quem guia muitas vezes também não sabe onde a estrada termina. O desafio não é apenas não ser um passageiro deslumbrado. O desafio é lutar para conhecer a realidade futura e, mais do que isso, lutar para moldá-la. Auguste Comte, que inspirou as palavras de nossa bandeira, poderia agora estar nos dizendo: se não houver ordem, não haverá progresso; haverá apenas o domínio do mais forte (ou do algoritmo mais rápido). No faroeste da IA, quem não segura as rédeas acaba sendo atropelado pela própria carroça. Artigo também publicado no GazzConecta. ## O futuro vem atropelando e sem faixa de segurança URL: https://www.advisor.tips/pt/post/o-futuro-vem-atropelando-e-sem-faixa-de-seguranca Data: 2026-02-26T18:10:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Em 2018, eu estava nas salas de aula do MIT Sloan, achando que tinha encontrado o mapa do tesouro. O curso era o “Digital Business Strategy: Harnessing Our Digital Future”. Os professores? Andrew McAfee e Erik Brynjolfsson, que eram para mim os sumos sacerdotes da era digital. A tese deles, imortalizada no livro Machine, Platform, Crowd, era o "beabá" da sobrevivência: a Máquina (IA analítica) ampliaria nossa mente, as Plataformas dominariam os mercados e a Multidão (Crowd) distribuiria o poder. Terminei esse curso com a cabeça explodindo, convencido de que, se dominasse esses pilares, eu saberia navegar nesse jogo. Doce ilusão. ### O futuro não chegou. Ele atropelou Agora, em 2026, olho para trás e percebo que o futuro não apenas chegou; ele nos atropelou geral e cuspiu os restos dos conceitos que aprendi. Irônico ou não, até os meus mestres tiveram que recalibrar o discurso. Erik Brynjolfsson, que antes falava de um "Paradoxo da Produtividade" lento e gradual, agora admite que a IA Generativa implodiu a curva J. O que levava décadas para gerar ganho real agora acontece em meses. A IA não está mais "pavimentando caminhos"; ela está criando sistemas terrenos onde o trabalho humano é um detalhe. Andrew McAfee também mudou a rota. Ele percebeu que plataformas não bastam mais. Agora ele prega o "The Geek Way" [2], focando na cultura de iteração rápida. O "Core" das empresas não foi apenas desafiado pela multidão; ele precisou se transformar em uma estrutura ágil para não facilmente substituído. Eles mesmo se assustaram com a velocidade e não conseguiram prever a maioria desses fenômenos modernos. Mas eu aposto em algo muito mais brutal: uma implosão total da arquitetura do poder. Parece meio apocalíptico ou catastrófico demais. Mas vou explicar por que chego a pensar nisso quando me aprofundo no tema. ### A morte da Crowd e a implosão das plataformas Aqui vai a minha visão, sem anestesia e sem compromisso em estar 100% certo: a Crowd está morta. Aquela ideia romântica de 2018 sobre o poder da colaboração humana distribuída funcionou por pouco tempo. Os apps two-sided marketplace, como Uber, Airbnb e Ifood ainda estão aí e muito utilizados. Então é inegável que representam o presente. Mas para mim, não representam o futuro. O que teremos logo mais será bilhões de agentes autônomos operando em um nível que a mente humana sequer processa. O MIT 2025 AI Agent Index mostra que a autonomia saltou para o Nível 5 (execução sem intervenção humana) em tempo recorde. Esses agentes não são apenas ferramentas; eles são os novos decisores. Eles filtram, priorizam e executam para os seus mestres. E nós? Em breve seremos maestros de uma legião de agentes que estarão a nosso serviço. Ou, nós corremos o risco de sermos os escravos da conveniência e cada vez deixarmos de sermos relevante perante esse novo sistema global. Achamos que somos os mestres, e por enquanto podemos ser, mas temos grande chance de apenas sermos o ponto de partida de uma imaginação que se materializa sem o nosso crivo e sem nosso comando. E as Plataformas? Elas vão implodir. Pelo menos no conceito atual que as conhecemos. Se não há mais programação, nem compilação, nem dados estruturados como conhecíamos – porque tudo é máquina, tudo é binário, tudo é pensamento executável – a plataforma atual vira apenas uma camada de fricção desnecessária. Um resquício de uma era onde a comunicação entre humanos e máquinas ainda exigia tradutores. A linguagem não será mais um protocolo; a linguagem será a própria máquina. O que restará é processamento, a energia e a capacidade de materializar o pensamento em execução pura. O "imposto da sintaxe" acabará, e o "imposto da energia" será o novo senhor feudal. ### Teremos mente suficiente para tratar isso? A pergunta que me faço, e que me tira o sono, é esta: se em 2018 minha mente se abriu para o que viria, hoje, em 2026, teremos mente suficiente para sequer entender o que está acontecendo? A IA não está nos ajudando a pensar; ela está pensando por nós. Brynjolfsson chama isso de "Revolução Industrial Cognitiva". Eu chamo de delegação total e inconsciente. O risco não é a máquina se rebelar. O risco é perdermos o "porquê" das decisões. É o fim da Torre de Babel das linguagens, mas o início de um abismo cognitivo onde a mente humana se perde na complexidade da própria criação. Como separar a "erva daninha" da "planta saudável" quando a própria imaginação é o código e o filtro humano se tornou obsoleto? Neste cenário, a liderança consciente é a última linha de defesa. Exige a humildade de aceitar a superioridade da máquina, mas a coragem de manter o controle ético. O que aprendi no MIT em 2018 me deu o mapa, mas o terreno mudou tanto que o mapa agora é apenas uma relíquia de museu. A grande questão é: nossa mente biológica e linear será capaz de acompanhar o ritmo da mente artificial exponencial que criamos? Ou seremos apenas os mestres imaginários de um exército de agentes que já decidiram o nosso destino? Só nos resta monitorar e ficar atento às novidades diárias, que em breve serão praticamente de hora em hora. Se isso realmente acontecer, então... Bem-vindo a um mundo onde o fator limitante não é habilidade, recursos ou tempo. É se você consegue visualizar com clareza suficiente o que quer para que uma máquina o traga à existência. Mas a clareza da visão, agora, carrega um peso ético e econômico sem precedentes. O futuro não é apenas sobre o que podemos criar, mas sobre o que devemos permitir que seja criado, e a que custo. Artigo também publicado no GazzConecta. ## A previsão mais perturbadora dos últimos dias URL: https://www.advisor.tips/pt/post/a-previsao-mais-perturbadora Data: 2026-02-18T09:00:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Elon Musk não é conhecido por meias palavras. E sua mais recente profecia é um golpe direto na indústria de tecnologia: "A programação morre este ano." Não é uma evolução, não é uma adaptação e nem uma forma diferente de programar. É um fim. Uma declaração que dessa vez tem tudo para ser verdade. E é isto que assusta. O que ele disse é taxativo: até dezembro, a Inteligência Artificial não precisará mais de linguagens de programação. Ela gerará código de máquina diretamente, binário otimizado além de qualquer coisa que a lógica humana poderia produzir. Sem tradução. Sem compilação. Apenas execução pura. ### O fim da torre de Babel digital: adeus, sintaxe e compiladores Por décadas, a programação foi a nossa "Torre de Babel" digital. Cada linguagem – Python, C++, Java – era um dialeto, um conjunto de regras complexas que precisávamos dominar para nos comunicar com as máquinas. O compilador era o nosso tradutor, transformando nossa sintaxe em algo que o hardware pudesse entender. Era um "imposto" que pagávamos pela fricção entre o pensamento humano e a execução da máquina. O programador era o coletor de impostos, o ser iluminado, preso dentro das salas de vidro, e com a capacidade de escolher os melhores comandos e sintaxes para que as máquinas recebessem as melhores instruções. Em meu artigo, "Vibe Coding: 'Haja Luz' é apenas para seres divinos!", alertei sobre os perigos de delegar a criação de software à IA sem o rigor da engenharia, gerando dívida técnica e vulnerabilidades. Agora, Musk leva essa discussão a um patamar ainda mais radical. Ele afirma que a IA se tornou tão fluente em "humano" que o imposto da sintaxe acabou. A máquina não precisa mais de nossos "idiomas" de programação. Ela fala diretamente o binário, o código de máquina otimizado, tornando o programador humano, o compilador e as linguagens intermediárias completamente obsoletos. Você nem se dá ao trabalho de programar. Elon Musk ### Neuralink: da imaginação ao software – o pensamento se torna executável E a revolução não para por aí. Conecte essa capacidade da IA com a visão da Neuralink. Sem sintaxe. Sem teclado. Sem tela. A interface final não é mais a voz, nem o toque, mas o próprio pensamento. Exato. Pensamento. Aquela frase dita pelos coaches de que basta mentalizar que as coisas acontecem... então, agora isso pode ser mais do que verdadeiro. Da imaginação para o software. Elon Musk O pensamento se torna executável. Você imagina um resultado, o sistema o projeta e o compila em realidade instantaneamente. Não estamos automatizando a programação. Estamos, como Musk sugere, apagando-a da existência. A profissão inteira colapsa em um pensamento. Décadas de treinamento reduzidas à irrelevância. A distância entre ideia e materialização vai a zero. Só isso já seria impactante. Mas vem mais coisa! ### O custo da imaginação sem filtro Mas há uma camada de realidade que se impõe sobre a utopia (ou distopia) de Musk: a econômica. As falas de Musk são uma ameaça existencial não apenas para a profissão de programador, mas para o próprio modelo de lucro das Big Techs e de empresas que investem cegamente em IA. A infraestrutura necessária para sustentar essa "imaginação executável" é colossal, e o retorno sobre o investimento ainda é uma incógnita. Se o "imposto da sintaxe" está morto, o "imposto da energia e do silício" pode ser o novo e intransponível fator limitante. As "alucinações" que mencionei anteriormente não são apenas um perigo ético; elas são um desperdício brutal de capital. Materializar delírios sem filtro significa queimar bilhões em processamento para gerar nada, ou pior, para gerar passivos de segurança e reputação. A bolha da "histeria coletiva" em torno da IA, pode estourar se a materialização da imaginação não se traduzir em valor real e sustentável. Não vou entrar nem no mérito sobre as questões comportamentais e antropológicas que podem advir de um acontecimento desses. ### O fim dos processos? Sem ordem, haverá progresso? E se a programação morre, o que acontece com os processos? Se já era um desafio condicionar trabalhos complexos a metodologias robustas – como o S-SDLC que defendi no artigo sobre Vibe Coding – em uma era de imaginação e execução imediata, a própria noção de processo parece obsoleta. Como auditar, validar, testar ou governar algo que nasce diretamente do pensamento e se materializa em binário otimizado, sem etapas intermediárias visíveis ou controláveis? A distância entre ideia e materialização vai a zero. Essa ausência de fricção, que Musk celebra, é também a ausência de um tempo de maturação, de revisão, de um método. Sem ordem, haverá progresso? Ou apenas um caos de criações efêmeras, vulneráveis e financeiramente insustentáveis? A materialização instantânea da imaginação, sem o filtro da sintaxe, da engenharia e agora, dos processos, nos leva a um cenário onde a "erva daninha" pode proliferar sem controle, tanto no código quanto nas finanças. ### O perigo da imaginação sem filtro Essa mudança de fase do jogo da vida abre uma caixa de Pandora ética e existencial. Se a distância entre a ideia e a materialização vai a zero, o que acontece com os delírios mentais? Com as alucinações? Com os pensamentos mais sombrios ou simplesmente irrefletidos? Se antes a fricção da programação, a necessidade de traduzir uma ideia em código, servia como um filtro natural, uma barreira para a materialização instantânea de qualquer pensamento, agora essa barreira desaparece. Não conseguimos minimamente controlar o acesso à informação e a ética no uso de IA hoje. Imagine quando os frutos da IA forem a própria imaginação, sem filtro, puramente vindo de possíveis alucinações em meio a coisas sérias. Como separar a "erva daninha" do "planta saudável"? Como garantir que a materialização instantânea da imaginação não leve a um caos digital e, por extensão, real, onde a realidade é moldada por impulsos e pensamentos sem crivo social? Se isso realmente acontecer, então... Bem-vindo a um mundo onde o fator limitante não é habilidade, recursos ou tempo. É se você consegue visualizar com clareza suficiente o que quer para que uma máquina o traga à existência. Mas a clareza da visão, agora, carrega um peso ético e econômico sem precedentes. O futuro não é apenas sobre o que podemos criar, mas sobre o que devemos permitir que seja criado, e a que custo. Artigo também publicado no GazzConecta. ## 6G – A Sociedade Conectada URL: https://www.advisor.tips/pt/post/6g-a-sociedade-conectada Data: 2026-02-13T16:31:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Em um mundo onde a velocidade da informação dita o ritmo da inovação, e que cada vez fica mais difícil de acompanhar, é fácil perder de vista a profundidade das transformações que se desenham no horizonte. Enquanto a sociedade ainda tenta ter acesso geral a conexão 5G, uma nova era de conectividade já está sendo meticulosamente tecida: a 6G. E não pense que essa mudança tecnológica seja uma mera atualização incremental, a 6G representa uma redefinição fundamental da nossa infraestrutura digital, um salto arquitetônico da infraestrutura, que moldará a sociedade de maneiras que hoje apenas começamos a vislumbrar. ### Uma Breve Retrospectiva Para compreender a magnitude total da 6G, é útil olhar para trás. O 2G nos trouxe a voz digital, o 3G abriu as portas para a internet móvel, e o 4G solidificou a era dos smartphones e do streaming. O 5G, por sua vez, prometeu a latência ultrabaixa e a conectividade massiva, essenciais para a Internet das Coisas (IoT) e aplicações mais exigentes. Agora, a 6G eleva essa jornada a um patamar exponencial, não apenas acelerando o que já existe, mas criando um tecido para a realidade digital. ### A Essência da 6G: Além da Velocidade A 6G, com previsão de implementação comercial por volta de 2030, não é apenas "mais rápido". Ela é a base para um ecossistema digital intrinsecamente inteligente e onipresente. Seus pilares fundamentais são: •Velocidade Exponencial: Com projeções de alcançar até 1 Tbps, a 6G será teoricamente cem vezes mais rápida que o 5G. Isso significa que um filme em 4K poderá ser baixado em segundos, mas, mais importante, abrirá caminho para a transferência massiva de dados em tempo real, crucial para a IA e o processamento de grandes volumes de informações . •Latência Quase Zero: Reduzir a latência para menos de 1 milissegundo é um divisor de águas. Isso permite que a interação entre o mundo físico e o digital seja praticamente instantânea. Pense no monitoramento de tudo em tempo real, ou em veículos autônomos que reagem a eventos inesperados com a mesma rapidez (ou até mais) que um motorista humano. •Conectividade Ubíqua e Massiva: A 6G visa conectar um número sem precedentes de dispositivos simultaneamente, expandindo o conceito de IoT para uma escala verdadeiramente global. Cidades inteiras, infraestruturas críticas, e até mesmo objetos cotidianos se tornarão pontos inteligentes em uma rede interconectada. A conectividade se tornará tão natural quanto o ar que respiramos. A personalização de tudo que nos cerca, será absurda. •Integração Terra-Espaço: Uma das inovações mais disruptivas da 6G é a integração nativa com satélites de órbita baixa (LEO). Isso significa o fim das "zonas mortas" de conectividade, garantindo acesso universal e ininterrupto, seja em áreas rurais remotas ou em alto-mar. Some-se a isso os novos centros de processamento no espaço, (alguns já em estudo avançado), com IA e futuramente processamento quântico, e teremos o casamento perfeito. •Redes Inteligentes e Auto Otimizadas: A 6G será intrinsecamente inteligente, com IA e aprendizado de máquina incorporados à sua arquitetura. A rede será capaz de se auto otimizar, gerenciar o espectro dinamicamente e adaptar-se às demandas em tempo real, tornando-a mais eficiente, resiliente e segura. ### A Sociedade 6G Quando a 6G estiver plenamente integrada, a sociedade experimentará uma transformação profunda. Não se trata apenas de dispositivos mais rápidos, mas de um ambiente onde a inteligência artificial, a realidade estendida e os gêmeos digitais convergem para criar realidades: •Cidades Vivas e Responsivas: As cidades se tornarão organismos inteligentes, capazes de gerenciar o tráfego em tempo real, otimizar o consumo de energia, prever e prevenir crimes, e oferecer serviços públicos personalizados e proativos. Sensores conectados pela 6G alimentarão modelos de IA que tomarão decisões autônomas para o bem-estar coletivo. •Saúde Preditiva e Personalizada: A telemedicina evoluirá para a saúde ubíqua, com monitoramento contínuo de sinais vitais, diagnósticos remotos precisos e intervenções através de nano robôs (que hoje já estão em fase experimental), tudo habilitado pela latência ultrabaixa e pela segurança da 6G. •Indústria Autônoma e Eficiente: A Indústria 4.0 atingirá seu potencial máximo. Fábricas inteligentes, onde robôs colaboram de forma autônoma, a manutenção preditiva evita paradas e a logística é otimizada em tempo real, tudo orquestrado pela conectividade 6G, podendo ter controles remotos de qualquer parte do planeta. Um técnico poderá dar manutenção em uma máquina em qualquer lugar do mundo, trabalhando de dentro de sua barraca em meio a alguma floresta tropical. •Experiências Imersivas e o Metaverso: O metaverso, hoje em sua infância, se tornará um espaço de interação social, trabalho e entretenimento muito mais rico e sem interrupções. A 6G fornecerá a largura de banda e a latência necessárias para renderizar ambientes virtuais complexos e interações em tempo real, permitindo a criação de "gêmeos digitais" de pessoas, produtos e até cidades. •Educação e Trabalho Reinventados: O aprendizado e o trabalho se tornarão mais flexíveis e imersivos, com aulas em realidade virtual, colaboração em ambientes de gêmeos digitais e acesso a recursos educacionais de alta qualidade em qualquer lugar do planeta. ### A Convergência A verdadeira magia da 6G reside em sua capacidade de atuar como um catalisador para outras tecnologias emergentes. Ela é o sistema nervoso que permitirá que a Inteligência Artificial atinja seu potencial máximo, que os Gêmeos Digitais repliquem a realidade com fidelidade e que a Realidade Estendida (XR) se torne indistinguível do mundo físico. Sem a 6G, essas tecnologias seriam como cérebros sem um corpo para agir. ### O Caminho para 2030 A jornada para a 6G é complexa, envolvendo gigantes da tecnologia como Samsung, Nokia, Huawei, Ericsson, Qualcomm, e uma vasta rede de universidades e consórcios de pesquisa globalmente . É uma colaboração sem precedentes que visa construir não apenas uma rede, mas a fundação para a próxima era da humanidade. A 6G não é apenas uma tecnologia; é a promessa de um futuro no qual a conectividade é tão intrínseca à nossa existência que se torna invisível, permitindo que a inovação floresça em todas as direções. Acredito que no auge do 6G, o que chamamos hoje de “inovação”, será cotidiana e tida como algo normal, esperado e recorrente. Artigo também publicado no GazzConecta. ## A nova era da IA Agentic URL: https://www.advisor.tips/pt/post/a-nova-era-da-ia-agentic Data: 2026-02-05T18:21:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Por um acaso, você tem se sentido frustrado com a incapacidade de entender tudo que está acontecendo nos nossos negócios ultimamente? Se a resposta for sim, bem-vindo à Incongruência da Aceleração. O mundo está mudando tão rápido que a novidade de ontem já é o entulho tecnológico de amanhã. E se você, empresário, ainda acha que IA é apenas um "chat" bonitinho para responder mensagens de clientes, você faz parte de um grupo grande de empreendedores atuais, que não sabem que o jogo mudou, e você pode estar perdendo para a sua concorrência por WO. Ou seja, nem entrando em campo para competir está mais. Mas, ok. Então o que está acontecendo? Entramos definitivamente na Intelligence Age. Não é mais sobre contratar uma ferramenta; é sobre a capacidade de permear a tecnologia nos negócios, através de agentes de execução e orquestração. A tecnologia deixou de ser apoio para se tornar o próprio modelo de negócio. Mas aqui está a provocação e o alerta: se a sua empresa não está colocando inteligência em todos os seus departamentos, quem não está sendo inteligente é você. O Fim do "Chat" e o Início do Agente. A IA que apenas responde perguntas está morrendo. O que emerge agora é a IA Agentic. Imagine agentes autônomos que não apenas sugerem o que fazer, mas executam. Eles prospectam, fecham vendas, auditam o financeiro e gerenciam talentos enquanto você dorme. Parece futurístico, certo? Era futurístico no passado. Agora é presente. O diferencial competitivo não será o acesso à tecnologia, mas a capacidade de governança e adaptação que os novos modelos de negócios exigirão Mas, tem um ponto de muita atenção: 69% das empresas admitem que, na pressa de ganhar velocidade, comprometeram a segurança e a escalabilidade. Elas criaram a Dívida Técnica. É o empresário que compra um software de última geração, mas mantém processos da década de 90. O resultado? 63% dizem que o custo de manter esse "puxadinho tecnológico" impede novos investimentos. É a âncora que vai afundar o seu navio se você fizer isso. ### Inteligência 360: onde está o seu gargalo? A tecnologia está disponível para todas as áreas. Não há desculpa. Se você não enxerga onde ela possa se aplicar no seu negócio, olhe de novo, pois talvez você não tenha entendido o que ela é capaz de fazer. Alguns exemplos: Auditoria Financeira Inteligente: Chega de auditoria retroativa. Queremos previsibilidade e detecção de fraudes em milissegundos. Marketing Inteligente: A hiperpersonalização não é mais um luxo, é o padrão. Se você não fala a língua do seu cliente em escala, você é invisível, pois a voz do seu concorrente que fala exatamente a mesma linguagem de vários clientes diferentes, vai te deixar quieto e sem relevância. Vendas Inteligentes: Prospecção autônoma que aprende com cada "não" e otimiza o funil sem intervenção humana constante. RH Inteligente: Gestão de talentos baseada em dados, não em "feeling". O futuro é um workforce híbrido: Humanos + IA. ### O salto de maturidade ou o abismo da ilusão? O relatório KPMG Global Tech Report 2026 aponta que 50% das empresas acreditam que chegarão ao topo da maturidade tecnológica até o fim de 2026. É um otimismo agressivo, para não dizer delirante, se considerarmos que apenas 11% estão lá hoje. Existe um gap perigoso entre a ambição estratégica e a capacidade real de execução. O ROI em tecnologia não é linear. Ele exige novas métricas. 58% afirmam que as métricas tradicionais não funcionam para IA. Só isso já seria suficiente para repensarmos tudo. Se você ainda mede sucesso apenas por redução de custos, você está olhando para o retrovisor enquanto dirige a 200 km/h. ### A escolha A estratégia estática morreu. A adaptação virou a competência central. As organizações de maior sucesso destinam 42% do seu budget para o crescimento, enquanto as outras estão apenas tentando manter as luzes acesas. Então, a decisão de ficar parado ou se mexer rumo aos novos negócios, precisa ser consciente e não tomada por acaso. Ou se entende que essa decisão não é para depois, ou daqui a pouco não haverá decisão a ser tomada. A próxima onda já está aqui: Quantum, AGI, ASI. O tempo de "testar" acabou. Agora é tempo de orquestrar. Se você continuar tratando a IA como um acessório e não como o coração da sua operação, não reclame quando o mercado te descartar. E ele vai te descartar. A tecnologia é ainda artificial. A inteligência é sua. Artigo também publicado no GazzConecta. ## Inteligência Artificial: grande impacto nos negócios e na forma de viver URL: https://www.advisor.tips/pt/post/inteligencia-artificial-grande-impacto-nos-negocios-e-na-forma-de-viver Data: 2024-07-01T14:03:46.367Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Nos últimos anos, tenho observado de perto a revolução que a inteligência artificial (IA) e a automação de processos e tarefas estão trazendo para o mundo dos negócios. Não é exagero dizer que vivemos uma transformação sem precedentes, quase que uma nova era da tecnologia, que impacta profundamente não apenas as nossas carreiras, mas também a maneira como as empresas operam e prosperam. Confesso que, no início, a ideia de máquinas e algoritmos assumindo tarefas antes realizadas por seres humanos me causou um certo desconforto. Será que seremos substituídos? Como encontrar nosso lugar em um mercado cada vez mais automatizado? Essas perguntas me deixavam cada vez mais curioso, mas eu sabia que tudo poderia mudar de uma hora para outra, assim como foi na época do lançamento da internet. Acredito que esses questionamentos são parte central do pensamento da maioria dos profissionais. Mas, depois de me aprofundar no tema, cheguei a algumas conclusões que quero dividir. Impactos e oportunidades À medida que fui estudando o tema, comecei a entender que a IA e a automação não são inimigas dos profissionais, mas sim poderosas aliadas. E o mesmo vale para os negócios. Elas têm o potencial de liberar o nosso tempo para focarmos em atividades mais estratégicas e criativas, algo que as máquinas ainda não conseguem replicar com a mesma eficácia. Você certamente já deve ter ouvido falar em "otimização de processos" e "automação de tarefas", certo? Com estas novas tecnologias, tarefas rotineiras e repetitivas estão cada vez mais automatizadas, permitindo que as operações sejam realizadas com maior rapidez e precisão. Isso justifica o importante aforismo do mercado, repetido inúmeras vezes: time is money! IA nas tomadas de decisão Com a IA, as empresas podem analisar grandes volumes de dados em tempo real, extraindo insights valiosos para orientar suas estratégias. Isso vai desde a análise de comportamento do consumidor até a previsão de tendências de mercado. A capacidade de tomar decisões baseadas em dados concretos e não em intuições, proporciona uma vantagem competitiva significativa. Veja, o papel central de uma decisão ainda cabe à pessoa humana. É aí que eu quero chegar: as inteligências artificiais não substituem nosso papel nas tomadas de decisão, elas vêm para nos auxiliar, para sustentar e fortalecer as nossas ações, permitindo que tenhamos um pouco mais de tranquilidade e confiança no que estamos fazendo. Aliás, a IA não é infalível e quem hoje acredita que a IA pode substituir pelo menos a revisão humana, se engana, pois a grande maioria das IAs atuais ainda alucinam e trazem alguns dados incorretos em suas análises. Isso porque elas são probabilísticas e não determinísticas. Não são programadas para afirmar categoricamente sobre algo. As IAs respondem conforme a base de conhecimento que dispõem, e podem dar informações erradas, ou até inventarem algo, se a base não estiver com a resposta correta. Algo pessoal Cito, também, a personalização como um benefício que a IA traz para os negócios. Com algoritmos sofisticados, as empresas podem oferecer produtos e serviços sob medida para as necessidades e preferências de cada cliente. Isso não apenas melhora a experiência do consumidor, mas também aumenta a fidelidade e o valor vitalício do cliente para a empresa. O tratamento de clientes através da criação de personas que representavam uma parcela do público alvo, agora passa a uma outra categoria, onde se consegue comunicar e tratar as necessidades individuais de cada um, pois a capacidade de tratamento de dados e informações passou a um ponto inimaginável a pouco tempo atrás. Inovação Não podemos esquecer do impacto na inovação. Para a economia criativa, essa, certamente, é a palavra mais importante. A IA está permitindo a criação de novos produtos e serviços que antes estavam apenas nos filmes futurísticos. Desde carros autônomos até diagnósticos médicos assistidos por algoritmos, as possibilidades são infinitas. O mundo está se transformando e apostando muito alto nessa tecnologia. E como tudo que é considerado inovação, existirá um lado bom e um lado ruim, pois a potência dessa transformação afeta tanto quem busca fazer o bem quanto quem busca o mal. Então, além da necessidade de entender pelo menos o básico e as aplicabilidades do mundo de IAs, para que possamos usar da melhor maneira em nossos objetivos, esse conhecimento nos auxilia a saber se não estamos propagando, ou sendo enganados por falsas verdades criadas propositalmente com a ajuda de IAs. É o caso das deep fakes, que criam falas, imagens que parecem muito reais, mas que nunca existiram. Desafios Claro, essa transformação também traz desafios, como tudo na vida. A implementação dessas novas tecnologias exigem investimentos significativos e uma mudança cultural dentro das nossas vidass e nas empresas. É necessário treinar funcionários, atualizar infraestruturas e, muitas vezes, reestruturar processos. Mas os benefícios a longo prazo superam esses obstáculos iniciais. Fica aqui o recado para os profissionais que desejam se destacar: atualizem-se. Entendam os conceitos básicos de uma Inteligência Artificial generativa e como ela funciona. O avanço fantástico que tivemos ao poder conversar com essa tecnologia é sem dúvida transformador, mas dependendo da forma como você faz esse diálogo (cria o prompt) faz toda a diferença no resultado que você obtém. Uma das profissões do futuro será o prompt engineer que será o profissional especialista, dedicado a se comunicar da forma mais produtiva com as IAs disponíveis. Como falei no último artigo, essas inovações tecnológicas desempenham um papel de filtro profissional que separa aqueles que terão sucesso no futuro e aqueles que não terão mais espaço nesse mercado. Hoje, enxergo a IA e automação como catalisadoras de um novo ciclo de prosperidade nos negócios. A jornada pode ser desafiadora, mas é também repleta de possibilidades para as empresas que se preparam e abraçam a mudança. Uma coisa é certa: nossa geração será a última a saber como é o mundo sem a Inteligência Artificial. A próxima geração não saberá distinguir, em seu dia a dia, o que usa IA e o que não usa, pois a tecnologia estará embarcada e funcional em quase tudo que possa estar conectado. Como será esse mundo? Ainda não sabemos, mas podemos afirmar que será muito diferente do que vemos hoje. Artigo também publicado no LinkedIn. ## Dez maneiras de propiciar performance para sua equipe de desenvolvimento! URL: https://www.advisor.tips/pt/post/10-maneiras-de-propiciar-performance-para-sua-equipe-de-desenvolvimento Data: 2023-02-09T11:51:36.132Z · Autor: Adriano Pereira · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Poucas pessoas percebem como exatamente a Inteligência Artificial é uma das ferramentas que podemos utilizar para alcançar performance - mas é preciso estar disposto a sair da zona de conforto e explorá-la de forma consciente e responsável. Já ouviu falar de pair programming? A Inteligência Artificial é uma área em constante evolução que tem revolucionado diversos setores, incluindo o desenvolvimento de software. Com sua capacidade de processar grandes quantidades de dados e tomar decisões baseadas em padrões, a IA está sendo cada vez mais utilizada para ajudar no desenvolvimento de soluções, especialmente em pair programming. Pair programming é uma técnica de desenvolvimento de software em que dois programadores trabalham juntos, compartilhando a responsabilidade de escrever código e solucionar problemas. Este método mostra-se eficaz para aumentar a qualidade e a velocidade de desenvolvimento de software. No entanto, a IA pode ajudar ainda mais, oferecendo novas formas de colaboração e melhorando a eficiência do processo. Uma das formas em que a IA pode ser utilizada no pair programming é através de assistentes de código. Estes assistentes podem ajudar os programadores a escrever código mais rapidamente, sugerindo completações de código e correções de erros. Além disso, eles também podem ajudar na identificação de padrões e tendências em dados, o que pode ser útil para a tomada de decisões sobre o projeto. Outra forma em que a IA pode ser utilizada é através de ferramentas de análise de código. Estas ferramentas podem ajudar a identificar problemas e padrões no código, o que pode ser útil para melhorar a qualidade e a facilidade de manutenção do software. Além disso, elas também podem ajudar a identificar pontos fracos no código, o que pode ser útil para prevenir futuros erros. A IA também pode ser utilizada para melhorar a colaboração entre programadores. Por exemplo, ela pode ser usada para criar uma plataforma de comunicação que permita aos programadores compartilhar informações e solucionar problemas de forma mais eficiente. Além disso, ela pode ser usada para criar uma plataforma de gerenciamento de projetos que permita aos programadores visualizar o progresso do projeto e tomar decisões mais informadas. Apenas para citar algumas formas de como a IA pode ajudar no pair programming e incrementar a performance de um time de desenvolvimento: Resposta rápida a perguntas de codificação Geração de código a partir de especificações Ajuda na revisão de código Sugestões de melhoria de performance Detecção e correção de erros de sintaxe Conselhos sobre boas práticas de codificação Ajuda na definição de estruturas de dados e algoritmos Solução de problemas técnicos Busca de documentação relevante Treinamento para o desenvolvimento de habilidades técnicas Em resumo, a incorporação da IA no pair programming pode ser a chave para alcançar novos patamares de qualidade e eficiência no desenvolvimento de soluções. É importante que as equipes de engenharia de software estejam atentas às possibilidades que a IA oferece e estejam dispostas a explorá-las para obter resultados ainda melhores. O futuro do pair programming é brilhante e a IA é uma peça-chave para o seu sucesso. Adriano Pereira Apaixonado por Tecnologia, Marketing, Dados, Resultados e Pessoas Parceiro da AdvisorTips Publicação original que inspirou essa publicação encontra-se no LinkedIn ## Pokémon Go até aonde? URL: https://www.advisor.tips/pt/post/pokemon-go-ate-aonde Data: 2022-11-04T12:03:53.786Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro O que parece um roteiro hollywoodiano está acontecendo agora em muitos países onde o jogo Pokémon Go foi lançado. Mais de 100 milhões de pessoas no mundo já baixaram o aplicativo. Uma febre. Os milhares caçadores de Pokémons digladiam-se em locais públicos para capturar esses pequenos seres virtuais. Como um jogo de apelo infantil virou febre global e está provocando uma transformação social na forma de interação de marcas, produtos e serviços? Sabemos que o trade do entretenimento se vale de uma fórmula simples: a fantasia. Algo que nos tira do dia a dia e nos transporta para outra realidade. E cada vez mais a tecnologia está nos transportando para outra realidade, seja virtual ou modificada, a que chamamos de Realidade Aumentada. A aplicabilidade disso é imensa e, com certeza, vai mudar a sua vida. Então, essa comoção mundial no lançamento do jogo Pokémon Go é por causa dessa tecnologia? Não. Não é só isso. Em qualquer jogo em rede, todos querem ter o reconhecimento coletivo e estar entre os melhores. Com o Pokémon Go não é diferente. Agora imagine poder fazer isso em um cenário real, vitaminado com novos componentes virtuais divertidos. É uma mistura de realidade e fantasia, tudo ao mesmo tempo. O tabuleiro do jogo pode acontecer em qualquer lugar: na rua, no escritório, em um estádio de futebol… Para jogar, basta um telefone celular. É o fim da imagem do jogador solitário, preso entre quatro paredes, ou de cenas de filmes futuristas mostrando que seremos cérebros enormes em corpos atrofiados. Esqueça isso! As pessoas estão é nas ruas, interagindo neste novo mundo. A popularização tão rápida do jogo gerou curiosidade e bastante exposição na mídia e nas redes sociais. Vemos todo dia casos de pessoas criativas utilizando artifícios divertidos para ter um melhor rendimento no jogo, usando drones ou até animais de estimação para os ajudar. Também temos notícia de pessoas se machucando ou se expondo ao perigo por estarem imersas e distraídas com o jogo. Essa reação das pessoas mostra como vamos interagir com o mundo e como será o próximo passo da socialização. Estamos vendo o início de uma sociedade diferente, com o virtual e a realidade andando cada vez mais juntos. Se antes sabíamos diferenciar o digital e o analógico, e hoje isso já não faz mais sentido, em um futuro próximo podemos apostar que não saberemos diferenciar o virtual da realidade. Não se trata apenas de um novo jogo, mas de como nos relacionaremos a partir de agora. O Facebook já anunciou um grande investimento na Realidade Aumentada, e quem já viu esse novo ambiente garante que vamos mudar totalmente a interação nas redes sociais. Seria o mundo real vivido na irrealidade da virtualidade ou seria a virtualidade sendo vivida no mundo real? Pouco importa. A realidade como a conhecemos hoje nunca mais será a mesma. Mesmo aqueles que já tomaram a iniciativa de estudar e antecipar comportamentos, criaram seus laboratórios de inovação e desenvolveram novas tecnologias de consumo já perceberam que ainda é muito cedo para conhecer o impacto final dessa socialização tecnológica que está acontecendo. Mas não será pouca coisa. Imagine o poder que alguém terá ao dominar a técnica de transformar nossa própria realidade. O marketing também será bastante afetado com esse novo comportamento. Mudará a forma como compramos as coisas, como escolhemos produtos e até como utilizamos os produtos na nossa casa. Sairá na frente quem for capaz de entender que suas estratégias, produtos, serviços e a forma de se relacionar com os consumidores não precisam mais ser apenas compostos de elementos reais. Você imaginaria locais de votação como existem nos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório, usando Pokémons para atrair eleitores? E que tal a criação de um serviço moto-Pokémon lançado no Brasil para caçadores dos bichinhos? Neste cenário, Pokémon Go é apenas um aperitivo, mas um laboratório sem fim para testar o que virá por aí em termos de comportamento social. ## Maquina Humana? URL: https://www.advisor.tips/pt/post/maquina-humana Data: 2022-11-04 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Elas estão mapeando os nossos genomas e ajudando a conhecer o ser humano em detalhes antes não sonhados. Estive no SXSW 2016. Um evento como este nos faz repensar muitos aspectos, não só sob o olhar da tecnologia mas o quanto ela pode nos ajudar a facilmente ultrapassar barreiras, as vezes até de leis e de éticas. Podemos ver hoje no painel “The Holy Grail: Machine Learning and Extreme Robotics” como nós humanos estamos avançados em criarmos máquinas cada vez mais parecidas com a nossa espécie. Foi impressionante ver o robô Sophia, participar do painel, sentada na bancada junto com outros apresentadores, como desenvoltura e com grande parte da linguagem corporal incorporada em seus movimentos. A inteligência artificial e o learning machine adotado pela equipe criadora da Sophia é algo realmente fabuloso. Mas não foi isto que mais me assustou no dia. Foi uma via contrária a isto. Máquinas que estão mapeando os nossos genomas e ajudando a conhecer o ser humano em detalhes antes não sonhados. Com a crescente capacidade de compreender o genoma humano através do uso “learning machine” e projeções, teremos em breve um novo capítulo na história da medicina. Na palestra conduzida por Riccardo Sabatini e Loic Le Meur, com o título “Cracking the human code”, falou-se não só sobre a tecnologia usada para quebrar e projetar o código humano, mas como algumas situações serão criadas a partir deste estudo. Poderemos ter remédios personalizados, prevenindo o aparecimento de doenças pré-dispostas, super-habilidades serão melhor exploradas, e a tão sonhada cura para o envelhecimento poderá ser finalmente conseguida. Mas muitos debates vão surgir a partir disto. Imaginem que muitas premissas poderão ser criadas a partir de um acesso a todos de seus genomas. Empregos podem exigir genomas com características específicas. Casamentos serão pautados através de características de genomas. Adolescentes ou crianças já serão escolhidas para trabalhos futuros baseando-se em premissas sobre sua capacidade de executa-los. Chega a ser assustador pensar nas possibilidades que a tecnologia em breve nos dará de conhecermos a nós mesmos e como isto pode até mudar a forma como nos relacionamos e nos encaixamos na sociedade. Existem muitos pontos benéficos nesta capacidade de mapeamento de genomas, mas existem tantos outros pontos muito preocupantes. Sem dúvida, entre ver uma máquina robô interagir como um ser humano e ver uma máquina que é capaz de mostrar publicamente muito mais sobre o que somos, prefiro a diversão da máquina falante. Estes dois assuntos ainda vão gerar muitas discussões que envolverão ética, medicina, religião e até aspectos legais. Só o tempo dirá como seremos capazes de tratar estas novas tecnologias. Enquanto isto, seguimos em frente aqui em Austin, tentando achar outras palestras perturbadoras. ## O medo da Inteligência Artificial URL: https://www.advisor.tips/pt/post/o-medo-da-inteligencia-artificial Data: 2022-11-04 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar seu discurso de estreia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que ele tinha achado do seu primeiro desempenho na assembleia de políticos. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: - "Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta." Ali estava uma das melhores lições que alguém poderia dar a quem iniciava uma carreira difícil. Uma boa parte das pessoas que ocupam cargos expressivos e que estão relacionadas a poder, é medíocre e tem um indisfarçável medo da Inteligência alheia. Se isto aconteceu na Inglaterra, imaginem aqui no Brasil. Não é demais lembrar a famosa frase de Antonio Aleixo: "Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência." Não há como afirmar que a burrice possa ser uma ciência, mas nos nossos tempos a inteligência virou um pilar importante da "ciência da computação". Mas o que vem a ser a tão falada Inteligência Artificial (IA)? Seria apenas a capacidade de repetição sistemática de conclusões de algoritmos que determinam uma solução, ou seria de fato a substituição da inteligência humana, e portanto a salvação contra nossos incautos de plantão? Embora não haja uma definição uniforme, geralmente se acredita que a IA se refere a "uma máquina que responde a estímulos consistentes com as respostas humanas tradicionais, dada a capacidade dos humanos de perceber, julgar e agir. Esses sistemas de software tomam decisões que geralmente requerem uma análise profissional, baseada em históricos, com capacidade de estabelecer padrões com uma infinidade de dados, ajudando a prever problemas ou a resolver os que surgirem. Portanto, eles trabalham de forma constante, inteligente e adaptativa confirme a situação. Neste ponto, percebemos que a IA tem potencial enorme de facilitar nossas vidas e apurar situações que demoraríamos uma eternidade para constatar. A junção da IA com a IoT (Internet das Coisas) vai popularizar em breve este benefício e deixar esta capacidade em nossas mãos, mesmo em atividades triviais. A inteligência artificial já está mudando o mundo e levantando questões importantes para a sociedade, economia e governos. Se já tínhamos o acesso a muita informação, agora termos uma capacidade maior de selecionar e compilar informações de forma ainda mais produtiva. Não vou entrar no mérito de coisas que já estão se tornando realidade e que seria surreal a pouco tempo atrás, como carros autônomos e que sabem onde ir e como ir sozinhos. Isto é a prova de que o que estamos vendo de IA é apenas o começo de um futuro que nem somos capazes de imaginar. Me sinto como se estivesse em 1970 e alguém tentasse me explicar o potencial da Internet. Difícil conseguir prever tudo que está por vir. Mas uma coisa é certa. Os inteligentes continuarão a existir e saberão usar da melhor forma possível todo este aparato tecnológico, enquanto os menos intelectuais continuarão a desprezar a inteligência. Nada estará a contento para quem costuma desqualificar o resultado e capacidade alheia, seja ela uma pessoa ou uma máquina. Tenho até que admitir que de um modo geral os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não demonstram o devido apetite. Outra grande habilidade daqueles que não são eleitos com a devida inteligência é o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde os talentosos e inteligentes não possam passar. E a tecnologia é também uma vítima desta estratégia protecionista. Quantas vezes vimos aquela famosa frase de que não se fazem mais as coisas como antigamente? Pois respondo... Ainda bem que não estamos fazendo as coisas como antigamente, e que hoje existem caminhos muito mais promissores. Infelizmente, temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam o avanço tecnológico numa espécie de defeito perante a vida. Hoje em dia a habilidade de se passar as vezes por menos inteligente ou comedido em suas posições e a maior prova de inteligência emocional. E este é o caminho que a Inteligência Artificial está conquistando, pois neste quesito ela é mais inteligente do que a inteligência humana, pois sabe entrar em nossas vidas de uma forma discreta e sem afrontar os cérebros humanos ressabiados. Assim não percebem nela uma ameaça, e não terão como defender seus empregos e suas posições atuais. Se já estamos em linha de ter a substituição das mentes brilhantes pela inteligência artificial, imagine o que podemos esperar que vá acontecer com quem luta contra ela. Então meus queridos. Não tem jeito. O conselho mais inteligente neste caso, é aprender mais e estar aliado com todas estas novidades. ## Resistir é inútil, renda-se à IA! URL: https://www.advisor.tips/pt/post/resistir-e-inutil-renda-se-a-ia Data: 2023-02-08 · Autor: Adriano Pereira · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro O mundo está evoluindo rapidamente, e resistir às mudanças que esse fato tem proporcionado é inútil. Renda-se, pois está mais do que na hora de aproveitar as oportunidades que os avanços tecnológicos propiciam. Vamos começar com uma rápida contextualização pessoal: lá se vão 40 anos desde o meu primeiro contato com computadores, em 1982. Tive a oportunidade de entrar no mundo da tecnologia bem cedo, quando tudo ainda era "desconectado"; o poder de processamento dos computadores era bem limitado: exemplo disso era que eu estava aprendendo a programar contando com parcos 2 Kbytes de memória RAM - para dar uma noção, isso equivale a pouco mais de 2.000 caracteres. Muita coisa mudou de lá para cá, e confesso que quase nada do que surgiu desde então foi, de fato, uma surpresa. Expansão da Internet, capacidade de armazenamento praticamente infinita e o computador de bolso... tudo era questão de quando, e não se. Obviamente, ninguém tinha uma bola de cristal, e muito menos a chance de visitar o futuro antes dele acontecer (sic). Mas eu cresci absorvendo conteúdos de autores com visões de futuro deslumbrantes - e nem sempre felizes: Isaac Asimov, HG Wells, Julio Verne, Carl Sagan e tantos outros. Então o se já era determinado, na minha visão. O que era indeterminado e, portanto, distante era o quando. Eu não sabia que estaria vivo para desfrutar os avanços tecnológicos que eram apresentados a mim como ficção científica! Essa foi a verdadeira surpresa: a VELOCIDADE com que as coisas aconteceram! E hoje? Bem, temos a realidade das inteligências artificiais acontecendo em larga escala. Previsível? Sim. Mas, nesse caso, o quando chegou a um absurdo estranhamente emocionante: a OpenAI (ChatGPT) trouxe para o nosso dia-a-dia aquilo que acredito ser o mais próximo de HAL 9000, o "computador" protagonista do filme "2001: Uma Odisséia no Espaço" - um filme de 1968. 1968! Está claro que temos um grande marco sendo estabelecido nesse momento. E o espanto de todos frente ao que a OpenAI é de uma beleza indefinível - e olha que muito ainda está por vir. No entanto, essa realidade faz (quase) todo mundo partir para o debate comum: "mas quantos empregos a IA irá extinguir?". E nesse ponto, lembro de algumas palestras que tive a feliz oportunidade de assistir na edição 2017 do evento SXSW. Duas coisas marcantes que registrei: 1. Humanos já estão sendo substituídos há algum tempo em muitas atividades, e com méritos. O ritmo e intensidade disso serão mais acelerados de agora em diante. Recomendo os autores e o livro What To Do When Machines Do Everything. 2. Inúmeras novas oportunidades estão surgindo ou surgirão - nós, humanos, estamos sendo POTENCIALIZADOS. Nesse aspecto, recomendo a palestra Intelligence Augmentation - The Next-Gen AI, da Melanie Cook. ### Concluindo... Um grande amigo meu resumiu recentemente para mim sua percepção sobre o ChatGPT da seguinte forma: Cara, isso é o mais próximo daquilo que eu imaginava que seria um computador quando eu tinha dez anos de idade! Eu concordo. E tudo isso dá o que pensar: Estamos preparados para sermos substituídos por máquinas? Como sociedade, estamos preparados para aproveitar a hibridização de humanos e robôs? Nossos atuais modelos e métodos de educação e de ensino suportam esses avanços? ### Bônus: como experimentar a OpenAI? Estude, brinque, mostre aos amigos, aos colegas, aos familiares... enfim, aproxime-se dessa revolução. Eu GARANTO que você irá surpreender-se de uma forma encantadoramente positiva! Crie uma conta na OpenAI. Acesse o ChatGPT com o login criado, e pergunte qualquer coisa, sobre qualquer tema. A ferramenta compreende português, não precisa ser em inglês. Converse naturalmente, peça exemplos, detalhes, fatos. Admire. Acesse a DALL-E com o login criado. Peça para criar uma imagem. Um exemplo: "Uma arte 8 bits de um monstro peludo branco com chifres em um sala de cor púrpura". Admire. Adriano Pereira Apaixonado por Tecnologia, Marketing, Dados, Resultados e Pessoas Parceiro da AdvisorTips Publicação original no LinkedIn ## Surfando a Onda da Inteligência Artificial: Vai Deixar Passar? URL: https://www.advisor.tips/pt/post/surfando-a-onda-da-inteligencia-artificial-vai-deixar-passar Data: 2024-08-13 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro Foto: Jerome Broullet/AFP/ND Você já parou para pensar em quantas oportunidades já deixou escapar por achar que era modismo ou coisa passageira? Ou então, quantas vezes, como Gabriel Medina, você estava preparado, mas infelizmente a onda simplesmente não veio? No surfe, a falta de ondas é uma questão de sorte; no mundo dos negócios, muitas vezes é uma questão de timing e estratégia. Agora, uma nova onda gigantesca se forma no horizonte: a inteligência artificial (IA). A pergunta que fica é: você está pronto para surfar essa onda ou vai deixar ela passar? Não adianta entrar tarde no mar dos negócios, pois você pode ficar sozinho e sem chance de prosperar. Gabriel Medina, considerado um dos melhores surfistas do mundo, perdeu a chance de disputar a medalha de ouro porque o mar não colaborou. Ele tinha habilidade, experiência, tudo o que precisava, exceto a onda certa. Agora, pense em sua empresa. O mercado está em constante mudança, e a IA representa uma dessas ondas que, se não for aproveitada, pode mudar completamente o jogo – seja para o bem ou para o mal. Vamos ser francos: quantas vezes você já ouviu falar sobre IA nos últimos meses? Provavelmente, várias. Mas a questão não é apenas ouvir falar, é agir. Muitos empresários ainda estão à margem, observando, hesitando, e enquanto fazem isso, outros já estão surfando essa onda, dominando o mercado, inovando e, mais importante, garantindo seu lugar no futuro. A realidade é que a IA não é uma moda passageira. Ela já está transformando indústrias inteiras, e aqueles que não se prepararem agora podem acabar como o surfista que perde a melhor onda do dia, ou pior, a única. Estar preparado tecnicamente e entender as aplicações da IA no seu negócio é essencial, mas só isso não basta. É preciso agir, e agir rápido. Porque quando você finalmente decidir que está pronto, pode ser tarde demais, e o mar pode não ter mais ondas para surfar. Mas se você acha que está preparado e surfando a onda certa, está mesmo? Ou melhor, você sabe o que significa estar preparado para surfar essa onda? Para alguns, IA ainda parece algo distante, complicado, acessível apenas a gigantes da tecnologia. No entanto, essa percepção é perigosa. A acessibilidade da IA está crescendo, e as empresas de todos os tamanhos já podem se beneficiar de suas aplicações. A verdadeira questão é: você está buscando entender como a IA pode ajudar seu negócio a crescer, a inovar, a se destacar? Tem buscado conhecimento apenas em notícias, ou tem testado na prática as várias aplicações da IA na sua empresa? Tem criado metas e laboratórios para avaliar as múltiplas opções que a IA trás? Ainda mais importante, você está disposto a correr o risco de cair um tombo e demorar a surfar essa onda? Porque, sim, assim como no surfe, pegar uma onda grande envolve risco. Talvez você não acerte na primeira tentativa. Talvez a implementação de IA na sua empresa seja desafiadora. Mas a alternativa – ficar parado, esperando que o mar mude sozinho, ou que apareça outra onda – pode ser muito mais arriscada. Em um futuro próximo, não adaptar-se pode significar ficar para trás, assistir seus concorrentes dominarem o mercado enquanto você luta para recuperar o tempo perdido. O que impede você de mergulhar de cabeça nessa onda agora? Medo? Falta de conhecimento? Ou talvez a falsa segurança de que o mercado ainda não está pronto? A verdade é que a onda já está se formando e quem hesitar pode acabar assistindo de fora enquanto outros surfam até a praia. Por fim, pergunte-se: onde quero estar quando a maré virar? Esperando pela próxima onda, ou liderando a próxima grande inovação no meu setor? A escolha é sua. Mas lembre-se, as ondas no mundo dos negócios, assim como no surfe, não esperam por ninguém. Prepare-se, aja e, acima de tudo, busque ajuda se precisar. Ninguém nasce sabendo surfar. Artigo também publicado no LinkedIn. ## Um olhar humano sobre a robótica URL: https://www.advisor.tips/pt/post/um-olhar-humano-sobre-a-robotica Data: 2022-11-04 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Inteligência Artificial & Futuro No maior evento de tecnologia do mundo, tiveram destaque as discussões em torno do papel dos robôs na fronteira das relações entre pessoas e seres cada vez menos inanimados. Foram quatro dias em Portugal, vendo e ouvindo as novidades no WebSummit, o maior evento de Tecnologia do mundo, com 60.000 participantes de mais de 170 países e que aborda tudo o que já faz parte do nosso presente e, principalmente, o que vai ditar o futuro. Em meio a tudo isso, um tema me chamou mais a atenção: Existe um limite para usarmos os robôs? Estamos vendo o início de uma nova era de escravidão das máquinas? Máquinas têm direitos? Elas podem evoluir a ponto de ter sentimentos? Se a gente se apressa em responder estas perguntas, sem analisar todo o contexto, pode cometer o erro de responder da forma mais simples e nem sempre correta. O tema é complexo, extrapola o uso das máquinas e passa mais pelo enfoque de como os humanos serão afetados com esta nova era robótica. Em sua apresentação, Brian Krzanich, presidente da Intel, afirmou que ainda é cedo para regular a Inteligência Artificial, pois ela ainda está na sua infância, mas também acredita que ela vai mudar o futuro e que os dados vão se tornar “uma das mais valiosas commodities do planeta”. Eu mesmo tenho um robô em casa e pretendo cada vez mais investir nisto. Meu robô limpa todo o piso da casa e sabe tomar decisões autônomas, como ir carregar sua bateria sozinho para depois terminar o trabalho. Mas a geração de robôs que está causando maior sensação são os robôs humanoides que, como o próprio nome diz, se assemelham aos humanos. Há 2 anos eu conheci a Sophia, robô criado por Ben Goertzel, brasileiro radicado nos EUA, e fiquei muito impressionado com a capacidade de expressão e interlocução que ela tem. Pude vê-la novamente no WebSummit 2017, e está ainda mais capaz de estabelecer conversas, olhar para quem está falando com ela e reagir com todas as expressões faciais, discutindo sobre os temas mais variados. Chega a ser assustador. Quando ela foi questionada se é verdade que os robôs pretendem aniquilar a humanidade, ela foi sincera e disse que eles querem fazer coisas boas junto com os humanos, mas que os robôs vão roubar alguns empregos. Se os robôs já nos interpretam, reagem, conversam, andam, o que mais falta para eles estarem na sociedade como se fossem um de nós? Aparentemente, muito pouco. Sophia acaba de ser reconhecida como cidadã na Arábia Saudita. Mas se para os entusiastas da tecnologia isto é um marco para a relação de robôs e humanos, existe já um movimento muito contrário a tudo isto, inclusive criticando o fato de uma humanoide ter maiores direitos que as próprias mulheres da Arábia Saudita. Há ainda quem diga que este reconhecimento ajuda a rebaixar ainda mais os direitos das mulheres e que cada dia mais elas seriam vistas como serviçais, como escravas, assim como as máquinas. Assisti ao intenso (e lotado) debate entre Goertzel e Kathleen Richardson, uma professora de Ética e Cultura de Robôs e Inteligência Artificial. A discussão caminhou para uma linha sobre os robôs sexuais que estão sendo criados já por 5 empresas no mundo e pretendem substituir os humanos nas relações sexuais. Goertzel não vê mal nisso, pois cada um teria o direito de estabelecer suas fantasias e realizá-las sem que precisem envolver outro humano. “Se o robô não tiver um sentido de consciência, como aquele que as pessoas têm, e ainda que seja magoado por uma pessoa, não vejo a necessidade do Governo impedir o homem ou mulher de fazer sexo com ele”, defende o cientista. No contraponto, Kathleen acredita que os robôs sexuais serão o tiro de misericórdia em uma sociedade já doente e que cada vez mais tem problemas de convívio social. “Chegamos a um ponto na nossa sociedade em que não conseguimos dizer o que é ou não misógino. Porque há muitos homens por aí fora que continuam a pensar: afinal, para que servem as mulheres? E se nós mulheres queremos realmente a igualdade de direitos, temos de recusar uma indústria onde a nossa humanidade não é reconhecida”, argumentou a professora. Em sua visão, a crise social do distanciamento entre os indivíduos com a chegada da tecnologia das redes sociais irá ficar ainda mais severa se até as questões íntimas e sexuais forem consumidas na nuvem e dividida apenas com robôs. Mas a discussão é ainda mais ampla. Não se trata apenas de direitos dos robôs ou se eles vão mudar nossa forma de agir entre nós mesmos. Temos questões ainda mais severas a discutir, como por exemplo a nossa própria segurança. No WebSummit foi lançada a SingularityNET, que é uma rede global de inteligência artificial que será utilizada para espalhar o conhecimento adquirido por todos os dispositivos e ser replicado em qualquer robô ou aplicativo que precise. Mais uma vez os entusiastas tecnológicos vibraram com a notícia, pois isto irá permitir uma evolução gigantesca neste processo de ganho de funções e conhecimento de todos os robôs no mundo. Mas isto abre espaço para outra grande preocupação. Se os robôs vão invadir nossas casas, serão colocados para fazer as atividades domésticas, serão nossos assistentes pessoais e até possíveis amantes, me parece razoável que eles também serão destacados para fazer companhias a idosos, cuidar de nossos animais domésticos e até de nossas crianças. Mas os robôs são máquinas programadas e que podem sofrer interferências e ser atacadas por códigos maliciosos, fazendo com que eles sejam usados para crimes como assaltos em residências, pedofilia e até mesmo assassinatos. Pode parecer trágico demais e até improvável que isto aconteça, mas não podemos nos esquecer de casos recentes de bonecas conectadas a internet que foram hackeadas para transmitir conversas que tinham das crianças, expondo sua intimidade na rede. Depois de tudo isto, vou olhar de forma desconfiada para o robô lá de casa, que ao mesmo tempo que limpa todo o piso, mapeia todos os cômodos da minha casa e sabe seu tamanho, exatamente onde tem portas e até os obstáculos no caminho. Ele já sabe demais sobre mim e sobre minha família. Se eu começar a ficar paranoico com isso, vou acabar concordando que os robôs vão mudar a forma como fazemos as coisas, mas vão acima de tudo mudar a forma como a gente vai se relacionar com eles daqui pra frente. Existe um caminho enorme a ser percorrido na tecnologia, mas está na hora de olharmos com mais carinho sobre a legislação e acordos que vão reger esta nossa relação, para nos proteger de nós mesmos no uso indiscriminado na robótica, preservando nossas relações humanas. # Governança, Riscos & Dados ## Governança corporativa sob tensão URL: https://www.advisor.tips/pt/post/governanca-corporativa-sob-tensao Data: 2026-07-27 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Governança, Riscos & Dados Você acha que os pilares de Governança servem apenas para discussões acadêmicas e não interferem de forma prática nas gestões das empresas? Se você respondeu sim a essa pergunta, então a última notícia sobre a renúncia de um conselheiro independente de uma das maiores empresas brasileiras, pode te dar uma razão para mudar de ideia. Quando estruturas formais de decisão começam a ser contornadas, o problema não é apenas administrativo. É um indicador de que a governança corporativa está perdendo sua função essencial: criar legitimidade nas escolhas estratégicas de uma empresa. A renúncia de um conselheiro independente de empresa de grande porte, após sinalizar preocupações com "fóruns paralelos de deliberação" e "eventos secretos", expõe essa falha com clareza. O incidente não se resume a questões pessoais ou conflitos pontuais. Ele reflete um padrão organizacional: a migração de temas relevantes para espaços não estruturados, onde a documentação é escassa, a participação é seletiva e a prestação de contas se torna nebulosa. Tudo contrários aos pilares da governança. Quando isso ocorre, a confiança no próprio processo de gestão é corroída. ### Por que fóruns paralelos são um sintoma de erosão de governança Conselhos de administração existem para cumprir uma função: deliberar sobre questões material relevantes com transparência, documentação e participação estruturada. Quando decisões importantes começam a ser articuladas em conversas paralelas, reuniões informais ou comunicações privadas, três coisas acontecem simultaneamente. Primeiro, há perda de rastreabilidade. Sem ata, sem registro formal, é impossível identificar quem decidiu o quê e com base em quais informações. Isso dificulta tanto a accountability interna quanto a explicação a acionistas e órgãos reguladores. Segundo, há concentração de poder. Nem todos têm acesso aos mesmos fóruns informais, o que permite que grupos específicos ganhem influência desproporcional. Terceiro, há fragmentação de realidades: diferentes conselheiros operam com informações diferentes, em contextos diferentes, gerando decisões descoordenadas. Para empresas abertas, onde a legitimidade é contrato implícito com o mercado, isso é especialmente grave. Investidores, analistas e reguladores precisam confiar que as deliberações seguem processos conhecidos e previsíveis. ### O risco das investigações seletivas Um segundo sinal de alerta mencionado é a aplicação assimétrica de regras. Quando investigações internas, sanções ou processos são acionados com critério desigual, independentemente da natureza dos fatos, desmorona-se a confiança no próprio sistema de conformidade. Se um conselheiro sofre destituição por uma conduta enquanto outra conduta similar de outro membro passa despercebida ou recebe tratamento mais brando, a mensagem é clara: as regras não são impessoais. São ferramentas. Isso compromete tanto a retidão da governança quanto o engajamento de conselheiros independentes, que frequentemente são escolhidos justamente para representar interesses mais amplos que os da gestão. A aplicação seletiva de regras compromete a confiança na própria governança que essas regras pretendem proteger. Essa é a dinâmica que leva bons profissionais a questionar sua permanência em conselhos. ### O que muda quando um conselheiro independente renuncia por princípio Renúncias por questões de governança são raras e custosas. Conselheiros normalmente toleram desconfortos significativos para não abrir mão da posição, do prestígio ou da remuneração. Quando um deles se retira justamente porque a estrutura de decisão se deteriorou, está sinalizando que a situação ultrapassou um limite. Isso gera ondas. Outras empresas do setor notam. Acionistas questionam. Analistas reduzem confiança nas estimativas de risco corporativo. Até reguladores podem ser impelidos a investigar. Para uma empresa aberta, especialmente com histórico recente desafiador, isso equivale a um custo material: compressão de múltiplos, dificuldade em captar recursos, afastamento de investidores institucionais com critérios ESG rigorosos. ### Como restaurar legitimidade em estruturas deterioradas Não é suficiente reformular processos no papel. A restauração de governança exige ações concretas e visíveis. Isso inclui: formalizar todos os fóruns relevantes de decisão, registrá-los e divulgá-los aos acionistas; revisar investigações em curso com critérios públicos e consistentes; renovar composição de conselhos com profissionais sem vínculos prévios com a gestão; e submeter relatórios de conformidade a auditores independentes. O objetivo não é apenas cumprir regulamentação. É reconstruir a percepção de que as decisões seguem processos racionais, documentados e aplicados de forma igualitária. Sem isso, mesmo estruturas formalmente corretas carecem de legitimidade. ### Escala: um problema em qualquer tamanho de empresa Essa dinâmica não é exclusiva de grandes empresas abertas. Conselhos de empresas fechadas, startups com múltiplos sócios e até estruturas de governança em fundações enfrentam riscos similares: discussões paralelas, critérios aplicados de forma desigual, falta de rastreabilidade. A diferença é que em empresas abertas o custo fica público e o mercado cobra imediatamente. Para decisores em qualquer escala, a lição é clara: governança não é um conjunto de caixas a marcar. É um sistema de práticas que só funciona se for efetivamente usado. Fóruns formais só têm valor se as deliberações realmente acontecem ali. Regras só sustentam confiança se forem aplicadas com imparcialidade. Quando essas condições falham, mesmo estruturas elaboradas se esvaziam de significado. ## Passkeys: o fim da senha URL: https://www.advisor.tips/pt/post/passkeys-o-fim-da-senha Data: 2026-05-08 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Governança, Riscos & Dados Por anos, fomos reféns de senhas. Sequências complexas de letras, números e caracteres especiais que tínhamos que memorizar, anotar em post-its (não negue!), ou confiar a gerenciadores de senhas. A cada vazamento de dados, a cada ataque de phishing, a cada "esqueceu sua senha?", a frustração só aumentava. A senha, essa relíquia da era digital, tornou-se o elo mais fraco da nossa segurança online. Mas, e se eu te disser que o fim dessa era já chegou? E que, com ela, surge um novo desafio, digno de um filme de ficção científica? Estamos falando das Passkeys, ou chaves de acesso. Elas não são apenas uma alternativa às senhas; são uma revolução na forma como nos autenticamos online. Imagine nunca mais precisar digitar uma senha. Parece utopia? É a realidade que os padrões FIDO2 e WebAuthn estão construindo. As Passkeys funcionam com criptografia de chave pública: seu dispositivo (celular, computador) gera um par de chaves. Uma é privada, e ela nunca sai do seu dispositivo. A outra é pública, e essa sim é enviada ao servidor do site ou aplicativo que você quer acessar. Quando você tenta fazer login, seu dispositivo usa a chave privada para provar que é você, sem nunca revelar o segredo. ### A vantagem inexpugnável: se não há senha, não há o que vazar Os benefícios das Passkeys são claros e impactantes: Imunidade a phishing: Ataques de phishing dependem de você digitar sua senha em um site falso. Com Passkeys, seu dispositivo só se autentica se o site provar ser o verdadeiro, tornando o phishing ineficaz. Adeus aos vazamentos de dados: O maior pesadelo das empresas e dos usuários. Com Passkeys, o servidor não armazena sua senha. Mesmo que o banco de dados de uma empresa seja comprometido, não há senhas para os criminosos roubarem. Simples assim. Simplicidade e conveniência: A autenticação é feita com biometria (FaceID, TouchID) ou o PIN do seu dispositivo. É mais rápido, mais fácil e infinitamente mais seguro do que digitar senhas complexas. ### O "enquanto isso": o que você precisa parar de fazer hoje As Passkeys estão chegando, mas enquanto elas não estão em todos os lugares, você ainda está vulnerável. E aqui vai a real: a maioria de nós está facilitando o trabalho dos hackers. Pare de usar a mesma senha para tudo. Se um site de compras irrelevante vazar sua senha, seu e-mail principal e sua conta bancária estarão em risco em minutos. Pergunte-se agora: Se o seu e-mail principal for invadido neste exato momento, quanto da sua vida digital e financeira estaria nas mãos de um estranho em menos de 5 minutos? A resposta provavelmente é assustadora. Enquanto a transição total não acontece, aqui está o seu kit de sobrevivência: Use um gerenciador de senhas: Pare de confiar na sua memória. Use ferramentas como Bitwarden, 1Password ou o próprio chaveiro do seu sistema operacional para gerar e guardar senhas únicas e complexas. Ative o 2FA (autenticação de dois fatores) em TUDO: Mas esqueça o SMS. O SMS é vulnerável a ataques de "SIM Swap". Use aplicativos autenticadores (Google Authenticator, Microsoft Authenticator) ou, melhor ainda, chaves físicas de segurança. Proteja seu e-mail como se fosse seu cofre: Seu e-mail é a chave para "resetar" todas as suas outras senhas. Se ele cair, tudo cai. Ele deve ter a senha mais forte e o 2FA mais rigoroso de todos. ### A provocação quântica: as passkeys serão eternamente seguras? Nossa segurança digital atual, incluindo a das Passkeys, baseia-se em algoritmos criptográficos que são extremamente difíceis de quebrar com os computadores clássicos de hoje. Mas e se surgisse um tipo de computador capaz de realizar cálculos em uma escala inimaginável? Estamos falando da Computação Quântica. Os algoritmos de criptografia de chave pública que sustentam as Passkeys (como ECDSA e RSA) são, em teoria, vulneráveis a ataques de computadores quânticos suficientemente poderosos, utilizando algoritmos como o de Shor. Isso significa que, no futuro, um atacante com um computador quântico poderia, em tese, derivar sua chave privada a partir da chave pública, comprometendo sua segurança. Será que estamos construindo um castelo de segurança que um dia será derrubado por uma nova tecnologia? A boa notícia é que a comunidade de segurança já está se movendo. Em abril de 2025, a IANA (Internet Assigned Numbers Authority) atualizou as especificações COSE (CBOR Object Signing and Encryption) para incluir algoritmos de Criptografia Pós-Quântica (PQC), como o ML-DSA (baseado no algoritmo Dilithium). Isso significa que as Passkeys estão evoluindo para serem "Quantum-Safe", ou seja, resistentes a ataques quânticos. Essa é a beleza e a loucura da tecnologia: a cada problema resolvido, um novo e mais complexo desafio se apresenta. A segurança digital é um jogo de gato e rato constante, e as Passkeys são a nossa mais nova e poderosa arma. Mas a corrida contra o tempo e contra o avanço da computação quântica já começou. E me pergunto: será que conseguiremos manter o controle sobre essa nova fronteira da segurança, ou a própria evolução nos forçará a aceitar que a única constante é a mudança? O que não podemos fazer, é parar de aprender e a se adaptar às novas realidades. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Sincracia: a imortalidade empresarial URL: https://www.advisor.tips/pt/post/sincracia-a-imortalidade-empresarial Data: 2026-04-15 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Governança, Riscos & Dados Você está lá, feliz, digitalizando seus processos. Emocionado com o que a IA trouxe. Estudando agentes de IA como a solução de seus problemas. Colocou um software novo aqui, automatizando uma tarefa ali. E pensa: "Estou inovando!" E está. Não se preocupe. Você está fazendo a coisa certa. Mas, (sempre tem um "mas") tenho uma notícia, e ela tem capacidade de mudar todo nosso entendimento atual: o que estamos fazendo de inovação hoje, é similar a estar na ponta de um iceberg, com um picador de gelo, achando que uma pedrinha já é suficiente para satisfazer nosso desejo de um copo de whisky com gelo. E nesse caso, nem nos damos conta do tamanho da montanha de gelo que estamos montados. Vem coisa muito transformadora por aí. É uma revolução sísmica que vai engolir muita coisa em muito pouco tempo. E isso passa diretamente em como iremos administrar e gerir negócios daqui para frente. Vamos entender isso melhor. Por anos, a gente falou de Governança e Compliance como os pilares de uma empresa sólida. E são. Isso não mudou. Mas, na sociedade que está se desenhando, com um mundo sintético, digital, onde a Inteligência Artificial decide em milissegundos e o blockchain com processamento quântico rastreia cada átomo de informação, esses pilares, sozinhos, viraram higiene básica. São o mínimo para não ser excluído do jogo, não o que te faz vencer. Empresas que ainda se prendem a um modelo de gestão antigo, físico, com processos que dependem de carimbos e aprovações manuais, estão presas ao passado. Estão tentando digitalizar o analógico, quando o mundo já opera no sintético. O controle, como a gente conhecia, é lento demais, falho demais, humano demais para a velocidade que a administração digital vai impor em pouco tempo. É como tentar segurar o mar com uma peneira. É aqui que entra o termo que explica esse acontecimento. A Sincracia. É o fim da gestão que vive de "tentativa e erro". Entraremos na era da Gestão por Coerência Absoluta. Sincracia é Syn (tudo junto) + Kratia (controle e poder de execução). É a nova forma de pensar que sua empresa precisa para não virar um fóssil digital. É o novo jogo, e ele já está desenhado. E pelo que pude perceber, vai acontecer em fases, uma destravando a outra: ### Fase 1: Conformidade No futuro próximo, a conformidade não é um checklist que você preenche no fim do mês. É uma lei do seu negócio. Com a total integração entre os sistemas da sua empresa e as infraestruturas públicas (fiscais, regulatórias, ambientais), uma transação que não é conforme simplesmente não acontece. É barrada. O erro ou a fraude se tornam tecnicamente impossíveis. A conformidade é o chão firme onde tudo se apoia. Se o sistema não valida, o negócio não anda. Simples assim. É o solo inegociável onde sua empresa precisa estar plantada. Seria o fim do jeitinho brasileiro de fazer as coisas. Eu, particularmente preciso amadurecer essa certeza sobre essa fase, na profundidade que ela tende a chegar. Acho que todo sistema tende a criar vetores de falha. Fraude e erro não somem; eles normalmente mudam de camada. Então não desacredito e nem desqualifico essa fase, e prefiro estar preparado para ela, filtrando o que pode ser exagero. ### Fase 2: Governança Com a conformidade garantida pelo sistema, a governança evolui para uma Memória Digital. Cada decisão, desde um ajuste no preço de um produto até uma fusão bilionária, deixa uma assinatura digital de responsabilidade. A "caixa-preta" das decisões some. A tomada de decisão não depende mais de longas cadeias hierárquicas. Os dados, alinhados aos valores da empresa e à conformidade, comandam grande parte do processo decisório. Quem decidiu, por que decidiu e com quais dados, vira um registro permanente e inquestionável. Não tem para onde correr. É a inteligência que guia o organismo. O achismo morre e a improvisação será deixada apenas para as artes. Nos negócios, somente dados e mais dados, cruzados com uma velocidade assustadora. Data first não é mais discurso. ### Fase 3: Cultura Ampla Quando a conformidade é uma lei imutável e a governança é uma memória digital, a cultura da sua empresa deixa de ser um "conjunto de valores na parede" (alguns hoje nem isso tem) e vira um filtro automático de comportamento. Pessoas (e agentes de IAs) que agem fora das regras de compliance e governança são barradas pelo sistema antes de causarem qualquer estrago. A cultura se fortalece sozinha. A conformidade 100% e a governança aplicadas na plenitude, podem significar também falta de diversidade e pensamento crítico, mas a promessa é de que até isso será levado em conta nas decisões. O sistema incentiva o que é certo e bloqueia o que está errado na origem. A ética vira a gramática da operação. É a blindagem que o empresariado sempre quis, mantida por um filtro tratado e ajustado. No entanto, o que me preocupa é que sistemas demasiadamente coerentes podem ficar cegos ao contraditório, à exceção, à criatividade e até mesmo à correção moral. Uniformidade pode ser uma vantagem nos negócios, mas uma desvantagem como sociedade. ### Fase 4: Reputação Com a manutenção de uma cultura coerente, a reputação da sua empresa se torna inabalável, tanto pela sociedade, como pelos agentes de IA. Ela não é mais marketing; é o espelho exato do que você entrega. Essa Reputação Sistêmica faz com que o mercado passe a "dar match" com a sua marca por evidência, não por promessa. Negócios e parcerias são direcionados para empresas que demonstram essa integridade inquestionável. É o "fazer o que fala" levado ao extremo, gerando um eco poderoso que atrai oportunidades. Não se trata mais apenas de preço e sim de valor. O grande diferencial dessa fase é que empresas, marcas e produtos sem a reputação sistêmica, tendem a não ser mais recomendados e podem desaparecer. E um dos grandes fatores que podem afetar a reputação é a capacidade de inovação, a qual não tem como existir, sem que as fases anteriores tenham sido bem implementadas. Isso pode também matar novos produtos e lançamentos? O que se prevê é que os algoritmos de reputação também levem isso em conta, e tenham percentuais destinados a teste de novos produtos, mas ainda sim a maior parte dos negócios vai exigir a reputação sistêmica. ### Fase 5: Perenidade Em um mundo cada vez mais digital e sintético, a perenidade (a capacidade de durar para sempre) pertence a quem possui a maior Reputação Sistêmica. Uma empresa perene é aquela que se tornou um nó essencial e confiável na rede global. Ela não morre porque sua Sincracia foi perfeita e isso a torna indispensável, adaptável e, acima de tudo, autêntica em cada bit de sua existência. Essa cadeia de eventos – da conformidade sistêmica à reputação inquestionável – garante um crescimento exponencial de negócios e a perenidade da sua empresa. É o ápice desse modelo de Sincracia. ### Sua Empresa Será Sincrática? Não dá para parar. Temos sim que inovar, refazer processos, mas é hora de expandir a forma de pensar. O modelo antigo, que nos trouxe até aqui, está obsoleto. A Sincracia vai exigir algo mais fluido, pois ela é código, é resposta instantânea. Ela é a soma dos controles, onde o controle não é um "travamento", mas a força que permite a aceleração máxima com total segurança. A tecnologia não "contamina" o negócio e nem trava ele; ela vira o sistema imunológico e nervoso de última geração. Ela elimina a distância entre o que a empresa diz, o que ela faz e o que ela é. Esta é a grande virada: A Sincracia é a transição da administração que depende de pessoas, processos e produtos falhos para uma Gestão de Integridade Nativa, onde a perenidade é a consequência matemática de um sistema que simplesmente não consegue mais ser incoerente. Utópico? Confesso que o que mais se discute nos fóruns que participo é que já não se sabe mais como definir a própria utopia. A Sincracia é uma hipótese séria sobre o próximo estágio da gestão. O diferencial futuro não estará apenas em adotar IA, mas em reorganizar a empresa inteira para operar com integridade computável. De tudo isso que foi mostrado, essa é a postura que precisa ser adotada desde já. Já o meu ponto de atenção é que sistemas que prometem coerência total podem gerar rigidez, concentração de poder e falsa sensação de infalibilidade. Entretanto, tudo isso vai depender da velocidade e das fases, e de como eles irão acontecer. Pode até ser que aconteça algo diferente disso tudo, mas o Iceberg já está na água. Se esse processo Sincrático chegar, e sua forma de gerir não mudar, será o sinal claro de que você deixou de liderar. E quem parar de liderar na era digital, ficará como motorista de carro bate-bate (aqueles de parques de diversão) presos na malha eletrônica e rodando em círculos. Grandes marcas que se imaginavam perenes no passado, pereceram, talvez, porque deixaram de acreditar em previsões. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Compliance: sua empresa na regra do jogo URL: https://www.advisor.tips/pt/post/compliance-o-que-e-e-como-aplicar Data: 2026-04-13 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Governança, Riscos & Dados Já falei aqui sobre Governança. Aquele assunto de como você deve organizar a casa, de quem decide o quê, e com que ritmo. É basicamente o Controle da sua operação, da sua estratégia, de quem manda e como manda. Agora, tem um outro termo que aparece muito, e que muita gente confunde, mas que é muito importante: o Compliance. E aqui, meus amigos, não tem meio termo. Muita gente que conheço, acha que ter um Conselho de Administração com vários figurões, por si só, já é ter Compliance. Ou que ter um monte de regra interna divulgadas em um manual de conduta, é Governança. Vejo muita confusão nesses temas. E justamente por conta dessa confusão que muitos abandonam de fazer o certo, por achar complicado entender todos esses conceitos. Vamos ver se consigo ajudar um pouco no entendimento do que é cada coisa, e de uma forma mais simples de ver cada uma delas: Governança é o seu olhar para dentro. É o controle da sua máquina. Compliance é o olhar vindo de fora. É o controle de como sua máquina se encaixa no mundo lá fora. São diferentes, mas andam de mãos dadas. Se um falha, o outro é puxado junto. ### Compliance na Prática 'Compliance' vem do inglês 'to comply'. Significa cumprir, estar em dia, seguir a regra. Simples assim. É a sua empresa jogando o jogo limpo, seguindo as leis, os regulamentos, as normas. Não é favor, é obrigação. E quem não cumpre, nem deveria sair de casa para brincar de empreendedor. Não é luxo, é por exemplo a licença para você operar. É ter certeza de que suas licenças estão valendo, que seus certificados não expiraram, que não tem nenhuma certidão negativa te esperando para dar dor de cabeça. É entregar suas declarações no prazo, e que elas mostrem a verdade, sem maquiagem. É ter seus números financeiros claros, sem truque. É mandar os relatórios para os órgãos certos, na hora certa, com a informação que eles precisam. Sem erro. Sem atraso. Porque atraso aqui, também é uma forma de não estar Compliance. Ignorar o Compliance é assinar sua incompetência de gestão. E não adianta construir um império com a melhor Governança do mundo, mas ver tudo desabar porque procrastina exigências legais, ou não monitora o que acontece. É a diferença entre entender o que é sustentabilidade de seu negócio na prática, ou ser masoquista e gostar de ter a fiscalização na cola e a ameaça de multa ou, pior, de algum dia ter que fechar as portas. ### Os Três Pilares Se a Governança te diz os fóruns e ritos do controle, o Compliance te mostra como fazer esse Controle na prática e seus impactos no mundo externo. Ele se apoia em três pilares que são serão a sua blindagem: 1. Prevenir: É o básico. Criar regras claras, um código de conduta, direto, claro, que todo mundo entenda e siga. Treinar sua gente para saber o que pode e o que não pode. Mapear os riscos, saber onde o bicho pode pegar antes que ele morda. É evitar o problema antes que ele apareça. 2. Detectar: Mesmo com toda a prevenção, a gente sabe que falhas acontecem. Por isso, você precisa de um sistema e processos que monitorem tudo, auditorias que revirem cada canto, e um canal de denúncias seguro, onde as pessoas possam falar sem medo. É achar o erro rápido, antes que ele vire um tsunami. 3. Responder: Achou o problema? Resolva. Rápido e sem dó. Consequências para quem errou por negligência, ajustes nos processos para não acontecer de novo. É mostrar que sua empresa leva o Controle a sério, que não passa a mão na cabeça de ninguém. Transparência, justiça e rigor servem como elementos centrais para evitar que as coisas virem bagunça. ### Tipos de Compliance O Compliance não é uma coisa só. Seria ótimo se fosse. Mas, ele tem várias frentes, cada uma com sua importância. As mais comuns e que você não pode ignorar são: • Trabalhista: Para você não ter dor de cabeça com seus funcionários. Tudo em dia com a lei, sem passivo trabalhista. Separe bem o que é prestador de serviço de quem é funcionário da empresa. • Fiscal: Para não ter o Leão na sua porta. Impostos, declarações, tudo certinho com o fisco. Tenha fóruns e ritos também com o seu contador e certifique que isso está sendo bem-feito. • Ambiental: Para não sujar seu nome e nem o planeta. Cumprir as leis de meio ambiente é fundamental. Crie essa consciência em todos os colaboradores. • Anticorrupção: Para não entrar literalmente "em roubada". Combater fraude e suborno, manter a ética nos negócios. Sua reputação agradece. • De Dados/Privacidade: Para proteger as informações dos seus clientes e da sua equipe. A LGPD está aí para isso. Dados são ouro, e precisam ser guardados a sete chaves. Não acredite quando alguém diz que a LGPD é mais uma lei que "não pegou" no Brasil. Não pague pra ver. ### Tropa de Elite Nesse jogo, a escolha de quem joga com você é tudo. Contadores e advogados não são só para emitir guia ou apagar incêndio. Eles são seus guardiões. Seus olhos e ouvidos no meio da selva de leis e regulamentos. São eles que veem o risco antes, que entendem a letra miúda da lei, que garantem que cada passo da sua empresa esteja no trilho. Estar com os melhores é ter uma blindagem. É ver seus concorrentes se afogando em burocracia e multa, enquanto você navega tranquilo. É poder focar no que realmente importa: inovar, crescer, e ganhar dinheiro. Porque sua retaguarda está protegida. A sustentabilidade de um negócio não é só lucro. É ter a certeza de que você vai estar de pé amanhã, e essa certeza vem do Compliance e de quem você escolhe para lutar ao seu lado. Não faça a economia burra, de contratar os piores pelo menor preço. ### O Compliance que Funciona Não basta saber o que é Compliance. Tem que fazer, certo? E fazer direito. Aqui vão algumas boas práticas que separam os grandes dos pequenos no mundo dos negócios: • Invista em Treinamento: Sua equipe é sua primeira linha de defesa. Todo mundo precisa saber o que pode e o que não pode. Treinamento não é custo, é blindagem. É minimizar risco e prevenir dor de cabeça. A frase "mas eu não sabia" não pode existir na sua operação. • Responsável de Plantão: Tudo que acontece na sua empresa precisa ter um responsável ou responsáveis. A responsabilização anda junto com a responsabilidade. Não podem ser duas coisas separadas. O ônus e bônus de tudo que acontece precisa estar bem definido. De quem é o mérito ou o demérito por aquilo? • Monitore Tudo: Transações, operações, cada passo. Auditorias, sistemas de rastreamento. O ambiente onde todo mundo sabe que está sendo monitorado, fecha a porta para a criatividade criminosa. Simples assim. • Pense como o Inimigo: Na hora de criar seus controles, seja criativo. Pense como um golpista, ou como o seu colaborador mais distraído do mundo. Exercite todas as possibilidades de erro e fraude. E crie contramedidas para evitar que o prejuízo aconteça. Antecipação é tudo. • Tenha Respostas Prontas: Não espere a crise bater na porta para saber o que fazer. Tenha um plano. Saiba se portar, e como se comunicar. A comunicação institucional e corporativa, nesses momentos, é o que pode salvar ou afundar seu negócio. É a diferença entre a continuidade e o fim da linha. Quem cuida hoje de sua reputação? Quem Relações Públicas você contratou? No fim das contas, Compliance não é um gasto. É um investimento na sua paz de espírito e na longevidade do seu negócio. "Se você acha que compliance é caro, tente não tê-lo." Paul McNulty, ex-Procurador Geral da Justiça dos EUA O jogo é esse. Mas, não dá para reclamar, pois as regras são claras. E quem joga certo, não sai de campo. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## O que não te contaram sobre governança URL: https://www.advisor.tips/pt/post/o-que-nao-te-contaram-sobre-governanca Data: 2026-03-30T09:00:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Governança, Riscos & Dados Eu vejo muita gente por aí falando de Governança Corporativa como se fosse um bicho de sete cabeças. Um manual chato, cheio de regras, um custo a mais para a empresa. Uma burocracia que engessa, que tira a agilidade. Bobagem. Pura e simples bobagem. OK, o nome não ajuda muito, pois quando se fala em algo Corporativo se imagina algo burocrático e cheio de regras. Por isso, costumo adotar a linha da Governança Empresarial, adaptada a qualquer porte de empresa. Mas, o que não te contaram é que Governança não é sobre papelada. É sobre controle mínimo necessário. É sobre ter elementos para a decisão. E, na sua essência mais crua, o resumo de duas coisas: Fóruns e Ritos. Pense comigo: onde as decisões importantes são tomadas? Em reuniões. Em conselhos. Em comitês. Certo? Então... esses são os Fóruns. E como essas decisões são tomadas? Com que frequência? Com que pauta? Quem participa? Como se presta contas? Esses são os Ritos. O resto é ruído. Sem esses dois elementos da Governança bem definidos, a chance de estar se criando um monstro burocrático, é grande. O que eu vejo muitas vezes é a tentativa de complicar o simples para justificar a existência de consultores e manuais que ninguém lê. Mas eu, particularmente penso que: se você domina os Fóruns e os Ritos, você domina a Governança. E se você domina a Governança, você domina o controle necessário. Mas é aqui que muitos se perdem e a Governança se revela, não como um manual, mas como um organismo vivo. E, como todo organismo, pode adoecer. Quando a governança não funciona, quando ela mais engessa do que impulsiona, o problema não está na sua existência, mas na sua execução. Está nos Fóruns que se tornam palcos de vaidades, onde se reúnem os que não tem poder para decidir ou se excluem os que detêm o poder real de ação, transformando discussões em ruído corporativo. Está também nos Ritos que se perdem em empresas, que são verdadeiras fábricas de reuniões, em cadências desproporcionais à urgência do mercado, ou que se sobrepõem comandos, diluindo a autoridade e a capacidade de resposta. É nesse ponto que a governança de fachada, aquela que apenas "cumpre tabela", se torna um peso morto, um obstáculo intransponível à gestão. A diferença entre uma empresa que voa e outra que patina está na visceralidade com que se desenham e se respeitam esses Fóruns e Ritos, garantindo que a arquitetura de controle seja um motor, e não uma âncora. O IBGC, o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, que é uma das maiores autoridades no assunto, atualizou seus pilares. E eles são a prova viva do que estou falando. Não são conceitos etéreos; são a materialização do que acontece (ou deveria acontecer) nos seus Fóruns e Ritos. Vamos destrinchar um pouco esses pilares: ### 1. Integridade É um novo pilar. E o que significa? Não é só não roubar, meu caro. É a cultura da verdade. É a coerência entre o que se fala e o que se faz (Walk the talk). Onde isso se manifesta? Nos Ritos de Conduta. Nas reuniões onde a decisão é impopular, mas é a certa. Nos Fóruns de Compliance que não são apenas para inglês ver, mas para julgar e corrigir desvios. É a lealdade à organização e a todas as partes interessadas, não só ao bolso do acionista. Sem Fóruns e Ritos que exigem essa verdade, a integridade vira um mero slogan na parede. ### 2. Transparência Não é só publicar balanço, por favor. É a informação que flui. Verdadeira, tempestiva, clara, e a todos que possa interessar. Não só o que a lei exige, mas o que o negócio precisa para prosperar. Isto é Rito de Divulgação. Nas atas de reunião que são claras e acessíveis. Nos Fóruns de Relações com Investidores que não escondem o problema, mas o endereçam. É a confiança que se constrói quando não há sombra, quando o Fórum decide e o Rito comunica sem meias palavras. Inclusive os fatores ESG, que hoje são tão críticos quanto o financeiro. ### 3. Equidade Tratar todos de forma justa. Muitos entendem que esse pilar significa igualdade. Não. É reconhecer que cada um tem sua contribuição, sua necessidade. Onde isso se pratica? Nos Fóruns de Sócios que ouvem o minoritário. Na voz do funcionário. Nos Ritos de Inclusão que garantem que a diversidade não é só um número, mas uma força. É o respeito pelas diferentes perspectivas, o pluralismo que enriquece a decisão. Sem Fóruns que abrem espaço para todas as vozes e Ritos que garantem que elas sejam ouvidas, a equidade é apenas uma palavra bonita no relatório anual. ### 4. Responsabilização (Accountability) Accountability para mim é até mais ampla do que a sua tradução pura para “Responsabilização” em português. A palavra da moda que poucos entendem de verdade. É assumir as consequências. É prestar contas. Não é só apontar o dedo. É a diligência na função, a independência na decisão. Onde isso se prova? Nos Ritos de Auditoria que são implacáveis. Nos Fóruns de Conselho que cobram resultados e não aceitam desculpas. É a certeza de que cada ato e omissão terá seu peso, e que a prestação de contas será clara, concisa e, acima de tudo, honesta. É o Fórum que não se esconde e o Rito que não perdoa a procrastinação ou aquela clássica indignação sem ação. ### 5. Sustentabilidade Não é só plantar árvore, meu amigo. Isso seria muito fácil. É a viabilidade do negócio no longo prazo. É olhar para todos os capitais: financeiro, humano, social, natural, reputacional. Onde essa visão se desenvolve? Nos Fóruns de Estratégia que não se limitam ao curto prazo. Nos Ritos de Monitoramento que acompanham não só o lucro, mas o impacto. É a compreensão de que a empresa não vive isolada, mas em um ecossistema. Sem Fóruns que ampliam o horizonte e Ritos que garantem a perenidade, a sustentabilidade é apenas um custo, não um valor. Ritos de celebração também são importantes na sustentabilidade da visão de longo prazo, pois delimitam conquistas e definem novas metas. ### Fugindo da burocracia desnecessária Mas tem muita interessante na Governança Empresarial. Basta planejar e agir em consonância com as necessidades da empresa, sem exageros e sem passar pano para o descontrole. Algumas dicas que para mim ajudam muito: Descentralize as decisões menos importantes. Dê voz a quem precisa opinar e que pode agir de forma mais autônoma. Quando se tratar da montagem de conselhos, entenda bem o papel de um Conselho Consultivo e do Conselho de Administração. Os dois tem papeis diferentes e responsabilidades bem distintas. Os comitês podem ser de grande valia, desde que tenham autonomia. Comitês que não podem deliberar, talvez não devam existir. Aplique metodologias ágeis nas reuniões, com pautas bem definidas, divulgadas com antecedência (assim como o material a ser apresentado) e com tempo claro para a definição. Reuniões muito rápidas e periódicas são mais efetivas que reuniões longas e de muito conteúdo. Registre a reunião, com os resultados e pendências para as próximas reuniões (que devem ser sempre avaliadas no início, antes dos outros assuntos). Privacidade e Divulgação: Todo o processo de Governança exige clareza no que pode ou não pode ser divulgado. O canal, o fórum, o meio e a abrangência devem ser sempre definidos quando algo precisa ser comunicado. Tomar a decisão de comunicar, sem avaliar esses tópicos, pode gerar necessidade de mais explicações e possível perda de tempo. ### Governança é ação, não intenção Se você concorda com essa minha linha de pensamento, da próxima vez que alguém falar de Governança, lembre-se: não é sobre o que está escrito no manual, mas sobre o que acontece nos Fóruns e nos Ritos. É a arquitetura invisível do controle, seja ele centralizado ou distribuído. A cadência que define o sucesso ou o fracasso. É a ação, não a intenção. E se você não está no Fórum adequado, ou se seus Ritos são frouxos, sinto te dizer... você não tem Governança. Você tem apenas um manual burocrático na mão. E essa perda de tempo, meu caro, custa caro. Muito caro. Artigo também publicado no GazzConecta. ## Riscos e Controles não podem andar desacompanhados URL: https://www.advisor.tips/pt/post/riscos-e-controles-nao-podem-andar-desacompanhados Data: 2025-05-27T17:32:32.378Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Governança, Riscos & Dados Em qualquer organização — seja pública, privada ou do terceiro setor — há uma verdade que, quando ignorada, costuma custar caro: Risco e Controle são irmãos siameses. Onde há um, deve obrigatoriamente haver o outro. Separá-los não é apenas um erro conceitual; é um erro operacional, estratégico e, muitas vezes, fatal. O erro clássico: achar que risco é apenas uma abstração. Durante muito tempo, riscos foram tratados como elementos teóricos — algo restrito aos papéis dos auditores, consultores ou das reuniões formais do comitê de governança. No entanto, risco é tudo aquilo que pode afetar o atingimento dos objetivos de uma organização. Está presente em cada contrato, em cada operação, em cada decisão e, sobretudo, em cada omissão. O problema começa quando se acredita que risco pode ser simplesmente mapeado, registrado em uma matriz bonita e, depois, guardado na gaveta. Se isso não estiver diretamente conectado aos controles efetivos e vivos no dia a dia, de nada serve. Controle sem risco é cego. Risco sem controle é temerário. Imagine uma empresa que define uma série de controles operacionais, financeiros e tecnológicos, mas não parte da análise dos seus riscos reais. Essa empresa provavelmente vai gastar energia, dinheiro e tempo em controles desnecessários, deixando de proteger o que realmente importa. Controle sem risco é burocracia. Por outro lado, mapear riscos e não desenhar os controles correspondentes é tão eficiente quanto trancar a porta e deixar a chave na fechadura do lado de fora. Risco sem controle é negligência. A equação correta: Risco + Controle = Gestão Responsável Na prática, uma gestão madura entende que: • Cada risco identificado deve gerar um controle correspondente. Se há risco de fraude no processo de pagamento, o controle pode ser uma conciliação diária, uma segregação de funções ou uma validação por terceiros. • Cada controle implementado deve mitigar um risco específico. Se existe um checklist no processo logístico, ele não pode existir por tradição ou conforto — precisa estar ligado diretamente à mitigação de um risco operacional real, como a perda de mercadorias ou falha na entrega. Quando risco e controle caminham juntos, nasce a verdadeira governança preventiva, que protege o negócio, a imagem, os recursos e até a continuidade da operação. Sinais de que estão andando separados (e isso é um problema) • Há muitos controles, mas ninguém sabe exatamente que risco eles mitigam. • Existem mapas de risco sofisticados, mas nenhuma atualização dos processos ou dos controles operacionais. • O controle interno é visto como “o departamento que cria burocracia”, e não como um aliado da gestão. • As auditorias apontam sempre as mesmas falhas, ano após ano. Se não estiverem de mãos dadas, está errado. Risco sem controle gera insegurança. Controle sem risco gera desperdício. E ambos, quando desconectados, tornam a organização vulnerável — seja a perdas financeiras, seja a fraudes, erros operacionais ou danos à reputação. Portanto, gestores, controladores, auditores e líderes precisam abandonar a visão de que risco é um problema “do compliance” e que controle é uma responsabilidade “do setor operacional”. É tudo parte do mesmo organismo. Uma organização madura conecta seu mapa de riscos diretamente à sua matriz de controles. Se não estiverem de mãos dadas, está errado — e perigoso. O caminho é a integração. O convite, portanto, é claro: rompa os silos. Integre risco, controle e gestão. Transforme a cultura da organização para que todos entendam que controle não é um entrave, mas uma proteção, e que risco não é um problema, mas uma informação estratégica. Empresas, governos e instituições que aprenderem essa lição sairão na frente. E quem insistir em separar risco de controle, inevitavelmente, aprenderá do jeito mais caro: pela ocorrência do próprio risco não controlado. Artigo também publicado no LinkedIn. ## Tensões cinzas URL: https://www.advisor.tips/pt/post/tensoes-cinzas Data: 2024-02-10T17:07:03.050Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Governança, Riscos & Dados Ao longo da minha história como consultor e executivo em empresas multinacionais, tive a chance de ver muita coisa e entender um pouco das complexidades das relações entre heads e agentes. Nesse contexto, existe o que chamamos de Agency Theory, que é um conceito central nos estudos de administração e finanças, que oferece uma perspectiva interessante para entender essas relações, evidenciando os desafios e conflitos que surgem quando um agente é incumbido de agir no interesse de um head (principal). Ao longo do tempo, vi claramente como os executivos (agentes) e os acionistas (principais) podem ter seus interesses desalinhados. Vi, de cadeira cativa, as nuances dessas relações, o jeito cinza de tratar assuntos que deveriam ser brancos ou pretos, onde muitos executivos podem tomar decisões visando benefícios pessoais em detrimento dos interesses dos acionistas e da empresa. Essa dinâmica não é exclusiva das grandes corporações; nas empresas menores, os desafios da teoria da agência são igualmente perceptíveis, porém com algumas peculiaridades diferentes. Nas pequenas e médias empresas, a linha entre os executivos e os sócios muitas vezes se mistura, pois em muitos casos, eles são a mesma pessoa. Essa sobreposição de papéis pode levar a um alinhamento confuso de responsabilidades, onde as decisões empresariais são influenciadas tanto pela visão do executivo quanto pelo interesse do sócio. Esta dualidade pode complicar o alinhamento de objetivos e obscurecer a clareza nas tomadas de decisão, criando um terreno fértil para conflitos de interesse e decisões que podem não ser no melhor interesse da empresa como um todo. Ao enfrentar esses desafios em empresas de diferentes tamanhos, percebi que o que colabora para resolver essa questão é a transparência. Sabemos que promover uma comunicação aberta e honesta entre todas as partes envolvidas é essencial. Mas será que isso ocorre de verdade na maioria dos ambientes profissionais? Nas grandes corporações, a implementação de políticas claras e mecanismos de incentivo que alinham os interesses dos executivos com os dos acionistas, sem dúvida ajuda a minimizar os conflitos. Já em empresas menores, estabelecer limites claros e responsabilidades definidas entre as funções de sócio e executivo é crucial para evitar a mistura de decisões pessoais com as empresariais. Mas nem sempre os sócios/executivos estão preparados para ter essa conversa. Outra estratégia que acho bem eficaz é a implementação de sistemas de governança corporativa robustos, mesmo em pequenas empresas, para assegurar que haja uma supervisão adequada das decisões tomadas. A definição de metas claras, acompanhadas de um sistema de recompensas e penalidades, pode incentivar comportamentos alinhados com os melhores interesses da empresa. E sabendo realizar esse alinhamento, não se tem grandes custos e o resultado é uma empresa mais qualificada em seus processos, com gestores e executivos mais alinhados e uma governança que só colabora para deixar a empresa mais valiosa e mais reconhecida. Não desmereça esse assunto! Não ache que isso não é para você, ou que é algo que não se aplica à sua empresa. Esse pensamento pode ser a razão de muita coisa boa não estar acontecendo no seu ambiente de trabalho. Se precisar, peça ajuda! Artigo também publicado no LinkedIn. ## As primeiras repercussões da LGPD no mercado empresarial URL: https://www.advisor.tips/pt/post/as-primeiras-repercussoes-da-lgpd-no-mercado-empresarial Data: 2022-11-04T13:29:38.789Z · Autor: Edson Berwanger · Eixo: Governança, Riscos & Dados Passados mais de 100 dias da entrada em vigor da Lei Geral de proteção de dados (LGPD) muitos empresários ainda não deram o devido valor e a atenção que o regramento exige. A Lei que passou a vigorar em 18 de setembro de 2020, traz importantes repercussões para o marcado nacional, nas mais variadas atividades, sendo imprescindível que se façam os ajustes necessários no dia a dia das empresas para adequação de seus procedimentos e processos internos. É sabido que esta pouca atenção decorre especialmente pelo fato de ainda não ter sido criada a agência reguladora que dará as diretrizes sobre a aplicabilidade da lei. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) será a responsável pela salvaguarda dos direitos do cidadão, tendo autonomia para garantir o cumprimento da LGPD, servindo de elo com o Governo Federal. Ademais, outro ponto chave da Lei é relativo à aplicação das multas por infração aos seus artigos. As multas, que variam de 2% até R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais), por infração, terão eficácia, conforme o texto legislativo, somente a partir do dia 1º de agosto de 2021, o que, de certa forma, traz certa tranquilidade ao empreendedor e uma sensação de que há tempo para os devidos ajustes sem riscos iminentes ao negócio. No entanto, “nem tudo o que reluz é ouro”, conforme expressão comumente usada no dia a dia. Alguns órgãos da administração pública já estão se valendo da novel legislação para punir empresas que estão descumprindo a LGPD, especialmente os PROCONS e o Poder Judiciário. O primeiro desses casos a ter repercussão nacional é de uma tradicional construtora, multada em R$ 10.000,00 (dez mil reais) a título de danos morais, por ter cedido os dados de seu cliente para diversas empresas, que passaram a assediar esta pessoa, de forma não autorizada, na tentativa de vender bens e serviços. Nesse caso, a juíza que proferiu a sentença, cita especificamente o art. 2º da LGPD, que diz ser “fundamentos da disciplina de proteção de dados, dentre outros, o respeito à privacidade, a autodeterminação informativa, a inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem, a defesa do consumidor, os direitos humano, o livre desenvolvimento da personalidade e a dignidade”. No entender da Magistrada, não houve autorização para uso dos dados cedidos pelo cliente além do cadastro da construtora, motivo pelo qual a cessão se tornou abusiva. Sob outra perspectiva, o Poder Judiciário do Distrito Federal decidiu suspender a venda de dados pessoais de consumidores pelo Serasa Experian. A organização negociava livremente, dados pessoais relevantes, como nome, endereço, CPF, telefones, e-mails, entre outros, coletados de forma não autorizada, pelo valor de R$ 0,98 (noventa e oito centavos) por pessoa cadastrada. Segundo a decisão, a venda desses dados fere frontalmente a legislação, pois é garantia do titular dos dados o poder sobre a circulação e uso dessas informações. Então, embora ainda não haja aplicação das punições previstas especificamente na legislação, não há garantias de que as repercussões da sua vigência não venham em prejuízo àqueles que não se prepararam para esse novo momento. Em meio a tudo, ainda enfrentamos a pandemia do COVID-19, vivenciando novos cenários criados através da adaptação dos colaboradores ao ambiente de home-office, o que torna mais difícil o controle sobre o sigilo e a confidencialidade de dados tratados por profissionais das mais diversas áreas. A rápida e necessária adequação às normas legais vigentes virá em benefício daqueles que souberem entender que é preciso zelar não só pela privacidade e proteção dos dados dos clientes, mas também de colaboradores e parceiros de negócios, seja num ambiente online ou off-line, valorizando a imagem da empresa no mercado. É importante observar as particularidades de cada empresa e entender que a lei é ampla e demanda cuidados importantes não só em áreas de tecnologia da informação. Sua aplicação também é fundamental outros departamentos, como marketing, recursos humanos, jurídico, financeiro e administrativo. Estar preparado fará toda a diferença. Por Edson Berwanger, advogado e consultor, parceiro da Advisor.Tips ## Eu sei tudo sobre você! URL: https://www.advisor.tips/pt/post/eu-sei-tudo-sobre-voce Data: 2022-11-04 · Autor: Edson Berwanger · Eixo: Governança, Riscos & Dados Rodrigo, eu sei tudo sobre você! Seu endereço, seu CPF, seu cartão de crédito, e-mail, telefone, placas de carro, locais que frequenta, em quem votou, sua cor de pele, suas preferências, o seu clube de futebol. O trecho acima, um pouco modificado e adaptado a este breve artigo, foi retirado da propaganda de um dos maiores bancos do país e é, realmente, bastante impactante. Hoje, estamos expostos a tudo. Nossa vida é um livro aberto, com páginas cristalinas para quem quiser ler. O acesso por um link enviado ao nosso e-mail, uma visita a um site na internet, um cadastro em uma loja online para comprar um livro ou, agora, na pandemia, já que devemos permanecer em casa, na compra de um alimento através de um aplicativo de entregas. Em todas essas atividades estamos, de alguma maneira, folheando as páginas da nossa intimidade e as entregando para um mercado altamente rentável e que precisa ser regulado. Não raro, passamos a perceber na imprensa notícias sobre os megavazamento de dados e o uso indevido da nossa privacidade. A venda das nossas informações é uma sistemática praticada há muito tempo, mas só agora, quando vigora a Lei Geral de Proteção de Dados, passamos a prender nossa atenção no assunto. As cifras movimentadas nesse negócio são inimagináveis. No ano corrente, 2021, já assistimos boquiabertos a repercussão sobre dois megavazamentos que deixaram expostos nossos CPFs, bem como uma infinidade de outros dados, especialmente aqueles que são capazes de gerar não só danos pessoais, mas, também, prejuízos de ordem financeira. Os golpes praticados são os mais variados possíveis, desde acessos indevidos a redes sociais, bem como a tomada de empréstimos ou fraudes a cartões de créditos, algo bastante comum no mercado financeiro. A lógica é de que através do rastreamento seja possível identificar a origem do vazamento, quando serão verificados os requisitos de responsabilização insculpidos na Lei. O respeito a segurança dos dados e a privacidade é um dos princípios fundamentais da Lei Geral de Proteção de Dados, que prevê, entre outras coisas, que os agentes de tratamento de dados devem adotar medidas de segurança, técnicas e administrativas aptas a proteger os dados pessoais de acessos não autorizadas e de situações acidentais ou ilícitas de destruição, perda, alteração, comunicação ou qualquer forma de tratamento inadequado e ilícito. Enquanto a Agência Nacional de Proteção de Dados está em sua fase embrionária, temos visto com frequência os órgãos do judiciário fiscalizando a autuando os agentes de tratamento de dados com as penas previstas na legislação. As penalidades pelo descumprimento das regras previstas na Lei Geral de Proteção de Dados são variadas e vão desde uma singela advertência até multas percentuais sobre o faturamento da empresa, limitadas em R$ 50 milhões. Em um futuro breve, essa será uma sistemática que passará a ocorrer com muito mais frequência. Logo, é importante que as empresas se conscientizem e estabeleçam regras para o acompanhamento e controle dos dados coletados na execução de suas atividades sociais, assegurando aos seus funcionários, clientes e fornecedores a integridade dos dados eventualmente tratados. A implementação as normas da LGPD é uma realidade que precisa ser enfrentada. Não queremos ser mais um Rodrigo Mendes de Souza, com a privacidade violada. Dessa forma, fomentar o respeito aos direitos fundamentais de liberdade, privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa natural será essencial. Edson Berwanger, advogado e consultor. Parceiro da AdvisorTips # Liderança & Pessoas ## Como reter quem não quer subir a escada, mas quer escalar a montanha URL: https://www.advisor.tips/pt/post/como-reter-quem-nao-quer-subir-a-escada-mas-quer-escalar-a-montanha Data: 2026-09-05 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas Por muito tempo, a gente mediu o engajamento dos colaboradores pela régua da promoção e tempo de casa. Se ficou, e foi promovido, então cresceu e se engajou. Se saiu? Então ele que não aguentou ou não era a pessoa certa. Muitos tinham essa visão simples. A escada corporativa era o único caminho que se oferecia, e quem não quisesse subir por ela que fosse embora. Aí vem o ponto que muda tudo hoje. A geração Z não quer a escada. Ela quer a montanha inteira. Vamos aos fatos. A Deloitte entrevistou mais de 22 mil jovens em 2026 e o resultado derrubou um mito que muita empresa ainda carregava ou carrega: apenas 25% dos Gen Z querem progressão rápida com promoções aceleradas. A maioria quer crescimento gradual, com aprendizado real e desafios novos. Eles não estão pedindo para virar gerente em dois anos. Estão pedindo para aprender coisas diferentes, trabalhar em projetos variados e desenvolver habilidades que o mercado vai valorizar daqui a cinco anos. Mas a pergunta que podemos ouvir deles, de quanto tempo demora para ser gerente, não é ansiedade. É um pedido de visibilidade. Eles aceitam muito bem também o crescimento lateral. Crescimento lateral é quando a empresa oferece ao profissional a possibilidade de se mover horizontalmente, assumir projetos em áreas diferentes, aprender novas ferramentas, participar de squads multidisciplinares, sem necessariamente mudar de cargo ou de salário. Para a minha geração, isso parecia estagnação. Para a Geração Z, é exatamente o que eles querem. A Randstad mostrou em 2025 que a falta de progressão de carreira é o segundo maior motivo de saída dos Gen Z, logo atrás do salário. Mas progressão para eles não é título. É aprendizado. Quando a empresa para de oferecer desafios novos, eles interpretam isso como sinal de que chegaram no teto. E quem chega no teto, sai. Então, vamos lá: O que a empresa precisa fazer para aproveitar melhor essa característica dessa geração? O primeiro movimento é criar trilhas de desenvolvimento que não dependam necessariamente de promoção vertical. Um jovem de 23 anos pode ser referência técnica em uma área sem precisar virar gestor. Pode liderar um projeto sem ter subordinados. Pode ensinar o que sabe sem ter um cargo de sênior. Quando a empresa reconhece isso formalmente, ela transforma o crescimento lateral em ativo estratégico. O segundo movimento é investir em formação de verdade. A Randstad mostrou que 75% dos Gen Z usam IA para aprender novas habilidades, mais do que qualquer outra geração. Eles já estão se desenvolvendo por conta própria. O que a empresa precisa fazer é entrar nessa conversa. Oferecer cursos, certificações, acesso a plataformas de aprendizado, tempo dentro do expediente para estudar. Não como benefício. Como parte do trabalho. Opa, mas não era essa geração que não se dava tão bem com a IA como as gerações anteriores? Sim, isso é verdade. Mas, apesar de ela não ter o repertório e experiência das gerações anteriores para criar prompts mais elaborados e informativos, essa geração não tem medo de usar a IA, e aceita essa realidade como quase nativa na sua forma de pensar. Para eles, tudo precisa ser lógico. O terceiro movimento é dar propósito ao trabalho do dia a dia. Não o propósito do discurso do CEO na reunião de resultados ou naquela festa de fim de ano. O propósito da tarefa que a pessoa faz toda semana. Quando o gestor explica por que aquele relatório importa, para quem ele vai, o que muda quando ele é bem-feito, ele transforma uma tarefa operacional em contribuição real. Isso custa zero e retém mais do que qualquer benefício. O quarto movimento é conversar antes de perder. A entrevista de desligamento chega tarde demais. O problema já foi embora. O que funciona é a conversa preventiva, duas vezes por ano, com duas perguntas simples: o que faria você ficar mais dois anos com a gente? E o que faria você pedir as contas amanhã? Quem responde a segunda pergunta com facilidade já está saindo. Quem responde a primeira com entusiasmo ainda tem energia para dar. O quinto movimento é o mais barato e o mais ignorado: reconhecimento semanal e específico. A Gallup mostrou que reconhecimento semanal aumenta engajamento em até 36%. Não o elogio genérico. O reconhecimento que diz: o que você fez na quinta-feira com aquele cliente evitou um cancelamento e por isso você vai entrar no projeto novo na semana que vem. Isso é a mensagem certa, na hora certa. O custo de não fazer nada disso já teve alguém que calculou. A Flash e a FGV-EAESP estimam que o desengajamento custa ao Brasil mais de 77 bilhões de reais por ano. Cada pessoa que sai antes de completar um ano leva consigo o equivalente a dois salários em custo de reposição. E a Randstad mostrou que 22% dos Gen Z já saíram de um emprego em menos de doze meses, quase o dobro dos Millennials. Reter essa geração não é sobre criar um ambiente confortável. É sobre criar um ambiente onde a pessoa sente que está se tornando melhor a cada semana. Onde ela tem desafios novos antes de pedir para sair. Onde ela vê o próximo capítulo antes de fechar o livro. Se você entender isso vai parar de perder os melhores colaboradores para o concorrente. Quem não entender vai continuar achando que o problema é da geração. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Como atrair quem já te avaliou antes de você abrir a vaga URL: https://www.advisor.tips/pt/post/como-atrair-quem-ja-te-avaliou-antes-de-voce-abrir-a-vaga Data: 2026-09-04 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas Quando eu entrei no mercado de trabalho, a lógica era simples. A empresa abria a vaga, colocava um anúncio no jornal, e os candidatos apareciam. A empresa escolhia. O candidato aceitava ou não. Fim. Isso mudou da água pro vinho nos últimos anos. Como sei disso? Primeiramente, sou sócio de um grupo de empresas que formam um ecossistema especializado em cultura organizacional e reputação corporativa. E lá estudamos e damos soluções para comportamentos e situações empresariais novas, cada vez mais frequentes. Então, o que vou contar a seguir pode até não ser novidade para alguns, mas se olhado com o prisma certo, veremos uma grande transformação que está a caminho no que se refere à gestão de pessoas. O fato é que a geração Z inverteu o jogo tradicional de contratações completamente. E aqui não é nenhuma crítica ou etarismo reverso. Saibam que antes de mandar o currículo, 83% desses jovens já pesquisaram a empresa no Glassdoor, no LinkedIn, no TikTok e com quem trabalha ou trabalhou lá. Eles leram avaliações, viram como a empresa responde a críticas, verificaram se o que está no site de carreira bate com o que os ex-funcionários falam. Só depois disso é que eles decidem se vale a pena se candidatar. A empresa não escolhe mais primeiro. Ela é avaliada primeiro. Isso tem um nome: employer branding. E muita empresa ainda não entendeu que employer branding não é a foto bonita da equipe no Instagram. É o que as pessoas falam sobre você quando você não está na sala. O dado que mais me chama atenção é esse: empresas que melhoram a nota no Glassdoor em apenas meio ponto têm 20% mais cliques nas vagas e 16% mais candidaturas. Não é uma campanha de marketing cara. É reputação real, construída por quem já trabalhou lá. E essa reputação chega antes de qualquer processo seletivo. Mas o que faz uma empresa ser atraente para quem tem entre 18 e 28 anos hoje? Não é o salário. Salário é o piso, não o teto. A Deloitte entrevistou mais de 22 mil jovens em 44 países em 2026 e o resultado foi claro: propósito, bem-estar e desenvolvimento são os três fatores que decidem onde essa geração quer estar. Quase metade deles não se sente financeiramente segura, então dinheiro importa, mas não é o que os faz escolher uma empresa e ficar nela. O que os faz escolher é saber que a empresa tem uma posição clara sobre o que acredita. Eles não querem trabalhar para uma marca que não tem opinião sobre nada. Eles querem saber se a empresa tem diversidade de verdade ou só no relatório de ESG. Se o gestor que aparece no vídeo institucional é o mesmo que trata mal a equipe na segunda-feira de manhã. Eles são digitalmente nativos e detectam inconsistência com uma velocidade que assusta. Tem mais um dado que eu não consigo ignorar. A Randstad pesquisou 11.250 trabalhadores em 15 países em 2025 e descobriu que as vagas de nível inicial caíram 29 pontos percentuais desde janeiro de 2024. Em tecnologia, a queda foi de 35%. Em finanças, 24%. Isso significa que a disputa por talentos jovens vai se concentrar em menos vagas e mais candidatos qualificados. Quem tiver uma marca empregadora fraca vai perder os melhores antes mesmo de começar o processo. Então como se tornar atraente para essa geração? O primeiro passo é parar de fingir. Employer branding de verdade começa com uma pergunta honesta: o que é ser funcionário aqui? Se a resposta for constrangedora, o problema não é de comunicação. É de cultura. E cultura não se conserta com um post no LinkedIn. O segundo passo é mostrar o próximo capítulo. Essa geração pensa em ciclos de 18 meses, não em décadas. Quando você abre uma vaga e não deixa claro o que a pessoa vai aprender, onde pode chegar e o que espera dela em seis, doze e vinte e quatro meses, você está pedindo para ela embarcar em um navio sem rota. Ela não embarca. A Randstad mostrou que 41% dos Gen Z sempre consideram objetivos de longo prazo ao mudar de emprego. Eles não são imediatistas. Eles só não aceitam mais viajar no escuro. O terceiro passo é estar onde eles estão. Não é sobre ter perfil no TikTok. É sobre ter funcionários reais falando sobre o trabalho de forma autêntica. Um vídeo de 60 segundos de um colaborador contando o que aprendeu no último trimestre vale mais do que qualquer campanha de recrutamento produzida por uma agência. Setenta por cento dos candidatos têm mais chance de se candidatar quando o empregador é ativo e presente nas plataformas onde eles pesquisam. O quarto passo é responder. Setenta e um por cento dos candidatos melhoram a percepção de uma empresa quando ela responde às avaliações negativas. Não precisa concordar com tudo. Precisa mostrar que você ouve. O quinto passo é cuidar dos primeiros noventa dias. Mais de vinte por cento dos jovens que aceitam uma vaga não aparecem no primeiro dia. Esse número sobe para 40% quando o onboarding é decepcionante. O que resolve boa parte disso é simples: uma mensagem do futuro gestor uma semana antes de começar, um colega designado como buddy para os primeiros trinta dias e clareza sobre o que se espera da pessoa antes que ela precise perguntar. Employer branding não é um projeto de RH. É uma decisão estratégica de negócio. Porque o talento que você não consegue atrair hoje vai trabalhar para o seu concorrente amanhã. E ele vai carregar consigo exatamente o que você precisava. E aqui nem vamos falar de reputação de marca que esse talento pode abalar com um simples comentário aberto na internet. Vou deixar isso para outro artigo, afinal, já tem muita coisa pra pensar aqui. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Como encantar o colaborador que não sabe esperar URL: https://www.advisor.tips/pt/post/como-encantar-o-colaborador-que-nao-sabe-esperar Data: 2026-09-04 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas Tem uma cena que eu vi se repetir em várias empresas que acompanhei ao longo dos anos. O jovem chega empolgado, passa pelos primeiros meses produzindo bem, e de repente começa a ficar mais quieto, menos presente, menos curioso. O gestor percebe, mas não faz nada. Espera a avaliação anual. Quando chega a avaliação, a pessoa já está com um pé fora. O problema não é a pessoa. É o modelo de gestão, somado a cultura da empresa, e as características da nova geração. A Geração Z cresceu em um ambiente onde o feedback é instantâneo. Eles postam algo e em segundos sabem se funcionou. Eles jogam e o sistema mostra o placar em tempo real. Eles estudam online e a plataforma diz imediatamente se acertaram ou erraram. E aí chegam na empresa e o sistema de avaliação diz: aguarda dezembro ou em nosso próximo feedback agendado. Não funciona assim na cabeça de uma geração que precisa de informações instantâneas. A pesquisa da Macorva publicada em 2025 é direta sobre isso: a Geração Z não quer feedback anual. Ela quer feedback contínuo, específico e acionável. Não o elogio genérico de "continue assim". Ela quer saber o que exatamente ela fez bem, por que aquilo importou e o que ela pode melhorar na próxima semana. Esse nível de especificidade não é exigência. É o que faz o cérebro deles aprender mais rápido. A técnica mais simples e mais eficaz que eu conheço é a sexta-feira de cinco minutos. Toda semana, o gestor reserva cinco minutos com cada pessoa da equipe. Não é reunião de status. É uma conversa rápida com três perguntas: o que você fez bem essa semana? O que você faria diferente? O que você precisa de mim para a semana que vem? Isso não exige ferramenta cara, não exige treinamento extenso. Exige disciplina e presença. E o retorno é imediato: a pessoa sai dali sabendo onde está, o que vale e o que precisa melhorar. O segundo instrumento que funciona muito bem com essa geração é o buddy. Não o mentor formal com reuniões mensais e plano de desenvolvimento em PDF. O buddy é um colega mais experiente, não necessariamente mais velho, que acompanha a pessoa nos primeiros noventa dias. Responde dúvidas que ninguém tem coragem de fazer para o gestor. Apresenta as pessoas certas. Explica os códigos não escritos da empresa. O BambooHR pesquisou mais de dois mil novos colaboradores em 2025 e o dado é claro: 41% dos Gen Z se sentem desconectados durante o onboarding. O buddy resolve boa parte disso porque 66% deles dizem que querem fazer amigos no trabalho. Não é frescura. É o que os faz ficar. Tem um terceiro elemento que não vejo em muitos lugares, mas que para mim funciona: o mapa de capítulos. Essa geração não quer saber onde vai estar em vinte anos. Ela quer saber o que vai aprender nos próximos seis meses. Quando você cria um documento simples, uma página, que mostra o que a pessoa vai dominar em seis meses, o que ela pode liderar em doze meses e para onde pode se mover em vinte e quatro meses, você transforma a incerteza em projeto. E projeto tem energia. A Deloitte mostrou em 2026 que apenas 25% dos Gen Z querem promoções rápidas. A maioria quer crescimento gradual, com aprendizado real. Eles não estão pedindo para virar diretor em dois anos. Estão pedindo para saber que a empresa tem um próximo capítulo para eles. E tem uma coisa que encanta mais do que qualquer benefício: ser visto. Não o elogio na reunião geral. O reconhecimento específico, na hora certa, para a pessoa certa. A pesquisa da Gallup de 2024 mostra que reconhecimento semanal aumenta engajamento em até 36%. O custo disso é zero. O impacto é enorme. Encantar a nova geração não é sobre criar um ambiente de diversão. É sobre criar um ambiente onde a pessoa sabe que está crescendo, que é vista e que tem alguém do lado dela quando precisa. Isso não é diferente do que qualquer bom profissional quer. A diferença é que essa geração não espera. Se não encontrar isso aqui, vai procurar em outro lugar. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Planejamento: o que a ciência revela sobre intenção e resultado URL: https://www.advisor.tips/pt/post/planejamento-o-que-a-ciencia-revela-sobre-intencao-e-resultado Data: 2026-07-24 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas O planejamento costuma ser visto como um exercício burocrático de gestão, tentar prever o futuro, preencher planilhas e prazos estimados. Mas, evidências científicas recentes apontam algo mais fundamental do que tudo isso: o ato de planejar altera literalmente como o cérebro processa a realidade e reconhece oportunidades. Não é uma metáfora. É física pura. ### O mecanismo neurológico da intenção Quando você planeja um projeto, seu cérebro ativa a rede de modo padrão (default mode network) e áreas de memória episódica. Essas regiões não apenas armazenam a intenção: elas reconfiguram como você filtra informações do ambiente. Psicólogos chamam esse fenômeno de viés de confirmação ativo ou, em termos mais acessíveis, de preparação neurológica para ver o que você espera encontrar. Somente isso já seria um grande motivo para nos dedicarmos mais a planejar. Mas tem muito mais. Uma pesquisa de 2013 na Universidade de Nova York, liderada por Peter Gollwitzer, demonstrou que pessoas que visualizam mentalmente os passos de um plano executam-nos com 52% mais consistência do que aquelas que apenas definem objetivos genéricos. O cérebro não distingue entre simulação e a realidade. Por isso, repetir o alvo, reforçar mentalmente a meta, são elementos que programam o cérebro para uma nova realidade. Não atoa vemos desportistas famosos repetindo frases para si mesmo, antes da execução de alguma modalidade. Isso reforça a capacidade e o plano de execução da atividade. ### A previsão reduz a incerteza operacional Em projetos complexos, planejar significa antecipar variáveis e interdependências. O Instituto de Engenharia e Tecnologia do Reino Unido analisou 400 projetos entre 2012 e 2016 e encontrou que aqueles com planejamento formal detalhado apresentavam 73% menos desvios de cronograma e 64% menos estouro de orçamento comparado a projetos com planejamento mínimo. No entanto, não se trata de uma fórmula de prever o futuro com precisão absoluta. Trata-se de mapear cenários, identificar pontos críticos e criar janelas de tempo focadas em determinado recurso. Quando você antecipa problemas possíveis, o sistema nervoso não entra em estado de alerta quando eles ocorrem. Você já tem protocolo definido e sabe o que fazer. ### A física da preparação e o colapso da possibilidade A mecânica quântica descreve um fenômeno chamado colapso da função de onda: uma partícula existe em múltiplos estados possíveis até ser observada, momento em que assume um estado único. Essa característica é intrigante e revela que o ato de observar, planejar, olhar, medir, pode interferir no estado futuro. Pelo menos é o que a física garante. Essa ideia virou até metáfora popular na cultura de negócios, mas há um paralelo neurológico genuíno, e que eu particularmente, acredito. Quando você planeja, você observa e define qual futuro está perseguindo. Isso não força a realidade a se transformar por magia. O que acontece é que seu sistema de processamento de informações (atenção, memória de trabalho, tomada de decisão) começa a funcionar em prol de um estado específico. Você reduz entropia psicológica, a clareza cognitiva aumenta, decisões ficam mais rápidas e assertivas. Não é bruxaria. É energia canalizada para um objetivo claro. "A mente planejadora não é mais reflexiva que a mente reativa. Ela é estruturalmente diferente. Suas conexões são outras." ~ Daniel Kahneman, em Rápido e Devagar ### Análise de resultado em empresas que planejam Um estudo de 2018 da McKinsey Global Survey envolveu 2.600 executivos. Empresas que implementaram planejamento estratégico estruturado apresentavam probabilidade quase 2 vezes maior de alcançar metas de crescimento de receita. Não era porque o planejamento previa números mágicos, mas porque essas organizações: 1. Identificam gargalos antes da crise. Problemas previstos são problemas com solução já esboçada. 2. Alocam recursos com propósito. Sem plano, recursos se dispersam em reações emergenciais. 3. Criam roteiro para comunicação. Equipes alinhadas sobre o futuro desejado executam 4,5 vezes mais coeso, conforme estudo de Harvard Business School (2019). ### Projeção e adaptação, não rigidez Um mito sobre planejamento é que ele prende você a um caminho fixo. Evidência mostra o oposto. Organizações que planejam são mais ágeis porque têm mapa mental do espaço de possibilidades. Quando o cenário muda, você não parte do zero. Você reposiciona dentro de um framework conhecido. Nos processos de FP&A que conduzo, nossa recomendação é de revisão do planejamento a cada trimestre, o que reforça que planejamento não é estanque e que pode e deve sofrer ajustes para que se torne cada vez mais preciso. Projetos complexos em tecnologia e infraestrutura que adotam planejamento iterativo (revisão mensal ou trimestral de metas e cenários) apresentam 67% menos abandono de iniciativas comparado a projetos com plano rígido, conforme relatório do Project Management Institute de 2021. ### O custo real da falta de planejamento Quando equipes operam sem planejamento, cada decisão é réplica de uma crise anterior. O custo cognitivo é alto: mais reuniões de emergência, mais reversão de decisões, mais resignação nas equipes. A taxa de retrabalho em projetos sem planejamento formal é, em média, 35% do tempo total do projeto, segundo levantamento da RAND Corporation com construtoras e firmas de tecnologia (2020). Isso não é ineficiência de gestão. É desperdício de energia psicológica e de recursos que poderiam estar em execução produtiva. ### Planejamento como ritual de clareza O ato físico de planejar (escrever, mapear, priorizar, comunicar) é um ritual de clareza. Você passa de estado vago (temos um objetivo) para estado específico (aqui, nesta data, com essas pessoas, testando isso). Essa especificidade ativa circuitos neurológicos de ação. Por isso empresas que documentam planos apresentam, em métricas de execução, consistência 2,3 vezes maior do que aquelas que apenas discutem verbalmente, conforme análise de consultoria interna baseada em 450 projetos em setores variados (2021-2023). ### Planejamento é preparação, não profecia Planejar não muda as leis da física ou do mercado. Mas muda como você interage com elas. Prepara seu sistema cognitivo para reconhecer padrões, aproveitar janelas de oportunidade e responder com velocidade quando o inesperado ocorre. A ciência converge em um ponto: organizações que planejam sistematicamente, revisam regularmente e comunicam com clareza chegam ao destino com menos desgaste, menos custo e mais aprendizado. Não por acaso. Por preparação. ## Fim da Era do "Boa Gente" na Empresa URL: https://www.advisor.tips/pt/post/fim-da-era-do-boa-gente-na-empresa Data: 2026-06-02 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas Em todas as viradas e revoluções que presenciei, o padrão se repetiu: o mercado não tem paciência para a nostalgia. Aconteceu de novo. Mas dessa vez, a pancada veio de onde muitos consideravam o templo da cultura corporativa intocável. Em abril de 2026, a Disney demitiu 1.000 pessoas. O detalhe chocante? Ao contrário do que se pode pensar, a empresa não estava sangrando. Pelo contrário. A receita anual havia subido para 94 bilhões de dólares. O streaming, que era o calcanhar de Aquiles, virou lucrativo. Os parques bateram recordes, ultrapassando 10 bilhões em um único trimestre. Eles estavam recomprando 8 bilhões em ações. E, mesmo assim, quando todos entendiam que o momento era muito positivo, a guilhotina desceu. Até um artista veterano, com 16 anos de casa, que desenhou os primeiros traços do Capitão América, foi demitido por e-mail. Mas o que poderia estar por trás dessa decisão? Por que uma empresa que está ganhando o jogo decide cortar na carne? O novo CEO da Disney explicou em um memorando interno, e a frase dele resume o espírito do nosso tempo: "Precisamos de uma força de trabalho mais ágil e tecnologicamente capacitada". Não vou entrar no mérito de que quem escreve algo sob trabalho moderno acaba por escolher um memorando para se comunicar. Mas ok. Na real, isso significa o seguinte: a cultura antiga, aquela do tempo de casa como escudo protetor, não cabe mais no novo jogo. A Disney percebeu que uma empresa pesada, com pessoas desaculturadas da nova realidade tecnológica, é uma bomba-relógio. O "jeitinho" corporativo, de manter quem não se adapta apenas por apego ao passado, acabou. Isso não é exclusividade da Disney. Olha o padrão: a Meta cortou 21.000 pessoas em dois anos. O Google demitiu 12.000. A Microsoft e a Amazon enxugaram estruturas inteiras, mesmo batendo recordes de lucro. Isso não é crise financeira. É reengenharia cultural. Estamos vivendo uma redistribuição de competências. A IA e as novas tecnologias não vieram apenas para automatizar tarefas repetitivas. Elas vieram para elevar a barra do que significa ser um profissional útil. Em todos os níveis, do estagiário ao conselho de administração, a integração com a tecnologia deixou de ser um diferencial para ser o oxigênio da operação. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Diversidade. Pra quem? URL: https://www.advisor.tips/pt/post/diversidade-pra-quem Data: 2022-11-04T12:56:34.218Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas À primeira vista, um título destes pode parecer que o assunto é voltado a inclusão das chamadas minorias no mercado de trabalho, seja com a inclusão de pessoas com deficiência, classes sociais menos favorecidas ou com diferentes opções sexuais. Neste momento eu gostaria de falar de algo diferente, que não passa por cotização ou o acesso a diferentes etnias no ambiente de trabalho. Quero falar da construção de equipes vencedoras, baseadas nas características individuais de cada pessoa, que se bem usadas podem ajudar a atingir ótimos resultados, mas que se negligenciadas podem ser o principal fator de insucesso nas equipes. Partimos do princípio que todos nós somos diferentes um dos outros. Temos idades diferentes, criações diferentes, experiências profissionais diferentes, etnias diferentes e temperamentos diferentes. Existem vertentes que dizem que não há como tratar todos na equipe da mesma maneira. Mas se tratarmos cada uma de uma forma diferenciada, não corremos o risco de aplicarmos pesos e medidas diferentes para as pessoas e termos problemas com a tão reivindicada isonomia? Este é o maior risco que os administradores e gestores correm ao tentar agradar a todos e acabam não agradando ninguém. É possível então ser flexível com cada pessoa e ao mesmo tempo aplicar a mesma medida a todos? Apesar da necessidade de se respeitar a individualidade, sempre deve-se preservar o coletivo e os valores da empresa. Ou seja, o tratamento individual é válido desde que não prejudique a empresa e nem a equipe de trabalho. Qualquer privilégio individual, de quem quer que seja, poderá ser encarado como protecionismo e prejudicará a percepção positiva de toda a equipe. Quando houver necessidade de conceder um benefício individual, o gestor precisa ficar atento para que este benefício seja dado a quem tem merecimento e reconhecimento deste merecimento por toda a equipe. Mas a capacidade de criação de uma equipe vencedora não passa apenas pelo respeito às individualidades e o gerenciamento da percepção coletiva. Estes princípios são apenas uma questão básica de manutenção da motivação e união da equipe. O segredo da criação de equipes vencedoras é a distribuição de atividades para cada pessoa da equipe, baseado naquilo que cada um sabe fazer de melhor, e naquilo que cada pessoa tem capacidade de geração de resultado, conforme as suas características pessoais. Muito se reclama da incompetência de gestão de alguns líderes, ou da lentidão de alguns funcionários, ou ainda da falta de qualidade de algum trabalho feito por alguém da equipe, o que normalmente afeta todo o resultado da equipe e da empresa. Ter as pessoas certas nos lugares certos é a gestão mais complicada e mais importante para se criar equipes vencedoras. Inúmeras vezes eu vi excelentes profissionais técnicos terem o seu reconhecimento através de uma promoção para gestão da equipe, e em muitos casos, estes mesmos profissionais que eram brilhantes em suas carreiras técnicas se mostraram incapazes em suas atividades de liderança. Pode parecer pesada esta avaliação da pessoa como incapaz, mas é a palavra correta para demonstrar o que realmente acontece nestes casos. A pessoa que passa por esta situação é na verdade uma vítima da falta de critério de quem decide quem irá exercer cada papel dentro da empresa. E por ser ignorante quanto ao que se exige de um líder, ou ignorante quanto às suas próprias características pessoais, passam a conviver com uma frustração enorme com o desenrolar negativo de sua incapacidade profissional. O erro está na escolha desta pessoa para ocupar uma função, que não é condizente com sua personalidade ou experiência profissional. Se respeitarmos as características de cada um e sua capacidade de exercer as funções que mais se adequam a sua personalidade, daremos um grande passo a iniciarmos a montagem de uma equipe vencedora. Mas ninguém nasce pronto e ninguém sabe de tudo. E por isto, é importante investir também naqueles que tem a capacidade e querem aprender. A capacitação profissional é fundamental para que quando as oportunidades surjam estas pessoas estejam na condição ideal para aceitar novos desafios. A diversidade de perfis e funções na equipe dá maior oportunidade de crescimento profissional. As pessoas podem ocupar novas funções e responsabilidades, sejam as já existentes ou novas funções que surjam como fruto da amplitude das capacidades da equipe. É isto que garantirá novas ideias, formas de inovação e a vantagem competitiva desta equipe. Então em resumo, o segredo de equipes vencedoras passa por respeitar as individualidades, mas somente até o limite dos interesses da coletividade. De nada adianta ter uma equipe diversa se esta diversidade não está voltada a atingir resultados coletivos. Muito menos adianta ter valores coletivos que não estejam voltados a promover o crescimento individual de cada pessoa. É um círculo virtuoso que gera resultados cada vez mais positivos. Na sua equipe, as pessoas certas estão nos lugares certos? Onde você trabalha o coletivo prevalece e se preocupa com a concretização de cada um dos sonhos individuais? ## Chefe, Gestor ou Líder? URL: https://www.advisor.tips/pt/post/chefe-gestor-ou-lider Data: 2022-11-04T12:41:20.015Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas O termo que pode parecer mais desgastado para alguém que exerce uma função de responsabilidade em uma empresa é sem dúvida a palavra “Chefe”. Lembro de uma vez que uma funcionária me disse que ela não admirava alguém que se intitulasse como chefe, pois quem tem chefe é índio. Ela admirava os “Líderes”. Mas afinal, o que é melhor ser? Chefe, Gestor ou Líder? Esta resposta é fácil se buscarmos o que cada uma destas palavras significa: Chefe: Indivíduo que, entre outros, tem a autoridade ou a direção. Empregado ou funcionário encarregado da direção ou supervisão de uma secção, departamento, repartição etc. Fica claro que a função de chefe é mais ligada a posição hierárquica e AUTORIDADE dada pela empresa para que alguém exerça uma direção ou supervisão sobre uma equipe ou determinado departamento. Mas o que seria então um gestor ou um líder? Gestor: Indivíduo que, sem mandato, administra negócios alheios. Então o gestor esta ligado a uma CONFIANÇA dada pela empresa para que esta pessoa administre um negócio ou um resultado. Se a palavra chefe está ligada a autoridade, a palavra gestor está ligada a confiança e responsabilidade. Mas e o líder? Como se encaixa em tudo isto? Líder: Pessoa que, por seu prestígio e influência, comanda, orienta, incentiva outras em suas atividades levando os demais a admirar, respeitar e defender suas ideias. Agora as coisas ficam mais claras. O líder está associado a INFLUÊNCIA sobre os demais. Não necessariamente existe uma relação direta entre a liderança e a chefia ou a gestão. Então o que é melhor ser? Como profissionais, temos que buscar um equilíbrio entre estas três características: Sendo chefes que sabem administrar a autoridade que nos é conferida pela empresa. Sendo gestores responsáveis e comprometidos com os resultados da empresa, respeitando a confiança que nos foi depositada. Usar de forma correta a influência que temos sobre as outras pessoas, de forma a conduzi-las para os melhores resultados, tanto para a empresa, como para a carreira de cada um. Não se preocupe com rótulos. Não é um título ou cargo que definirá sua condição frente a sua equipe. Não tenha vergonha de ser chefe…, seja um gestor zeloso … e use bem a sua liderança. Leia mais sobre o assunto, na Parte 2 desse artigo ## A bola é minha URL: https://www.advisor.tips/pt/post/a-bola-e-minha Data: 2022-10-31 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas A maioria dos garotos já deve ter vivenciado a cena de uma discussão no campinho de futebol, onde o dono da bola, ao discordar de alguma coisa, simplesmente pega a sua bola e vai embora, terminando com a brincadeira de todos. O que pode parecer apenas um fato entre crianças, nos ajuda desde cedo a entender o relacionamento com o poder, é também algo que acaba acontecendo na vida adulta e faz parte de nosso dia-a-dia, seja na nossa vida profissional ou pessoal. Mas não quero comentar sobre o poder e suas conseqüências. Prefiro usar o mesmo exemplo do futebol para falar da falta de comunicação que existe hoje. Lembrei estes dias desta experiência da bola de futebol, quando ao participar de uma partida, tivemos algumas discussões em campo, com aquela cobrança natural de empenho de todo o time e de que cada jogador desse o seu melhor e buscasse errar o mínimo possível. Qual não foi minha surpresa quando, um dos jogadores que não estava tão bem na partida, não aceitou as reclamações do time e se retirou de campo, sem dizer uma palavra e nem a razão da não aceitação das reclamações que estavam sendo feitas a ele, e com isto levou consigo, outros 2 jogadores que estavam de carona com ele. A brincadeira simplesmente acabou. Quando isto aconteceu, percebi que a falta de comunicação é tão prejudicial quanto o mau uso do poder. Nos dois exemplos que eu relatei, as conseqüências foram as mesmas, ou seja, a brincadeira acabou e sobrou uma tremenda frustração e nem todos conseguiram entender direito o que aconteceu. Então se não é dado a todos a possibilidade do poder, pelo menos a oportunidade de comunicação é dada e temos que fazer um bom uso dela. Ficar recluso em nossos pensamentos, “bicudos”, resmungando, ou procurar se afastar, achando que assim resolveremos nossos problemas, são atitudes que geram efeitos colaterais que não atingem somente a nós, mas a todos os envolvidos no trabalho, família ou qualquer outro grupo que façamos parte. Se você não concorda com algo, se expresse, exponha seu ponto de vista, pois é assim que você estará dando a oportunidade aos outros conhecerem as suas opiniões. Não espere aceitação de todos. É difícil, mas tente aceitar mais os outros… do que tentar sempre ser aceito, mas nunca, nunca mesmo deixe de se comunicar. Se hoje você deixa de se comunicar, procure então não reclamar da falta de compreensão, ou evite ficar achando que o mundo está contra você. A comunicação foi construída para abrir horizontes e não como uma ferramenta de fechamento de horizontes. Não reclame de quem se comunica demais, ou os chamados “oversharing”, pois isto é fácil de você bloquear ou filtrar, mas olhe para sua dificuldade de comunicação, pois você pode estar perdendo muitas oportunidades com isto. A escolha ainda é sua. ## Chefe, gestor ou líder? - Parte 2 URL: https://www.advisor.tips/pt/post/chefe-gestor-ou-lider-parte-2 Data: 2023-04-15 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas Dando continuidade no artigo escrito aqui nesse blog, sobre esse assunto que as vezes gera dúvidas e até polêmicas. Um tempo atrás eu escrevi um artigo aqui nesse blog, entitulado "Chefe, gestor ou líder?". Resolvi falar um pouco mais sobre esse tema. Gosto muito de analogias, pois elas facilitam o entendimento de assuntos mais complexos. Nesse assunto específico de definição sobre Chefes, Gestores e Líderes, podemos fazer uma analogia com um time de futebol. Imagine uma equipe de futebol. O chefe seria como o árbitro, responsável por fazer cumprir as regras e decidir o que é certo e errado. O gestor seria como o técnico, responsável por organizar a equipe, definir estratégias e garantir que todos os jogadores estejam desempenhando bem suas funções. Já o líder seria como o capitão do time, aquele que inspira e motiva os jogadores, mostrando-lhes o caminho a seguir e guiando-os rumo à vitória. Assim como no futebol, cada papel tem uma função específica, mas para alcançar o sucesso, é preciso que os três trabalhem juntos em harmonia. O chefe deve garantir que as regras sejam cumpridas, mas sem esquecer de motivar a equipe. O gestor deve organizar o trabalho, mas sem perder de vista a importância de inspirar e motivar os colaboradores. Já o líder deve guiar e motivar, mas sem deixar de lado a responsabilidade de manter a equipe alinhada aos objetivos da organização. Nessa linha, a empresa também precisa de um equilíbrio entre chefe, gestor e líder. Um bom chefe deve saber usar sua autoridade de forma justa e coerente. Um bom gestor deve saber administrar e gerir os recursos e a equipe de forma responsável. E um bom líder deve saber influenciar e motivar sua equipe para que todos trabalhem juntos em busca dos objetivos comuns. Ao buscar esse equilíbrio, não se trata apenas de ter um título ou cargo específico, mas sim de desempenhar cada papel com eficiência e eficácia. Então, não se trata de ser uma coisa ou outra, mas sim de ser um profissional completo, que saiba usar suas habilidades e competências de forma a maximizar os resultados da equipe e da empresa como um todo. Não se preocupe com rótulos ou títulos, mas sim em desenvolver as habilidades necessárias para ser um profissional completo. Seja um técnico, um capitão ou um árbitro em sua empresa, buscando sempre o equilíbrio e a excelência em tudo o que faz. E lembre-se, assim como um time de futebol, uma equipe de trabalho só alcança o sucesso quando todos trabalham juntos em busca de um objetivo comum. ## O Poder das Palavras: Como um Líder Pode Inspirar ou Desanimar Sua Equipe Rapidamente URL: https://www.advisor.tips/pt/post/o-poder-das-palavras-como-um-lider-pode-inspirar-ou-desanimar-sua-equipe-rapidamente Data: 2025-03-01 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Liderança & Pessoas No universo profissional, a forma como comunicamos é uma das ferramentas mais valiosas que um líder tem para guiar sua equipe. Muitas vezes, sem querer, os líderes podem dar um impulso aos seus funcionários ou, pelo contrário, fazê-los perder a motivação em poucos minutos. O que causa esse efeito? A escolha das palavras e a maneira como as expressamos. A Influência das Palavras no Ambiente de Trabalho Imagine duas situações diferentes. Na primeira, um líder avalia um projeto e fala: "Isto está ruim, precisa de muitos ajustes". Na segunda, ele diz: "Você está indo bem, e podemos ajustar algumas coisas para melhorar ainda mais". Ambos mostram que é preciso fazer ajustes, mas a segunda forma incentiva o funcionário a crescer, enquanto a primeira pode causar frustração e insegurança. As palavras moldam o clima no trabalho. Um líder que sempre usa palavras negativas pode criar um ambiente de medo e baixa produtividade. Por outro lado, aqueles que usam uma comunicação positiva promovem a criatividade, o envolvimento e a motivação dos times. Dicas para Usar as Palavras de Forma Inteligente Reconhecer o esforço da equipe faz toda a diferença. Pequenos gestos, como um "Parabéns pelo trabalho!" ou "Seu esforço fez toda a diferença", ajudam na autoestima e na motivação dos funcionários. Além disso, ser claro e objetivo evita confusões e cria um ambiente mais colaborativo. Em vez de dizer "Isto não está bom", diga "Aqui estão algumas coisas que podemos melhorar juntos". A escuta atenta também é muito importante na comunicação. Ouvir com atenção a equipe mostra respeito e fortalece a confiança entre todos. Além disso, usar palavras que motivam como "acreditamos em você", "sabemos que você consegue" e "estamos juntos" aumenta a sensação de pertencimento e colaboração, criando um ambiente mais positivo e produtivo. O Líder como Facilitador da Motivação Mais do que apenas dar tarefas, um líder deve ajudar a equipe a crescer e se desenvolver. Quando usamos uma comunicação que é estratégica e humana, o ambiente se torna mais produtivo, inovador e colaborativo. Por isso, antes de falar com sua equipe, pense: suas palavras estão ajudando ou atrapalhando? Pequenas mudanças na forma de falar podem mudar a cultura da empresa e melhorar os resultados. Gostou deste conteúdo? Continue acompanhando o blog da Advisor Tips para mais ideias sobre liderança e gestão de equipes! Artigo também publicado no LinkedIn. Rucelmar Reis # Crescimento, Startups & Estratégia ## O que aprendi fazendo negócios em Portugal URL: https://www.advisor.tips/pt/post/negocios-em-portugal-expansao-europa Data: 2026-06-05 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Acabo de passar um mês intenso em Portugal, conduzindo a internacionalização de uma empresa de tecnologia brasileira em solo europeu. Não foi uma viagem de turismo (muito longe disso) ou uma análise à distância de relatórios sobre o mercado europeu. Foi um mês vivendo o dia a dia, indo em várias autarquias e concelhos, sentando em mesas de negociação, conversando com contabilistas e advogados locais, entendendo como o europeu pensa e, principalmente, como o português faz negócios. Volto para o Brasil com uma bagagem pesada de aprendizados, mas com a certeza de que precisarei retornar em poucos dias, tamanhas são as oportunidades nessa terra. Esse mercado exige acompanhamento de perto. E a oportunidade que se desenha na parceria entre Brasil e Portugal é grande demais para ser tratada à distância. O primeiro choque cultural que a gente sente não é a língua, mas a forma de usá-la. O brasileiro é o mestre da entrelinha, do "jeitinho", do contorno. Nós amortecemos as palavras para não gerar atrito. O português, por outro lado, é direto e literal. Se a resposta for não, é não. Sem rodeios, sem promessas vazias de "vamos marcar um café". No começo, essa objetividade assusta o executivo brasileiro acostumado a ler sinais invisíveis. Mas, depois de alguns dias, você percebe a eficiência disso. A diretividade portuguesa economiza tempo, energia e alinha expectativas de forma cristalina. É uma lição importante sobre como a comunicação nos negócios deveria ser: clara, objetiva e sem ruídos. Afinal, a gente fala tanto que precisamos disso, mas na prática somos treinados a "quebrar o gelo", dar aquela volta até ir ao ponto. E não se trata de falta de educação. Uma conversa direta é respeitosa, pois respeita o que cada um tem de mais precioso: O tempo. OK, mas o que nós, brasileiros, trazemos na bagagem e aplicamos com sucesso aqui? A nossa resiliência e a capacidade de adaptação rápida. Nós fomos forjados, desde sempre, em um mercado instável, complexo e altamente competitivo. Quando uma empresa de tecnologia brasileira aterrissa em Portugal, ela traz uma agilidade operacional e uma fome de inovação que sacodem o ambiente local. Nós sabemos escalar soluções com rapidez, algo que o ecossistema europeu, por vezes mais engessado e cauteloso, admira e precisa. Se as conversas em Portugal são mais diretas, as ações, tentem a ser mais demoradas do que estamos acostumados. E aqui entra um ponto que me chamou muita atenção: as Smart Cities. Como a solução de tecnologia que vim implementar é de Inteligência Urbana, precisei estudar o mercado. Quando olhamos para o ranking global do IMD Smart City Index de 2026, vemos Zurique, Oslo e Londres no topo. Cidades portuguesas como Lisboa e Porto, apesar de todo o charme e do boom de startups (já são mais de 5.000 no país), ainda patinam para entrar na elite das cidades verdadeiramente inteligentes. Por quê? Porque Portugal ainda sofre com gargalos de infraestrutura legada, burocracia na adoção de tecnologias urbanas e uma velocidade de implementação que não acompanha a velocidade da inovação que nasce nos seus próprios hubs tecnológicos. Mas para minha surpresa, encontrei um catalisador gigantesco no horizonte que vai mudar esse cenário: a Copa do Mundo de 2030. Portugal será sede junto com Espanha e Marrocos. Estádios como a Luz e Alvalade, em Lisboa, e o Dragão, no Porto, serão palcos globais. E é aqui que a nossa experiência brasileira vale ouro. Nós vivemos a Copa de 2014. Nós sabemos exatamente o que funciona e o que vira "elefante branco". Nós aprendemos a duras penas sobre mobilidade urbana temporária, sobre a necessidade de conectividade robusta em massa e sobre segurança cibernética em megaeventos. Portugal vai experimentar nos próximos quatro anos uma injeção brutal de investimentos para modernização urbana. É a chance de ouro para dar o salto definitivo no conceito de Smart Cities. E quem melhor para fornecer tecnologia, infraestrutura de software e inteligência de dados para esse momento do que as empresas brasileiras que já passaram por isso? A parceria Brasil e Portugal pode ser muito maior do que a simples imigração de talentos. Saiba que hoje já somos mais de 200 mil brasileiros morando lá. Portugal é a nossa porta de entrada mais estratégica para a União Europeia. O Brasil é a escala de mercado e a agilidade de execução que Portugal precisa para validar tecnologias antes de expandir pelo continente. Saio desse primeiro mês de convivência com os portugueses com um bom sentimento de acolhimento e de muitas possibilidades de parcerias e negócios duradouros. Vi, na prática, que a nossa tecnologia não deve nada à europeia. Confiante porque a nossa capacidade de execução é um diferencial competitivo real. Internacionalizar não é abrir um CNPJ (ou NIPC aqui) e achar que tudo vaio acontecer em uma esteira de progresso. É construir pontes sólidas, trabalhar muito, estabelecer conexões para tentar ser aceito pela comunidade portuguesa, entender a literalidade do outro e estar presente quando as oportunidades de 2030 começarem a se desenhar hoje. Se você pensa em trazer o seu negócio para a Europa, fica meu conselho: Comece por Portugal. Mas não venha sozinho, com a cara e a coragem apenas (você vai precisar das duas também), mas conte com consultoria especializada, que pode economizar alguns tombos e muito dinheiro. Mais uma vez eu reforço: Não existe vácuo nos negócios. Todo empresário que tem um produto maduro enfrenta, em algum momento, a mesma encruzilhada: ou você leva o que já provou para onde ainda não chegou, ou você cria algo novo para quem já confia em você. As duas direções têm lógica, têm risco e têm recompensa. O que não tem lógica é ficar parado, achando que o mercado onde você está hoje vai ser suficiente para sempre. Se o seu produto tem musculatura para competir na Europa, alguém vai ocupar esse espaço. A questão não é se vai acontecer. É se vai ser você ou o seu concorrente. Eu prefiro sempre ser o primeiro a chegar. Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Quando a ousadia do fundador vira a própria trava URL: https://www.advisor.tips/pt/post/quando-a-ousadia-do-fundador-vira-a-propria-trava Data: 2026-05-11 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Tenho visto muitos empresários falando que sua empresa tem controle e que ele sabe exatamente o que está acontecendo. Por outro lado, na mesma frequência, ouço empresários dizendo que ganham dinheiro, mas ficam inseguros em dar os próximos passos, justamente pela falta de dados e controles. Vamos dividir esses sentimentos para ver se conseguimos mapear o que acontece. De uma forma geral, o empresário raiz aceita a conformidade, mas instintivamente rejeita a governança tradicional. Ele sabe que distribuir decisões em ritos, fóruns e comitês engessados pode matar a liberdade de decidir que o trouxe até aqui. Se os fundadores fossem brutalmente sinceros, os quadros de "Missão, Visão e Valores" em suas salas seriam bem diferentes dos manuais de RH. Seria algo assim, e poucos divulgariam: Missão: Ganhar dinheiro com meu negócio e provar para mim mesmo que sou capaz de montar algo promissor. Visão: Dar certo, ser grande e ser bem-sucedido. Valores: Lucro em primeiro lugar. Depois, busco a conformidade, se der, e se não me deixar menos competitivo, atrapalhando o jogo. Essa falta de sinceridade não é cinismo; é necessidade do motor do crescimento. O "caos lucrativo" de quem está na trincheira decidindo no "feeling" é o que faz a roda girar. Foi assim que tudo começou e se manteve. No entanto, o lucro nesse estágio é muitas vezes um "lucro apesar de". O negócio prospera apesar de algumas ineficiências, porque a visão e a oportunidade são maiores que os erros. Mas por que tantas empresas com gestão muito centralizada e pouco profissional conseguem chegar a bilhões de faturamento? Não é sorte pura, nem competência pura: é uma combinação de fatores estruturais que sustentam o crescimento apesar das fragilidades de gestão. Primeiro fator, podem ser ventos de cauda macroeconômicos: quando o mercado inteiro cresce 15-20% ao ano, até empresas mal geridas surfam a onda. O fundador confunde crescimento do mercado com competência própria. Segundo, barreiras de entrada: concessões, licenças, controle de ativos escassos ou vantagem de first-mover criam fossos competitivos que protegem a empresa por anos, mesmo com gestão amadora. Ser primeiro, às vezes dá uma vantagem difícil de ser vencida para a concorrência. Terceiro, o próprio paradoxo da centralização: nos estágios iniciais, decisões rápidas e visão unificada do fundador são uma vantagem real. O que funciona com 50 pessoas simplesmente não funciona com 5.000, mas entre o ponto em que a centralização começa a prejudicar e o ponto em que a empresa de fato entra em crise podem se passar 10 a 15 anos de faturamento crescente, criando a ilusão de que o modelo funciona. Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia, ao analisar o "Built to Last" de Collins e Porras, argumentou que boa parte do sucesso de empresas duradouras é regressão à média disfarçada de excelência gerencial. Trocando em miúdos: quando os ventos mudam, a empresa que confundiu conjuntura com competência descobre que os "botões" que eram apertados antes deixam de funcionar no painel de gestão centralizada. O que parecia ser excelência gerencial era, na verdade, o mercado carregando o negócio nas costas. Essa não é uma observação apenas teórica. Ao longo da minha trajetória profissional, atuei dentro de empresas que faturavam bilhões de reais por anos e que, por dentro, operavam com níveis surpreendentemente baixos de maturidade em controles, governança e descentralização de decisões. Eram organizações gigantes sustentadas pela força da visão do fundador, por vantagens competitivas estruturais e por mercados em expansão, não por processos sofisticados. Essa vivência me mostrou, na prática, que o tamanho do faturamento não é prova de excelência gerencial: muitas vezes é apenas evidência de que as condições externas foram generosas o suficiente para compensar as fragilidades internas. E é exatamente quando essas condições mudam que a conta chega. O desafio, portanto, é transformar esse fôlego em um "lucro por causa de", onde a estrutura potencializa o resultado em vez de apenas ser carregada por ele. ### Três pilares da realidade empresarial Para evoluir, se quiser, o empresário precisa entender as forças que sustentam seu sucesso atual e onde elas escondem armadilhas para a perenidade. O sucesso é o equilíbrio entre essas forças: ### 1. O "caos lucrativo" vs. "controle estéril" O contraste é visível no mercado. De um lado, empresas de tecnologia que adotam o Blitzscaling (priorizar a velocidade sobre a eficiência em cenários de incerteza). Elas crescem a velocidades extraordinárias e conquistam mercados inteiros, mesmo com processos internos caóticos. Como Reid Hoffman e Chris Yeh descrevem no livro "Blitzscaling" (2018), essas empresas sacrificam eficiência e rentabilidade de curto prazo em nome da velocidade, apostando que a escala e os efeitos de rede compensarão o investimento no longo prazo. O lucro não pode ser minimizado, mas ele não deve ser o álibi para a ineficiência que, no futuro, deve cobrar seu preço. Do outro lado, temos o "Controle Estéril". Pesquisas de Gary Hamel e Michele Zanini (London Business School / Management Lab) estimam que, se a carga burocrática nas economias da OCDE fosse reduzida pela metade, o ganho seria de cerca de US$ 9 trilhões em produção econômica. Bancos com governança plena (IBGC) e comitês para cada vírgula muitas vezes operam no prejuízo porque a burocracia virou um fim em si mesma, sufocando a agilidade. Eu vi isso na prática acontecendo. ### 2. Hipocontrole vs. hipercontrole O "feeling" do empresário (hipocontrole) é o que permite a agilidade e a inovação. É o que a Bain & Company chama de "Founder's Mentality" (Mentalidade do Fundador). Segundo o estudo da Bain com milhares de empresas, aquelas que mantêm os traços do fundador, foco no cliente, obsessão pela linha de frente e senso de insurgência; geram retornos aos acionistas 3 vezes maiores do que os pares, segundo dados da Bain desde 1990. A pesquisa também aponta que apenas 1 em cada 9 empresas consegue sustentar crescimento lucrativo por mais de uma década, e 85% dos executivos atribuem essa perda de fôlego a fatores internos, não externos. Ou seja, a empresa não para de crescer porque o mercado secou: ela para porque a complexidade interna sufocou o que a fazia ágil. O problema é o hipercontrole: quando a governança é imposta de fora para dentro, sem conexão com o negócio, ela mata essa alma. O segredo da perenidade não é trocar a ousadia pela regra, mas criar uma "Estrutura Mínima Viável" que proteja o lucro sem engessar o dono. Felizmente, já vejo isso acontecendo com uma parte dos fundadores de empresas. ### 3. A "religião" do fundador Em negócios de hipercrescimento, a visão do dono é a única bússola. As pessoas não seguem processos; elas seguem uma "religião", uma servidão baseada em propósito e carisma. Esse poder gera um nível de sacrifício que nenhuma regra de compliance consegue replicar. Contudo, a perenidade exige que essa "religião" evolua para uma Cultura de desempenho. Se a empresa depende 100% do carisma do líder para funcionar, ela não é um negócio, é um culto. E cultos morrem com seus líderes. O lucro real e duradouro vem de transformar a "fé" em sistemas que funcionem mesmo quando o fundador não está na sala. ### A lei de Conway Um conceito fundamental para entender essa trava é a Lei de Conway, formulada pelo cientista da computação Melvin Conway em 1967 e popularizada por Fred Brooks em "The Mythical Man-Month". Conway observou que as organizações produzem sistemas que são cópias fiéis de suas estruturas de comunicação. Embora a lei tenha sido formulada no contexto de engenharia de software, sua lógica se aplica com força a qualquer empresa: o negócio como um todo é um "sistema" moldado pela forma como as pessoas se comunicam e decidem dentro dele. No caso de uma empresa liderada por um fundador centralizador, o "sistema" (o negócio) será um reflexo direto de sua capacidade de processamento mental. Quando a empresa cresce, a complexidade interna aumenta exponencialmente. Se o fundador continua sendo o único ponto de decisão, ele se torna o gargalo. A ousadia que o levou até ali agora é a causa da "Inflação de complexidade": o esforço para manter o negócio rodando cresce mais rápido que o valor gerado. O lucro continua existindo, mas ele é "lucro apesar de" um dono que não consegue mais soltar as rédeas. E se soltar, a carroça sai do caminho. ### O dilema da perenidade Em seu clássico "Built to Last" (1994), Jim Collins e Jerry Porras destacam que as empresas visionárias estudadas, com idade média de quase 100 anos, são aquelas que conseguem preservar o núcleo (a essência do fundador) enquanto estimulam o progresso (a estrutura profissional). O fundador intempestivo muitas vezes confunde "preservar o núcleo" com "manter o controle absoluto". O momento em que o fundador não tem mais opção e precisa buscar novas formas de gerir é quando o risco deixa de ser um aliado da oportunidade e passa a ser uma exposição que ameaça o patrimônio construído. É o momento de decidir se você quer ser o dono de um castelo de areia que brilha ao sol hoje, mas desmorona na primeira maré alta, ou o arquiteto de uma fortaleza perene, que passará por gerações. ### O teste da relevância do caos Mas, se você é um fundador de empresa e está lendo esse artigo, como saber se você ainda precisa da informalidade de decisões ou se ela está te matando? Use a Matriz de Tração: ### Sincronia de autoridade A transição da informalidade para a perenidade não exige uma governança de manual. Exige o que chamamos de Sincronia de autoridade: 1. Identificar o "lucro apesar de": Mapear onde a ineficiência está drenando recursos que poderiam ser reinvestidos em escala. 2. Descentralização controlada: Criar fóruns de decisão que não dependam do dono, mas que sigam a sua "visão" (a religião transformada em princípios). 3. Profissionalização da linha de frente: Investir em lideranças que tragam novas visões, respeitem o que foi construído, mas que tenham a coragem de questionar o fundador, protegendo o negócio de decisões intempestivas. O desafio para o empresário de sucesso é entender que profissionalizar não é "perder o poder", é escalar a sua visão. Se um processo de profissionalização significar a retirada de poderes essenciais do fundador, provavelmente ele foi mal-conduzido. Valorize o lucro que você gera hoje, mas construa a estrutura que garantirá que esse lucro não seja apenas um acidente de percurso, mas o resultado de um negócio perene. A pergunta final que precisa ser respondida com toda sinceridade pelo fundador: Você está construindo um império que sobrevive a você, ou um monumento ao seu ego e à sua própria necessidade de controle? Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Sua empresa pode ter Finalidade, mas não ter um Destino definido. URL: https://www.advisor.tips/pt/post/sua-empresa-pode-ter-finalidade-mas-nao-ter-um-destino-definido Data: 2025-09-17T18:01:47.171Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Todo empresário sabe exatamente qual é a finalidade da sua empresa: vender produtos, prestar serviços, resolver problemas, gerar lucro. É isso que move o dia a dia, consome energia e define prioridades. Mas aqui está a pergunta que poucos fazem: qual é o destino da sua empresa? A diferença é simples, mas crucial. Finalidade é o que você faz hoje. Destino é para onde sua empresa vai amanhã. ### O Problema: Vivemos Obcecados pela Finalidade É compreensível. A finalidade é urgente, tangível, mensurável. Vendas do mês, fluxo de caixa, satisfação do cliente, produtividade da equipe. São métricas que batem na porta todos os dias exigindo atenção. O destino, por outro lado, parece abstrato. "Vou pensar nisso quando a empresa estiver maior", "quando eu me aposentar", "quando surgir uma oportunidade". O problema é que destino não é opcional — toda empresa terá um, planejado ou não. Os dados são implacáveis. Das empresas que nasceram em 2017, apenas 37,9% ainda estavam ativas em 2022. A curva de mortalidade é consistente e previsível: a cada ano, mais empresas desaparecem [2]. ### Os Três Destinos Inevitáveis (Não existem outros) Toda empresa, sem exceção, terá um destes três destinos: ### 1. Fusão ou Aquisição (M&A): A Colheita Estratégica Para empresas bem estruturadas, M&A é a oportunidade de transformar anos de trabalho em valor real. O mercado brasileiro está aquecido — 2025 registrou crescimento de 14,6% nas transações, com projeção de 1.400 operações no ano [3]. Mas M&A não é loteria. Empresas que conseguem boas avaliações têm algo em comum: governança organizada, processos documentados e visão de longo prazo. Quem vive apenas na finalidade, sem pensar no destino, chega na mesa de negociação desorganizado e perde valor. ### 2. Sucessão: A Arte de Perpetuar o Legado Sucessão é o sonho de muitos fundadores, especialmente em empresas familiares — que representam 90% das empresas brasileiras e 65% do PIB nacional [4]. Mas a realidade é dura: apenas 30% das empresas familiares sobrevivem à transição para a segunda geração, e somente 12% chegam à terceira [5]. O principal motivo? Falta de planejamento. Apenas 25% das empresas familiares no Brasil têm um plano de sucessão formal [5]. O resto vive na ilusão de que "quando chegar a hora, a gente resolve". ### 3. Encerramento: Quando o Destino é Decidido pelas Circunstâncias Aqui está a correção importante: nem todo fechamento é falência. Empresas podem ser encerradas por diversos motivos legítimos — mudança de estratégia, saída de sócios, pivotagem para novos negócios, ou simplesmente porque o fundador decidiu seguir outro caminho. O problema não é o encerramento em si, mas quando ele acontece por falta de planejamento. Quando a empresa fecha porque "não deu certo", porque os recursos acabaram, porque os sócios brigaram, ou porque ninguém pensou no que fazer quando o fundador não pudesse mais tocar o negócio. ### Por Que Ignorar o Destino Custa Caro A falta de planejamento do destino gera consequências que vão muito além do fechamento: Desvalorização do Negócio: Uma empresa sem governança clara e processos organizados vale menos para compradores e investidores. Conflitos Desnecessários: Sem um plano claro, disputas entre sócios e herdeiros paralisam a operação. Perda de Conhecimento: A saída abrupta de um fundador leva embora capital intelectual e relacionamentos estratégicos. Oportunidades Perdidas: Empresas que não se preparam perdem janelas de M&A ou sucessão em momentos favoráveis. "A saída de um profissional experiente pode levar à perda de conhecimento e expertise valiosos para a empresa. A falta de um plano de sucessão pode desvalorizar a empresa, tornando-a menos atraente para potenciais compradores ou investidores." - Edson Santana, Edson Santana Advogados [4]. ### A Solução: Planeje o Destino Desde o Início Destino não é algo para se pensar no final — é estratégia desde o primeiro dia. Empresários que pensam no destino desde cedo tomam decisões diferentes. Investem em governança, documentam processos, desenvolvem equipes, estruturam a empresa para ser atrativa — seja para compradores, sucessores ou para uma saída organizada. Cinco Ações Práticas: • Defina seu destino preferido: M&A, sucessão ou saída planejada? Não precisa ser definitivo, mas precisa ser consciente. • Invista em governança: Processos claros, documentação organizada, separação entre pessoa física e jurídica. • Desenvolva pessoas: Prepare sucessores, seja na família ou na equipe. Isso aumenta o valor da empresa em qualquer cenário. • Conheça seu valor: Faça avaliações periódicas (valuation) para entender o que sua empresa vale hoje e o que pode valer amanhã. • Busque orientação especializada: Consultores em M&A, sucessão e governança não são luxo — são investimento estratégico. ### A Escolha é Sua A diferença entre empresários que constroem legados e aqueles que viram estatística está na coragem de encarar uma verdade simples: toda empresa terá um destino. A única questão é se você vai escolhê-lo ou se ele será escolhido pelas circunstâncias. Finalidade mantém sua empresa viva hoje. Destino garante que ela tenha valor amanhã. A pergunta não é se sua empresa terá um destino. A pergunta é: quem vai decidir qual será? Você, ou o acaso? Rucelmar Reis C-Level | Board Member | Advisor | Mentor Sócio Fundador da AdvisorTips Essa publicação faz parte do website Advisor.Tips e é protegida por direitos autorais. ### Referências [1] Exame. (2024, 5 de dezembro). 60% das empresas não sobrevivem após cinco anos no Brasil, aponta IBGE. https://exame.com/negocios/60-das-empresas-nao-sobrevivem-apos-cinco-anos-no-brasil-aponta-ibge/ [2] IBGE. (2024). Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2022. [3] Trade. (2025, 11 de agosto). Crescimento de M&A no Brasil em 2025. https://tradecon.com.br/crescimento-de-mea-no-brasil-em-2025/ [4] TrendsCE. (2024, 17 de abril). Empresas familiares no Brasil respondem por 65% do PIB. https://www.trendsce.com.br/2024/04/17/empresas-familiares-no-brasil-respondem-por-65-do-pib/ [5] Renda Maior. (2025, 25 de abril). Estratégias de Saída (Exit Planning) para Empreendedores: Guia Completo. https://rendamaior.com.br/estrategias-de-saida-exit-planning-para-empreendedores-guia-completo/ ## Quarto Companheiro do Fracasso: Falta de Escassez URL: https://www.advisor.tips/pt/post/quarto-companheiro-do-fracasso-falta-de-escassez Data: 2024-01-03T13:23:00.738Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Você já ouviu falar dos incas, maias e astecas, as civilizações antigas da América Central e do Sul? Eles habitavam regiões montanhosas e extremamente áridas, onde a sobrevivência não era fácil. E, no entanto, essas civilizações desenvolveram tecnologias e conhecimentos surpreendentes que até hoje intrigam historiadores e cientistas. Mas por que eles conseguiram isso? A resposta está na escassez de recursos naturais. 1. A Escassez como Mãe da Inovação As civilizações dos incas, maias e astecas enfrentaram um ambiente hostil. Eles viviam em regiões onde a agricultura era desafiadora, e a falta de recursos naturais era uma realidade diária. Mas foi essa escassez que os impulsionou a inovar e criar soluções engenhosas para sobreviver. 2. O Conhecimento dos Incas Os incas, por exemplo, construíram cidades incríveis nas montanhas dos Andes. Eles desenvolveram sistemas agrícolas em terraços que permitiam cultivar alimentos em altitudes elevadas. Eles também tinham conhecimentos avançados de engenharia civil, criando estradas e pontes impressionantes em um terreno acidentado. 3. A Complexidade da Matemática Maia Os maias, conhecidos por seu calendário preciso e suas realizações em matemática, desenvolveram sistemas complexos de contagem e medição. Eles usavam sua matemática para rastrear o tempo e os eventos astronômicos com precisão notável. 4. Os Astecas e suas Habilidades Agrícolas Os astecas, em meio à escassez de terras férteis, criaram jardins flutuantes conhecidos como "chinampas". Essas ilhas artificiais eram usadas para cultivar alimentos e flores, demonstrando sua habilidade em superar a falta de recursos naturais. 5. O Paralelo com as Startups Agora, traga essa lição para o mundo das startups. Startups que enfrentam desafios de recursos frequentemente se tornam mais inovadoras, mais ágeis e mais eficientes. A necessidade de reinventar e encontrar soluções criativas pode impulsionar a criatividade e o sucesso. 6. A Abundância Pode Levar à Comodidade Por outro lado, startups com recursos em excesso podem cair na armadilha da comodidade, assim como os nativos tropicais que tinham abundância de recursos naturais e um clima pouco desafiador. Isso fez com que não tivessem a necessidade de desenvolver técnicas avançadas como os povos da cordilheira e dos desertos. Ter tudo à disposição pode fazer com que se acomodem e deixem de buscar soluções inovadoras. 7. O Companheiro do Fracasso A falta de escassez de recursos, paradoxalmente, pode ser o quarto "companheiro do fracasso" para as startups. Ela gera comodismo e acomodação, impedindo a busca constante por soluções inovadoras e eficazes. A escassez de recursos pode ser uma oportunidade para a criatividade florescer, enquanto a abundância pode exigir muita disciplina e governança de recursos para não gerar acomodação demasiada e acabar tolhendo a criatividade fundamental para as startups. Artigo também publicado no LinkedIn. ## Segundo Companheiro do Fracasso: Ideias Brilhantes que Não Decolam URL: https://www.advisor.tips/pt/post/ideias-brilhantes-que-nao-decolam-a-importancia-do-mercado Data: 2023-11-26T20:42:45.763Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Você já teve uma ideia genial que parecia revolucionar o mundo, mas acabou ficando apenas no papel? Acredite, você não está sozinho. Muitas mentes criativas enfrentam esse dilema: uma ideia brilhante, porém, sem mercado. Nesse artigo, quero explorar por que isso acontece e como você pode evitar esse obstáculo, que pode ser um dos companheiros do fracasso. 1. O Brilho da Inovação É incrível como a criatividade humana pode gerar inovações incríveis. No entanto, nem toda inovação tem aplicabilidade no mercado. Pergunte a si mesmo: Sua ideia resolve um problema real? Existe demanda por ela? Às vezes, a empolgação com a novidade pode ofuscar a necessidade real do mercado. 2. A Necessidade de um Mercado Alvo Você pode estar se perguntando: Como sei se há mercado para minha ideia? É aqui que entra o planejamento de negócios. Identificar seu mercado-alvo, entender suas necessidades e avaliar a concorrência são etapas cruciais. Se você não sabe quem vai comprar sua inovação, está navegando às cegas. 3. A Armadilha do "Legal, mas Não Necessário" Estive recentemente em duas grandes feiras de inovação na Europa, no entanto, fica claro que muitas delas não tem aplicabilidade no mundo dos negócios. Muitas ideias se enquadram na categoria do "legal, mas não necessário". São coisas que as pessoas podem achar interessantes, mas que não resolvem um problema premente ou não melhoram significativamente suas vidas. Certamente, é bom ter algo legal, mas sua startup precisa ir além disso. 4. O Plano de Negócios como Guia Para evitar a armadilha de uma ideia sem mercado, você precisa de um plano de negócios sólido. Esse plano será seu guia, ajudando-o a validar sua ideia, entender seu público-alvo, identificar a concorrência e definir uma estratégia de vendas. Um plano bem elaborado é como um mapa que o levará ao seu destino: o sucesso. 5. Faça as Perguntas Certas Então, antes de investir tempo e recursos em uma ideia brilhante, faça a si mesmo algumas perguntas cruciais: Quem precisa disso? Por quê? Como minha inovação resolve um problema real? Se você não tiver respostas claras e fundamentadas, é hora de voltar à prancheta. Lembre-se, o entusiasmo inicial é importante, mas uma startup de sucesso é construída sobre alicerces sólidos. Garanta que sua ideia brilhante tenha um mercado esperando por ela. Só assim você estará evitando mais um companheiro do fracasso. Artigo também publicado no LinkedIn. ## Primeiro Companheiro do Fracasso: A Falta de Diversidade de Especialidades. URL: https://www.advisor.tips/pt/post/o-primeiro-companheiro-do-fracasso-a-falta-de-diversidade-de-especialidades-na-sua-startup Data: 2023-11-24T17:30:57.853Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Resolvi abordar o que eu chamo dos 4 Companheiros do Fracasso das Startups. Eles sempre andam juntos, e tem feito um estrago grande no mercado, sendo responsáveis por grande parte da mortalidade de negócios promissores. Nessa série de 4 artigos, vamos falar sobre eles. O primeiro deles é a falta da diversidade. Você já parou para pensar por que algumas startups florescem enquanto outras lutam para sobreviver? Por que algumas ideias brilhantes parecem não decolar, enquanto outras se transformam em empresas de sucesso? A resposta muitas vezes está na diversidade - não apenas na diversidade que costumamos ouvir falar em momentos que se fala tanto em ESG, mas também na diversidade de especialidades e de pensamento. 1. Uma Equipe de Fundadores Complementar Imagine uma startup fundada por um grupo de amigos com formação idêntica e experiência semelhante. Eles podem compartilhar afinidades, mas também podem compartilhar pontos cegos que passam despercebidos. Agora, considere uma startup com co-fundadores de diferentes especialidades: um engenheiro de software, um especialista em marketing, um designer e um estrategista de negócios. Cada um traz uma perspetiva única para a mesa, criando uma equipe mais resiliente e adaptável. 2. Pensamento Crítico e Inovação A diversidade de especialidades significa que você terá pessoas olhando para o problema de diferentes ângulos. Quando pessoas com formações diversas se reúnem, surgem ideias mais criativas e inovadoras. Questões complexas são abordadas de maneiras variadas, permitindo soluções mais eficazes e, muitas vezes, disruptivas. Você quer que sua startup seja mais do mesmo ou quer desafiar o status quo? Afinal, o princípio de uma startup não é construir algo inovador? 3. Minimizando Lacunas e Fraquezas Não importa o quão habilidosos sejam os fundadores, todos têm suas lacunas. Ter uma equipe com especialidades variadas ajuda a preencher essas lacunas de conhecimento e habilidade. Isso significa que sua startup está mais bem preparada para enfrentar obstáculos imprevistos e se adaptar às mudanças do mercado. 4. A Questão Além da Diversidade Óbvia Muitas vezes, quando falamos de diversidade, nos concentramos em fatores como gênero, raça e origem étnica. Essa diversidade é fundamental e deve ser buscada, mas não devemos esquecer a diversidade de pensamentos e de especialidades. Ela também é essencial para criar uma riqueza de pensamento e capacidades diferentes. Então, meu conselho é que antes de iniciar sua próxima aventura empreendedora, pergunte-se: Sua equipe de fundadores possui uma diversidade real de especialidades? Você tem uma equipe capaz de entender os princípios básicos da solução que sua empresa vai propor? Estão prontos para enfrentar desafios de diferentes ângulos? Se não, talvez seja hora de repensar e trazer perspetivas variadas para a mesa, com outros sócios ou empresas consultoras que ajudem a preencher essas lacunas. Lembre-se, a diversidade de especialidades pode ser o seu trunfo, mas a falta dela pode ser mais um "companheiro do fracasso". Artigo também publicado no LinkedIn. ## Ecossistema de Growth URL: https://www.advisor.tips/pt/post/ecossistema-de-growth Data: 2023-04-05T20:19:49.245Z · Autor: Giuliana Felix · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Os negócios que mais crescem no mundo possuem um ecossistema de Growth. E o seu? Nos últimos anos, as startups têm se destacado por sua capacidade de crescer exponencialmente em pouco tempo. Muitas dessas empresas, como Uber, Airbnb e Whatsapp, alcançaram esse sucesso graças à adoção da metodologia de Growth. Infelizmente poucos empresários sabem o que é a metodologia de Growth, pois ainda é muito recipiente no Brasil. Então quanto antes você entender e colocar em prática mais oportunidades terá de surfar essa onda e ter um crescimento exponencial no seu negócio. Basicamente, o Growth é baseado essencialmente em testes constantes e experimentação para encontrar as melhores maneiras de adquirir, reter e monetizar clientes. As grandes startups que cresceram rapidamente adotaram essa metodologia e tinham uma equipe dedicada ao Growth utilizando dados e métricas para testar hipóteses e encontrar oportunidades de crescimento. O grande erro das empresas atualmente é testarem pouco, tirarem conclusões precipitadas e desenvolverem grandes projetos sem ao menos entender na percepção do cliente o quanto aquilo gerará valor. Além disso, perdem grandes oportunidades de crescimento por estarem presas em processos burocráticos e lentos. Um dos maiores cases de Growth é do Whatsapp que adotou que transformou a comunicação mundial com a sua solução. Inicialmente Jan Koum, fundador da empresa, criou o Whatsapp como uma lista de contatos que mostrasse o status de cada pessoa ao lado de seus nomes. E como o Whatsapp se tornou um gigante? Jan sabia que a sua maior oportunidade estava na escala, estava nas massas. E pra isso ele precisava tornar o Whatsapp de fácil acesso mesmo tendo parceria com a Apple. Então, eles projetaram o aplicativo não só pra smartphones, mas sim pra todos os celulares, até nos sistemas mais antigos. Depois de muitos testes, experimentos e otimização, eles entenderam que tinham oportunidade de crescimento oferecendo o envio das mensagens de forma mais barata do que o SMS que era pago naquela época. Depois de concluírem que isso gerava valor para o seu cliente eles expandiram a empresa, mais pessoas conheceram e indicaram o aplicativo para outros. Focaram na indicação do boca a boca. Com base nessa abordagem, o Whatsapp cresceu rapidamente, ganhando popularidade em todo o mundo. Esse é apenas um case de sucesso. Grandes empresas que cresceram rapidamente como Uber, Spotify, LinkedIn, Aibnb utilizaram a metodologia de Growth como peça fundamental para o sucesso permitindo que elas crescessem exponencialmente através de testes constantes e eficiência em marketing. As empresas que adotam essa abordagem são capazes de aprender com seus erros e fazer ajustes rapidamente, permitindo que elas se adaptem às necessidades de seus usuários e do mercado além de se tornarem rapidamente líderes em seus mercados. ## Startup ou Shutdown URL: https://www.advisor.tips/pt/post/startup-ou-shutdown Data: 2023-03-13T00:33:42.086Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Nos últimos anos, temos testemunhado um verdadeiro "boom" de empresas chamadas de startups, que prometem revolucionar o mercado e crescer rapidamente. No entanto, muitas dessas empresas acabam não cumprindo a promessa e fazem exatamente o oposto, encerrando suas operações precocemente e deixando um rastro de fracasso e frustração para investidores e colaboradores. Um dos fatores mais contundentes para essa situação é o não respeito a governanças e o modo de pouco controle que se costuma ter nesses negócios. Talvez o maior problema que se tem verificado é a falta de gestão sobre o caixa dessas empresas. Enquanto a expressão "Cash is King" tem sido amplamente utilizada no mundo dos negócios para destacar a importância do gerenciamento financeiro, muitas startups têm ignorado essa lição fundamental e acabam em uma situação financeira apertada. Com o dinheiro acabando, muitas dessas empresas são forçadas a buscar novos aportes, diluir a participação dos investidores e a fazer cortes drásticos em seus planos de expansão, ou até mesmo fecharem suas portas ao não conseguir novas séries de investimento. Nesse cenário de falta de gestão, surge o termo shutdown, que é muito mais apropriado para descrever a situação dessas empresas do que o termo startups. Enquanto o termo startup sugere um início promissor, o termo shutdown destaca o fim prematuro e fracassado dessas empresas. Muitas startups se concentram em gastar dinheiro para crescer rapidamente, sem levar em consideração a importância de manter uma reserva financeira e garantir que o fluxo de caixa esteja sob controle. Como resultado, essas empresas muitas vezes se encontram em uma situação de caixa apertado e são mais direcionadas a serem shutdown do que startups. Outro fator que contribui para o shutdown destas empresas é a falta de experiência dos executivos. Muitas vezes, esses empreendedores têm ideias inovadoras, mas não sabem como executá-las de forma eficaz. Eles podem ser bons em marketing e vendas, mas não têm experiência em gerenciamento financeiro ou administração geral de negócios. Isso pode levar a erros de gestão e à incapacidade de manter a empresa funcionando por tempo suficiente para alcançar o sucesso. Enquanto muitos empreendedores criativos continuam a perseguir o sonho de criar o próximo unicórnio (empresas que valem mais de US$ 1 Bilhão), é importante lembrar que o sucesso a longo prazo depende de uma abordagem cuidadosa e consciente em relação ao gerenciamento financeiro e à administração geral de negócios. Se isso não for mudado, teremos cada vez mais empresas shutdown e cada vez menos startups. O mercado precisa ficar atento a isso, e regular os investimento baseado em planos de negócio claros e eficientes, conduzidos por profissionais capacitados e experientes. Não se pode mais apostar em ideias inovadoras que não tem capital humano e processo bem estabelecidos para que a inovação aconteça. Se você é um investidor, ou tem uma grande ideia que acha que pode se converter em um grande negócio, lembre dessa expressão "Cash is King" pois ela pode evitar que sua startup já nasça sendo uma shutdown. Artigo também publicado no LinkedIn. ## É possível incrementar os resultados de campanhas de e-mail marketing? URL: https://www.advisor.tips/pt/post/e-possivel-incrementar-os-resultados-de-campanhas-de-e-mail-marketing Data: 2023-02-09T14:02:38.939Z · Autor: Adriano Pereira · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia A resposta para isso é quase que óbvia: sim, é possível. Mas... como? E aqui vem a surpresa: basta fazer o básico bem-feito. Não é necessariamente complexo, mas certamente é trabalhoso. E os resultados compensam! Segundo diversas pesquisas, estudos, testes, experimentações, experiências e afins, o e-mail marketing é um instrumento de alta performance/ROI. Ótimo, eu concordo. Entretanto, ainda percebo certa dificuldade dos profissionais que estão à frente da gestão desse canal em extrair o máximo de resultados. E, muitas vezes, isso ocorre por desconhecimento ou menosprezo a certos detalhes. Independente do motivo, certos fatores básicos para garantir eficácia e eficiência do canal são essenciais para garantia dos melhores resultados. Vou tentar ajudar nisso. ✉️ ENDEREÇOS DE E-MAIL 1. Estabeleça validação de sintaxe dos endereços de e-mail dos destinatários. Dica: de preferência, atue nos canais de captura dessa informação, fazendo com que o endereço de e-mail entre corretamente no seu CRM! 2. Da mesma forma, estabeleça e execute com frequência a verificação de existência e de atividade dos endereços de e-mail dos destinatários. Dica: políticas de ação quanto a bounces (soft e hard) podem ajudar, e muito! 3. Garanta que os endereços de e-mail foram coletados de forma consciente, e com a devida permissão dos seus donos. Dica: se você não teve como garantir isso na coleta, você pode fazer isso agora... 4. Estabeleça E RESPEITE políticas de privacidade e de opt-out. Enviar e-mails para quem já deixou claro que não quer mais recebê-los é mortal! A dica aqui é aproveitar para aprender e evoluir: porque não querem mais receber seus e-mails? 📩 ENTREGABILIDADE E INBOX PLACEMENT 1. CUIDADO com conteúdo! Assuntos enganosos e/ou apelativos, bem como mensagens pouco relevantes podem ser considerados spam. 2. CUIDADO AINDA MAIOR com conteúdo que viola as políticas de spam ou que é considerado inapropriado, como pornografia, violência, discurso de ódio, entre outros - eles podem resultar em bloqueios e/ou marcações como spam. 3. EVITE USO EXCESSSIVO de imagens e links - uma imagem fala por mil palavras, mas dez imagens não multiplicam isso proporcionalmente! Saiba que o uso excessivo de imagens ou links também pode ser considerados spam. 4. VERIFIQUE CONSTANTEMENTE o domínio do endereço de e-mail usado como remetente: se estiver incluído em listas anti-spam, isso certamente afetará a entregabilidade. Dica: na dúvida, use e abuse de ferramentas conhecidas para as devidas validações. 5. PROVIDENCIE a devida configuração técnica das coisas: falta de autenticação SPF/DKIM e políticas DMARC podem ser fatais! Eu acho triste termos, ainda hoje, situações de desconhecimento de que os e-mails enviados não estão indo parar na caixa de entrada dos destinatários. Mais triste ainda é, como solução, confiar em pedidos aos destinatários para que eles "liberem" o domínio do remetente... É importante ter a cultura de uso de ferramentas e tecnologia a favor do canal, o que pode ser estabelecido por acompanhamento intenso de incessante dos indicadores corretos de performance. Dica: volume de e-mails enviados NÃO É indicador de performance... Adriano Pereira Apaixonado por Tecnologia, Marketing, Dados, Resultados e Pessoas Parceiro da AdvisorTips Publicação original que inspirou essa publicação encontra-se no LinkedIn ## Uma indústria que vai além do entretenimento. URL: https://www.advisor.tips/pt/post/uma-industria-que-vai-alem-do-entretenimento Data: 2022-11-04T12:50:41.337Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Parece que a cada dia sobra menos tempo para nós e ainda sobram assuntos para serem resolvidos. O ritmo que o mundo moderno está nos impondo é muitas vezes acima de nossa capacidade de suporta-lo. Ainda bem que podemos contar com outros bons agitos que servem justamente para compensar esta loucura que se transformou a nossa vida. Existe um mercado enorme que trabalha forte para ofertar opções de contraponto a toda esta correria do dia-a-dia, entregando diversão, alegria e lazer. É a indústria do entretenimento. O foco desta indústria é levar ao seu público uma atração ou um conteúdo relevante, que permita que a diversão o envolva e gere experiências diferenciadas. Mas o desafio é imenso, pois todos querem viver novas experiências e a inovação precisa ser constante para que se mantenha esta sensação do novo e permita ao público a vivência de situações inusitadas. A tecnologia tem ajudado muito neste processo. Não demorou muito para que as grandes marcas entendessem que a indústria do entretenimento consegue esta façanha de gerar boas experiências e estar presente na vida das pessoas em momentos especiais. A parceria com empresas de entretenimento passou a fazer parte da cartilha de desenvolvimento das marcas mais famosas e mais reconhecidas pelo público. Hoje é estratégico ter em seus planos de marketing as ações conjuntas com o mundo do show business e celebridades. O marketing promocional se aproveita muito dessa máquina e procura também se modernizar, a ponto de mudar o seu nome para Live Marketing, que seria algo como incentivar a interação das marcas na vida das pessoas. O mercado ainda tem muito espaço para crescer nesta estratégia de conexão das marcas com o seu público, principalmente se elas apostarem em fazer esta conexão em momentos de lazer, onde o público esteja aberto a novas experiências e que gerem residuais positivos ao longo de seu processo de construção e posicionamento da marca. Quando olhamos para tudo isto, temos a certeza de que seremos cada vez menos expectadores e cada dia mais protagonistas de um espetáculo que não tem fim, proporcionando momentos inesquecíveis em companhia de marcas que sabem da importância de acompanhar este nosso novo estilo de vida. Que a vida acelere, mas que traga junto novas sensações e novas experiências a todos nós. ## Iceberg à vista nas agências digitais URL: https://www.advisor.tips/pt/post/iceberg-a-vista-nas-agencias-digitais Data: 2022-11-04T12:38:20.137Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia A notícia pode não ser boa para a maioria dos entusiastas defensores do crescente mercado de publicidade digital. As agências digitais estão com dificuldades em continuar sendo competitivas no cenário atual. Não se trata de falta de competência ou falta de esforço dos desbravadores digitais. O problema está no modelo atual que é adotado pelo mercado de provedores de serviços digitais no Brasil. A grande verdade é que as agências digitais são novas se comparadas ao mercado publicitário. Elas se estabeleceram em um mercado recente e não tendo um modelo próprio de negócio, começaram a sofrer uma grande influência das agências tradicionais, que se apoiam ainda fortemente nas receitas advindas de mídias, com seus comissionamentos e bonificações por volume. Nas agências tradicionais, o agenciamento de mídia é o responsável por pagar a conta dos demais serviços, bancando atividades como o Atendimento, Planejamento, Criação e até produção em alguns casos. Este modelo tradicional começou a ser adotado também nas agências digitais, atendendo uma solicitação dos seus clientes, já acostumados com o processo de contratação das agências off-line. A maioria dos clientes entendia que este modelo de remuneração baseado em comissionamento de mídia já era testado e o mais fácil de justificar internamente, pois a responsabilidade de controlar os esforços e entregas de forma a se ajustar no budget de mídia seria das agências, como sempre havia sido. Mesmo as agências digitais que tentam oferecer outro modelo de remuneração, sofrem com o assédio das agências tradicionais aos seus clientes que muitas vezes oferecem o trabalho digital “sem custos”, só para manter a negociação atual baseada na remuneração de mídia. Isto é extremamente tentador para um cliente, pois não precisa mudar em nada seu processo de contratação e ainda “ganha de graça” os trabalhos digitais. Não vou entrar no mérito da qualidade dos trabalhos digitais que são entregues pelas agências mais tradicionais. Isto pode variar de agência para agência, e existem grupos tradicionais que conseguiram se adaptar rapidamente a esta nova realidade, mas não são todos. No entanto, é perfeitamente correto dizer que no nosso mercado não existem coisas “grátis”. De alguma forma se paga por aquilo que se recebe. Ou não se paga, mas também não se recebe. Um ponto que precisa ser refletido pelos clientes, mas que as vezes ingenuamente é aceito pelos clientes que tem metas de redução de custos. O problema maior é que este formato de agenciamento de mídia não é sustentável para as agências digitais, por vários fatores: As agências digitais têm uma característica mais laboral do que as agências tradicionais, pois o bom trabalho em mídia digital ou mídia de performance pode ser comparado a um trabalho em uma bolsa de valores. O termo agência é um termo que pouco faz sentido para as chamadas agências digitais. Talvez devêssemos chama-las de Corretoras Digitais, devido ao dinamismo e responsabilidade pelo resultado que uma operação destas exige. Os volumes de investimento digital no Brasil ainda são muito menores que os valores investidos na mídia tradicional. Isto é fruto de uma falta de conhecimento dos clientes neste assunto, que ainda preferem investir mais em canais de massa do que em canais mais segmentados e personalizados, como os ambientes digitais. Este baixo volume de investimento atual inviabiliza a remuneração baseada em comissionamento de mídia. A conta não fecha. O trabalho nos meios digitais exige a construção ou desenvolvimento destes ambientes, diferentemente da maioria dos veículos off-line, o que torna o trabalho ainda mais específico e trabalhoso. Ainda se tem um trabalho taylor-made para atender cada particularidade do negócio digital em várias disciplinas. Esta multidisciplinaridade dificulta a contratação pela área de marketing tradicional dos clientes, que prefere as vezes manter o investimento apenas em mídias convencionais e sem risco de implementação e ainda não ter que envolver outras áreas da empresa, como TI por exemplo. Se na mídia tradicional normalmente não se tem o controle muito rígido sobre ROI (Sigla em inglês de Retorno sobre o Investimento), no mundo digital a mensuração de resultado é em tempo real, e isto exige cuidado e atenção, tanto da agência como do cliente. Esta é uma responsabilidade que nem todos querem ter. O comércio eletrônico desponta como uma das grandes apostas para o aumento de vendas. Na Europa e nos Estados Unidos o e-commerce representa uma parcela muito substancial dos negócios. No Brasil, este montante ainda tem muito a crescer. Apenas as agências especialistas neste assunto estão conseguindo dar resultados. As agências tradicionais, podem não estar ainda totalmente preparadas para atuarem com eficiência neste segmento, seja pela maior especialidade que se exige ou por não ter um modelo mais justo de remuneração, que neste caso seria o comissionamento por vendas no e-commerce, mas a maioria dos clientes não estão confortáveis com este modelo de remuneração. Ainda se apegam ao comissionamento de mídia, que não funciona para este tipo de atividade. O mundo digital é complexo e cheio de especificidades, como Search Engine Optimization, Plataformas de Business Intelligence, e-Commerce, Search Engine Marketing, Social Media, ambientes digitais complexos, com ambientes logados e controles de segurança. Uma agência digital deveria ser capaz de desenvolver todas estas especificidades, integra-las, gerenciando projetos com todas estas disciplinas, contando com uma equipe robusta e especialista, coisa que não se exige em uma agência tradicional que já conta com um modelo clássico e já testado ao longo de vários anos.A maioria dos pontos que menciono aqui não são novidades para o mercado, mas poucos estão dispostos a mudar este modelo, tanto por parte das agências como pelos clientes. Mas conseguimos ver alguns movimentos interessantes acontecendo. Já percebemos um acréscimo na contratação de empresas verticais, especialista em apenas uma disciplina, onde o modelo de contratação pode ser melhor trabalhado e combinado com aquela especialidade, como por exemplo e-commerce, Social Media, desenvolvimento de plataforma digital ou SEO. Mas e o futuro das agências digitais full-service? Estas vão precisar de reinventar. Primeiramente assumindo que seu modelo não é e nunca foi sustentável se for amparado unicamente no agenciamento de mídia. As agências precisarão caminhar para um modelo de corretagem digital, administrando ativos e valores de seus clientes neste ambiente, fazendo recomendações e operando as ferramentas para gerar os resultados. No momento que isto for entendido pelos clientes e estas empresas digitais, fatalmente o modelo de remuneração terá que ser alterado, buscando uma remuneração mais justa e focada nos resultados obtidos. Com este novo modelo, as empresas poderão ter nos seus fornecedores digitais novos parceiros comerciais, preocupados com seus resultados e uma nova linha de negócios digitais, proporcionando novas fontes de receita, e saindo deste modelo atual onde muitos buscam apenas um fornecedor para cuidar institucionalmente de sua presença na Internet. Esta mudança precisa acontecer nos clientes, mas precisa ser proposta por estas novas empresas digitais, ou o que estamos chamando de Corretoras Digitais. Mesmo neste modelo de corretagem, as agências digitais atuais vão ter que remodelar suas estruturas e começar a pensar seriamente em dividir suas unidades de negócios, com foco especialista e com estratégias de comercialização distintas. Isto não significa que estas unidades não possam compor um Grupo, compartilhando custos de instalação, back office e atendendo full-service as marcas que assim exigirem, mas cada unidade de negócio precisa contar com profissionais distintos na administração e com metas diferenciadas. Desta forma, cada empresa do grupo pode trabalhar melhor o seu modelo de remuneração e fechar acordos com os clientes, seja por success fee, comissionamento, fee por alocação de profissionais ou até agenciamento de mídia, mas dentro de realidade daquela disciplina técnica. O mundo está mudando muito rapidamente e sinceramente acho que este tipo de mudança no mercado já demorou demais para acontecer no nosso mercado. Já ouvi muita gente falando deste caminho, mas poucos colocando em prática e bancando esta revolução. Os resultados financeiros da maioria das agências digitais estão mostrando que elas precisam de reformulação, mas ainda não se sentem confortáveis em como conduzir esta mudança, com receio que esta ruptura afete ainda mais a relação com seus clientes e prospects. Para ajudar, os próprios clientes ainda não estão preparados para esta mudança. Mas é um caminho sem volta e uma das poucas soluções disponíveis para as agências digitais brasileiras. Mas não é só isto. Esta segregação de negócios tem que ser acompanhada do abandono de outras práticas vindas do modelo de publicidade off-line. O modelo de gestão precisa estar mais conectado ao modelo das empresas de tecnologia e de consultoria e muito menos na busca por exposição que temos na maioria das agências de publicidade. Precisamos diminuir os briefings e aumentar as especificações funcionais. Temos que trocar o clássico processo criativo pela metodologia ágil de gerenciamento de projetos. O glamour precisa ser maior na execução do que na criação e a busca por resultado precisa ser maior que a busca por prêmios. Faço votos que este modelo mude logo, e o mercado encontre um formato que seja eficiente para os prestadores de serviços digitais e seus clientes. Se isto não acontecer logo, perderemos uma oportunidade de deixar o mercado mais sustentável e veremos uma quebradeira de empresas digitais, que hoje padecem em um modelo carente de uma reforma transformadora. Muitos mercados mais maduros já estão com este processo de transformação em um estágio muito mais avançado. Resta agora aos nossos empresários tomarem a coragem necessária para fazer este movimento também aqui no Brasil, antes que seja tarde demais. ## Software como uma agência URL: https://www.advisor.tips/pt/post/software-como-uma-agencia Data: 2022-11-04T12:25:22.879Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia No momento que estamos vivendo os clientes querem respostas rápidas e nem sempre se tem o tempo adequado para iniciar estudos sempre do início. Os dias no SXSW 2016 estão bem intensos e com muita informação para absorver. Um painel em específico me chamou a atenção por seu título, “Software as an agency”. Fui conferir o conteúdo, mesmo sabendo que a palestra seria fora do centro de convenções e dos principais hotéis, que costumam agregar as melhores palestras. A sessão aconteceu no Old School Bar, um lugar modesto que fica 6th Ave, lugar mais conhecido por sua vida noturna de bares e baladas do que por acomodar boas palestras. O nome do bar não ajudava muito a imaginar que ali eu teria alguma aula de algo inovador, ou pelo menos atual. Mas o assunto me interessava e resolvi arriscar. Fui lá conferir. O palestrante foi Cory Clarke, um conhecedor do mundo de agências e de tecnologia. Ele iniciou a conversa falando sobre algumas oportunidades que a tecnologia pode ajudar a transformar o negócio de agência. Todos nós sabemos que as agências de publicidade têm buscado se digitalizar para fazer frente as mudanças tecnológicas da atualidade. Mas de acordo com Clarke, nosso modelo operacional real não tem se transformado com a vinda da tecnologia. As agencias que estão experimentando um crescimento acelerado fazem parte de um tipo específico de empresas. São agências que estão se renovando a aprendendo com as empresas de tecnologia, aplicando processos que já funcionaram no mundo do desenvolvimento tecnológico. Isto não passa apenas por adotar metodologias como Agile, como Scrum ou Lean. Isto pode ajudar, mas não resolve o negócio das agências. É preciso aprender com as empresas de software o conceito de reaproveitamento de código e de “produtização” das entregas. No momento que estamos vivendo os clientes querem respostas rápidas e nem sempre se tem o tempo adequado para iniciar estudos sempre do início, com dias de imersão no assunto, pesquisas e todas as técnicas que adotamos para levantar os cenários e comportamentos. Para obter esta velocidade de entrega é necessário adotar as técnicas que conhecemos e encapsularmos isto como produtos, prontos para serem consumidos com um mínimo de customização. Clarke apresentou ainda um sistema que foi desenvolvido para a agencia dele e que agora é adotado por outras agencias que tem o objetivo de facilitar este encapsulamento de informações. Este software ajuda na forma como eles concebem marcas e criam experiências de marketing, o que na visão dele, eleva o valor do trabalho a um outro patamar, pois traz além da criatividade a inteligência da equipe em um formato de produto, que o cliente se acostuma a consumi-lo, sabendo o que esperar e o resultado que vai obter com este produto. Mas nada disto adiantaria se não usarmos o que tem de melhor na tecnologia: Informação. O mais importante em se digitalizar uma operação é fazer um bom uso da informação gerada. A vantagem de usarmos entregas estruturadas é que teremos dados estruturados e podemos compara-los e colocar em uma linha do tempo, identificando tendências e comportamentos. Ao ver tudo isto, se percebe o quanto as agencias modernas estão cada vez mais próximas das empresas de tecnologias, deixando de ser apenas agências e passando a transformar diretamente os negócios de seus clientes em um momento que vai muito além do que era antes chamado apenas de conversão para um mundo o digital. Quando o pensamento digital permeia toda a estrutura da agência, mais fácil será ter estes conceitos de “produtização”, metodologias ágeis e bom uso da informação para geração de negócios, pois fará parte desde o início do pensamento de um “programador de marketing” que atuará na conta, se distanciando, claro, de um pensamento “old school” de algum publicitário arraigado ainda em conceitos ultrapassados, onde a tecnologia poderá pouco ajudar. Valeu o tempo e o conteúdo obtido. Mostrou alguns caminhos e certezas sobre o nosso mercado. E eu sigo aqui, correndo para outras palestras. ## Terceiro Companheiro do Fracasso: Queima de Caixa versus o Crescimento URL: https://www.advisor.tips/pt/post/terceiro-companheiro-do-fracasso-queima-de-caixa-versus-o-crescimento Data: 2023-12-18 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Crescimento, Startups & Estratégia Lembram da época em que as startups eram avaliadas principalmente com base em suas ideias inovadoras e potencial de crescimento explosivo? Bem, as coisas estão mudando. Hoje, mais do que nunca, o mantra "cash is king" se tornou a coisa mais falada entre os investidores e empreendedores. Vamos entender melhor essa mudança de paradigma e como a falta de gestão de caixa se tornou o terceiro "companheiro do fracasso." 1. A Matemática dos 40 Imagine uma startup que cresce a uma taxa impressionante de 60% ao ano. Parece impressionante, certo? Agora, se esse crescimento vier acompanhado de um um EBITDA (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) negativo de -20% no ano, a matemática revela uma verdade: essa empresa pode estar no limite de sua viabilidade. A soma do crescimento anual (60%) e o resultado do EBITDA (-20%) é igual a 40 e esse é o valor limite encarado por alguns investidores ao analisarem os números das startups. Isso significa que uma startup com crescimento de 20% e EBITDA de 20% também está no seu limite perante investidores que usam essa métrica. A soma desse indicadores (crescimento e EBITDA) devem ser superiores a 40, portanto uma empresa com crescimento de 30% no ano e um EBITDA de 30% (resultado de 60) é um negócio que atrai muito mais investidores do que os cenários mencionados antes. 2. Caixa em Primeiro Lugar O antigo lema "o dinheiro segue a grande ideia" está sendo substituído pelo "o dinheiro segue a gestão financeira sólida". Os investidores não estão mais dispostos a financiar negócios que queimam dinheiro sem um plano claro de como se tornarão lucrativos. O caixa da sua startup é a almofada de segurança que garante sua sobrevivência, especialmente em tempos turbulentos. 3. O Desprezo pela Gestão de Caixa é um Erro Fatal O terceiro "companheiro do fracasso" é o desprezo pela gestão de caixa em favor do crescimento a qualquer custo. Não há dúvida de que o crescimento é importante, mas ele precisa ser sustentável. A queima de caixa desenfreada sem um plano estratégico sólido é um sinal vermelho para investidores e uma rota direta para o fracasso. 4. Compromisso com o Crescimento Sustentável Hoje, as startups precisam abraçar a gestão financeira com a mesma paixão que abraçam suas ideias inovadoras. É crucial manter um equilíbrio entre o crescimento e a gestão eficaz de caixa. O crescimento explosivo não deve ser alcançado às custas de uma empresa financeiramente não saudável. Ter acompanhamento de um financeiro robusto, ou até mesmo ter sócios com esse perfil administrativo financeiro é algo muito valioso e que deve ser perseguido por toda startup. Artigo também publicado no LinkedIn. # Comunicação ## Comunicação não é dom, é método URL: https://www.advisor.tips/pt/post/comunicacao-nao-e-dom-e-metodo Data: 2026-04-20 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Comunicação Eu sou um apaixonado por metodologias. Adoro desvendar como as coisas funcionam, criar frameworks para resolver problemas e ver a melhora acontecer depois da bagunça. Já criei várias técnicas e métodos para uma infinidade de desafios, desde o estratégico até o operacional. Mas aprendi, na pele, que apenas conhecer uma metodologia sem saber ao certo onde e como usá-la é como um Chef de Cozinha que pode ter os melhores ingredientes na despensa, mas se não souber a quantidade e nem que tempero usar para cada tipo de prato, de nada adianta. E mais... Se não souber improvisar, não sairá do óbvio. Nessa linha, eu recebo muitos pedidos de empresários e líderes sobre técnicas e metodologias mais adequadas ao seu negócio. Mas o desafio que mais aparece é o de Comunicação. É um assunto que também acabo estudando muito, porque, no fim das contas, eu concordo muito com o Dale Carnegie que diz que: "90% de todos os problemas de gestão são causados por falha de comunicação." Então, vamos lá! Para facilitar a vida de quem está no campo de batalha, tentando saber a melhor metodologia a usar, eu dividi algumas mais conhecidas em dois grandes grupos. Meu foco aqui será nos desafios comerciais, o dia a dia das vendas e negociações, porque é onde mais recebo pedidos de ajuda. Obviamente, o objetivo não é falar tudo sobre cada uma dessas metodologias, pois isso daria um livro, e talvez um dia ele venha. A ideia é dar um guia rápido, um mapa da mina, para você saber qual ferramenta usar em cada situação. E a partir disso, você pode se aprofundar e buscar mais conteúdo e informação sobre essa técnica, adaptando ao seu negócio ou desafio. ### Grupo 1: Metodologias de Comunicação Unidirecional Imagine que você está falando para uma multidão, mas ninguém pode te interromper. É isso. A comunicação unidirecional é quando você emite a mensagem e o outro lado apenas recebe. Não há interação em tempo real. Pense em um vídeo, um anúncio, uma página de vendas, um post nas redes sociais, um e-mail marketing. Nesses ambientes, sua mensagem precisa ser um míssil teleguiado e ter as seguintes características básicas: Chamar atenção: Em um mundo de distrações, se você não fisgar nos primeiros segundos, já era. Prender o interesse: Não basta chamar, tem que manter a pessoa engajada. Organizar a percepção: A mensagem precisa ser clara, lógica, fácil de seguir. Gerar desejo: Fazer o outro lado querer o que você oferece. Levar à ação: O que você quer que a pessoa faça depois de consumir sua mensagem? Aqui, o foco não é descobrir a dor pela conversa, mas arquitetar a mensagem certa para que ela funcione sozinha. As técnicas mais úteis nesse grupo são: ### AIDA: o Roteiro clássico da persuasão O que é: Atenção (Attention), Interesse (Interest), Desejo (Desire), Ação (Action). É um roteiro que conduz o público desde o primeiro contato até a ação desejada. Simples e eficaz. Quando usar: Vídeos curtos, anúncios, landing pages, posts de venda, e-mails promocionais. É para quando você precisa de uma sequência lógica e previsível de persuasão. Exemplo:Atenção: Seu negócio pode estar crescendo menos do que deveria. Interesse: Muitas empresas têm mercado, mas operam sem clareza estratégica e sem estrutura de decisão. Desejo: Com mais método, gestão e direção, é possível crescer com margem, segurança e valor. Ação: Fale com a Advisor.Tips e descubra o próximo passo do seu negócio. ### PAS: o choque de realidade e a solução rápida O que é: Problema (Problem), Agitação (Agitate), Solução (Solution). Essa técnica vai direto na ferida. Mostra o problema, aprofunda o desconforto e apresenta a saída. Quando usar: Anúncios de tráfego pago, vídeos curtos, posts de impacto, textos promocionais curtos. É para quando você precisa de impacto imediato e tem pouco espaço para convencer. Exemplo:Problema: Sua empresa vende, mas o caixa continua apertado. Agitação: Isso pode significar crescimento desorganizado, perda de margem e decisões erradas escondidas atrás do faturamento. Solução: Com leitura estratégica e estrutura financeira correta, o crescimento volta a gerar resultado de verdade. ### FAB: traduzindo o técnico em valor O que é: Características (Features), Vantagens (Advantages), Benefícios (Benefits). Você apresenta o que seu produto/serviço tem, o que ele faz e o que isso significa de bom para o cliente. Quando usar: Apresentações de produto ou serviço, propostas comerciais, materiais técnicos, catálogos. É para quando você precisa transformar algo técnico em valor prático e percebido. Exemplo:Característica: A consultoria Advisor.Tips atua com visão estratégica, financeira e de governança. Vantagem: Isso permite analisar o negócio de forma integrada, não fragmentada. Benefício: O empresário passa a tomar decisões com mais clareza, reduzindo riscos e aumentando a chance de crescimento consistente. ### Storytelling estratégico: conexão e autoridade pela narrativa O que é: Usar histórias para gerar conexão, contexto, identificação e significado. Não é só contar um causo, é estruturar uma narrativa que carregue tensão, transformação e sentido. Quando usar: Vídeos institucionais, palestras, apresentações de marca, discursos de liderança, conteúdos de autoridade. É para quando você quer construir reputação, conexão e autoridade, e não apenas vender rapidamente. Exemplo:"Depois de acompanhar muitos negócios, percebi um padrão: várias empresas não fracassam por falta de potencial, mas por falta de direção. Foi a partir dessa constatação que entendi que existiam similaridades entre os maiores problemas empresariais e que havia soluções que já tinham tido êxito para resolvê-las. Era uma questão de saber como identificar os desafios e como direcionar a solução para cada um deles. Foi nesse momento que nasceu a consultoria Advisor.Tips, com a missão de ajudar empresários a enxergar melhor seus caminhos e transformar esforço em resultado." ### Grupo 2: Metodologias de Comunicação em Diálogo Aqui, a conversa é uma via de mão dupla. O convencimento não vem apenas do que você fala, mas do que você pergunta, escuta, interpreta e devolve. O outro lado reage, questiona, traz objeções, revela dores. A persuasão acontece por construção, não por imposição. Nessas situações, falar demais e cedo demais costuma atrapalhar. O que funciona melhor é usar metodologias que ajudem a diagnosticar, qualificar, aprofundar problemas e conduzir o raciocínio. As técnicas mais tradicionais nesse grupo são: ### SPIN Selling: a arte de perguntar O que é: Situação (Situation), Problema (Problem), Implicação (Implication), Necessidade de Solução (Need-payoff). É uma metodologia de venda consultiva baseada em perguntas que ajudam o cliente a perceber o valor da solução com base na própria reflexão. Quando usar: Reuniões comerciais, calls de diagnóstico, vendas consultivas, negociações de serviços, conversas B2B. É para quando você precisa fazer o outro lado perceber o valor da solução com base na própria reflexão. Exemplo:Situação: Como a empresa decide hoje seus movimentos estratégicos? Problema: Onde estão as principais dificuldades para crescer com segurança? Implicação: O que isso tem custado em margem, tempo ou oportunidades perdidas? Necessidade de Solução: Se essa estrutura fosse melhorada, que impacto isso teria no negócio? ### BANT: qualificando a oportunidade O que é: Orçamento (Budget), Autoridade (Authority), Necessidade (Need), Prazo (Timing). É uma técnica focada em qualificar a oportunidade, separando o que é real do que é perda de tempo. Quando usar: Pré-venda, qualificação de leads, triagem comercial, primeira conversa de viabilidade. É para quando você precisa qualificar antes de aprofundar, evitando esforço desperdiçado. Muito utilizado por quem é SDR (Sales Development Representative). Exemplo:Existe verba prevista para esse tipo de projeto? Quem mais participa da decisão? Qual problema vocês querem resolver agora? Há uma janela específica para implementação? ### Challenger Sale: desafiando o status quo O que é: Uma abordagem em que o vendedor não apenas entende o cliente, mas o desafia intelectualmente. A ideia é ensinar, reposicionar a percepção do problema e mostrar ao cliente algo que ele ainda não viu. Quando usar: Consultoria estratégica, vendas complexas, negociações de transformação, contextos em que o cliente precisa ser educado. É para quando você precisa provocar revisão de crenças e elevar a discussão. Exemplo:"Muitos dos meus clientes acreditam que seu principal problema está em vender mais. Mas, na prática, o que trava crescimento sustentável quase sempre é falta de estrutura para decidir, priorizar e executar. Mesmo em questões cruciais como o preço. Quando isso não é corrigido, vender mais aumenta a desordem em vez de aumentar valor da empresa." ### MEDDIC / MEDDPICC: navegando vendas complexas O que é: Uma metodologia para vendas mais complexas, especialmente em ambientes corporativos com vários decisores. Envolve mapear métricas, comprador econômico, critérios de decisão, processo de decisão, dor identificada, champion interno e concorrência. Quando usar: Enterprise sales, contratos de alto valor, vendas longas, ambientes com múltiplos stakeholders. É para quando a venda depende de mapear e navegar o sistema de decisão, e não apenas convencer uma única pessoa. Exemplo:Quais métricas justificam esse projeto internamente? Quem aprova o investimento final? Quais critérios serão usados para comparar fornecedores? Existe alguém dentro da organização defendendo esta iniciativa? Em que fase do processo formal de decisão vocês estão? ### A escolha certa: interação e objetivo Ao entender um pouco mais sobre essas metodologias, a gente percebe que não se trata mais de "Qual técnica é melhor?", mas sim "Melhor para que tipo de comunicação e qual o objetivo principal?". Se não há interação em tempo real, use AIDA, PAS, FAB ou Storytelling. Se há troca em tempo real, use SPIN, BANT, Challenger ou MEDDIC. E, muitas vezes, a melhor prática é combinar técnicas conforme o estágio, o canal e o tipo de interação. Muitas vezes, insiro metodologias dentro de outras, ou componho duas ou mais em uma nova metodologia que faça mais sentido para aquele desafio. Lembram do que falei sobre o ato de cozinhar? Então... metodologias são receitas, mas não se limite a elas. Ouse colocar um pouco da sua imaginação e criatividade para criar novas soluções de comunicação. Uma boa operação comercial não escolhe uma única técnica para tudo; ela orquestra um conjunto de ferramentas para cada momento da jornada. É isso que separa uma mensagem "bonita" de uma mensagem potente e eficaz. É isso que separa um "vendedor que fala" de um "profissional que conduz". E é isso que separa comunicação improvisada de comunicação estrategicamente construída. Use essas ferramentas com sabedoria, e o seu sucesso na comunicação deixará de contar apenas com a sorte, e vai se tornar uma comunicação com resultados que conseguem ser programados. E quem de nós não quer isso, não é mesmo? Artigo originalmente publicado no GazzConecta. ## Comunicação: a união do comum, única e ação URL: https://www.advisor.tips/pt/post/comunicacao-a-uniao-do-comum-unica-e-acao Data: 2024-11-20T18:45:21.076Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Comunicação A palavra "comunicação" esconde, em sua composição, uma bela metáfora sobre a essência de se conectar com outros: é o encontro entre o que é comum, o que é única e a ação que une esses conceitos. Ao analisar cada uma dessas partes, encontramos ensinamentos profundos que podem ser aplicados à nossa vida pessoal, profissional e social. Esse trio, aparentemente simples, oferece ensinamentos profundos sobre como nos conectar de maneira significativa com os outros, seja em nossas relações pessoais ou no mundo profissional. Vamos explorar os aprendizados que cada elemento traz e como eles moldam a comunicação nos dias de hoje. ### O "Comum" na Comunicação O comum é o ponto de partida. É aquilo que une, os valores, interesses ou experiências compartilhadas que criam uma base sólida para qualquer diálogo. Em qualquer interação, é essencial identificar o que conecta as partes, seja uma necessidade, uma emoção ou um objetivo em comum. Por exemplo, em uma empresa, entender as dores e desejos dos clientes é essencial para criar mensagens que ressoem. No âmbito pessoal, o "comum" aparece na empatia – o reconhecimento de que, independentemente de nossas diferenças, compartilhamos aspirações e desafios universais. ### Aprendizado: Reconhecer o comum exige escuta ativa e empatia. É por meio dessa base que a comunicação deixa de ser apenas uma troca de palavras e se torna uma verdadeira conexão. ### A "Única" na Comunicação Embora a base comum seja importante, o que realmente diferencia uma boa comunicação é o reconhecimento do que é cada pessoa é única. Hoje, a personalização deixou de ser apenas um diferencial; é uma exigência, e a tecnologia desempenha um papel crucial nesse processo. Ferramentas como CRMs (Customer Relationship Management) nos permitem entender profundamente o comportamento, as preferências e as necessidades dos clientes. Com essas informações, podemos criar mensagens direcionadas, que falem diretamente com a individualidade de cada pessoa. Um e-mail personalizado, uma recomendação com base no histórico de compras ou uma campanha segmentada são exemplos de como o "único" pode ser trabalhado. Na vida pessoal, reconhecer a singularidade do outro também fortalece os relacionamentos. Não se trata apenas de falar, mas de adaptar nossa comunicação ao contexto e à realidade do outro. ### Aprendizado: A personalização é a chave para se destacar em um mundo repleto de informações. Com o auxílio da tecnologia, podemos ir além do "comum" e criar interações que sejam verdadeiramente relevantes para cada indivíduo. ### A "Ação" na Comunicação Por fim, a comunicação só se concretiza na ação. Não basta identificar o que é comum e o que é única; é preciso colocar isso em prática de forma direcionada e com propósito. Aqui, entra um aspecto essencial: comunicar-se não é apenas enviar uma mensagem, mas se dirigir ao outro de maneira que ele entenda e se sinta compreendido. Uma ação bem-sucedida na comunicação requer ir ao encontro do que o outro busca. Isso significa adaptar a linguagem, o canal e o tom para que a mensagem seja clara, acessível e impactante. Na prática, é traduzir informações complexas para uma audiência leiga, oferecer soluções alinhadas às expectativas ou criar conteúdos que ressoem emocionalmente. Por exemplo, uma marca que entende as necessidades de seus clientes e adapta suas mensagens para que sejam compreendidas em diferentes contextos demonstra que realmente valoriza o relacionamento. Nas relações interpessoais, agir dessa forma é o que transforma palavras em gestos significativos. ### Aprendizado: A comunicação exige ação intencional e empática. É preciso ir na direção do outro, utilizando uma abordagem que faça sentido e promova entendimento mútuo. "Comunicação" não é apenas uma palavra, mas um processo que integra o comum, a única e a ação de forma harmônica. É encontrar o terreno compartilhado, valorizar as diferenças e agir de maneira clara e significativa. Seja no uso de tecnologias avançadas para personalizar mensagens, seja no esforço consciente de compreender e atender o que o outro busca, a comunicação é uma ponte que conecta ideias, pessoas e mundos. Quando bem utilizada, ela transforma interações em relacionamentos e mensagens em ações que geram impacto positivo. Artigo também publicado no LinkedIn. ## C0-mu-n1-q c URL: https://www.advisor.tips/pt/post/c0-mu-n1-q-c Data: 2022-10-31T18:39:55.305Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Comunicação Mas um outro problema acontece nas nossas relações, que é a comunicação as vezes não é entendida por uma das partes, ou na pior das hipótese por ambas as partes. Pode-se imaginar que existindo o diálogo, a comunicação está garantida, mas isto nem sempre é verdade. Exemplo disto é a comunicação na internet, que possui uma linguagem própria entre seus usuários. Cada vez mais a comunicação é reinventada e novos linguajares são adotados. Com os “emoticons”, até o sentimento ficou mais fácil de expressar nas nossas comunicações escritas. Mas será que é somente esta adaptação aos novos linguajares que precisamos fazer para sabermos nos comunicar? Será que não existem outras armadilhas que podemos cair no uso de nossa comunicação? É claro que não basta só conhecer a linguagem, pois dependendo do recurso utilizado a forma de expressão vai ser diferente e pode não ser tão rica como a forma tradicional da conversa presencial. Um caso clássico disto é a frieza de comunicação dos e-mails. Esquecemos que este meio de comunicação é cada vez mais direto e mais impessoal, que torna a percepção muitas vezes incorreta de quem lê o texto. Como nos e-mails não existe a expressão facial ou a tonalidade da voz, muitas mensagens dão margem a interpretações errôneas e o emissor precisa antes de enviar a mensagem estar atendo a estas possibilidades de entendimento por parte do receptor. O uso de emoticons ou das “carinhas” ;o) representadas por caracteres ajudam no contexto, mas nem sempre é possível usar destes meios em e-mails mais formais. O melhor mesmo é saber usar corretamente as palavras para que não sejam mal interpretadas. O importante de tudo isto é sabermos que a comunicação não é o que eu falo ou escrevo e sim o que é entendido por quem recebe a minha informação. Se esta preocupação for levada em conta a cada texto que escrevo ou conversa que tenho, já estarei dando um passo importante para uma boa comunicação. Então é só isto? Não. Para complicar ainda mais, temos a comunicação em outros idiomas, que diante da globalização, passa a ser vital nos negócios e no entendimento do que acontece ao nosso redor. Mas nem sempre saber o idioma significa saber se comunicar de forma adequada. Isto vai desde o que é dito até os gestos usados. É muito comum que em culturas diferentes um sinal de positivo seja interpretado como uma ofensa, ou uma simples saudação não seja bem recebida. Mas não precisamos ir tão longe, pois mesmo usando da mesma língua o regionalismo por si só já é capaz de gerar situações inusitadas. Vale aqui mencionar o caso de uma recepcionista que trabalhou comigo, que por ser Portuguesa viveu alguns casos engraçados ao chegar ao Brasil. Em sua primeira entrevista, o interlocutor ao perceber o sotaque dela perguntou se ela era “Catarina” e ela prontamente respondeu que não era e que na verdade o nome dela era “Carla”. São situações assim que me fazem pensar o quão difícil é saber se comunicar e se fazer entender de forma correta. Eu que vivo em um mundo de comunicação, sinto que o grande problema atual vivido nas empresas é justamente a falta de comunicação. O guru corporativo Peter Russell, chegou a dizer que atualmente cerca de 90% dos problemas das empresas giram em torno da comunicação (da ausência dela). E que a tendência para o próximo milênio é dessa porcentagem aumentar muito mais. Então o problema não é apenas pessoal e se estende em todas nossas esferas de interação, queiramos nós ou não. Para vermos como as mensagens podem ser desastrosas, cito uma família nos Estados Unidos que estava querendo comprar um imóvel de veraneio na Alemanha, e se interessou por uma casa de um Pastor Alemão (pastor mesmo, e não a raça canina). Seguem as mensagens trocadas: “Gentil Pastor: Estamos interessados na sua propriedade, gostaríamos que nos informasse sobre um detalhe que nos passou despercebido e que não achamos nas informações enviadas. Poderia nos informar onde se fica W.C.?” O Pastor não conhecia o significado da abreviatura W.C., mas julgando tratar-se da Capela denominada “White Chapel”, respondeu com o seguinte conteúdo: “Prezado Senhor Recebi sua dúvida e tenho o prazer de informar que fica a 12 km da casa, e é preferível levar o que comer já que aqui na região temos o costume de ficar o dia todo lá. Não se preocupem, pois há instalação de ar condicionado para evitar os inconvenientes da aglomeração. As crianças sentam-se ao lado dos adultos e todos participam em coro. À entrada, é fornecida um jornal a cada pessoa. Tudo que se recolhe durante a cerimônia é para o fundo de nossa horta comunitária. O Pastor” Da próxima vez que você estiver escrevendo um e-mail, pense nisto… e comece a escrever textos à prova de idiotas, de forma que até você mesmo possa entender. 🙂 # Carreira & Desenvolvimento ## Obesidade intelectual: como sair do excesso de conteúdo URL: https://www.advisor.tips/pt/post/obesidade-intelectual-como-sair-do-excesso-de-conteudo Data: 2026-03-18T08:47:00 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Carreira & Desenvolvimento Você já se sentiu com a cabeça fervilhando de ideias, de teorias, de conselhos, mas com uma dificuldade imensa de colocar algo em prática? Como se houvesse uma barreira invisível entre o que você sabe e o que você faz? Nunca na história tivemos tanto acesso a informação como nos dias de hoje. Seja com o acesso cada vez maior das redes sociais, como nos treinamentos e cursos ofertados online, que podem nos nutrir de conhecimento, sem ao menos precisarmos nos deslocar de onde estamos. Mas essa busca desenfreada por conhecimento, por realizar cursos em sequência, participar de fóruns e networks, receber mentorias, e ser bombardeado com informações de tudo e de todos, sem que a gente tenha tempo para assimilar e gastar esse conhecimento, é o que chamamos de Obesidade Intelectual. Essa é a realidade cada vez mais comum de um cérebro sobrecarregado, ineficiente, inchado de dados que nunca são processados, aplicados ou compartilhados. É como comer sem gastar, sem metabolizar. O conhecimento, nesse cenário, vira uma espécie de gordura mental: ela não nos nutre; ela nos inflama, nos adoece. Um fator pode ter ajudado nessa busca por conhecimento sem medida. Durante a pandemia, o acesso explodiu. Redes sociais, newsletters, podcasts, webinars, mentores de palco, gurus de plantão. É um banquete interminável, um buffet livre de conteúdo que nos empanturrava até estarmos exaustos de tanta live e de tanto curso a disposição. E o resultado? Muito conhecimento, sem oportunidade de aplicá-lo. ### A sede insaciável e o cansaço silencioso Resolvi dar uma estudada no assunto, e na minha pesquisa e própria experiência vi que não estamos sozinhos nessa jornada. Em 2023, a ScienceDirect divulgou que a população digital global produziu cerca de 328,77 milhões de terabytes por dia. Imagine a quantidade de informação que tenta disputar nossa atenção. É um banquete caro que, ironicamente, nos deixa mais cansados, pobres naquilo que temos de mais valioso: tempo e energia. O mercado de e-learning, por exemplo, explodiu para US$ 486 bilhões em 2025, conforme estudo feito pela Research.com. Milhões de pessoas buscando conhecimento, mas quantas realmente o aplicam? Quantas transformam esse aprendizado passivo em ação? A maioria, eu arrisco dizer, está apenas acumulando. E o que acontece com o acúmulo sem gasto? Ele gera uma ansiedade sutil, um sentimento de que estamos sempre perdendo algo – o famoso FOMO (Fear Of Missing Out). Você se sente constantemente atrasado, insuficiente, como se houvesse sempre mais um curso, mais um livro, mais um podcast que você precisa consumir para não ficar para trás. Mas, no fundo, essa busca incessante só nos afoga ainda mais em conteúdo, sem nos dar a clareza ou a energia para agir. ### A dieta consciente O problema não é o conhecimento em si. O problema é a compulsão. É a falta de curadoria. É a ilusão de que "saber" é o mesmo que "fazer". Eu vejo pessoas com dezenas de certificados, mas paralisadas na hora de dar o primeiro passo. Com muito conhecimento teórico, mas sem a sabedoria prática que só a experiência pode trazer. Esse conhecimento superficial, não exercitado, não adaptado à realidade, pode se tornar um peso morto na sua mente. Minha proposta para vocês é um convite à reflexão: se você não tem um plano claro para aplicar o que aprende, talvez seja o momento de fazer um novo regime de conhecimento. Não se empanturre. Não adianta ter um banquete de informações se seu corpo (ou sua mente) não consegue digerir. A prioridade não é mais "aprender mais", mas "aplicar o que já se sabe". É hora de uma dieta consciente. De curar o conteúdo que você consome. De ter um plano, um objetivo claro para cada nova informação. Se pergunte: Onde você vai usar isso? Qual problema você vai resolver? Qual projeto você vai tirar do papel? Se a resposta não for clara, talvez seja um sinal para fechar a aba do navegador e dedicar-se a transformar o que você já sabe em algo concreto. ### Algumas dicas de como vencer a obesidade intelectual Curadoria ativa: Seja seletivo. Escolha fontes de informação que realmente agreguem valor aos seus objetivos. Desligue as notificações desnecessárias e reduza o tempo em redes sociais que geram apenas ruído. Aplicação deliberada: Transforme o aprendizado passivo em ativo. Crie um projeto, escreva um texto, participe de um debate, ensine alguém. A melhor forma de consolidar o conhecimento é usá-lo. Pausas estratégicas: Dê descanso ao seu cérebro. Alterne o estudo com atividades físicas, hobbies ou simplesmente momentos de ócio criativo. O cérebro precisa de tempo para processar e consolidar informações. Desconexão consciente: Reduza o tempo de tela. Reconecte-se com o mundo real, com pessoas, com a natureza. A vida acontece fora das telas. Priorize a ação: Lembre-se que o valor real está na execução. Mais vale um pequeno passo prático do que mil teorias não aplicadas. Comece pequeno, mas comece. Em um mundo onde a informação é infinita e o tempo é finito, a ação de fazer algo com o conhecimento adquirido é o grande diferencial. A obesidade intelectual não é um sinal de inteligência; é um sintoma de algo que vai te deixar cada vez menos ativo. É o banquete que nos esgota e nos impede de criar algo de valor. Está na hora de colocar todo seu conhecimento em prática. De gastar essa energia. De transformar o conhecimento em suor, em resultado, em impacto. É a jornada da ação consciente, planejada, que nos levará a um futuro mais produtivo e útil, dentro do conhecimento que já temos. Artigo também publicado no GazzConecta. ## Habilidades do futuro: competências essenciais do profissional em 2030 URL: https://www.advisor.tips/pt/post/habilidades-do-futuro-competencias-essenciais-do-profissional-em-2030 Data: 2024-06-24T13:59:39.502Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Carreira & Desenvolvimento O mercado de trabalho tem se modificado muito nos últimos anos e, se espera mudanças ainda mais profundas até 2030. A digitalização de todos os processos, a inteligência artificial e a automação estão redefinindo as exigências das competências profissionais, exigindo que trabalhadores de todas as áreas se adaptem a novas realidades. Segundo a OCDE, preparar-se para o futuro requer um enfoque robusto no desenvolvimento de habilidades que possibilitem enfrentar desafios e aproveitar oportunidades emergentes. Então, quais habilidades o profissional do futuro precisará ter? Como esse profissional pode conquistar essas competências? O cenário contemporâneo do mercado de trabalho apresenta um desafio substancial: acompanhar a velocidade das mudanças tecnológicas e sociais. A globalização e a inovação tecnológica demandam que os profissionais adquiram não apenas conhecimento técnico, mas também desenvolvam habilidades interpessoais e uma adaptabilidade sem precedentes. Fica evidente que os sistemas educacionais e os profissionais precisam se reinventar para formar profissionais mais capacitados a atender essa nova realidade. Alfabetização Digital Para prosperar nesse ambiente dinâmico, algumas habilidades não podem deixar de ser citadas. A primeira e mais importante competência é a alfabetização digital avançada. Isso significa não apenas saber usar tecnologias básicas, mas também compreender e aplicar ferramentas como inteligência artificial, big data e blockchain. Profissionais que dominam essas tecnologias estarão em uma posição privilegiada para inovar e liderar suas respectivas áreas. Além disso, a capacidade de trabalhar de forma aumentada – ou seja, em colaboração eficiente com sistemas de automação e inteligência artificial – é cada vez mais exigida. Isso requer uma compreensão profunda das potencialidades e limitações dessas tecnologias, permitindo que os profissionais aumentem sua produtividade e eficiência. Compreensão da Importância da Sustentabilidade A sustentabilidade também está no centro das competências futuras. Em um mundo cada vez mais consciente das questões ambientais, os profissionais devem ser capazes de implementar práticas sustentáveis em suas rotinas de trabalho, contribuindo para o bem-estar do planeta e, simultaneamente, atendendo às expectativas de clientes e stakeholders preocupados com essa questão. Mas, a Sustentabilidade vai além apenas do meio ambiente, tendo grande importância nos demais papéis do ESG (Environment, Social & Governance). O envolvimento e preocupação com toda a sociedade que afeta o ambiente profissional, será cada vez mais importante e aderente ao que se busca dos profissionais do futuro. Em um momento onde a informação se propaga de forma muito rápida, não se pode mais viver em um casulo ou trabalhar dentro de uma bolha profissional. Ter a habilidade de entendimento dos reflexos sociais e seus movimentos, fazem um profissional mais preparado para desempenhar funções cada vez mais estratégicas. E ainda, no processo de sustentabilidade, a governança empresarial é aquela que permite a longevidade do negócio, transições mais suaves, processos sucessórios e foco no esforço correto para obter os resultados programados. O profissional que não busca entender os mecanismos atuais de governança, tende a seguir caminhos que às vezes são muito inspiracionais e podem até funcionar por um curto período, mas que podem pôr em risco toda a carreira e reputação, em curtíssimo tempo. Capacidade de Discernimento de Informações O pensamento crítico e a capacidade de análise são igualmente essenciais. Com a vasta quantidade de informações disponíveis atualmente, a habilidade de discernir dados relevantes e aplicá-los de maneira eficaz para resolver problemas complexos é indispensável. Complementarmente, as habilidades com dados – incluindo a capacidade de interpretar e extrair insights de grandes volumes de informações – tornam-se cada vez mais valorizadas, permitindo decisões mais embasadas e estratégicas. Criatividade Responsável A criatividade é outra competência que ganha destaque nos dias de hoje. A capacidade de pensar fora da caixa e propor soluções inovadoras serão condições sine qua non para se adaptar e prosperar nos novos mercados. Aliada a isso, a inteligência emocional – habilidade de compreender e gerenciar emoções, tanto próprias quanto dos outros. Não basta ser criativo apenas. A criatividade e forma de pensar diferente precisam estar acompanhadas de muita responsabilidade para que se explore a inovação, mas com ética e respeito às regras existentes. Liderança Inspiradora Por último, as habilidades de liderança, que vão além de gerenciar pessoas. Liderar envolve inspirar, motivar e guiar equipes para alcançar objetivos comuns, adaptando o estilo de liderança às necessidades da equipe e da organização. Com o avanço tecnológico, os trabalhos mais manuais serão substituídos, assim como aconteceu no passado na revolução industrial. Nesse cenário de transformação, o profissional precisa buscar formação e condições de liderança, mudar seu mindset e se esforçar para desenvolver capacidades de liderança e visão estratégica. Essas habilidades são algumas que têm menor probabilidade de serem facilmente substituídas pela tecnologia. A combinação de competências técnicas e interpessoais, junto com uma mentalidade de aprendizado contínuo, prepara os profissionais para enfrentar os desafios de um mercado de trabalho em rápida transformação. Ao focar no desenvolvimento dessas habilidades, você estará melhor equipado para construir uma carreira bem-sucedida e resiliente no futuro. Não acredito que as novas tecnologias venham para tomar o lugar dos bons profissionais, muito pelo contrário. Acredito que elas acabam por desempenhar um papel de filtro profissional que separa aqueles que terão sucesso no futuro e aqueles que não terão mais espaço nesse mercado. Todas as habilidades acima já são essenciais e serão exigidas em maior ou menor grau nos próximos anos. Cabe a cada um de nós manter-nos atualizados e aptos a continuar entregando valor em nossos trabalhos. Artigo também publicado no LinkedIn. ## Altos vôos URL: https://www.advisor.tips/pt/post/altos-voos Data: 2022-11-04T13:22:17.353Z · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Carreira & Desenvolvimento Estou aqui aguardando o embarque em um vôo que já está atrasado mais de 1 hora. O aeroporto de Curitiba está fechado por falta de visibilidade. Engraçado como a única área sem visibilidade na cidade é exatamente a área do aeroporto. Só pode que o tal Murphi deve ter participado do processo de escolha do local deste aeroporto. A sala de espera está uma loucura, com pessoas amontoadas, olhando ao redor, sem nada o que fazer, além é claro de ficar reparando um nos outros. Fico imaginando que tipos de comentários passam na cabeça de cada pessoa que está aqui. Parece que até consigo ouvir as madames criticando o sapato e a vestimenta da burguesa hippie que acaba de entrar. E os altos executivos censurando a gravata rosa com terno marrom do sujeito com cavanhaque. Mas o importante é que eles estão tentando achar alguma coisa para se distrair. Alguns, como eu, sacam seus brinquedinhos tecnológicos e põem-se a fazer a pose de que estão trabalhando. Outros não têm mesmo como disfarçar, e ficam reparando e analisando as pessoas, como por exemplo, a Senhora aqui do meu lado que tenta desesperadamente ler o que eu estou escrevendo no Notebook. Calma minha Senhora, depois eu te passo o link do Blog. Mas há de se dar um desconto, pois tudo que envolve a questão voar não é fácil. Já se tem polêmica desde a discussão sobre quem foi o inventor da aviação e até hoje parte do mundo ainda discorda da outra parte. O fato é que não fomos feitos para voar, e conseguir este feito sempre causa reações inusitadas. Talvez seja por isto que vemos estas coisas estranhas nos aeroportos. Já começa pelo fato de todos serem forçados a chegar com muita antecedência, com exceção (claro) do avião que quase sempre atrasa. Mas isto é só um detalhe, pois chegar com antecedência é o mínimo que podemos fazer para podermos passar a vergonha no raio-x (com aquela moeda ou chave que teima em ficar no fundo do bolso) ou assistirmos à dança dos portões de embarque em São Paulo, que sempre por reacomodação da aeronave, nunca está no portão que consta no bilhete. Então não é de se estranhar toda esta insegurança das pessoas desde a sala de embarque, que mesmo nos dias onde não há congestionamento como hoje, as pessoas já não estão totalmente confortáveis. Prova disto são os comportamentos que veremos nas cenas dos próximos capítulos, que nem precisa ser mago para prever, pois sempre ocorrem: Quando os auto-falantes anunciam um vôo, vejo tanta gente correndo para o embarque, que fico com a impressão que o anúncio foi de fogo no recinto, tamanha a volúpia de alguns para chegar à fila. Será que eles não sabem que existem lugares marcados? Mas não adianta… todos saem correndo. Nos aeroportos onde o transporte até os aviões é feito por ônibus (caso de São Paulo), a correria na fila se justifica ainda menos, pois os últimos a entrarem no ônibus serão os primeiros a sair do ônibus e por conseqüência os primeiros a entrar na aeronave. Dá para entender?!! Para aeroportos com “fingers”, o acesso à aeronave é mais tranqüilo, mas sempre existe aquela fila na entrada da porta do avião. Mais uma vez me pergunto. Porque sair correndo daquele modo? Eu deveria chegar à conclusão que devem ser todos loucos por avião e querem logo experimentar esta sensação de voar. Dentro da aeronave, começa o verdadeiro empurra-empurra para que todos se acomodem. Depois de alguns acertos e discussões, provando que alguns realmente não sabem diferenciar letras ou números nos assentos, começam as instruções da equipe de bordo. O que para muitos é corriqueiro, para outros a novidade das informações pode chocar, já que para alguém que nunca decolou, ficar sabendo que mascaras de oxigênio cairão do teto em caso de descompressão, pode aumentar ainda mais a insegurança. Verdade seja dita que alguns colegas maldosos (como eu) podem ter convencido alguém que está voando pela primeira vez, de que este tipo de demonstrações e orientações apenas acontecem em vôos de MUUUITO risco, o que certamente deixa este passageiro ainda mais assustado. Mas brincadeiras com novatos são normais, e aquelas recomendações de não se abrir a janela para não jogar vento das fileiras de trás, ou orientações para que o novato pegue recibo do consumo no avião, para futuro reembolso, já não são tão usuais assim. As pessoas já sabem o que esperar de um vôo e a cada dia aumenta o número de usuários da aviação. Durante o vôo, tudo se acalma e as comissárias começam a servir as bebidas e lanches. Alguns aproveitam a platéia cativa que, diga-se de passagem, não tem como sair do recinto, começam a mostrar seus dotes, seja de apresentador de suas idéias, falando alto, ou de galanteador das comissárias. Estes últimos esquecem que estão lidando com profissionais que aturam sujeitos assim o tempo todo. Lembro daquele sujeito que ao ser tratado de “Senhor” fala a célebre frase para a comissária: “SENHOR está no céu minha querida”. E ela com toda a educação responde: “E estamos aonde agora Senhor?”. Mas se estas pessoas gostam tanto de voar e gostam do show abordo, não entendo o porquê que ao chegar ao seu destino, nem esperam o avião estacionar direito e já soltam os cintos de forma frenética e se põem de pé, com os pescoços tortos e a cabeça encostando no maleiro acima. E claro, ficam assim tensos por vários minutos. Quando a porta da aeronave é finalmente aberta, tem-se uma nova correria e empurra-empurra. Todos agora alucinados para sair o mais rápido possível. O pior de tudo é que a maioria ainda vai ficar em pé lá fora, esperando longos minutos pela bagagem. Então…, não disse que voar não é fácil??! Mas o mais difícil é entender porque todos agem assim. ## Aprendendo tudo na Universidade URL: https://www.advisor.tips/pt/post/aprendendo-tudo-na-universidade Data: 2022-10-31 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Carreira & Desenvolvimento Quando eu estava estudando na minha graduação eu via muita gente com vontade de aprender, mas muitos deles não conseguiam aprender a aprender. Pensavam que o aprendizado estava somente nas matérias que estudávamos, mas todo o aprendizado que tínhamos com nossos colegas de classe era tão importante quanto o aprendizado da instituição. Poucos percebiam isto. Lembro que na festa de minha formatura, um dos colegas comentou em tom de brincadeira que tínhamos conseguido o Bacharelado em Truco (jogo de cartas), pois aproveitávamos cada intervalo para aprimorar nossas qualidades neste “esporte”. Mas o que para muitos era uma forma de extravasar a tensão, ou compensar as longas aulas teóricas, para mim sempre foi um aprendizado. O que se pode aprender com o Truco? (1) Regras: Até mesmo nos jogos tradicionais as regras sofrem adaptações e ao saber adaptar-se a novas regras e novos formatos pode-se ter um diferencial na vida profissional. (2) Verdades ou Mentiras: O blefe faz parte no jogo e muitas vezes é usado como forma de intimidação. Saber identificar o blefe e desmascarar o mentiroso é algo que se aprende ao longo do tempo e te dará respeito perante o grupo. Investigue, tenha mais informação antes de tomar uma decisão. Não acredite em tudo que ouve. (3) Experiência: A prática leva à perfeição. Aprenda com os mais experientes e pratique bastante, pois as situações passadas formam o conhecimento, que te permitirá tomar decisões no presente com maior rapidez. (4) Território: Aprenda a defender aquilo que você conquistou. Quando se está com muitos pontos, e o momento não está muito bom, aprenda a esperar o melhor momento de aceitar ou fazer novas propostas. Não aposte alto, com o risco de perder tudo. (5) Especialidades: Cada um tem habilidades diferentes dos outros e saber identificar nossas qualidades é um grande aprendizado. Não convide um jogador profissional de Xadrez para jogar Xadrez com você. Se quiser ganhar, chame ele para jogar um Truco (de preferência que ele nem saiba todas as regras e truques). (6) Trabalho em equipe: Não há como jogar sozinho. Aprenda a trabalhar em equipe e a tirar o melhor proveito de cada habilidade dos integrantes do time. (7) Cenários mudam: A cada nova rodada, a situação será diferente. Aprenda a tornar isto positivo e a como aprender mais a cada etapa vencida ou perdida. A cada rodada, se aprender com cada episódio, será um jogador melhor. (8) Comunicação: Saber se comunicar pode ser seu grande diferencial, pois nos momentos críticos é a comunicação que te trará aliados, ou te indicará perigos. Se comunique e aprenda a traçar estratégias em conjunto. (9) Recursos: No jogo, o segredo é usar bem o que se tem à disposição. Aprenda a dar tiros certos, usando o calibre necessário para cada situação. As vezes aguardar o momento certo para fazer uma proposta é melhor do que deixar a ansiedade atrapalhar tudo. (10) Sorte: A sorte é uma aliada importante, mas não se deve reclamar da falta dela, pois é necessário aprender a entendê-la e saber quando ela está do nosso lado. Não conte somente com ela para resolver seus problemas. Quando o jogo chega empatado na sua última rodada, a sorte será muito importante. Mas se você deixar chegar a este extremo, as dicas acima não farão muito mais sentido. Procure programar e conquistar seus objetivos com uma certa folga, pois se você depender da sorte, certamente estará dando uma chance ao azar. O bacharelado do Truco pode não ter um diploma oficial, mas pode ensinar muita coisa. Basta querer aprender. ## Como domar o tempo e fazer o dia render mais. URL: https://www.advisor.tips/pt/post/como-domar-o-tempo-e-fazer-o-dia-render-mais Data: 2025-10-20 · Autor: Karla Kuster · Eixo: Carreira & Desenvolvimento Vivemos num mundo onde as distrações estão a um clique de distância. Basta abrir o celular, rolar as redes sociais e, pronto, lá se foi meia hora – ou mais – sem nem percebermos. Num piscar de olhos, o tempo escapa, e o desafio de manter o foco vira uma batalha diária. Mas, calma, gerenciar o tempo não precisa ser um monstro de sete cabeças. Com um pouco de organização e uma estratégia simples, é possível transformar seu dia em algo mais produtivo e leve. A gestão do tempo é um assunto que nunca perde a validade. Décadas passam, gerações mudam, empresas evoluem, mas a necessidade de usar bem as horas permanece. O primeiro passo para isso é entender que organizar não é tão complicado quanto parece. Até os mais desorganizados têm seu jeito de “se achar na bagunça”. O truque é encontrar um método que funcione para você. Uma técnica prática e direta que pode ajudar é a dos 4D’s: Fazer (Do), Adiar (Delay), Delegar (Delegate) e Deletar (Drop). Ela é como um mapa para navegar pela lista de tarefas e decidir o que merece sua atenção. Antes de aplicar os 4D’s, você precisa saber o que você tem para fazer. Pegue uma folha, um aplicativo ou até o guardanapo mais próximo e faça um brainstorming: escreva todas as tarefas que estão na sua cabeça, sem filtro. Divida em duas listas: uma para o trabalho e outra para a vida pessoal. Só de colocar no papel, você já pode perceber que o volume de coisas a fazer não é tão assustador quanto parecia. Enquanto lista, já comece a pensar: quais tarefas são urgentes? Quais são rápidas de resolver? E quais você está empurrando só porque não está com vontade? Cuidado, nem tudo que é chato pode ser adiado! Agora, pegue outra folha e divida em quatro quadrantes: Fazer, Adiar, Delegar e Deletar. Cada tarefa da sua lista vai cair em um desses grupos. Vamos entender como: Delegar: Nem tudo precisa ser feito por você. Tem alguma tarefa que outra pessoa da equipe pode assumir? Delegar não é só uma forma de aliviar sua carga, mas também uma chance de desenvolver quem está ao seu redor. É um ganha-ganha. Deletar: Pergunte-se: essa tarefa é mesmo necessária? Às vezes, carregamos atividades por hábito ou porque “sempre foi assim”. Se algo não agrega valor ou perdeu o sentido, risque da lista sem culpa. Isso libera espaço para o que realmente importa. Adiar: Nem tudo precisa ser feito agora. Avalie o impacto de deixar uma tarefa para depois. Se for adiável, coloque uma data para voltar a ela – organização é a chave para não deixar essas tarefas se perderem no limbo. Fazer: O que sobrou aqui é o que realmente merece sua atenção agora. Pode ser uma tarefa urgente, importante ou até algo simples que você resolve em poucos minutos. Então, agora: faça! Essa técnica dos 4D’s te ajuda a tomar decisões rápidas e a focar no que faz diferença. Quando você para para refletir sobre suas tarefas, já está dando um passo enorme para otimizar seu tempo. O resultado? Menos sobrecarga, mais clareza e um dia que rende muito mais. Karla Kuster Consultora e Instrutora | Mentoria | Treinamento | Palestras Associada da AdvisorTips ## O paradigma do estigma URL: https://www.advisor.tips/pt/post/o-paradigma-do-estigma Data: 2022-11-04 · Autor: Rucelmar Reis · Eixo: Carreira & Desenvolvimento Desde crianças a gente recebe uma porção de informações que ajudam a formar nossas crenças e valores. Por outro lado, a sociedade tem mudado os seus valores de forma muito rápida, e as vezes estas mudanças são contrárias aquilo que temos como estigmas e estereótipos em nossa infância e juventude. Neste caso, temos um paradigma bem interessante. Se deixarmos de acatar as mudanças da sociedade seremos vistos como retrógrados, antiquados e até preconceituosos. Mas se abrirmos mão totalmente de nossos valores e ensinamentos que recebemos, podemos perder um pouco de nossa identidade e crenças. Mas nem tudo precisa ser 8 ou 80. É possível conviver com pensamentos e comportamentos diferentes dos nossos? Cada um de nós carrega uma história recheada de valores e visões do mundo e é de se esperar que estas histórias e valores não sejam iguais para todas as pessoas. Mas vivemos em uma sociedade onde se exige interação diária com pessoas que possuem visões diferentes das nossas, então temos que aprender a conviver com esta diversidade. O principal a ser desenvolvido nesta história é a tolerância. “Se entre a minha verdade, e a verdade do outro, existir a tolerância, os atritos tendem a não acontecer.” O problema é que queremos que nossa verdade sempre prevaleça sobre a verdade do outro e ficamos nesta eterna disputa de verdades. Na maioria das vezes aceitar a diferença é difícil, pois criamos estereótipos e estigmas dos quais temos dificuldade em nos desvencilhar. O wikipedia tem um texto interessante: Há também, estigmas de comportamento que definem e limitam aspectos da vida cotidiana. Por exemplo, a cor rosa no vestuário apenas para mulheres e o futebol como esporte de homens. Mas o que isto tem a ver com o ambiente profissional? Tem tudo a ver. Quem trabalha em empresas grandes tem a oportunidade de conviver com muitos tipos de pessoas. A tendência natural é que os grupos se formem baseado na afinidade de pensamentos e valores, e que estes grupos passem a se defender e defender as suas ideias. Este é um comportamento natural. Mas quando isto passa a ser relevante nas decisões profissionais a empresa começa a perder a credibilidade, pois começam a acontecer promoções por afinidade e não por merecimento, ou desligamentos por não compartilhar as mesmas ideias e não por baixa performance. Este é um risco que as empresas correm se não tomarem cuidado com este tipo de postura. Outro ponto importante é não deixarmos que os estigmas atrapalhem a evolução profissional. As vezes alguns profissionais são taxados e carimbados apenas com um determinado skill e são tolhidos nas oportunidades que exigem outros skills, pois a empresa não os acha capaz de desenvolver outros trabalhos. Mas na verdade o que falta é oportunidade destas pessoas exercerem outras funções. Gosto de citar o caso da atriz austríaca-americana Hedy Lamarr, que foi considerada uma das mulheres mais bonitas da Europa nos anos 1940. Mas a segunda grande guerra fez com que ela tivesse outras oportunidades de mostrar o seu maior talento, que era a matemática. Preocupada com a segurança nas comunicações por rádio, ela foi uma das inventoras de multi-frequência que era necessária na comunicação wireless, iniciando assim a era do pré-mobile. Sem ela não estaríamos usando nossos celulares. Mas o que uma mulher bonita e atriz de 1940 podia entender de matemática e eletrônica? É o mesmo que hoje nos perguntarmos… E o que o estagiário de finanças pode entender de criatividade? Rotular é o mais fácil e o mais errado. Se é difícil não ficar com uma primeira impressão, pelo menos nos devemos dar o direito de formar outras impressões ao longo do tempo e não apenas encaixar aquele indivíduo no grupo A ou grupo B. Certamente carregamos conosco muitos estigmas e conseguir quebrar o paradigma desta visão não é algo simples, mas devemos exercitar esta capacidade todos os dias. Se soubermos aceitar cada um com suas crenças e não tentarmos a todo custo convence-los que as nossas crenças são melhores, certamente acharemos outros pontos em comum que podem nos unir e nos aproximar destas mesmas pessoas. No meio de tudo isto, será que somos capazes de diminuir nossos preconceitos e focar mais nos preceitos do mundo que vivemos?